Quando o sonho não é seu: frustração de perseguir ideais alheios
Vivemos em uma sociedade que cultua perseguir sonhos a qualquer custo: “Corra atrás dos seus sonhos”, escutamos
desde cedo, como se bastasse isso para ser feliz. No entanto, há muitos sujeitos adoecidos não pela ausência de sonhos,
mas por terem realizado aquilo que acreditavam desejar – e, ao alcançarem o tão esperado “sucesso”, depararam-se com
um vazio difícil de nomear. A conquista se torna sem sentido. A vitória, sem sabor. O sonho, por fim, se mostra estranho:
nunca foi deles, de fato.
A pergunta que se impõe é: de onde vem esse sonho que tanto nos move? A resposta jamais é simples. A construção do
desejo passa por caminhos tortuosos, marcados pelas identificações infantis, pelas expectativas dos pais, pela cultura e
pelas defesas que organizam o psiquismo. Muitas vezes, aquilo que um sujeito persegue com tanto afinco – uma carreira
específica, uma imagem de sucesso, um tipo de vida – é, na verdade, uma tentativa inconsciente de atender a um ideal
que não lhe pertence, mas que se infiltrou silenciosamente em seu mundo interno como um mandamento: “Se eu for isso,
serei amado.” “Se eu conquistar aquilo, serei visto.” “Se eu tiver aquilo outro, finalmente serei alguém.”
A idealização é algo potente na mente humana. Ela é necessária em certos momentos, mas pode também aprisionar
o sujeito em roteiros rígidos, distantes de sua verdade mais profunda. O que se revela, com o tempo – muitas vezes
por meio de sintomas, crises existenciais, ansiedades difusas ou até mesmo estados depressivos – é que houve um
desencontro entre a trajetória vivida e o desejo verdadeiro.
A dor do autoengano não é pequena. Mas a possibilidade de reconstrução é imensa. Ao reconhecer que aquele sonho
não era seu, o sujeito pode, enfim, deixar de atuar papéis e começar a viver não mais para corresponder às expectativas
do outro, mas para habitar a própria existência de forma mais livre e criativa. Viver o sonho do outro, é sobreviver. Mas
viver o próprio desejo é, enfim, existir.
Adaptado de: SCHREINER, S. A. Quando o sonho não é seu: frustração de perseguir ideias alheias. Folha de Londrina, Londrina, 05 de maio de 2025,
Saúde, p. 17.
Com base na exposição acima, redija um texto dissertativo-argumentativo em que discuta a seguinte colocação do autor:
“Viver o sonho do outro, é sobreviver. Mas viver o próprio desejo é, enfim, existir.”. Utilize, para isso, de 20 a 25 linhas.