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Bélgica

Quais são os feriados nacionais da Bélgica?

– São, no total, 10 feriados nacionais (Há também feriados municipais, da província e da região) – 1º de janeiro: Ano Novo – Segunda-feira de Páscoa – 1º de maio: Dia do trabalhador – Dia da Ascensão – Pentecostes – 21 de julho: Dia Nacional – 15 de agosto: Assunção de Maria – 1º de novembro: Dia de Todos os Santos – 11 de novembro: Armistício de 1918 – 25 de dezembro: Natal

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Redação UNESP UNESP

Redação UNESP – Fatores que zeram uma redação

– Fuga de tema e/ou gênero proposto (Mantenha-se em 4 parágrafos, falando de todas as palavras do tema) – Apresentar sinalização que identifique o candidato (Qualquer identificação é feita no gabarito) – Folha em branco – Texto não verbal (Deixe qualquer desenho para o rascunho) – Texto em língua estrangeira (É tolerada a presença de termos em língua estrangeira) – Letra incompreensível e/ou ilegível (Pratique para que seja possível pelo menos prever o que está escrito) – Texto fora do espaço reservado (Caso precise economizar linhas, risque uma frase e escreva por cima dela) – Texto com menos de 8 linhas autorais (Você pode usar informações dos textos motivadores, mas não copiar exatamente) – Esqueleto pronto de redação (Preocupe-se menos com repertórios coringas e conectivos que não cumprem sua função) – Apresentar forma proposital de anulação (Obviamente que impropérios são permitidos se fazem parte do nome de um título)

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"Memórias de Martha" FUVEST 2026 Julia Lopes de Almeida

“Memórias de Martha” de Julia Lopes de Almeida – Resumo de Cada Capítulo

Publicado em 1899

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1862 – Rio de Janeiro, 30 de maio de 1934, morrendo de complicações de febre amarela) foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira.

Foi casada com o poeta português Filinto de Almeida, apesar de ser mais famosa e mais apta do que ele, o marido foi nomeado a participar na ABL em seu lugar. Existe uma expressão chamado “nobre consorte”, que é alguém que participa da família real sem ter o sangue, tal qual ele é acadêmico consorte da ABL. Era filha de Visconde, escrevia escondido, antes de poder se ver a atividade de escrita como inclusa para mulheres. Foi jornalista em “O País” por 30 anos, começando primeiro a publicar na Gazeta de Campinas, cidade que mudou para viver em sua infância. Vai para Lisboa, em 1886, escreve com sua irmã “Contos Infantis” em 1887, sendo a pioneira em literatura infantil no Brasil. Quando casa-se com seu esposo, ele já era diretor da revista “A Semana Ilustrada”, já colaborava nas publicações. Em 88 volta ao Brasil e publica “Memórias de Martha” que saiu em folhetim em “O País”.

O livro é composto por 12 capítulos, com um final que foi apenas publicado em folhetim.

Capítulo 1 Com o gênero “memória”, o narrador-personagem começa a falar do esboço que são suas lembranças da infância, como da casa, do quarto, do quintal, tal qual nem fica o sentimento de saudade, mas o de dúvida. Lembra-se de uma mudança, mandando por as coisas na rua por um homem zangado, a mãe em prantos, seu pai enfaixado morto na cama e que devia beijá-lo. “O frio e o cheiro do cadáver deram-me náuseas”. Pensando que ia ser levada com o morto, saiu correndo para o quintal, sentindo-se livre e também com a cabeça em mente da punição do Pai do Céu de suas travessuras, mais do que o medo que iria morrer, já que ouvia todo dia que Deus iria castigar tudo que ela fazia pela boca da mãe. Mal lembrava do pai, nem sabe se o amou pois a convivência era pouca. Mais passava o tempo trabalhando, já a narradora, agarrada à saia da mãe e ouvindo histórias arrepiantes de pecadores e do castigo de Deus. Mas ela não distinguia “o movimento de transição da nossa vida desse tempo para o outro, em que habitamos um cortiço de São Cristóvão.“. Não tinha criados e nem sabe para onde foram, nem a mestiça, a mãe ficava a engomar dia e noite, suspirando, peito magro e com as mãos queimadas. Crescia devagar, até eventualmente ia brincar com as outras meninas do cortiço, mas elas eram mais brutas e violentas e logo a faziam chorar alto. A mãe vinha ao socorro, lábios queimados e respirando forte, protegendo a filha. A mãe dava uns trapos para que ela brincasse e logo caia ao sono, acordando e estava coberta com um lençol, cabeça no travesseiro e um mosquiteiro que a protegesse. “Os dias sucediam-se sem que se notasse a menor alteração em nossa vida.”. O café da manhã era café e pão, a parte dela maior que a da mãe, sempre se sentia atraída pelo barulho das crianças e logo voltava chorando, cheia de agressões verbais de ser lerda, palerma e lesma, ela mais fraca e tímida que todas, e das agressões físicas. Estranhava no começo como existia tanto barulho, tanta gente e tanta gritaria ali. Ficava na tutela da mãe para não ficar como ela, como se a observasse a todo momento e sentisse o cheiro do desvio de caráter. “Fui sempre medrosa e dócil.”. Sempre ficava na casa de uma outra violenta moça enquanto a mãe fazia entregas. Lembra-se bem de uma cena, Carolina, filha dessa ilhoa (que é da ilha) percebeu que ela tinha fome, coisa comum de passar tanto tempo depois do café da manhã e da idade. Deu um bocado de carne e farinha e ela devorou com vontade, soltando palavras meigas e a ilhoa chegou. Perguntou como ela arranjou a comida e a Carolina respondeu logo, tomou seis socos na cara e caiu ao chão, mesmo dizendo que não tinha fome, ela avisou que era para aprender que ninguém mexia na comida sem sua permissão. Chorando, foi como encontrou a mãe ela. Contou a história para a mãe que, a partir dali e depois de tanto tossir, nunca mais a deixou com a ilhoa e levava ela nas entregas. Em uma das entregas da primeira semana de sol, no meio do caminho, a mãe se escondeu de uma moça bonita, ela a conhecia. Perguntou o motivo de não a cumprimentar, “A resposta tive-a anos depois, do tempo, da idade, do destino e dos desenganos.”. Pensando nisso na casa da freguesa, foi passar um tempo com uma das meninas que se divertia em mostrar o que tinha, mais por vaidade do que empolgação. Após ver os brinquedos, as posses e as salas da casa, elas se viram em um espelho e a narradora se achou feia ao lado dela. “Ela me compreendeu e demorou-se maldosamente a confrontar-me com altivez. Eu me sentia humilhada e com vontade de chorar… Em casa da ilhoa ou em casa da freguesa, caía sobre mim, com todo o peso, o horror da minha incompreendida situação.”. A mãe chama a menina, Lucinda, para que dê um vestido a ela que não servia mais. Ria da situação que colocava um vestido pelo outro, Lucinda a chamou de macaquinho. Obedecia como um robô de mexerem como bem entendiam e ela sentia raiva de ter que aceitar esmola e ter a vida tão diferente de Lucinda. A mãe agradecia. A irmã mais velha de Lucinda a beijou, apagando seu ódio. “As crianças pensam; e as impressões que sentem são as mais duráveis e profundas muitas vezes.”. Voltou lá, sem Lucinda, a moça tinha mais roupas para doar. Perguntaram se sabia ler, mas agora poderia ir para uma escola para aprender com novas roupas, para a alegria das senhoras. Passou a tarde feliz na alcova, com as outras crianças, Maneco, oito anos, fedia cachaça e procurava ponta de cigarro para fumar, pálido e orelhudo, era o que o mais lhe afligia e mais procurava ela. Rita era sua irmã, cinco anos, falava palavrão de um volume tanto quanto era bonita, morena e engraçada. Lucas era mais jovem, vivia sujo e mentindo. Todos ouviam as histórias curiosos e invejosos, menos Carolina que se curvava para lavar os esfregões.

Capítulo 2

“Dias depois entrei para a escola pública da minha freguesia.”. Foi até falar Carolina e os irmãos que ia, viram ela indo com o vestido. O começo foi difícil, acostumou-se. Ficou colada à uma mulata que tinha os estudos mais avançados e paciência para ensinar ela. “Ficava a meu lado; era feia, escura, marcada de bexigas, com olhos pequeninos e amortecidos, o cabelo muito encaracolado e curto.”. Tinha doze anos, fazia 3 anos que estava na escola, não subia de nível. Estimava-a muito. Chamava-se Mathilde. Avançava nas letras por sua conta. Apesar de várias vezes sumirem objetos na sala, um dia sumiu uns sapatinhos e acusaram Mathilde, que negou, acusando-a do sumiço do sapato e de tantos outros objetos. Ao vasculharem sua caixa, acharam os sapatos e ela recebeu as humilhações de cabeça baixa. Ficou de pé no canto da sala de exemplo, não conseguiu acompanhar a aula, mas acompanhou a atitude de todos e nunca mais dirigiu uma palavra à Mathilde. Isolada, tornou-se agressiva, inauturável a tal ponto que a expulsaram. Viu-a sair sem chorar, aos fins dos trinta e tantos anos, sentia dor no peito. “Substituí a Mathilde, na grande convivência colegial, por Clara Sylvestre.”. Não ensinava como Mathilde, mas a cuidava com muito esmero, era sempre muito cuidada e ganhava até parte da merenda dela. Era forte. Ela sempre carregava pó de arroz e a narradora achava lindo. Inventava histórias de Lucinda com suas roupas e Clara por alguns momentos ficava com inveja, queria esse luxo todo. “De Carolina e dos irmãos ranhosos não falei nunca no colégio.”, mesmo ela tendo sido salva da fome e apanhado por isso, era perigoso manchar sua reputação na escola. Depois de dois anos, passou, foi de vestido branco e laços, não reconheceu na época, mas a mãe teve que trabalhar muito. Foi um dia de vitória. As amigas falavam das férias, das viagens, a narradora ficava triste. Ia passar as férias com a mãe que só trabalhava, emagreceu e ficou pior, via de longe Carolina que trabalhava e também piorava. “Era a doença, era o cansaço, porque ela, estupidificada pelo meio, nem tinha consciência do sofrimento.”. Maneco continuava nos vícios, ainda mais que o pai, Seu Joaquim, incentivava-o pela ausência e pelo ensinamento. Mesmo com a violência toda, a narradora voltava à casa da ilhoa, cansada do tédio da casa. Um dia a ilhoa chamou sua mãe, Martha, para que a menina fosse com ela. Tinha ganhado doces e repartilhava com as crianças, notou a falta do Maneco, mal sabia a mãe do paradeiro. A casa da ilhoa, mesmo com tantas crianças, era o menos sujo do cortiço. O quarto tinha o que dava, coberto do que podia. A ilhoa perguntou para procurar Maneco mas Rita contou que logo vinha. Os pensamentos da ilhoa que ele estava bebendo se concretizaram, ele voltou que não se aguentava. A mãe esmurrou ele forte, batia de quase matar ele e a Carolina de suplicar que parasse. Rita assistia apavorada. A ilhoa contemplava o corpo dele estirado ao chão e que era uma maldição o Joaquim na vida, contou do avô que morreu do mesmo vício, mas Joaquim não tinha o mesmo, mas ensinava Maneco a beber. Rita ficava ali assistindo, Carolina ia chorando e levava o irmão para o quarto, ele chiando na respiração. Dessa vez, a briga na volta de Joaquim com a ilhoa foi mais longa e mais barulhenta. Martha fechou a porta e mandou a narradora dormir.

Capítulo 3 Um surto de difteria e de sarampo afetaram o cortiço, Martha cuidava da narradora com força e com dedicação. Nessa febre, delirava com pedidos que a mãe só podia a olhar e não realizar. Comprou uma boneca pois queria a mesma de Lucinda, que viajava. Ela comprou, via na cara dela a decepção, deixou-a no assoalho por alguns minutos mas brincou com ela, enfeitou-a e dormiu com ela nos braços. A mãe continuava a se esforçar no trabalho. Voltou para a escola e sentiu saudades dos dias ociosos, foi com Rita para estudar dessa vez, protegendo-a, tomou gosto de ser sua mentora e a palavra final das decisões dela. Muitas meninas iam e vinham, sem saber de onde e para onde, deixando uma tristeza sem fim e sem compreensão pela idade. Ainda Clara Sylvestre foi estudar e tinha ciúmes da relação da narradora com Rita, tinha amizade com outra cabocla risonha, mas até se resolviam tempos depois rindo entre si. Virou favorita da professora, sentava perto, comentava da facilidade e da paciência e as crianças traziam alecrim e perpétuas de presente. Chegou dezembro, passou com louvor nos exames e a mãe pensou estar apta ao trabalho, mas não tinha jeito com a engoma e deixava comida queimar. A mãe não repreendia, mas lhe dizia que devia se acostumar, até porque um dia iria morrer e precisava ser independente. Desatou a chorar e prometeu trabalhar bem, para no outro dia entornar as panelas e apagar o fogo. “Eu tinha então onze anos.”. Passou as férias tristes, Carolina, ainda resiliente e e sensata, continuava a sofrer agressões. No primeiro dia de escola, estava lá, e ouviu uma conversa da professora animando uma adjunta para ter liberdade financeira e social ao se tornar professora. Na mesma noite, a narradora sonhou em ser professora, tinha frutos do trabalho, a mãe ficava feliz com o sonho do emprego. Mas ela não sonhava em dar sossego para a mãe do quanto trabalhava, ou ser útil ou poder ter dinheiro, mas de não ter que mais morar em cortiço era um sonho por si. Estuda a mais e tinha frutos, dava para a mãe que guardava entre cartas da família e retratos do pai, uma caixinha que dizia sorrindo ser o passado e o futuro dela. Voltando para casa um dia com Rita, a narradora vê a ilhoa com roupa rasgada e cabelo solto sendo segurado pelos soldados, com o Joaquim vociferando enquanto sangrava. No susto, descobriram que a ilhoa levou Maneco ao médico, emagrecia muito, não dormia e tremia, era o vício, não tinha nem mais cura, a morte era o fim. Deixou-o com Carolina e foi atrás de Joaquim, o filho ia morrer, mas ele iria antes. Tinha muita gente e mais gente chegou depois com os soldados, mas a ilhoa só via o dono, amarelo, alto, no balcão seboso, magro, quebrou tudo que tinha em volta enquanto quebrava o Joaquim. Carolina chorava enquanto continha o irmão, Martha foi ajudar Carolina. Martha notou as pernas inchadas de Carolina, perguntou se foi ao médico. Como toda doença e problema que tinha, dizia que era nada. Ela já nem calçava meias, outra pessoa disse ser a umidade dali. Martha deu caldo ao menino e janta à Rita. A ilhoa voltou no outro dia, mal entrando, já chorava.

Parei aqui – Capítulo 4 “O cortiço em que morávamos gozava da fama de ser um dos mais pacatos do bairro devido à previdência do proprietário, um carroceiro português que morava com a família no local, na primeira casa à esquerda do portão.”. Gabava de escolher a dedo quem morava ali, e as pessoas iam se amontoando pelo preço, acostumando-de às promiscuidades e à barateza. A narradora se demorava como podia para não voltar ali. Até mesmo nomeou o cortiço de “avenida”, arranjou quitandeiros para darem frutas e fez uns tanques para as lavandeiras. Não foi nem dessas cortesias que continuavam, mas é que nem aumentou o aluguel e nem tinham outro lugar para ir. Eulália era outra moradora, de perto da ilhoa, falava alto, mulata gorda, todo sábado voltava da feira com cachaça. Ainda faziam assobios de canções africanas e improprérios, respondia dançando, fazendo careta ou caindo ao chão. Nas segundas, cheia de nódoas de pancadas, ia à Martha pedir trabalho. Ela a admoestava, dizia não deixar ela na mão e ela cumpria o serviço. Direita da casa moravam galegos, mulher, marido que trabalhava na fábrica e duas filhas, fechavam a porta da casa para não compartilhar comida, nem com “tio Bernardo, o idiota velho que o carroceiro sustentava e a quem todos davam os magríssimos sobejos.”. Era explorado. Dois tiroleses eram bem calmos, apesar de um ter tentado roubar uma mulher paraguaia, mas Túlio intervia e trabalhavam bem, mais Túlio do que Giovanni. Depois de uns dias, Giovanni matou Túlio dentro da casa, fugiu de madrugada e tio Bernardo viu a culpa. A gente comentava, a narradora viu o corpo de Túlio ensanguentado, boca aberta e olho esbugalhado, não por muito tempo pois a mãe a apressou, mas foi o suficiente para marcá-la. Averiguaram que levou dinheiro guardado de Túlio e Giovani o matou no sono. O medo tomou conta dela, o dia era até passável, mas de noite achava que ia ser assassinada a qualquer espreita, mesmo que a mãe dissesse que elas eram muito pobres para serem alvo de qualquer coisa. Até uma noite confundiu uma saia com o Giovani, a mãe a protegeu e embalou no sono. Foi aos poucos voltando ao normal. Emagrecia e, em um dia que costurava, a mãe a ficou vendo e disse como ela parecia com o pai. Pela primeira vez, deixou de trabalhar e parecia querer falar dos mortos e a narradora perguntou. Falava que ela tinha os olhos e a cor da pele, disse que se conheceram em uma festa e inicialmente foi difícil para se juntarem. Ela era pobre e ele também, mal tinha dinheiro para o dote e foi morar com ele e a sogra na casa da sogra. O pai dela era viciado em apostar jogando cartas e mal tinha como pagar as dívidas, piorou quando a mãe dela morreu. Foram se arranjando após a morte do avô enquanto apostava, eles tinham pouco mas eram bem considerados e virou caixeiro-viajante após a filha nascer. Porém, foi assaltado e não acreditaram na história, perdeu muito dinheiro e se matou. Chorou pela primeira vez a morte do pai, perguntou como levaram a morte do pai na empresa, Braga & Torres, culparam-no. “A viúva de um ladrão não podia continuar na mesma classe da qual a memória do marido a arrancara. Não era só uma mulher pobre, era uma mulher vilipendiada. Estávamos bem no cortiço, só aquele lugar é que nos competia…”. Os barulhos todos do cortiço cessaram, até a brisa parou de vir da janela.

Capítulo 5 “Os meses foram correndo. Eu estudava muito, mas, ou pelo esforço intelectual, ou por fraqueza física, estava sempre nervosa, irritada e magra. A minha preocupação constante era ser vítima de um desastre imprevisto.”. A morte era uma preocupação constante, tudo levava um medo de morrer ou achar a mãe morta, ainda que Martha tentasse distraí-la. Não foi mais à casa da ilhoa, a visão de Maneco ainda, tremendo, cada dia mais magro, só piorava tudo. Em uma tarde, viram luz no quarto da casa da ilhoa mas nada relacionaram, na manhã seguinte de domingo, ficou em casa e fazia frio, até que passou um caixão de defunto na casa da ilhoa. Foi ver, a casa estava aberta e ainda assim menos suja que as demais. Rita via tudo com os olhos bem abertos. Carolina andava com as pernas bem inchadas, tirando roupa de um baú. Maneco estava morto na cama, pálido. Tinha morrido de madrugada, fazia dias que não saía da cama, a morte era certa e esperada, mas a família sofria. Rita beijou-o na bochecha, Carolina na boca enquanto o molhava de lágrimas, Joaquim o abençoou, a ilhoa o segurava no colo longamente e o beijou e colocaram-no no caixão, sem flores, sem cerimônia. A narradora, comovida com tudo, quase a chorar, fugiu para casa. Na aula, no dia seguinte, pálida, recebeu notícias da mestra que ela foi aceita para receber ordenado, salário. Mal conseguia se segurar para contar a notícia para a mãe, mal entendia as lições. Parece que foi até de propósito que duas meninas que ela acompanhava tinham o irmão, filho de carpinteiro, a esquecer de buscar elas e ela sem poder ir para casa logo. Quando deram 4 horas, vieram e ela saiu voando para casa. Chegou abraçando a mãe, disse que poderiam até mudar para perto da escola, um chalézinho pequeno mas aconchegante, só que tomaria todo o dinheiro do ordenado. Deixaram sempre em mente aquela casa até que um dia surgiu a ousadia de alugar, um menino fitava ela enquanto ela explicava as aulas de física, era bom moço. Só que ela sabia nada de amor, se quer recebia cartas ou qualquer coisa e nem sabia como reagir. As meninas se riam e ele vivia a vendo e fitando, perdia seu rumo. Um dia, ela foi com a mestra para ir embora para casa, mas chegando perto, lembrou que teria que mostrar o portão do cortiço, todo feio, ela até inventou uma enxaqueca para diminuir o passo. Ela aconselhou dormir bem agasalhada, deu-lhe um beijo e se foi. Até viu a sombra dele na parede, mas nunca mais o viu. Foi assim que decidiu alugar “pequeno chalé cor de pérola, de venezianas verdes e lambrequins de madeira a guarnecer o beiral do telhado.”. Mas, depois de tantos anos, chegou à conclusão que o menino estava interessado era na professora.

Capítulo 6

A narradora morava no novo chalezinho, a mãe continuava a trabalhar o mesmo tanto, mas o ar era melhor. Pensava bastante no menino, estava apaixonada. Nunca mais o viu por muito tempo, meses, julgava ter sido a entrada do cortiço. Mas ela achava o amor improvável por ser feia. Talvez amasse o que ele representava, o Amor, o sentimento e a hipótese. Continuava na mesma escola, com afinco, dedicação, nunca deixando-se de parar de se esforçar, pois não considerava ter talento, apesar do comentário da mestra, o que tinha era “muita boa vontade.”. Deram o apelido de Santinha pela professora apontar como exemplo e de forma maliciosa. A narradora ignorava. “Assim, cheguei à idade de vinte anos, passando o melhor tempo da vida a estudar para ensinar ou curvada sobre a costura, ao lado de minha mãe, que enfraquecia muito e trabalhava sempre…”, não tinha amigas ou hobbies, pouco a pouco os olhos perdiam o brilho. Martha notava o espírito da filha e pedia que a mestra eventualmente a chamasse para jantar. Ficou entusiasmada com o convite da diretora para jantar com outros, ela tinha muito poder na narradora, já que ensinou desde o ABC e trabalhava com afinco, assim cobrando dos outros. Estava por perto dela, mas profissionalmente, o convite deixou-a feliz. Vestiu o melhor vestido, com rosa fresca, feito do crochê do recreio das meninas, a mãe a acompanhou e a esperaria, não tinha vestido bom para ir e a esperaria onde apenas os criados poderiam vê-la. Ficou perdida na festa, sentia-se feia vendo tantas jovens bem vestidas, dançavam, riam, lembrava-se da vez que se viu no espelho com Lucinda e o abismo que existia ela e as outras senhoras. Até olhava para a mobília e a casa, tão distante de si. A dona da casa apareceu, cumprimentou-a e ela logo a puxou para uma sala, apesar da narradora ter tentado, em toda sua timidez, resistir. Viu sua mestra, jovial, contava do seu sogro e da surpresa do aniversário do marido, senhor Jeronymo de Andrade. Após ter ouvido da família e de amigos, as pessoas dançavam, até que uma hora ela foi chamada para dançar. Ela queria sair daquilo, quem o acompanhava fazia de má vontade, ela se confundia toda, voltou para a cadeira derrotada. Quando serviam chá, pegou e guardou alguns biscoitos para a mãe, alguns rapazes viram com desaprovação e ela sentiu vergonha. Ouviu de um casal de idosos que já eram duas da manhã, sendo que sua mãe a esperava às onze. Ainda tentou achar a dona da casa mas saiu correndo. A mãe estava lá, no frio, ainda a esperando, dizendo que valia se ela tivesse se divertido. Ouviu tudo enquanto ajudava a filha se arrumar para dormir. No outro dia, desculpou-se à mestra de ter saído sem se despedir e ela perguntou se tinha se divertido, como nem tivesse feito falta. A narradora afirma que foi para trabalhar ali que tinha nascido mesmo.

Capítulo 7 “Decorreram muitos meses sem a mais leve mudança.”. Aquele “soirée”, festa, deixou uma má impressão na memória, gostou no momento, mas ficou mortificada depois que relembrava. Chegaram as férias, e, com ela, febre e tosse. O humor mudava e também tinha vertigens. O médico disse que precisava casar. Aquilo a chicoteou, parecia histerismo, a mãe a olhava com preocupação, o médico até tentou desviar para que ela tivesse folga, uma viagem ou coisa do tipo. A narradora não achou a ideia boa, a mãe foi contar à mestra em lágrimas. A ocasião coincidiu com a mestra indo passar férias com ela em Palmeiras da Serra, RJ. A mãe pediu dinheiro adiantado a um homem freguês antigo, Miranda, consertou-lhe e comprou roupas e a passagem, deu tudo sorrindo. Custou para soltar a mãe, chorava muito. Na viagem, via toda a paisagem bonita. Chegou na estação tarde, alguns estrangeiros por ali que eram da família e os levaram para a casa, espaçosa, com muitos quartos, em um local com muito verde e com muita paz e luz. Foram 3 pessoas com ela, além de uma criada, “O chefe da família gostava de caçar, a mulher de ler, eu de escrever à minha mãe.”. O chefe ia caçar, as mulheres passeavam, a mulher, Dona Anninha, com livro e a narradora com o cesto de trabalhos. Muitas vezes aproveitavam para ler na varanda do chalé do senhorio, a narradora simpatizava com uma arara que não lhe dava muita bola. Assim passavam os dias, aproveitando a natureza, lendo, cosendo, entre cheiros de flores, colhendo algumas, até colhendo framboesas e ouvindo o germinar da natureza. Em um dos passeios, um grupo de rapazes apareceu e um deles conhecia D. Anninha, Luiz, seu primo, falava de como gostava do lugar, ia até no inverno, mas que era bom viver na cidade para saber aproveitar o campo. Prometeram de almoçar no dia seguinte, era estudante de medicina depois que a narradora soube das contações dele. Naquela noite, a narradora misturou a sua face, “de rosto oval, grande bigode castanho, olhos maliciosos e ternos a um só tempo, cabelo ondeado e sedoso, mãos finas, esguias e brancas.”, com a do menino de três anos atrás, arrumou-se diferente e esqueceu de sua fealdade. Ele chegou atrasado, reclamava de ser estudante de medicina. O almoço foi feliz com seu espírito. Ele contava de um sonho de ter um castelo, com muita arte, pessoas felizes e belas, rodeadas por fauna e flora se tivesse muito dinheiro para poder oferecer tudo isso e ser lembrado como um bom governante. Até transpirava de contentamento do trabalho cotidiano e do afastamento da cidade. O marido de D. Anninha dizia que queria sossego e paz, nada de música e de festas ou de danças, mesa farta, espingarda cheia e sossego. A mestra perguntou à narradora, Martha, o quê faria se fosse rica. Ela era modesta, falou pouco e Luiz a observava. Na volta, foram de braços dados e ele contava da sua vida e de suas aspirações. Ela ouvia atenta, e queria ser sua esposa. A mãe veria tudo e ficaria feliz.

Capítulo 8 Martha, a narradora, vive um amor inocente com as visitas de Luiz, com flores e poemas que traz. Ela até se ri no momento presente da escrita das memórias. Em uma das tardes, caiu uma chuva forte, D. Anninha ia séria encontrar abrigo, Luiz ia rindo, Martha estava apavorada pois ela sempre teve problemas em lidar com tempestades e ficava cega de medo. Encontraram abrigo com um negro velho lenheiro. Passados quinze minutos, outra mulher apareceu, do hotel, “nova, alta, bonita, rosto cor de leite e rosas, de uma frescura encantadora, emoldurado pelos anéis sedosos do cabelo loiro-cinzento”, Luiz ficou encantado. Dado um sossego, conseguiram sair para ir ao hotel, um estrondo de trovão fez Martha gritar e Luiz a segurou e ajudou-a até o hotel. Dormiu bem e se revigorou. No dia seguinte, ficou a impressão boa do carinho de Luiz por ela e de como a cuidou, e se apagou a memória da norte-americana. Luiz não foi almoçar, esperaram-no em vão, mas chegou uma carta de um criado que a mãe da mestra não ia bem e precisava da presença dela. Voltariam no dia seguinte e Martha continuava confiante que ele apareceria, pelo menos para se despedir na estação. Daí que ela o vê de novo, em um dia belo e bonito, com fauna e com flora romântica, braços na rapariga de ontem e conversando intimamente em um banco antes de ir à estação. Via-os de perfil e das poucas palavras que entendeu, ouvia ele perguntando a ela se o amava e ela respondia que sim. Teve raiva daquela beleza dela, “Passei indiferente pelos chuveiros de flores douradas, vaporosas, que pendiam dos galhos musgosos das árvores folhudas, e deixei-me cair quase desfalecida num combrosito gramado, à beira da estrada.”. D. Anninha ficou preocupada se tivesse ocorrido algo a ela antes de irem para a estação, ela chegou a perguntar o que significava a conversa, ela o traduziu, ficou por isso mesmo, conversa de ingleses. Via com o comboio os lugares belos de antes que passeou com Luiz. Voltou mais forte, tinha até engordado e ficado mais feliz antes com Luiz, mas evitava falar dele. A mãe a acolheu, quis saber de tudo e contou que Miranda tinha grande interesse na filha, lia as cartas com felicidade. A mãe estava mais magra e abatida. “No fim de uma semana recomeçaram as aulas.”.

Capítulo 9 A frustração amorosa lhe tirou todas as energias. “Tornei-me excessivamente nervosa; passava outra vez horas em silêncio; a mínima coisa me impacientava; tinha o gênio irregular e frenético.”. Uma noite, foi acordada pela mãe, gritava em sono e queria saber o motivo, ela respondeu rispidamente e a mãe se assustou. A filha não sabia como se remediar. O médico remediou banho de mar e distrações, a mãe redobrava os esforços e o trabalho, a filha dormia mal, mal se esforçava no trabalho e chegava descontado no ordenado. Em um passeio, a mãe foi sentar, arfando, a filha continuou um pouco. Ela viu uma área pobre, com lama, crianças e o sol se pondo. O trem passou e a criançada quis acenar aos passageiros, a narradora ficou naquela melancolia, sentindo saudade de algo. Foi aí que notou uma senhora perto dela, elegantíssima. Foi até umas crianças, repartindo dinheiro. Depois notou, quando voltava, que aquela dama elegante, bem vestida e imponente era Clara Sylvestre. Em um silêncio, viam-se, Martha até queria abraçá-la naquele mistério, mas não entendia bem. Conversaram, reconhecia a cara mas não lembrava do nome, mal falavam do básico, tinha ido dar dinheiro a uma moça que perdeu uma criança, passavam necessidade. Alguns meninos deram lugar ao carro, chamando Clara. Ela se despediu, pedindo que a esquecesse, não merecia sua amizade. Ria indo aos rapazes e Martha chorava. Contou para a mãe, contemplava o caso e ficou na memórias essas palavras de que não merecia a amizade, ela que era inveja de Martha, da doçura, do espírito, da beleza. Mas ela queria penetrar naquilo, parecia feliz, bonita, rica, como ela era triste? “Quem valia nada era eu, sempre ignorada por toda a gente, sempre feia, o que me torturava, sempre envergonhada dos meus vestidos mal-ajeitados, do meu calçado barato, do meu modo esquerdo e retraído!”, mas Clara sempre a olhava com doçura. Essa neurose de ser pobre e de ser feia durou muito tempo, não sumiu por todo, mas chegou uma ocasião que ficou mais calma. Estudava, dedicava o tempo para decidir ser professora. “Envelheci, emagreci, trabalhei sobreposse”, mas a alma vencia onde o corpo caía. Um dia, sua mestra contou do casamento de Luiz, que era com Leonor, sobrinha de Anninha, a imagem que vinha era dela, não de Luiz. Mas a mestra a fez focar no concurso de professora que saiu em “A Gazeta”. Colocava toda a raiva em estudar, até mesmo na filha do paralítico deixada de lado que alimentava sua inconformação. Foi tranquila, como jamais foi a uma prova, mas a mãe ficava ansiosa, era o momento de saber se deveria trabalhar mais um ano, com o corpo cada vez mais debilitado. “Com que orgulho eu penso na desvelada solicitude que tem, em geral, a mulher brasileira para o filho amado! Não o repudia nunca, trabalha ou morre por ele. Coração cheio de amor, perdoemos-lhe os erros da educação que lhe transmite e abençoemo-la pelo que ama e pelo que padece!”.

Capítulo 10 Miranda, solicitador, rábula, advogado sem diploma que exerce as mesmas funções, trouxe a notícia para a mãe de Martha que ela passou no concurso de professora. A mãe recebeu a filha alegre, no mesmo dia que Luiz casava. Ela só pensava nas promessas e na menina bela, trancou-se no quarto com pretexto de se organizar. A mãe trouxe a notícia que Miranda pediu sua mão em casamento, não respondeu. Ela disse que tinha se apaixonado pelas cartas, a filha mal o conhecia, só de vista, achou estranho mostrar as cartas. Mas ela estava soberba, ficava orgulhosa da filha, Miranda era bom cliente e bom trabalhador. Martha filha não queria casar, alcançou uma posição independente. A mãe só queria a ver casada, era velho mas bom homem. Só que as cartas escritas eram frutos da paixão por Luiz, não era a mesma agora, não amava o que ela era, mas o seu momento. Pensava em toda sua vida, aos 24 anos só trouxe a paixão de um velho e, sem casar, mal teria um bom destino, ficaria velha, ranzinza, amarga ao mundo. Elas se desentenderam, mas decidiu-se com o casamento. “Só muitas horas depois pude ter calma para refletir. E refleti que o meu casamento seria uma vingança para os ultrajes que a minha imaginação de moça recebera sempre.”

Capítulo 11 O noivo era bem singular e nada de especial. “Era um homem de estatura mediana, gordo, calvo, com muitos fios brancos a luzirem-lhe na barba preta; de feições miúdas, dentes pequeninos; e peito robusto.”. A filha reagia com pouca ou quase nenhuma emoção. A mãe se empolgava tanto com a situação que lembrava de uma frase ou outra de uma carta e até trouxe a memória do pai de Martha filha. Miranda pediu envergonhado que parasse, a filha o olhou, triste. Ele sorriu a ela. Quando ele se foi, pontuou à mãe os erros de português. A mãe citou exemplos de situações que as mulheres se nivelavam ou diferenciavam da inteligência do marido, e que, no final das contas, devia fingir ou se igualar ao homem. Ela pouco se empolgava, dizia o que queria para mãe e ela fazia, enquanto se isolava e chorava. A cadeira era no Engenho Novo, na estação, foi agarrada pelo braço pela ilhoa, atropelou de perguntas e dizia da vida. Carolina casou-se, mesmo com a perna, explorava ela no trabalho e vivia batendo nela. Tinha dois filhos e morava no cortiço de Gamboa. Rita casou com um barbeiro. O marido saiu nas notícias mesmo que elas não tenham lido, passou uma carroça e deixou sem pernas. Tomaram caminhos diferentes, Martha filha admirava a ilhoa, estava mais velha, mas era resistente. “Dias depois tomei posse da minha cadeira de professora.”, Miranda e a mãe queriam uma data para o casamento. Adiava, ficava indecisa, finalmente decidiu dia e hora. Enquanto passava pelos papéis que guardava, caiu um papel com poemas de Luiz. Leu, relia, começou a recitar e até a mãe pediu que lesse. Perguntou de quem era, a filha respondeu de um primo da mestra. Ficou vendo a noite de estrelas, ventava e a mãe até avisou da folha sair voando. Ela não se importava tanto. “Foi assim passada a minha última noite de solteira!”

Capítulo 12

Casou-se com poucas pessoas presentes, Sr. Jeronymo e sua mestra e sua mãe. D. Anninha desejou felicidade e sabe que seria feliz. A primeira semana foi sem preocupações, a mãe estava feliz com tudo. Finalmente poderia retribuir os anos de luta da mãe, de resignação e de exploração com uma vida calma. Mas a luta da mãe contra a morte se perdeu, 8 dias de matrimônio foi quando teve uma síncope e só piorava, nem médico tinha solução. Martha filha gritava, ficava ao lado da mãe que enfraquecia sem se levantar. Um dia, a mãe olhou a filha, deu-lhe um beijo e pediu que saísse. Obedeceu. Aflita, andava pela sala e voltou, viu-a estirada e estava morta. Teve um ataque, debatia-se, gritava, estava sem chão. Ficou ali, aos pés dela.

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Redação UEA Redação UEA SIS 3 UEA SIS 3 2020

Tema de Redação da UEA SIS 3 de 2020 – “Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar e o papel das medidas de saúde pública”

O tema de redação da UEA SIS 3 do ano de 2020 foi “Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar e o papel das medidas de saúde pública”.

Texto 1

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o tabagismo é responsável por mais de 8 milhões de óbitos todos
os anos no mundo. Thúlio Marquez, médico pneumologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia,
afirma que o fumo causa várias doenças respiratórias, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), aumenta o risco de
infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de ser a causa de vários tipos de câncer.
De acordo com especialistas, o uso constante do tabaco causa dependência em virtude da presença de nicotina, que,
além de malefícios à saúde, é capaz de provocar dependência similar à provocada pela cocaína. Por isso, parar de fumar
pode ser um grande problema e muitas pessoas precisam de ajuda especializada. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante
tratamento gratuito, disponibilizando medicamentos, além de fornecer acompanhamento profissional.

(Juliana Valéria. “Dia Nacional de Combate ao Fumo é neste sábado, 29 de agosto”. comunica.ufu.com.br, 28.08.2020. Adaptado.)

Texto 2

A implementação de medidas estabelecidas pelo Tratado Internacional para Controle do Tabaco, como os aumentos de
preços e impostos, reduziu em até 40% o número total de fumantes no Brasil, de acordo com Tania Cavalcante, médica do
Instituto Nacional do Câncer (Inca) e secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro
para o Controle do Tabaco (Conicq). Também contribuem, para o alerta do perigo do tabaco, as advertências sanitárias nas
embalagens de cigarro e a proibição das propagandas. De acordo com a médica, as medidas adotadas, incluindo a proibição
de fumo em locais fechados, estão fazendo o efeito previsto e mudando a percepção da sociedade de que fumar é glamoroso
e positivo para uma visão do fumo como um problema de saúde pública.

(“Medidas antitabaco diminuíram em 40% o número de fumantes no Brasil”. www.hojeemdia.com.br, 28.10.2019. Adaptado.)

Texto 3

A rapidez com que se implementaram medidas de combate ao tabagismo, como legislações, campanhas sanitárias e
estratégias para cessação do hábito, coloca em pauta uma contradição quanto ao uso do cigarro: de um lado, a sedução do
fumo por seus efeitos de redução da ansiedade, por propiciar concentração e pela sociabilidade gerada; de outro, os efeitos
adversos à saúde que afetam igualmente fumantes e não fumantes. As ressonâncias históricas de paradoxos associados ao
uso de tabaco que colocam lado a lado prazer e riscos se revelam em entrevistas incluídas numa pesquisa feita por Mary Jane

Spink, doutora em Psicologia Social e professora universitária, cuja finalidade era entender como as campanhas antitabagis-
mo são compreendidas por fumantes.

Segundo a pesquisa, no passado, fumar era bonito, elegante, e era uma maneira de mostrar que já se era adulto; como
vários entrevistados afirmaram: “todos fumavam”. Hoje, segundo um dos entrevistados, “fumar é algo complicado, porque
parece que a gente está fazendo alguma coisa que não pode, mas é mais forte que a gente”. Acrescenta outro entrevistado:
“ser fumante hoje é viver uma ambiguidade, porque é exercício de um prazer, mas um prazer que tem um custo muito alto. É
um hábito ambíguo que não é simples e sem conflito; imagino que alguns ainda não decidiram parar de fumar”.
Conforme a pesquisa, todos os entrevistados tinham conhecimento de que cigarros causam dependência, assim como
dos malefícios do fumo para si e para os outros. Considerado esse quadro, para além da disponibilização de informações, é

preciso trabalhar com a premissa tantas vezes referida pelas pessoas que foram entrevistadas: o tabaco é uma droga lega-
lizada, mas vicia, causando dependência física e psicológica. Portanto, são muitos os desafios a serem enfrentados pelos

fumantes.

(“Ser fumante em um mundo antitabaco: reflexões sobre riscos e exclusão social”. Saúde e Sociedade, vol. 19, no

3, 2010. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar
e o papel das medidas de saúde pública

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Bélgica Trabalho na Bélgica

Student Job na Bélgica – Tudo que precisa saber

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Redação UEA Redação UEA SIS 2 UEA SIS 2 2020

Tema de Redação da UEA SIS 2 de 2020 – “As ações de amparo social podem diminuir a invisibilidade das pessoas em situação de rua?”

Texto 1

Muitas pessoas em situação de rua podem ser encontradas em diversos pontos da cidade de Manaus vivendo em condições
desumanas. De acordo com Rosiane Pinheiro Palheta, doutora em Serviço Social, “existem muitos casos em que a pessoa

prefere ficar na rua porque a considera mais aconchegante e mais segura do que permanecer dentro da própria casa. A depen-
dência química pode ser o motivo de as pessoas estarem na rua e, nesses casos, apesar de haver vínculo afetivo com a família,

esse é suprimido pelo vínculo com o álcool e as drogas”.
Para o doutor Luiz Antônio Souza, sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a questão das
pessoas em situação de rua é uma das expressões mais explícitas da desigualdade social. Esse é o caso de Erivaldo Macedo, de
46 anos, baiano que mora em Manaus há dois anos e oito meses. Sua cidade natal, Coronel João Sá, é um município no interior
da Bahia que faz parte do Polígono das Secas, característico por ser árido e seco, o que prejudica a subsistência da população.
Segundo ele, “morar nas ruas de Manaus é melhor do que viver na minha cidade natal. A base de vida lá é a agropecuária e, sem
chuva, a renda não existe”.
Valter Lopes, de 62 anos, disse morar nas ruas de Manaus há 20 anos. “Eu escolhi estar aqui. Eu trabalho reparando os
carros e, quando consigo dinheiro, vou para um quarto que custa R$ 30”. Mesmo tendo a oportunidade de estar em um abrigo
para pessoas de situação de rua, Valter diz que não conseguia ficar nesse tipo de espaço, pois não conquistaria o seu dinheiro e
perderia a liberdade. “O tratamento no abrigo é bom, mas aí fica aquele monte de gente sem fazer nada”.
(Deborah Arruda. “Drama social: moradores de rua em Manaus vivem com condições desumanas”. https://d.emtempo.com.br, 04.08.2020. Adaptado.)

Texto 2

Quanto à área da moradia, Róbson Mendonça, presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de
São Paulo, afirma que os albergues não são solução. “Albergue não capacita, não gera nada, faz a pessoa em situação de rua
ficar estagnada, indo de albergue em albergue, sem uma solução. Precisamos pensar uma maneira de tornar a ação efetiva,
fazendo com que o albergue seja algo provisório. O sujeito deve sair dele para um hotel social, conseguir um emprego e ir
progredindo gradativamente”, diz.
Além disso, deve-se ponderar que a discriminação que afeta a população em situação de rua faz com que as pessoas em
geral não entendam, por exemplo, a demanda por políticas de cultura, acreditando que ações de saúde, moradia e trabalho já
seriam suficientes. Ledo engano. Como para qualquer outro cidadão, a cultura para as pessoas em situação de rua também
é importante. Durante dois anos, no Complexo Zaki Narchi, em São Paulo, o projeto Oficinas trabalhou questões de direitos
humanos com pessoas em situação de rua, por meio de uma metodologia de arte-educação, ao oferecer oficinas de fanzines,
fotografia e preparação de eventos culturais, como carnaval.

Para Neide Vita, educadora em direitos humanos pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), as polí-
ticas públicas devem ser feitas “com” as pessoas em situação de rua e não apenas “para elas”. “Só conseguimos fazer uma

política pública, e implementá-la, se ouvirmos todos os lados. Durante anos, a população de rua foi violentada e não conseguiu
ter visibilidade”, afirma.

(Luciano Velleda. “População em situação de rua é desafio para políticas públicas”. www.redebrasilatual.com.br, 24.09.2016. Adaptado.)

Texto 3

A “Política Nacional de Assistência” garante o direito da pessoa em situação de rua ser atendida por uma rede de acolhida
e de serviços de assistência. Embora os direitos sejam assegurados pelo Estado, esse muitas vezes discrimina as pessoas em
situação de rua, não as enxerga como seres humanos e, quando elas precisam de atendimento, o poder público revela descaso
ao demorar a atendê-las. Esse menosprezo desencoraja esses indivíduos de reivindicar um direito que lhes pertence. Isso influi
na descrença deles quanto aos projetos sociais.
Assim, devido à ineficácia de algumas medidas protetivas, o meio pelo qual as pessoas em situação de rua sobrevivem é
o trabalho informal. Essa alternativa, porém, é também muitas vezes impossibilitada pela cisão entre as pessoas em situação
de rua e a sociedade, pois aquelas nem são notadas como seres humanos, são invisíveis sociais. Segundo Domingos do
Nascimento Nonato, doutorando em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Raimundo Wilson Gama
Raiol, doutor em Direitos Fundamentais e Relações Sociais pela UFPA, “em geral, a população em situação de rua é vista
pela sociedade como um grupo que oferece risco relacionado a atos criminosos ou à violência, e não como um segmento que
se encontra em risco”.

(Ricardo G. Vasconcelos et al. “Pessoas em situação de rua: invisibilidade social, empregabilidade, saúde e vulnerabilidades –

um estudo a partir da Prática Curricular de Extensão”. Conecte-se!, vol. 3, no

6, 2019. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

As ações de amparo social podem diminuir a invisibilidade

das pessoas em situação de rua?

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Redação UEA UEA 2019 acesso 2020

Tema de redação da UEA Macro de 2019 – Lista suja do trabalho escravo: entre a proteção aos trabalhadores afetados e o direito de defesa das empresas

Texto 1

O Ministério da Economia divulgou a atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores
a condições análogas à escravidão, conhecido como lista suja do trabalho escravo. A lista denuncia pela prática do crime
187 empregadores, entre empresas e pessoas físicas. No total, 2375 trabalhadores foram submetidos a condições análogas
à escravidão. A maioria dos casos está relacionada a trabalhos praticados em fazendas, obras de construção civil, oficinas de
costura, garimpo e mineração.

A legislação brasileira atual classifica como trabalho análogo à escravidão toda atividade forçada desenvolvida sob con-
dições degradantes ou em jornadas exaustivas. Também é passível de denúncia qualquer caso em que o funcionário seja

vigiado constantemente, de forma ostensiva, por seu patrão. Outra forma de escravidão contemporânea reconhecida no Brasil
é a servidão por dívida, que ocorre quando o funcionário tem seu deslocamento restrito pelo empregador sob alegação de que
deve liquidar determinada quantia de dinheiro.
(Bruno Bocchini. “Atualização da lista suja do trabalho escravo tem 187 empregadores”. https://agenciabrasil.ebc.com.br, 03.04.2019. Adaptado.)

Texto 2

A lista de empregadores flagrados utilizando trabalho análogo ao escravo no Brasil é considerada pela ONU um modelo
de combate à escravidão contemporânea em todo o mundo.

A partir da chamada “lista suja”, empresas e bancos públicos que assinaram o Pacto Nacional pela Erradicação do Traba-
lho Escravo podem negar crédito, empréstimos e contratos a empresários que usam trabalho análogo ao escravo. “A lista é

simplesmente um instrumento de transparência da ação do Estado, que tem a obrigação de fiscalizar e garantir direitos traba-
lhistas”, afirma Mércia Silva, do Instituto Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Inpacto).

“A lista suja combate o trabalho escravo, mas, mais do que isso, é um instrumento de gerenciamento de risco para a ati-
vidade econômica brasileira, porque ninguém quer se associar a empresas que usam trabalho análogo à escravidão”, disse o

cientista político Leonardo Sakamoto. “Não é uma questão de ‘bondade’ do mercado. A empresa que foi flagrada com trabalho
escravo pode estar sofrendo um processo grande e pode nem ter dinheiro no futuro para quitar empréstimos que venha a
tomar, se for condenada a pagar milhões. Era necessário que o mercado brasileiro tivesse um instrumento para garantir esse
controle”, afirma Sakamoto.

(Camilla Costa. “Para que serve a ‘lista suja’ do trabalho escravo?”. www.bbc.com, 06.04.2015. Adaptado.)

Texto 3

Para o presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal, Pedro Foltran, a função da lista suja do trabalho
escravo é intimidar empresas. As empresas afirmam que são incluídas na lista depois de um suposto flagrante autuado pelos
fiscais do governo e alegam que não têm a oportunidade de se manifestar no processo, o que viola seu direito à ampla defesa.
(“‘Lista do trabalho escravo’ serve para intimidar, diz presidente do TRT-10”. https://conjur.com.br, 06.03.2017. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Lista suja do trabalho escravo: entre a proteção aos trabalhadores

afetados e o direito de defesa das empresas

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"O Cristo Cigano" FUVEST 2026 Sophia de Mello Breyner Andresen

“O Cristo Cigano” de Sophia de Mello Breyner Andresen – Resumo e explicação de cada poema

Cristo Cigano História em versos dividida em 12 partes, baseada na história original espanhola do Cigano Cachorro, contada por João Cabral de Melo Neto a Sophia Melo, que também era devotamente católica. 1 poema separado e outros 11 numerados. Não fica claro se é um longo poema dividido em 12 partes ou um livro de poemas. O certo é que ela renegou o livro, achando-o, ao longo do tempo, muito distoante de sua obra.

A palavra faca

O poema abre como uma referência a João Cabral de Melo Neto, autor de “Morte vida severina”. São versos livres, há uma preocupação no uso das palavras de forma precisa, como a faca, que terá um significado de estrutura do poema, da apresentação da narrativa, de ligação a João Cabral de Melo Neto, do ofício do escultor e do fim do Cristo Cigano.

  1. O escultor e a tarde

Há uma descrição do escultor, organizado em dois quartetos, um quinteto e um terceto. A história começa na primavera, época de vida, tema comum da obra de Sophia de Melo. Trabalha-se também com referência ao Barroco nesse poema, já que dualidades se chocarão, como antíteses e paradoxos e oposições. O destino lhe esperava, nesse meio de vida.

  1. O destino

Os homens de preto podem ser uma referência às batinas de padre, pedindo o trabalho. Assim como usa “Seu”, em letra maiúscula, para se referir a Jesus Cristo.

  1. Busca Mas o escultor não conseguia ver a morte para esculpir o rosto de Cristo expirando, perto de morrer. Existiam duas possibilidades, ou ele achava alguém perto da morte, ou teria que matar alguém. Segundo o Novo Testamento, Cristo morreu de ter sido esfaqueado, então era também outra coisa que poderia ter levado à obsessão do escultor pela faca que não só o instrumento do ofício. Renegava a morte, só recriava da vida e a vida o cercava. Procurava, sem entender a morte. “E como te amarei Tanto que em meus dedos Tua imagem floresça E entre as minhas mãos O teu rosto apareça?”.
  2. O encontro

Ele finalmente encontra um cigano se banhando na margem do rio, nu. Na história, aparentemente existia um cigano chamado Cigano Cachorro, popular na região. Apesar dele não ter nome aqui, ele é o mesmo da história e é descrito de forma sensual.

  1. O amor O escultor se apaixona pela visão. Abandonou a crença de que esculpia a vida e teria ele esculpido. Sabia que seria seu fim, que entraria em conflito com suas crenças e sua obra máxima.
  2. A solidão Aqui se dá ele procurando pelo cigano
  3. Trevas Agora ele procura uma face oculta, envolto em trevas de um mundo que a ele antes era claro, entrando em dualidades.
  4. Canção de matar Ele usa a faca para fazer o paralelo do amor ao objeto da obra, de como sua morte dará vida ao seu rosto que esculpirá em madeira, tal qual na história original de uma estátua de quase dois metros talhada em madeira. Ele assim se libertaria da obsessão com a faca, trazendo morte.
  5. Morte do cigano Com 3 versos, anuncia a morte de como foi rápido o processo. Curioso notar o uso de sons sibilantes, como uma faca que corta o ar. Assim como o uso de sons plosivos, como se fosse o choque, um encontro de corpos, um golpe.
  6. Aparição O cigano vai morrendo, e aquele intermédio entre vida e morte vai se pintando ao rosto, para que o escultor possa ver. Uma das possíveis histórias originais é que o escultor viu o Cigano Cachorro falecendo e depois reconheceram o seu rosto na escultura final, mas a outra teoria é que ele realmente o matou e depois viram a semelhança do rosto e deduziram que ele matou o cigano.
  7. Final Nada da vida foi seu modelo, a lenda acabou assim. Não é um poema da vida, mas da morte, da complexidade e da dualidade de estar vivo.
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Redação UNIFESP UNIFESP UNIFESP 2025

Tema de Redação da UNIFESP de 2024 – Ser imigrante: entre desafios e oportunidades

O tema de redação da UNIFESP 2025 foi “Ser imigrante: entre desafios e oportunidades”.

Confira os textos motivadores a seguir:

Texto 1

A Organização Internacional para as Migrações (OIM),
Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para as
migrações, lançou o Relatório Mundial sobre Migração de

2024, o qual revela que, ainda que a migração internacio-
nal continue a impulsionar o desenvolvimento humano, os

desafios persistem. A migração é comumente ofuscada por

narrativas sensacionalistas. Entretanto, a realidade tem mui-
to mais nuances que as manchetes não conseguem captu-
rar. A maior parte da migração é regular, segura e com foco

regional, diretamente vinculada a oportunidades e meios de
subsistência. Mesmo assim, a desinformação e a politização
do tema contagiaram o discurso público.
(“Relatório Mundial sobre Migração de 2024 revela as últimas tendências e
desafios mundiais para a mobilidade humana”.
https://brazil.iom.int, 07.05.2024. Adaptado.)
Texto 2

Subindo um aclive em Montmartre, na direção da antiga
igreja de Sacré-Coeur em Paris, era possível ouvir conversas
em voz baixa entre os empregados que tratavam de fechar
o comércio e tomar o rumo de casa. De passo apertado para
fugir do frio, eu conseguia vislumbrar os rostos jovens dos
funcionários da quitanda que se despediam em árabe. Eram

meninos de sobrancelhas grossas e barbas bem desenha-
das. Eu sabia: aqueles garotos eram sírios. Na quadra se-
guinte, um grupo de homens altos e esguios passou por mim.

Tinham a pele negra e os dentes brancos. Falavam francês,
mas vinham do Mali, pensei. Na estação Pigalle, ao descer a
escada do metrô, tive de esperar que uma senhora boliviana

se entendesse com o sistema eletrônico que emite as passa-
gens. Dentro do vagão me perdia em pensamentos sobre a

origem e o destino das pessoas daquele trem.

“Tem que mandar embora esses imigrantes”, alguém es-
tava falando em voz alta no metrô. Demorei a entender que

era justamente o homem sentado à minha frente quem falava
assim. O discurso violento continuou por algumas estações.
A cada vez que o vagão mergulhava no túnel escuro, eu via

meu próprio rosto refletido no vidro da janela. Pele clara, ca-
belo crespo, nariz grande. Eu não sentia que a agressividade

daquele homem era dirigida a mim. Mas poderia ser. Sou bra-
sileiro, afinal. Estrangeiro, como os demais. Na minha ima-
ginação, eu me acomodava ao lado dele e dizia: “Monsieur,

meu nome é Charleaux. É um nome francês, não é? Pois
bem, eu não sei de onde ele veio. Mas o fato é que, em algum
momento, algum francês saiu daqui e se meteu no Saco da
Ribeira”.
Eu, brasileiro, voltava em 2018 a uma França de onde,

um dia, haviam partido parentes distantes em direção ao Bra-
sil. Por isso me soava ainda mais absurda a agressão que

aquele cidadão grosseiro dirigia aos imigrantes. A história da
humanidade é de viagens, migrações, choques, encontros e
desencontros. Como alguém pode se opor tão violentamente
contra isso?
(João Paulo Charleaux. “‘Ser estrangeiro’: história e conceitos da migração”.
www.nexojornal.com.br, 02.09.2022. Adaptado.)

Texto 3

(Alexandre Beck. www.facebook.com, 12.08.2019.)
Texto 4

A Austrália atrai brasileiros que buscam por oportunida-
des de viver no exterior. O país precisa de mão de obra de

trabalhadores estrangeiros e por isso facilita a entrada de

imigrantes em seu território. De acordo com o governo aus-
traliano, brasileiros formam o maior grupo de imigrantes da

América Latina para a Austrália. Os mais recentes dados do

Censo 2021 apontam que existem cerca de 46,7 mil brasilei-
ros morando por lá. Desses, 20 mil são estudantes.

Os dados da ONU mostram que o país tem um dos Índi-
ces de Desenvolvimento Humano (IDH) mais altos do mundo.

A combinação de qualidade de vida e oportunidades são al-
gumas das razões que motivaram a administradora Thainan

Brito, 30, a mudar-se de São Paulo para Sydney. A sensação
de segurança e o poder de compra também são apontados
por ela. Thainan destaca a eficiência do transporte público
como uma notável vantagem em relação a São Paulo. Ela

afirma que os trens estão sempre vazios, além de serem ri-
gorosamente pontuais.

Embora os salários sejam bons, a principal diferença em
comparação com o Brasil está no poder de compra. Apesar

dos altos custos com aluguel, alimentação e outros itens es-
senciais, o que sobra pode proporcionar um padrão de vida

superior. Com o que resta, é possível fazer compras e adqui-
rir produtos de qualidade, algo que pode ser mais restrito no

Brasil. Thainan diz que conseguiu comprar um carro: “Apesar
de trabalhar muito, nunca tive carro no Brasil, e aqui, com
quatro meses, comprei um. Isso foi um grande marco para
mim.”
(Amanda Fuzita. “Morar e trabalhar na Austrália: Dicas, salários, custo de
vida e histórias de brasileiros”. www.estadao.com.br, 07.08.2024.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios co-
nhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo,

empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o
tema:

Ser imigrante: entre desafios e oportunidades

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Tema de Redação do ENEM PPL/Reaplicação de 2024 – Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

O tema de redação do ENEM PPL/Reaplicação de 2024 foi “Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro”. Assim como se mantém no ENEM, o tema tem uma preocupação social, com um caráter de já se ter proteção por leis e um descaso social dos assuntos.

Você pode conferir os textos motivadores apresentados a seguir:


TEXTO I
A expressão “cultura de periferia” passou a ser utilizada
muito recentemente, seja nos movimentos sociais, seja
nas pesquisas acadêmicas.
Ao ler o Manifesto da Antropofagia Periférica, texto
inspirado no Manifesto Antropofágico do Modernismo
brasileiro, e ao observar a forma como os diferentes
coletivos utilizam a palavra “periferia”, é perceptível que
ela assume um sentido para além daquele que a designa
como uma relação de distância geográfica a partir de algum
centro. “Periferia” assume um conjunto de representações
simbólicas relacionadas à classe, etnia, lugar de moradia
e condição do jovem na metrópole.
ALMEIDA, R. S. Cultura de periferia na periferia. Disponível em:
https://diplomatique.org.br. Acesso em: 24 jun. 2024 (adaptado).


TEXTO II

Manifesto da Antropofagia Periférica
A Periferia nos une pelo amor,
pela dor e pela cor.
Dos becos e vielas há de vir a
voz que grita contra o silêncio que
nos pune. Eis que surge das ladeiras
um povo lindo e inteligente galopando
contra o passado. A favor de um futuro
limpo, para todos os brasileiros.
A favor de um subúrbio que clama
por arte e cultura, e universidade para
a diversidade. Agogôs e tamborins
acompanhados de violinos, só depois
da aula.
Contra a arte patrocinada pelos
que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte
fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a
sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
AArte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e
sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.
Do teatro que não vem do “ter ou não ter…”. Do cinema
real que transmite ilusão.
Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir
os barracos de madeiras.
Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
Da Música que não embala os adormecidos.
Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
VAZ, S. Disponível em: www.novacultura.info.
Acesso em: 24 maio 2024.


TEXTO III
Galeria, lambe-lambe, favela grafitada, muro de casa,
parede de escola. Eis alguns exemplos de obras visuais
que se apropriam da arquitetura improvisada das cidades e
interagem com a população. Essas intervenções artísticas
são importantes porque transformam paisagens e passam
mensagens de identidade, representatividade e justiça social.
O projeto Artitudes femininas, do coletivo Mulheres
arte de rua Pará, coloriu muitos muros de Belém, como o
dessa imagem no bairro de Benguí. A organização valoriza
grafiteiras da Amazônia, abrindo espaço e promovendo o
seu reconhecimento.
Disponível em: https://expresso.estadao.com.br.
Acesso em: 24 maio 2024 (adaptado).

TEXTO IV

Nascida na periferia da Grande Belo Horizonte
(BH), produtora completa 15 anos de história:
“Não queremos ser uma exceção”
Fundada em Contagem, a empresa é uma verdadeira
fábrica de filmes premiados. O catálogo foca em produções
humanistas e com temas diversificados, e já soma mais de
50 prêmios desde sua criação.
A equipe é formada por diretores nascidos e criados
na periferia de Contagem, onde não só encontraram
boas histórias, mas também aprenderam na prática que
a reprodução da realidade iria muito além de um set de
gravação. Para os artistas, o diferencial da produtora é
justamente o “olhar” para questões socialmente importantes
que só as pessoas que cresceram em lugares esquecidos
pelo poder público têm