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Redação ENEM – 12 apostas de tema de redação para 2025

Com o ENEM 2025 chegando, eu preparei 12 sugestões de temas de redação para você se inspirar, estudar e até pensar em possíveis repertórios e estratégias na sua argumentação. Os temas estão divididos em leis que foram aprovadas no ano de 2025 e projetos de lei em tramitação.

1- Valorização dos atletas brasileiros – Norma: Lei nº 15.115 de 28/03/2025 (DOU de 31/03/2025)
O esporte é um assunto que ganha uma visibilidade curiosa no Brasil. Apesar de nossa paixão natural ao futebol, é necessário analisar tudo que vai por volta do esporte, como a capacitação dos atletas, o incentivo da prática e também do financiamento de equipamentos e participações de competições em diferentes modalidades esportivas. O assunto fica muito em alta principalmente durante as olimpíadas, ao qual mostra o quanto os atletas praticam o esporte como hobby ou passatempo e precisam de outro serviço para poderem se sustentar – isso que ainda vão representar o país no esporte.
Menção honrosa de outro tema de redação – Valorização dos artistas brasileiros

2- Combate ao uso indiscriminado de inteligência artificial – Norma: Lei nº 15.123 de 24/04/2025 (DOU de 25/04/2025)
Apesar das tecnologias terem o objetivo primário de facilitar a vida, é necessário perceber como há consequências na falta de fiscalização. A alteração de voz, a criação de vídeos falsos e a desinformação atrapalham a sociedade em vez de melhorar qualquer aspecto. Mesmo que isso possa ser colocado como culpa do anonimato na internet ou até mesmo de quem criou as alterações, não é aplicável a explicação que o Governo precise fazer nada para regular.

3- Efeitos da implantação da Lei Maria da Penha no Brasil – Norma: Lei nº 15.125 de 24/04/2025 (DOU de 25/04/2025)
A Lei Maria da Penha foi criada em 2006, após um longo tempo sendo estudada e avaliada em como entraria em sociedade. O caso da Maria da Penha chama atenção por vários motivos, porque ela foi violentada e abusada em cenários que o preconceito tenta colocar outras ideias. Colocam a ideia que a violência doméstica acontece só em residências sem renda o suficiente ou falta de educação profissionalizante, o que não era o caso dela. Além disso, o caso ganhou repercussão internacional, talvez sendo uma das coisas que obrigou o país a ter que criar uma lei robusta, ampla e bem detalhada em como lidar com essas situações de violência doméstica. Quase 20 anos depois, é possível analisar que a situação melhorou?

4- Desafios para a adoção da atenção humanizada no sistema de saúde brasileiro – Norma: Lei nº 15.126 de 28/04/2025 (DOU de 28/04/2025)
A atenção humanizada é um conjunto de diretrizes de como cuidar e tratar um paciente. Apesar de parecer o mínimo que se espera de um profissional, a formalização em lei ajuda a garantir isso como um direito. Todavia, como fazer isso uma realidade plausível em todas as regiões do Brasil? Como capacitar todos os profissionais? Como conscientizar a população que ter a atenção humanizada é muito mais do que um favor, mas um direito?
Menção honrosa de tema de redação – Desafios para a garantia do saneamento básico no Brasil

5- Desafios para a valorização da música brasileira – Norma: Lei nº 15.136 de 21/05/2025 (DOU de 22/05/2025)
Não é incomum o tópico de discussão de como a música brasileira não é boa. Isso não é atual, várias gerações de músicos que hoje são idolatrados como lendas vivas ou até mesmo que não foram reconhecidos enquanto vivos não foram valorizados. E isso vai desde movimentos como o Tropicália até mesmo bandas e músicos. Mas de onde vem essa desvalorização? É comum? Como que, até hoje, com a popularização da internet como meio de divulgação de música, o país não quer investir em músicos e festivais como parte de práticas da pasta da cultura, como exemplo do que acontece com o K-Pop?

6- Efeitos da implantação da Lei de Cotas no Brasil – Norma: Lei nº 15.142 de 03/06/2025 (DOU de 04/06/2025)
Estabelecida em 2012, a Lei de Cotas garante 50% das vagas de um curso como garantia de pessoas em diferentes condições sociais, econômicas e culturais. De forma curiosa, o número de vagas de cursos superiores quase que triplicou do que era antes da Lei de Cotas, colocando por terra que cotistas roubem alguma vaga ou até mesmo que a prática de cotas seja injusta. Isso vai para outros lugares, como o fato de a nota de corte de quem é cotista é baseada com outros cotistas, não em Ampla Concorrência, fazendo com que possa acontecer um cenário que uma pessoa poderia ter passado em Ampla Concorrência com a mesma nota que não passou para uma vaga de cotas. Mais de 10 anos depois, a maioria de estudantes em universidades não é de brancos. É uma vitória? É um marco? É o objetivo final? As ações afirmativas terminam quando?

7- Meios para combater as queimadas irregulares no Brasil – Norma: Lei nº 15.143 de 05/06/2025 (DOU de 06/06/2025)

8- Efeitos da desinformação na prevenção de doenças no Brasil Norma: Lei nº 15.117 de 02/04/2025 (DOU de 03/04/2025)

9- Os impactos das bets na sociedade brasileira

10- A (re)inserção da população com deficiência no mercado de trabalho brasileiro

11- Desafios para a valorização da cultura brasileira no país Matéria: PL 4187/2024 (PL 4187/2024, na Câmara dos Deputados)

12- Entraves na assistência social de pessoas em situação de rua no Brasil Matéria: PL 4752/2019 (PL 4752/2019, na Câmara dos Deputados)

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Redação UEL UEL

Redação UEL – 10 gêneros textuais que não caíram (ainda)

O vestibular da UEL segue uma característica de tentar não se manter apenas no texto dissertativo-argumentativo como cobrança da parte de redação. Ainda que tenha se repetido nos anos de 2023 e 2024 o mesmo gênero, é sempre interessante saber dos gêneros textuais que já caíram e os que ainda podem cair. Confira abaixo alguns gêneros textuais que ainda não foram cobrados na UEL.

1. Diário
O diário é um relato da vida de uma pessoa que chama a atenção na escrita pela perspectiva de uma mudança do normal. Isso significa que a vida da pessoa repetia certos padrões até que surge algo impactante para que seja passado para um diário. É interessante estabelecer essa normalidade e essa repetição para que se mostre com o contraste do que aconteceu e seu valor a se colocado em um diário.

2. Manifesto
O manifesto é um texto ótimo para poder lembrar que os textos precisam deixar bem claros quem escreve e para quem se escreve. Como você geralmente precisa representar os valores de um grupo, tome cuidado para deixar claro a defesa dessas ideias, também como que grupo você representa e contra quais ideias, caso não queira colocar as ideias que defenda.

3. Relato
O relato é um texto parecido com o diário, mas que abre a possibilidade de você ser mais descritivo ou até mais objetivo. Como o diário é bem pessoal, espera-se que usem-se muitos adjetivos e impessoalidade no texto, mas o relato oferece uma chance de ser mais imparcial, com o uso de um vocabulário diferente, como mais científico ou bruto do que o diário.

4. Requerimento
O requerimento vai para o lado de uma tipologia textual que é o injuntivo, misturando-se com o argumentativo. Nele você precisa mostrar um cenário e também explicar o contexto para que o pedido seja acatado e completo. Não basta apenas pedir, mesmo que seja simples de resolver, contextualizar e problematizar com uma solução no texto é o que torna esse gênero textual interessante de se trabalha e de praticar.

5. Texto de apresentação de um Projeto de Lei
A UNICAMP já cobrou em uma de suas edições um texto de apresentação de um Projeto de Lei. Da mesma forma, seria bem plausível que a UEL pudesse também adaptar o seu tema de redação para que desse um cenário parecido, talvez com um texto que mostre um projeto de lei aprovado ou até um cenário que você precise se recusar a dado projeto de lei.

6. Análise comparada
A UEL já cobrou diversas vezes análises de uma imagem ou até de um texto. Não seria impossível que a UEL disponibilizasse dois (ou até mais) textos e fosse feita uma comparação estética e textual de como os textos abordam o mesmo tema. É possível até mesmo que a UEL junte a leitura das obras obrigatórias, mostrando trechos diferentes e você tenha que analisar as diferentes formas de expressão.

7. Carta do leitor
A carta do leitor possibilidade uma visão social a respeito de uma notícia que um meio jornalístico pode estar embasado. Não é novidade para ninguém que um jornal, a partir do momento que escolhe apresentar uma notícia já é enviesado. Isso não significa ser um viés bom ou ruim, mas o viés já começa na escolha da notícia, que aí pode caindo em partes mais precisas como a escolha de palavras, a construção da história e até em qual página se encontra dada notícia. Uma visão de fora do jornal mostra o quão verídico, exagerado ou suavizado uma notícia pode ser, trazendo a necessidade do contexto do leitor para poder falar da notícia com propriedade.

8. Biografia
Semelhante ao relato e ao diário, o foco é falar não só de um momento de mudança da normalidade, mas como a vida de uma pessoa impacta outras pessoas ou um grupo de pessoas. Lembre-se de apontar o contexto histórico, como o desenrolar de uma vida de uma pessoa que, mesmo que desde o começo não chegasse ao final, foi importante a trajetória toda para chegar ao impacto.

9. Moral de uma história
Algumas vezes a UEL já pediu um parágrafo complementar a um texto já completo. Fosse começar ou terminar, uma ideia parecida seria de cobrar uma moral de uma história. Vale perceber que esse gênero textual não é de fato uma produção comum, pois assim como os parágrafos complementares, é necessário ter uma boa interpretação do texto e o entendimento de onde ele quer chegar para ter uma boa síntese da história que caiba em 4 a 6 linhas.

10. Análise de uma foto
A UEL já cobrou a análise de outros gêneros textuais que valiam apenas de imagem e não possuíam outro texto nele. Seja uma fotografia com texto ou não, será necessário apontar o contexto histórico ou o que é possível perceber de impactante na foto e também de como se pode analisar a foto com o que ela se apresenta. Talvez até uma outra possibilidade seria analisar o que levou o fotógrafo a tirar a foto, com você tomando o papel do fotógrafo para comentar os bastidores dela.

Qual desses gêneros textuais você acha que vai cair? Qual outro gênero textual faltou na lista? Escreve nos comentários!

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Redação UEA Redação UEA SIS 2 Redação UEA SIS 3 UEA UEA 2025 acesso 2026 UEA SIS 2 2025 UEA SIS 3 2025

UEA 2025, Macro, SIS 2 e SIS 3 – Sugestões de temas de redação para estudar

Para o ano de 2025, eu me baseei em algumas ideias das revistas acadêmicas de pesquisa da própria UEA e de temas passados que caíram nas edições do Macro, SIS 2 e SIS 3. Eu sempre aconselho que você veja primeiro os temas de redação já lançados, eles são a melhor forma de você poder ver como realmente um tema da UEA é cobrado do que simplesmente ver uma aposta. Aqui, você vai conferir 12 sugestões de tema de redação que são divididos em 3 áreas:

Natureza e meio ambiente
O tópico da preservação também entra em colisão com a inovação. É necessário perceber que a UEA se preocupa não só nos temas de redação mas também nas pesquisas acadêmicas da vivência do ser humano com o meio ambiente, especialmente a Floresta Amazônica. Você pode pensar tanto em temas do âmbito cultural, desenvolvimento tecnológico e poluição.

Leis e garantia de direitos
Apesar de ser uma área muito geral, é necessário perceber o meio que podemos garantir que direitos chegarão aos cidadãos. Como a corrupção influencia que pessoas não sejam guardadas por direitos? Quem se beneficia por não ter uma lei em prática?

Internet
A área da internet mexe num âmbito de anonimato. Por mais que seja garantido que a internet é um local tão igual o mundo externo, a possibilidade de não se identificar dá espaço a inúmeras atrocidades, tal qual também possibilita inúmeras inovações e uma liberdade de expressão que não pode ser controlada por grandes corporações midiáticas que escolhem o que colocar no jornal televisivo e de papel.

I. O povo brasileiro é um povo acolhedor?
É um senso comum que o povo brasileiro é sorridente, gosta de ter pessoas por perto, mesmo que não as conheçam. Mas, onde realmente traçamos uma linha do acolhimento? Em um país com tantas discriminações, moralismo e preconceito, é questionável a nossa afinidade com o outro. Ainda mais que você possa mencionar que você é uma pessoa acolhedora, pense em como você pode ser uma exceção.

II. Envelhecer é um direito ou um gasto?
Nunca foi tão possível viver tanto tempo. Isso é algo que a economia não estava preparada, fazendo com que muitas empresas e governos precisem repensar no envelhecimento, desde a aposentadoria como também novos produtos e serviços voltados a uma população que, pela falta de palavras melhores, está vivendo mais do que o capitalismo esperava.
Menção honrosa: Esporte é um direito ou um gasto?

III. Cálculo de avaliação de aprendizado: adaptação do meio ou padronização?
Tempo. Dinheiro. Tudo pode ser metrificado para poder avaliar se é aceitável ou não. O ensino passa pelo mesmo ponto a partir de uma cultura que torna o aprendizado mais um produto do mesmo sistema. Todavia, assim como propagandas e produtos, nem todo produto é o mesmo e cada um se adapta pelas vendas e anúncios a serem reproduzidos. É interessante analisar como que o ensino também pode ser adaptado para cada consumidor – ou as vantagens de ser o mesmo para todos.

IV. Atendimento humanizado: entre o direito do paciente e o preparo do profissional da saúde
O atendimento humanizado virou lei no ano de 2025, sendo um marco do governo da época. Ainda que o SUS já estivesse o aplicando anteriormente e muito tenha se debatido e estudado, é necessário que se avalie o cenário das duas partes. De um lado, pacientes que não sabem como lidar com notícias, ou até mesmo falta de informação de procedimentos hospitalares. De um outro lado, profissionais sobrecarregados, que precisam fazer mais de uma tarefa por vez e sem tempo necessário para poderem se capacitar da melhor forma possível ou, se quer, recursos (como dinheiro, tempo ou infraestrutura) para tal.
Menção honrosa – Ensino online: entre o direito da educação e o preparo do profissional da educação

V. Comer mal é uma opção?
Desde fast-food a ultraprocessados, comer no Brasil e no mundo virou uma questão de lucro fácil para comida que nem se quer tem valor nutricional. Ao mesmo tempo que é possível apontar o dedo para pessoas que preferem a praticidade e a rapidez de comidas, não se pode ignorar o outro lado que possui dinheiro e tempo (necessariamente os dois ao mesmo tempo) para poderem cozinhar e terem uma alimentação saudável. Fica que entre a praticidade e a saúde, existe uma ponte que separa os dois que não é simplesmente uma opção de querer ou não querer.

VI. Produção de energia no Brasil: entre garantir energia a todos e as dificuldades de investir em novas fontes sustentáveis
A energia no Brasil é produzida por sua grande maioria por hidrelétricas. Mesmo que seja pela ajuda da natureza brasileira que proporciona essa possibilidade, outras opções que produzem muito mais energia com poucos recursos (como a nuclear) ou até outras formas de energia renovável (como eólica) ficam em segundo plano e levantam a questão de quem se beneficia pela falta de mudança e inovação da produção energética no Brasil.

VII. Por que o brasileiro se recusa a discutir sobre educação sexual?
Não necessariamente podemos colocar os brasileiros como exclusivos em falar de um tópico que não querem discutir. Poderíamos avaliar tantos outros tópicos, como política, como uso de drogas, mas o grande ponto que podemos analisar é quem se beneficia com essa falta de discussão. O Brasil já possui o ECA para proteger crianças e adolescentes que são os mais afetados por violência e abuso sexual, mas tanto se fala que a educação vem de casa (que também é o local que mais sofrem os abusos) e de criarem novas leis, que se ignora o que já possuímos – um estatuto que contempla essa defesa e uma educação que querem retirar os tópicos importantes.
Menção honrosa – Por que o brasileiro se recusa a discutir sobre o que não concorda?

VIII. Saneamento básico: entre o direito e a desigualdade social
O saneamento básico é um tópico de saúde que leva muito mais do que uma falta de vontade da população de receber ajuda. É dado que o saneamento básico ajuda o governo a economizar em recursos para saúde pois consegue já eliminar problemas de saúde só que medidas preventivas nas casas brasileiras. Entretanto o Brasil é um país continental com diferentes climas e distribuições populacionais. De fato, é mais fácil aplicar algo em grandes cidades pela vastidão de empresas e profissionais presentes, mas como aplicar o mesmo plano no cerrado, no sertão e em povos tradicionais?
Menção honrosa – Desafios para garantir o saneamento básico nas cidades e aos povos tradicionais na Floresta Amazônica

IX. A educação online ainda é um privilégio?
A pandemia da COVID-19 acelerou um processo que engatinhava com um jato. A educação à distância sempre existiu no Brasil, seja ela fosse por cartas, televisão, e que hoje em dia ganha a cara da educação online com o uso da internet para aulas e atividades. Todavia não podemos esquecer que o Brasil não é um país com uma cobertura majoritária de internet, tal qual nem todas as casas possuem internet ou um aparelho para poder usar. Isso sem contar as residências com espaço adequado ou os estudantes com tempo adequado para poderem estudar. Quando poderemos contar com a educação online ser a norma e um avanço na educação, que só mostrou e reforçou que educação é um privilégio para quem tem dinheiro?

X. As cotas deveriam deixar de existir?
Pelos primeiros anos desde a implementação da Lei de Cotas, as universidades possuem maioria de pardos e de negros como estudantes. Mais do que nunca, as medidas protetivas e inclusivas de bolsas, de descontos de matrículas e de moradias se tornam mais necessárias pela mudança do perfil sócio-econômico dos alunos. Todavia podemos já começar a pensar no fim da Lei de Cotas? É apenas com a maioria em alguns anos que uma ação afirmativa pode deixar de existir?

XI. A internet ajudou o trabalhador ou tornou sua jornada de trabalho interminável?
No passado, se você saísse do seu trabalho, só poderiam te encontrar se fossem até sua casa ou ligassem para você, salvo se você atendesse ou não pedisse para que quem atendeu respondessem que não estava. As redes sociais e o celular facilitaram a comunicação para que seja a qualquer momento e em qualquer lugar. Isso impede de se fazer uma fronteira da comunicação. Como você pode dizer ao seu chefe que você verá algo amanhã no trabalho se ele possui seu celular a todo momento? Isso afeta até relacionamentos sociais no sentido que as pessoas pensam que você ignora uma pessoa propositalmente por não responder ela de última hora, tornando a internet e as redes sociais como algo muito mais importante do que a vida real.

XII. Leitura: entre o tempo do hábito e a desigualdade econômica
Ler pode ser dado como uma das atividades mais debatidas de todos os tempos. Podemos ir desde o processo de alfabetização, a facilidade de encontrar livros, o acesso à bibliotecas e até o hábito da leitura no dia a dia. Mas isso cai também por um outro problema, na sociedade capitalista, tempo é dinheiro – o tempo que você gasta lendo é um tempo que você não está ganhando dinheiro. Mesmo que você baixe um arquivo PDF na internet, você ainda paga pela internet, você ainda paga pela eletricidade, não há como escapar de que você paga para poder ler. Há como separar o hábito da leitura e o dinheiro que precisamos investir?
Menção honrosa – Exercício: entre o tempo da prática e a desigualdade econômica

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Santa Casa

Redação Santa Casa – Como a banca avalia o uso de repertório?

Um repertório sócio-cultural em uma argumentação pode ser o que define se sua linha de raciocínio é bem embasada ou fica como uma mera opinião. Apesar disso, é comum um certo apego pela existência do repertório do que seu uso numa redação. No vestibular da Santa Casa, é necessário prestar atenção em algumas coisas.

O ENEM realmente cobra a existência de repertório na sua redação. Aliado com o uso das ideias dos textos motivadores, a redação também avalia o uso do repertório no texto, analisando se ele é legítimo (é uma informação de uma área do conhecimento das ciências do mundo), pertinente (se ele conversa com algumas das palavras do tema) e produtivo (se ele explica ou justifica a sua linha de raciocínio). Como o ENEM sempre avalia o repertório mais produtivo e de maior nota, desconsiderando os outros repertórios que não possuem tanta nota igual, é natural que se use um repertório por parágrafo e garantir uma nota alta.

A Santa Casa trabalha com uma análise diferente. São 3 critérios de correção da VUNESP, atual banca corretora da Santa Casa (vale lembrar que esse texto está sendo escrito em 2025 e, é possível, no futuro, que a banca de correção mude) analisa uma redação, sendo eles: Tema (a existência de todas as palavras do tema usada ao longo do texto); Processo argumentativo (o estabelecimento de um posicionamento do tema, além de se justificar e de explicar); e Elementos linguísticos (o uso da norma-padrão da língua portuguesa, tal qual também o uso de conectivos para evidenciar linguisticamente a conexão das frases no processo argumentativo).

Uma olhada por cima dos critérios de correção mostra que nenhum deles tem o nome de repertório ou algo que o remeta – uma vez que não se avalia a existência de um repertório em sua redação. Isso significa que o mais importante de sua redação é uma argumentação bem redonda, explicando, justificando, deixando um ponto de vista claro a ser trabalhado do tema apresentado ao longo de todo o texto.

Obviamente, você pode apresentar repertórios, mas nunca deixe que eles tentem ser a explicação total da sua argumentação, eles ajudam a explicar ou a ilustrar um ponto do texto, mas apontar um filósofo, sem conectar, sem explicar, sem fazer um paralelo com o que você está argumentando, não ajudará em nada e pode prejudicar sua nota final na redação.

Eu também fiz um vídeo falando um pouco desse ponto da correção:

E você? Como tem usado repertórios na redação da Santa Casa? Escreve nos comentários!

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Santa Casa

Redação Santa Casa – 3 formas de rasurar sua redação sem perder pontos

É muito comum que uma palavra, uma frase ou outra precise ser removida de sua redação na hora que você escreve o texto definitivo. Felizmente, o vestibular da Santa Casa tolera algumas formas de rasura de palavras/frases que foram escritas com caneta para você poder corrigir seu texto. A seguir, são 3 formas que você pode fazer sem prejudicar sua nota.

  1. Rabiscar o erro
    Retirar a frase ou a palavra que foi escrita (mesmo que você queira apenas ajustar o pensamento ou errou a ortografia) é uma forma tolerável de fazer na sua redação para ajustar sua linha de raciocínio. Escrevendo logo na frente o que é para ser o texto e fazendo com que fique claro que ali foi apenas um equívoco e não atrapalhe seu raciocínio, sua redação não é prejudicada.
  2. Colocar o erro entre parênteses
    Os parênteses são uma boa forma de delimitar bem onde se encontra o erro de escrita. Para deixar até melhor, você pode riscar a frase e/ou a palavra errada e colocar entre parênteses para que fique claro ao corretor que ele pode ignorar o que está escrito por ali e continuar a leitura.
  3. Escrever por cima do erro
    É muito importante utilizar o máximo de espaço possível da folha de redação. Para isso, você pode riscar o erro e escrever acima o que deveria ser escrito começando logo a frente. Quem possui uma letra muito grande pode sair prejudicado nesse tipo de exemplo pois pode não ter espaço o suficiente para escrever na mesma linha duas palavras da sua própria escrita. Entretanto, é bom reforçar a ideia de que uma letra legível ela não é nem tão grande e nem tão pequena, ocupando metade da linha é um bom tamanho para que tanto você possa economizar linhas e também utilizar a outra metade para escrever por cima do risco o que você quer escrever. Isso também economiza linhas que você estaria desperdiçando caso tivesse que sempre escrever na frente do erro o seu texto.

Eu também tenho um vídeo a respeito disso, com exemplos para ficar mais visual:

https://youtu.be/b6tGbLOLeHY

E você? Como você gerencia seus erros nos textos da redação da Santa Casa? Escreve nos comentários!

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Redação UNICAMP UNICAMP 2025

Tema de redação da UNICAMP de 2024 – Conscientização sobre armas de fogo (convocação) e relato de racismo (depoimento)

Uma amiga sua de escola foi vítima de um disparo acidental por arma de fogo, realizado por
uma pessoa que havia obtido porte de colecionador de armas com base nos Decretos Federais
9.846/2019 e 10.627/2021. Um ano após a morte de sua amiga, você foi informada/o de que um
grupo de empresários de seu bairro inauguraria um clube de tiro perto da sua casa. Preocupada/o,
você decidiu convocar uma reunião com a associação de moradores do seu bairro para discutirem
providências a serem tomadas a respeito. No seu texto de convocação, você deve a) destacar
os perigos que envolvem a abertura de um clube de tiro em seu bairro; b) apresentar argumentos
contrários à posse e ao porte de armas de fogo; e, de modo mais amplo, c) criticar uma política de
segurança pública baseada no armamento da população brasileira. O seu texto deve, obrigatoriamente, levar em conta a coletânea a seguir.

  1. Dados do Exército Brasileiro mostram que, entre janeiro de 2019 e maio de 2022, surgiram 1.006
    clubes de tiro no Brasil. É quase um clube de tiro inaugurado por dia, totalizando mais de 2 mil espaços como estes em todo o país. Paralelamente, números divulgados pelo Anuário de Segurança
    Pública apontam um crescimento de 474% no número de pessoas que conseguiram o Certificado
    de Registro – documento emitido pelo Exército –, que dá direito ao cidadão de exercer atividades
    como Caçador, Atirador e Colecionador, os chamados CACs. Essa autorização também inclui transitar com a arma no percurso entre a casa e o clube de tiro. A abertura de clubes de tiros interessa
    ao setor econômico da indústria armamentista, composta por indústrias de armas, empresários de
    clubes, atiradores, influenciadores digitais, instrutores e todos que defendem o uso da arma de
    fogo. Muitos desses estabelecimentos também trabalham com a venda de armas e auxiliam o
    interessado com a documentação exigida para tirar o porte de arma.
    (Adaptado de SOBREIRA, Amanda. Como a política de armas de Bolsonaro facilita crimes e arsenais como o de Roberto Jefferson. Brasil de Fato, 29/10/2022.)
  2. O Instituto Sou da Paz aponta que, atualmente no Brasil, mais de 880 mil armas de fogo estão nas mãos de CACs. A lei em vigor permite que os atiradores comprem até 60 armas, sendo
    que 30 de uso restrito, como fuzis, além da compra anual de até 180 mil balas. Já os caçadores
    podem comprar até 30 armas, 15 delas de uso restrito e até 6 mil balas. Para os colecionadores, a legislação não impõe limite numérico.
    (Adaptado de DEISTER, Jaqueline. O que os últimos homicídios cometidos por policiais significam no debate sobre armamento? Brasil de Fato, 20/07/2022.)
    “Ter uma arma triplica o risco de suicídio”, salienta David Hemenway, professor de saúde
    pública da Universidade de Harvard. Várias de suas pesquisas concluíram que estados onde
    há mais lares com armas têm taxas de suicídio mais altas, particularmente suicídios por armas
    de fogo. A diferença seria explicada pelo acesso mais fácil ao armamento, já que não havia
    nessas residências problemas de saúde mental ou casos de pensamentos suicidas acima da
    média. Em análises da relação entre disponibilidade de armas de fogo e mortes não intencionais, homicídios e suicídios de mulheres e crianças, o professor Hemenway concluiu que em
    estados com mais armas há mais mortes violentas nesses grupos. Outra análise, comparando
    25 países de renda alta, revelou que, onde há mais armas, há mais homicídios de mulheres,
    com os Estados Unidos da América no topo da lista.
    (Adaptado de CORRÊA, Alessandra. Armas são eficazes para defesa pessoal? Por que este professor americano sustenta que esse discurso é mito. BBC News Brasil
  1. A organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tem utilizado os decretos do presidente para adquirir legalmente armas de fogo. A política facilita a compra de armamento para quem
    se registra como colecionador, atirador ou caçador, apelidados de CACs. De acordo com o jornal O
    Estado de S. Paulo, criminosos da facção têm usado tal nomenclatura para as compras. Os equipamentos foram comprados com autorização da lei atual – alguns por meio de “laranjas”, pessoas
    que adquirem as armas para o grupo, mas também por criminosos com extensa ficha criminal.
    (Adaptado de Notícias Uol – São Paulo. PCC utiliza política dos CACs de Bolsonaro para comprar armas, diz jornal. 25/07/2022.)
  2. O Instituto de Segurança Pública concluiu que o combate à criminalidade se dá com novas
    formas de atuação das polícias, principalmente no que tange às ações de inteligência e estrutura (armamento, viaturas, coletes, contingente, informatização). Tais mecanismos, até então
    utilizados pelo estado de São Paulo, ilustram o combate à criminalidade através de políticas de
    segurança e de políticas públicas sociais.
    (Adaptado de CAPEZ, Fernando. Controvérsias jurídicas. Segurança pública e armamento da população civil. Consultor Jurídico, 14/04/2022.)

O colégio em que você estuda decidiu lançar um projeto de educação antirracista. Antes de elaborar tal projeto, a direção resolveu escutar estudantes, familiares, professoras/es e funcionárias/os
sobre a questão da discriminação racial no espaço escolar. Solicitou, então, que cada um desses
membros da comunidade escolar enviasse um depoimento, a ser mantido em sigilo. Decidida/o
a contribuir com esse projeto e compartilhar a sua experiência como estudante do terceiro ano do
ensino médio, você enviará o seu depoimento, no qual deve a) declarar como se identifica racialmente; b) relatar se já presenciou, cometeu ou sofreu algum ato de racismo dentro do colégio e
c) explicar como a diversidade étnico-racial é tratada nesse espaço escolar: no currículo, ou nos
conflitos cotidianos, ou na contratação de professoras/es, ou na presença de alunas/os negras/os.
O seu texto deve, obrigatoriamente, levar em conta a coletânea a seguir.

  1. Antirracismo: postura, sentimento, movimento, conceito de oposição ao racismo.
    (Dicionário Caldas Aulete. Disponível em https://www.aulete.com.br/antirracismo. Acesso em 01/09/2022.)
  2. “As escolas trazem o racismo como uma questão entre duas pessoas, confundindo-o com bullying.
    Não o enxergam como um sistema que se retroalimenta e se reinventa”, explica Ednéia Gonçalves,
    diretora-executiva adjunta da Ação Educativa. Pensar uma educação antirracista envolve tratar da
    relação entre duas pessoas, mas também de permitir que todos tenham sua identidade e história
    acolhidas no espaço escolar. E o processo de acolhimento e de reconhecimento das identidades
    requer que a escola repense todas as suas dimensões: curricular, formativa, de atendimento, avaliação, material didático, arquitetura e rotina. Se a escola não tiver um trabalho constante, sério
    e intencional de autoestima, autocuidado, de valorização da cultura negra, vai ser muito difícil
    as pessoas se identificarem como negras. As escolas estão avançando, mas o racismo aparece muito nas dobras. Quando você esgarça, ele pula”, alerta Ednéia.
  1. Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.
    § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história
    e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos
    étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
    indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da
    sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política,
    pertinentes à história do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros
serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.
(Adaptado de BRASIL. Palácio do Planalto. Lei nº 11.645, de 10/03/2008, que altera a Lei nº 9.394, de 20/12/1996, modificada pela Lei n° 10.639, de 09/01/2003.)

  1. “Há quase uma ausência do debate racial no campo da Educação. E esse silêncio nos leva a
    acreditar no mito da democracia racial. Mas os números revelam que não é assim”, explicou Iara Pires Viana, geógrafa e gestora da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. Segundo ela,
    há uma relação intrínseca entre as desigualdades raciais e o direito de aprender. Iara defende que
    o papel da Educação para não reproduzir o racismo é o de denunciar a pedagogia das ausências,
    isto é, o racismo epistêmico, marcado em todo o processo de formação. Promover uma educação antirracista vai muito além de simplesmente combater as manifestações materiais do racismo
    cotidiano, como ofensas e xingamentos. Apesar de positivas, essas medidas não bastam para a
    construção de uma educação efetivamente inclusiva e equânime. A educação antirracista implica
    necessariamente a revisão do currículo, garantindo sua pluriversalidade, bem como a composição
    de um corpo docente etnicamente diverso.

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Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2024 Acesso 2025

Tema de redação da UFRGS de 2024 – O Brasil é um país sem memória?

Considere, abaixo, o texto “Incêndio no Museu Nacional provoca reflexão: Brasil é um país
sem memória?”, de autoria do jornalista Leonardo Lichote, publicado no Jornal O Globo, em 08/09/2018.
Das chamas que consumiram o Museu Nacional parecia se erguer – palpável como os fragmentos
de documentos incinerados que também se erguiam dali – a confirmação do fracasso do Brasil em gerir
sua memória. Como se o crepitar do fogo chiasse a frase que, de tão repetida, se tornou um traço
incontestável de nossa personalidade: somos um país sem memória. Mas, para além do lugar-comum, o
que significa essa afirmação? Como nos tornamos uma Nação que deixa sua História queimar, quando
não voluntariamente a demole em nome da construção de algo mais moderno, seguindo a bençãomaldição de sermos “o país do futuro”, outra definição possível do Brasil?
O Globo conversou com pessoas que lidam com o tema e o pensam de diferentes formas. No
desdobramento que elas fazem da frase “o Brasil é um país sem memória” se desenha a consciência de
que há, aqui, muitos países e muitas memórias. Ou, como acredita o escritor Alberto Mussa, há país de
menos para dar conta de suas memórias.
— O Brasil não formou ainda uma noção de nacionalidade. Com o fim da escravidão, uma espécie
de esboço de nação começou a surgir, uma sociedade que pôde gerar um Machado de Assis ou mesmo
um Noel Rosa — afirma Mussa. — Mas então veio um projeto estatal de embranquecimento do Brasil,
com estímulo tremendo à importação de pessoas sobretudo da Europa. A imigração não é um problema.

Mas essas pessoas foram beneficiadas pelo sistema e em duas gerações se tornaram a elite do Brasil,
uma elite que não se identifica com o país.
Mussa ressalta que não defende ingenuamente a recuperação do mito da cordialidade ou da
democracia racial, mas sim que uma nação é formada pela contribuição de diversos povos:
— Seria importante que o pensamento filosófico europeu tivesse o mesmo valor do pensamento
mítico iorubá ou tupinambá. Assim que se constitui uma nação. Quando para você um cesto indígena
não significa nada, ou um tambor apreendido num terreiro de candomblé no início do século XX, você
não tem como cuidar dessa memória. Para se ter uma ideia, não temos nem um gentílico que nos
designe. Porque brasileiro, originalmente, é o português que veio aqui para pegar pau brasil e vender lá.
É uma atividade. Isso é muito simbólico do que o país passa.
Estudioso da História da presença africana no Brasil, o escritor e músico Spirito Santo ataca o
mesmo ponto e se refere a uma elite desenraizada que se comporta “como europeus de segunda classe,
ressentidos de sua suposta condição de asilados, degredados, piratas sem navio para fugir de uma ilha
estranha, já saqueada”. Ele faz questão de diferenciar brasis quando reflete sobre como o país lida com
sua memória:
— A grande maioria dos brasileiros cuida de forma exemplar de nossa memória por meio de
inúmeras manifestações culturais, disponíveis à atenção das instituições destinadas a organizá-los e
conservá-los, como as universidades, os museus. Mas o que fazer quando essas instituições assumem a
condição de espaços exclusivos de ascensão social para uma certa casta que se sente estrangeira e que
exerce poder por meio de arcaicos mecanismos de exclusão social de parte majoritária de nossa
população?
Sob outra perspectiva, a desvalorização da memória no âmbito institucional seria reflexo da própria
forma como o país lida com a cultura e a pesquisa. É o que pensa o antropólogo Roberto DaMatta, que
trabalhou por cerca de 30 anos no Museu Nacional.
— O Brasil não tem lugar para pessoas que fazem pesquisa, investigação e trabalho intelectual.
Essas pessoas existem, mas ninguém se interessa. Tanto que temos o ditado: “quem sabe faz, quem
não sabe ensina”. Educar no Brasil é tarefa de quem não sabe – define DaMatta. — Apostamos na
ignorância. Nada que não tenha a ver com algo prático, como ganhar dinheiro ou dar tiro em bandido,
atrai atenção.
Autor de “A utilidade do inútil”, o filósofo italiano Nuccio Ordine lembra que na mitologia grecoromana, a deusa da memória, Mnemosyne, era tida como a mãe de todas as artes e de todos os saberes:
— Perder a memória significa abrir mão de interrogar o passado para compreender o presente e
pre-ver o futuro — diz o filósofo, que marca a diferença entre memória e “raízes”. — A memória nos
ajuda a conhecer os grandes valores que unem toda a Humanidade. Em contrapartida, as raízes são
instrumentalizadas para construir uma perigosa narrativa da História fundada sobre uma ideia estática
de “identidade”, como os nacionalismos europeus que estão gerando formas perigosas de racismo.
Homero não é grego, assim como Jorge Amado não é brasileiro. A cultura é um patrimônio universal.
Na Grécia clássica, conta a antropóloga Regina Abreu (professora da pós-graduação em Memória
Social na UNIRIO), praticavam-se longos exercícios de memorização, de declamação, de repetição de
fatos considerados importantes.
— Memória é trabalho. Ela não se faz espontaneamente. É preciso convocar uma vontade de
memória — afirma a antropóloga, que defende que apenas o Estado pode assumir essa responsabilidade
em instituições como o Museu Nacional. — O trabalho ali empreendido é invisível, envolve muitos anos
em pesquisa. Tudo isso não traz visibilidade. Quem pode financiar este trabalho? O poder público. Nossas
elites econômicas, infelizmente, não estão interessadas em memória nacional. Preferem viajar para a
Disney ou visitar o Museu do Louvre em Paris. Como dizia Euclides da Cunha, elas continuam “cegas aos
quadros reais das nossas vidas”.
Disputa simbólica
A memória, muitos dos entrevistados notam, é um espaço importante de disputa simbólica. É
sintomático, por exemplo, que uma das primeiras declarações oficiais após o incêndio fizesse referência
à “lembrança da família imperial” (e não às pesquisas ou ao acervo do Museu Nacional).
— É na memória que definimos o que é mais importante e o que é menos. Ela não abarca tudo,
é uma ilha de edição — afirma, citando Waly Salomão, a historiadora Karen Worcman, fundadora do
Museu da Pessoa. — Quem está editando? É um poder imenso, porque isso influencia todos os valores
do país. O Museu da Pessoa nasce dessa consciência, ao se afirmar como um museu no qual toda e
qualquer pessoa pode integrar essa memória coletiva.
Ruy Castro, autor de biografias de personagens como Garrincha e Carmem Miranda, também
chama a atenção para esse “poder imenso”:
— Há várias passagens na história cultural do Brasil que foram “reescritas” 20 ou 30 anos depois
de acontecidas, e foi essa versão que passou a prevalecer. Como dizia George Orwell, quem controla o
passado controla o presente, e quem controla o presente controla o futuro. O texto acima vale-se de um fato traumático da história recente do Brasil – o incêndio que provocou
grande destruição do Museu Nacional e de seu acervo – para refletir a respeito de um tema importante
para compreender a sociedade brasileira, contido no subtítulo em forma de pergunta: “O Brasil é um país
sem memória?”.
Como se pode ver, trata-se de um assunto complexo, passível de ser expandido em diferentes
direções. Antes de tudo, porém, refletir sobre o tema é urgente e atual, exigindo a participação de vários
setores da nossa sociedade.
Isso posto, considere a seguinte situação.
Imagine que você é morador de alguma região do Rio Grande do Sul entre as que recentemente
foram afetadas pela maior enchente que já atingiu o Estado, o que causou danos enormes aos patrimônios
público e privado, e também à vida das pessoas residentes nesses locais.
Passada a catástrofe, um grupo de cidadãos do Estado lança a ideia de construir, em uma região a
ser definida futuramente, um espaço, um memorial, que reunirá a maior quantidade possível de materiais
diversos (informações, dados, testemunhos, imagens etc.), relativos à enchente. O fato é que essa ideia
encontrou resistência junto a outros grupos da sociedade organizada. Para esses, um acontecimento de
tamanhas proporções deve ser esquecido, devido ao sofrimento causado a tantas pessoas.
Em uma audiência pública ocorrida para debater a viabilidade, ou não, de construção desse espaço,
o grupo autor da ideia apresentou o texto acima, como forma de argumentar favoravelmente à sua
proposta.

Como você pode imaginar, esse texto causou grande controvérsia entre os presentes na audiência,
motivo pelo qual foi criada uma comissão que ficou encarregada de apresentar, em nova audiência pública,
argumentos sobre a pertinência das ideias, contidas no texto, à situação em questão.
Considere que você faz parte dessa comissão e que deverá apresentar seu ponto de vista
sobre a adequação das ideias formuladas pelo autor do texto para refletir sobre a viabilidade,
ou não, de criação de um espaço de memória da catástrofe.
Em outras palavras, você acha que os argumentos apresentados por Lichote, referentes
à construção da memória no Brasil, podem ser aplicados para discutir a construção, ou não,
de um espaço de memória relativo à catástrofe que atingiu o Rio Grande do Sul?
Você deverá organizar seu ponto de vista em um texto dissertativo, que será lido por você na
próxima audiência pública, em que estarão presentes grupos favoráveis e contrários à proposta.
Bom trabalho!
Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –, e
máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses
espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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Redação UEL UEL UEL 2025

Tema de redação da UEL de 2024 – O diálogo

O tema de redação da UEL de 2024 foi o diálogo. Pela primeira vez, o vestibular foi em dia único e contou com apenas um tema de redação, no gênero dissertativo-argumentativo. A leitura do texto direcionava para como deveria ser escrito o texto. Confira ele na íntegra a seguir

Leia o texto a seguir.
Antes de tudo, o conceito
Sempre acreditei que conhecia o conceito de “diálogo”. No entanto, ao me aprofundar no tema, fui levado a
contemplar seu sentido mais profundo e maravilhoso. A palavra diálogo tem suas raízes no grego, derivando
da combinação de “dia” e “logos”. Traduzindo, o sentido é algo como “significado que se move através das
palavras”.
Os filósofos gregos, especialmente Sócrates e Platão, usavam amplamente o diálogo como ferramenta para
estabelecer e aprofundar a comunicação. Hoje, esse conceito mantém o mesmo potencial transformador e
continua a ser o meio ideal para criar e fomentar confiança, respeito, e valorizar a diversidade.
Acredito firmemente que o diálogo é tão essencial para a vida quanto a comida e a água. Imagine os problemas
que poderíamos evitar e os obstáculos a remover nos relacionamentos, se usássemos o diálogo como meio de
estímulo à cooperação mútua. O diálogo tem o poder único de trazer o benefício sagrado do entendimento,
especialmente onde a discussão falha.
Ao contrário das discussões – que frequentemente buscam convencer ou persuadir e podem levar à divisão
e polarização, com cada parte defendendo rigidamente suas opiniões –, o diálogo nos convida a suspender o
apego a um ponto de vista específico. Ele promove a atenção, a síntese e o desenvolvimento de um sentido
mais profundo. Em vez de tentar provar que estamos certos e que o outro está errado, o diálogo nos incentiva a
buscar um significado mais profundo nas diversas opiniões.
Através do diálogo a paz, a negociação, a tranquilidade e o bem-estar tornam-se possíveis de modo muito amplo.
E, por que não dizer: o diálogo também pode aumentar significativamente a satisfação pessoal e o prazer de
viver daqueles que o praticam!
(SHAPIRO, Abraham. Antes de tudo, o conceito. Folha de Londrina. Londrina, 19 de agosto de 2024, Emprego, p. 12.)
Com base na exposição de Abraham Shapiro, redija um texto dissertativo-argumentativo em que discuta o seguinte
pressuposto do autor: “o diálogo também pode aumentar significativamente a satisfação pessoal e o prazer de viver
daqueles que o praticam!” Utilize, para isso, de 20 a 25 linhas.

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O básico que você precisa saber da Bélgica Salário na Bélgica Trabalho na Bélgica Vida na Bélgica

Imposto de renda na Bélgica – O básico que você precisa saber

World taxes – http://world.tax-rates.org/belgium/income-tax Salário depois dos impostos na Bélgica – https://salaryaftertax.com/be/salary-calculator Isenção de imposto de renda – https://fin.belgium.be/en/private-individuals/tax-return/income/tax-rates Imposto de renda na Bélgica – https://www.belgium.be/en/taxes/income_tax Mais informações de imposto de renda na Bélgica – https://www.cleartax.com/be/income-tax Site do MinFin – https://www.minfin.fgov.be/myminfin-web/pages/public?E | FPS Finance= Imposto de renda individual – https://taxsummaries.pwc.com/Belgium/Individual/Taxes-on-personal-income

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Bélgica Direitos na Bélgica O básico que você precisa saber da Bélgica

Cidadania belga – O básico que você precisa saber

Brussels Time – https://www.brusselstimes.com/1660424/belgian-citizenship-how-to-get-it-what-does-it-cost-and-how-long-does-it-take Site do governo de Bruxelas – https://www.brussels.be/belgian-nationality Relações diplomáticas da Bélgica – https://diplomatie.belgium.be/en/belgians-abroad/nationality/acquiring-belgian-nationality-after-age-18 Index de Henley – https://en.wikipedia.org/wiki/Henley_Passport_Index Lei national belga – https://en.wikipedia.org/wiki/Belgian_nationality_law