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Tema de Redação da UNESP de 2025 – “Vivemos hoje uma epidemia da solidão?”

O tema de redação da UNESP 2025 acesso 2026 foi “Vivemos hoje uma epidemia da solidão?”.


Texto 1
A solidão é um luxo que apareceu tardiamente na história. Durante centenas de milhares de anos, quando o Homo
sapiens ainda era uma espécie rara e ameaçada, o indivíduo não podia se separar do grupo, da horda, do clã, da
tribo, proteção indispensável diante dos perigos da vida selvagem. Perdido nos espaços imensos e hostis, ele só podia
sobreviver em grupo. Tanto intelectual como materialmente,
a solidão lhe era estranha. E durante muito tempo ele pôde
se pensar apenas como membro de uma comunidade.
A criação dos primeiros Estados organizados, cidades,
reinos, impérios, oficializou essa situação, formalizando e
multiplicando os laços que ligam o indivíduo a grupos variados: família, grupos profissionais e políticos, associações religiosas e de lazer, confrarias, classes sociais. O homem antigo estava aprisionado numa rede fechada de dependências
que não abria espaço para o isolamento nem para a solidão.
(Georges Minois. História da solidão e dos solitários, 2019.)
Texto 2
Ó solidão do boi no campo,
ó solidão do homem na rua!
Entre carros, trens, telefones,
entre gritos, o ermo profundo.
Ó solidão do boi no campo,
ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.
(Carlos Drummond de Andrade. “O boi”. Poesia 1930-1962, 2012.)
Texto 3

Texto 4
Uma em cada seis pessoas no mundo sofre de solidão,
um problema que, juntamente com o isolamento social, afeta
a saúde mental, pode levar a doenças físicas e contribui para
cerca de 871 mil mortes por ano, alertou uma comissão criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater esse fenômeno crescente. O primeiro estudo da Comissão
sobre Conexão Social, divulgado em 30.06.2025, diz que a
solidão e o isolamento afetam pessoas de todas as idades,
incluindo um terço dos idosos e um quarto dos adolescentes.
“Numa era em que as possibilidades de conexão são inúmeras, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”,
alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, ao apresentar o estudo. Para Ghebreyesus, a solidão e o isolamento
social têm efeitos negativos não só sobre indivíduos, famílias
e comunidades, mas também causam bilhões de dólares em
custos com saúde e perdas de emprego. A comissão enfatizou que a melhor solução para combater esses problemas é
a conexão social. Nesse sentido, o estudo apresenta diversas
recomendações, incluindo o fortalecimento da infraestrutura
para contato social (parques, bibliotecas, cafés) e o aumento
do acesso a cuidados psicológicos.
(Deutsche Welle. “OMS: uma em cada seis pessoas no mundo
sofre de solidão”. www.cartacapital.com.br, 30.06.2025. Adaptado.)
Texto 5
Psicólogos da Universidade de Michigan argumentam
em estudo recém-publicado que crenças sociais sobre
a solidão, perpetuadas pela mídia, podem acabar exacerbando o sentimento negativo de estar só. Além disso,
o senso comum sobre a solidão acaba confundindo estar
sozinho com se sentir solitário. “É importante deixar bem
claro o que é a solidão, e não acho que a mídia e as campanhas de saúde pública façam isso de forma adequada”, diz a autora principal do estudo, Micaela Rodriguez.
“A solidão é uma experiência subjetiva, um sentimento. É
possível sentir-se solitário mesmo perto de outras pessoas.
Não é o mesmo que estar fisicamente sozinho.”
Parte dessa confusão foi propagada nos últimos anos
depois de alertas sobre uma “epidemia de solidão”, apontada por instituições como a OMS. A solidão, nesses casos,
tem mais a ver com o isolamento social — uma desconexão
crônica, quando se desconecta dos outros por um longo
período de tempo. Isso representa uma ameaça à saúde
pública, ligada a uma série de problemas, desde depressão
até morte prematura. Segundo Rodriguez, a noção de que
estar só é fundamentalmente prejudicial não apenas é falsa, mas também pode impedir que as pessoas vivenciem
de forma positiva o tempo que passam sozinhas — algo
inevitável e natural no cotidiano: “Passar um tempo sozinho
pode ajudar a controlar emoções negativas, a se restaurar,
a refletir sobre sua vida, pensar criativamente, ter novas
ideias e simplesmente se conectar com você, seus objetivos e o que você quer.”
(Alessandra Corrêa. “Ficar sozinho nem sempre é
um problema”. www.bbc.com, 09.04.2025. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Vivemos hoje uma epidemia da solidão?

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