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Redação UNICAMP UNICAMP 2025

Tema de redação da UNICAMP de 2024 – Conscientização sobre armas de fogo (convocação) e relato de racismo (depoimento)

Uma amiga sua de escola foi vítima de um disparo acidental por arma de fogo, realizado por
uma pessoa que havia obtido porte de colecionador de armas com base nos Decretos Federais
9.846/2019 e 10.627/2021. Um ano após a morte de sua amiga, você foi informada/o de que um
grupo de empresários de seu bairro inauguraria um clube de tiro perto da sua casa. Preocupada/o,
você decidiu convocar uma reunião com a associação de moradores do seu bairro para discutirem
providências a serem tomadas a respeito. No seu texto de convocação, você deve a) destacar
os perigos que envolvem a abertura de um clube de tiro em seu bairro; b) apresentar argumentos
contrários à posse e ao porte de armas de fogo; e, de modo mais amplo, c) criticar uma política de
segurança pública baseada no armamento da população brasileira. O seu texto deve, obrigatoriamente, levar em conta a coletânea a seguir.

  1. Dados do Exército Brasileiro mostram que, entre janeiro de 2019 e maio de 2022, surgiram 1.006
    clubes de tiro no Brasil. É quase um clube de tiro inaugurado por dia, totalizando mais de 2 mil espaços como estes em todo o país. Paralelamente, números divulgados pelo Anuário de Segurança
    Pública apontam um crescimento de 474% no número de pessoas que conseguiram o Certificado
    de Registro – documento emitido pelo Exército –, que dá direito ao cidadão de exercer atividades
    como Caçador, Atirador e Colecionador, os chamados CACs. Essa autorização também inclui transitar com a arma no percurso entre a casa e o clube de tiro. A abertura de clubes de tiros interessa
    ao setor econômico da indústria armamentista, composta por indústrias de armas, empresários de
    clubes, atiradores, influenciadores digitais, instrutores e todos que defendem o uso da arma de
    fogo. Muitos desses estabelecimentos também trabalham com a venda de armas e auxiliam o
    interessado com a documentação exigida para tirar o porte de arma.
    (Adaptado de SOBREIRA, Amanda. Como a política de armas de Bolsonaro facilita crimes e arsenais como o de Roberto Jefferson. Brasil de Fato, 29/10/2022.)
  2. O Instituto Sou da Paz aponta que, atualmente no Brasil, mais de 880 mil armas de fogo estão nas mãos de CACs. A lei em vigor permite que os atiradores comprem até 60 armas, sendo
    que 30 de uso restrito, como fuzis, além da compra anual de até 180 mil balas. Já os caçadores
    podem comprar até 30 armas, 15 delas de uso restrito e até 6 mil balas. Para os colecionadores, a legislação não impõe limite numérico.
    (Adaptado de DEISTER, Jaqueline. O que os últimos homicídios cometidos por policiais significam no debate sobre armamento? Brasil de Fato, 20/07/2022.)
    “Ter uma arma triplica o risco de suicídio”, salienta David Hemenway, professor de saúde
    pública da Universidade de Harvard. Várias de suas pesquisas concluíram que estados onde
    há mais lares com armas têm taxas de suicídio mais altas, particularmente suicídios por armas
    de fogo. A diferença seria explicada pelo acesso mais fácil ao armamento, já que não havia
    nessas residências problemas de saúde mental ou casos de pensamentos suicidas acima da
    média. Em análises da relação entre disponibilidade de armas de fogo e mortes não intencionais, homicídios e suicídios de mulheres e crianças, o professor Hemenway concluiu que em
    estados com mais armas há mais mortes violentas nesses grupos. Outra análise, comparando
    25 países de renda alta, revelou que, onde há mais armas, há mais homicídios de mulheres,
    com os Estados Unidos da América no topo da lista.
    (Adaptado de CORRÊA, Alessandra. Armas são eficazes para defesa pessoal? Por que este professor americano sustenta que esse discurso é mito. BBC News Brasil
  1. A organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tem utilizado os decretos do presidente para adquirir legalmente armas de fogo. A política facilita a compra de armamento para quem
    se registra como colecionador, atirador ou caçador, apelidados de CACs. De acordo com o jornal O
    Estado de S. Paulo, criminosos da facção têm usado tal nomenclatura para as compras. Os equipamentos foram comprados com autorização da lei atual – alguns por meio de “laranjas”, pessoas
    que adquirem as armas para o grupo, mas também por criminosos com extensa ficha criminal.
    (Adaptado de Notícias Uol – São Paulo. PCC utiliza política dos CACs de Bolsonaro para comprar armas, diz jornal. 25/07/2022.)
  2. O Instituto de Segurança Pública concluiu que o combate à criminalidade se dá com novas
    formas de atuação das polícias, principalmente no que tange às ações de inteligência e estrutura (armamento, viaturas, coletes, contingente, informatização). Tais mecanismos, até então
    utilizados pelo estado de São Paulo, ilustram o combate à criminalidade através de políticas de
    segurança e de políticas públicas sociais.
    (Adaptado de CAPEZ, Fernando. Controvérsias jurídicas. Segurança pública e armamento da população civil. Consultor Jurídico, 14/04/2022.)

O colégio em que você estuda decidiu lançar um projeto de educação antirracista. Antes de elaborar tal projeto, a direção resolveu escutar estudantes, familiares, professoras/es e funcionárias/os
sobre a questão da discriminação racial no espaço escolar. Solicitou, então, que cada um desses
membros da comunidade escolar enviasse um depoimento, a ser mantido em sigilo. Decidida/o
a contribuir com esse projeto e compartilhar a sua experiência como estudante do terceiro ano do
ensino médio, você enviará o seu depoimento, no qual deve a) declarar como se identifica racialmente; b) relatar se já presenciou, cometeu ou sofreu algum ato de racismo dentro do colégio e
c) explicar como a diversidade étnico-racial é tratada nesse espaço escolar: no currículo, ou nos
conflitos cotidianos, ou na contratação de professoras/es, ou na presença de alunas/os negras/os.
O seu texto deve, obrigatoriamente, levar em conta a coletânea a seguir.

  1. Antirracismo: postura, sentimento, movimento, conceito de oposição ao racismo.
    (Dicionário Caldas Aulete. Disponível em https://www.aulete.com.br/antirracismo. Acesso em 01/09/2022.)
  2. “As escolas trazem o racismo como uma questão entre duas pessoas, confundindo-o com bullying.
    Não o enxergam como um sistema que se retroalimenta e se reinventa”, explica Ednéia Gonçalves,
    diretora-executiva adjunta da Ação Educativa. Pensar uma educação antirracista envolve tratar da
    relação entre duas pessoas, mas também de permitir que todos tenham sua identidade e história
    acolhidas no espaço escolar. E o processo de acolhimento e de reconhecimento das identidades
    requer que a escola repense todas as suas dimensões: curricular, formativa, de atendimento, avaliação, material didático, arquitetura e rotina. Se a escola não tiver um trabalho constante, sério
    e intencional de autoestima, autocuidado, de valorização da cultura negra, vai ser muito difícil
    as pessoas se identificarem como negras. As escolas estão avançando, mas o racismo aparece muito nas dobras. Quando você esgarça, ele pula”, alerta Ednéia.
  1. Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.
    § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história
    e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos
    étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
    indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da
    sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política,
    pertinentes à história do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros
serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.
(Adaptado de BRASIL. Palácio do Planalto. Lei nº 11.645, de 10/03/2008, que altera a Lei nº 9.394, de 20/12/1996, modificada pela Lei n° 10.639, de 09/01/2003.)

  1. “Há quase uma ausência do debate racial no campo da Educação. E esse silêncio nos leva a
    acreditar no mito da democracia racial. Mas os números revelam que não é assim”, explicou Iara Pires Viana, geógrafa e gestora da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. Segundo ela,
    há uma relação intrínseca entre as desigualdades raciais e o direito de aprender. Iara defende que
    o papel da Educação para não reproduzir o racismo é o de denunciar a pedagogia das ausências,
    isto é, o racismo epistêmico, marcado em todo o processo de formação. Promover uma educação antirracista vai muito além de simplesmente combater as manifestações materiais do racismo
    cotidiano, como ofensas e xingamentos. Apesar de positivas, essas medidas não bastam para a
    construção de uma educação efetivamente inclusiva e equânime. A educação antirracista implica
    necessariamente a revisão do currículo, garantindo sua pluriversalidade, bem como a composição
    de um corpo docente etnicamente diverso.

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2024 Redação UNICAMP UNICAMP 2025

Tema de Redação da UNICAMP de 2024 – Igualdade de gênero (texto de apresentação de um PL) e apostas online com jovens (comunicado)

Os temas de redação da UNICAMP 2025, aplicada no ano de 2024, foram sobre igualdade de gênero (com a produção de um gênero textual de texto de apresentação de um projeto de lei) e apostas online com jovens (comunicado).

Confira os textos motivadores

Proposta 1

Você é integrante de um coletivo que defende a igualdade de gênero. Após ler matérias sobre a aprovação de leis que afetam diretamente as mulheres, você constatou que tais leis são elaboradas por um Parlamento majoritariamente masculino.
Então decidiu mobilizar suas/seus colegas do coletivo para articular, por meio de iniciativa popular, um Projeto de Lei (PL)
que estabeleça igualdade de gêneros nas cadeiras do Congresso Nacional. Você ficou responsável por escrever o texto de
apresentação desse PL, o qual será lido na Câmara dos Deputados. Em seu texto, você deve destacar: a) malefícios que a desigualdade de gênero no Parlamento tem gerado na sociedade brasileira; e b) argumentos que comprovam que uma representação política mais igualitária pode levar a um cenário de maior justiça social no país. Você deve, obrigatoriamente, apropriar-se
de elementos da coletânea a seguir, demonstrando leitura crítica dela na elaboração de seu próprio texto.
Glossário:
Coletivo: conjunto de pessoas reunidas em prol de um mesmo objetivo: político, social ou artístico.
Iniciativa Popular: consiste na apresentação de um Projeto de Lei à Câmara dos Deputados, assinado por, no mínimo, 1% do
eleitorado nacional, distribuído por pelo menos cinco estados, com até 0,3% dos eleitores de cada um deles.

  1. Maioria no Congresso Nacional, os parlamentares homens são os principais responsáveis por 74% dos projetos desfavoráveis
    aos direitos das mulheres. Uma em cada quatro propostas sobre gênero no Congresso prejudica as mulheres de alguma forma.
    O levantamento do “Elas no Congresso”, de 2020, feito pela revista AzMina, avaliou 331 Projetos de Lei (PL). Os temas mais
    abordados foram gênero, aborto, cotas na política e violência doméstica. A doutoranda em Ciência Política da USP, Beatriz Rodrigues Sanchez, acredita que, devido a essa formação assimétrica do Congresso, os valores e a visão dos homens prevalecem,
    dificultando a instauração de políticas afirmativas e de maior visibilidade à pauta feminina: “Os homens brancos, heterossexuais,
    empresários e ruralistas ocupam a maior parte das cadeiras no Congresso Nacional”.
    (Adaptado de OLIVEIRA, Kaynã de. “Machismo estrutural no legislativo não enxerga interesses das mulheres”. Jornal da USP, 21/05/2021.)
  1. Aprovada por unanimidade na Câmara e no Senado mexicanos, a Reforma Constitucional de 2019 definiu que a busca pela
    paridade de gênero alcançaria os três poderes e organismos públicos autônomos, como o Banco do México e o Instituto Nacional de Estatística e Geografia. O avanço entre a Reforma de 2014 – que definiu a paridade no Legislativo – e a de 2019 foi
    possível porque já havia uma paridade no Congresso no momento dessa segunda votação, e, portanto, havia um expressivo
    número de mulheres parlamentares eleitas que então pressionaram pelo equilíbrio também no Executivo e no Judiciário.
    (Adaptado de BIANCONI, Giulliana et al. “Lei de paridade de gênero no México mostra caminho para nova política”. Gênero e Número, 22/08/2022.)
  2. Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL 1904/24) que equipara o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples. Caso aprovado, uma mulher vítima de estupro que interrompa a gravidez pode
    ter pena maior do que a do estuprador. A pena para homicídio simples – definido pelo Código Penal como o crime praticado
    quando se mata alguém – varia de 6 a 20 anos de prisão. Já a pena para o estupro varia de 6 a 10 anos, podendo chegar a 12
    anos se a vítima tiver entre 14 a 17 anos, destaca a advogada Flávia Pinto Ribeiro, presidente da OAB Mulher Rio de Janeiro.
    (Adaptado de SCHROEDER, Lucas; SOUZA, Renata. “Mulher vítima de estupro pode ter pena maior que estuprador em caso de aborto, segundo projeto”. CNN Brasil, Política, 13/06/2024.)
  3. A deputada Soraya Santos ressalta que a importância da presença feminina na política vai muito além de discutir temas associados a mulheres. Para a parlamentar, a participação das mulheres se faz necessária para a discussão de pautas mais abrangentes, como violência contra crianças e adolescentes, educação ou saúde. Soraya Santos chama atenção também para uma
    outra forma de violência política, aquela presente nas estruturas partidárias, que sabotam as candidaturas femininas a cargos
    eletivos. Embora a legislação obrigue os partidos a reservar no mínimo 30% das candidaturas para mulheres nas eleições para
    a Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras de vereadores, até muito recentemente, a prática mais comum,
    conforme explica a deputada, era a apresentação das chamadas candidaturas “laranja”, uma maneira de burlar a lei. Nas eleições municipais de 2016, mais de 14 mil mulheres tiveram zero voto, muitas delas sequer sabiam que o seu CPF contava para
    a chapa, exemplifica Soraya Santos.
    (Adaptado de “Bancada feminina conseguiu aprovar 43 leis desde o início da legislatura, em 2023”. Rádio Câmara, 08/03/2024.)

Proposta 2

Você é diretor/a de uma escola pública e, ao circular pelos corredores dela, no intervalo entre as aulas, notou que os/as
alunos/as do Ensino Fundamental estavam usando o celular para apostar dinheiro em um jogo de azar. Preocupado/a com a situação, você decidiu escrever um comunicado a ser enviado aos responsáveis por esses/as alunos/as, expressando as preocupações
da instituição com esse novo hábito de crianças e pré-adolescentes. Em seu texto, você: a) explica de que forma essas apostas
por celular podem prejudicar o comportamento dos alunos na escola; e b) alerta sobre os principais perigos a que crianças e
pré-adolescentes estão sujeitos ao se envolverem com as bets. Você deve, obrigatoriamente, apropriar-se de elementos da coletânea a seguir, demonstrando leitura crítica dela na elaboração de seu próprio texto.
Glossário:
Bets: o termo “bet” é a palavra em inglês para “aposta”. No contexto de jogos de azar, a palavra bets se refere a qualquer tipo
de aposta feita em eventos cujo resultado é incerto, como partidas esportivas ou jogos de cassino. A palavra tem sido amplamente adotada por diversas plataformas de apostas online. (Adaptado de LEITES, Raphael. “O que são bets?”. Estadão – E-investidor. 01/10/2024.)

  1. Um universo cheio de tigrinhos, aviõezinhos, moedas de ouro e craques do futebol. O que parece fascinante é perigoso e não
    tem poupado crianças e adolescentes, público que cresce à medida que os algoritmos das redes sociais insistem em disseminar
    propagandas de jogos de azar, apostas online e bets. Além de jogar, influenciadores com idade entre seis e 17 anos estão sendo recrutados por casas de apostas virtuais para fazer publicidade daquilo que sequer deveriam acessar, mostrou investigação
    do Instituto Alana. Atraído por jogadores e locutores famosos, o estudante L., de 13 anos, decidiu se arriscar como técnico de
    futebol e usou escondido o cartão de crédito da avó para bancar suas apostas. Chegou a gastar R$30 mil. Perdeu tudo. Ivelise
    Fortim, professora de psicologia e de tecnologia em jogos digitais da PUC-SP, explicou que “jogos de apostas são proibidos para
    crianças e menores de idade porque eles têm maior impulsividade e dificuldade de controle, sem a maturidade necessária para
    tomar decisões sobre o risco financeiro envolvido. Entre as consequências mais graves para esse público, estão a depressão e o
    suicídio.”
    (Adaptado de BITTENCOURT, Carla. “Apostas online atraem crianças e adolescentes, apesar de ilegais”. Portal Lunetas, 26/06/2024.)
  1. As bets estão em processo de regulamentação no Brasil. Atualmente, só podem funcionar as empresas de apostas autorizadas pelo governo. Os demais sites devem ser bloqueados. A advogada Monique Guzzo, das áreas de Direito Público e Regulatório, explica que, antes da lei das bets (Lei 14.790/23), as apostas de quota-fixa estavam legalmente permitidas desde 2018, mas
    não havia um sistema de controle de entrada, fiscalização ou tributação. “Isso permitia que empresas estrangeiras operassem
    no Brasil sem um retorno significativo de impostos ao governo.” Além disso, não existia um órgão específico para regulamentar
    e fiscalizar essas empresas, o que dificultava o controle sobre a prática. Com a nova lei das bets, foram introduzidos requisitos
    e diretrizes para tal regulamentação.
    (Adaptado de “Regulamentação das bets: o que pode e o que não pode? Entenda.” Portal Migalhas, 03/10/2014.)
  2. No interior de São Paulo, a enfermeira Gabriely Sabino foi finalmente encontrada, após passar uma semana desaparecida. Ela
    assumiu à imprensa ter fugido após contrair dívidas ao investir no “Jogo do Tigrinho”, uma espécie de caça-níqueis online. Em
    Alagoas, dois influenciadores digitais foram presos, suspeitos de divulgar ganhos falsos e atrair jogadores para o mesmo game
    de apostas. No Maranhão, a polícia investigou suicídios que teriam ocorrido após usuários perderem grandes quantias na plataforma. O “Jogo do Tigrinho” chama apostadores com uma forte promessa de ganhos rápidos e fáceis. Para o psiquiatra Rodrigo
    Machado, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, o ciclo vicioso causado pelo jogo precisa também ser visto
    sob uma ótica de saúde pública. “A gente fica dependente não só de substâncias químicas, mas também de comportamentos
    altamente sedutores para o cérebro, como o transtorno do jogo. No Brasil, o vício em apostas é identificado como doença pela
    Classificação Internacional de Doenças (CID-10), nas categorias mania de jogo e jogo patológico.
    (Adaptado de QUEIROZ, Gustavo. “Jogo do Tigrinho: os perigos de se viciar em games de aposta”. Brasil de Fato, 01/07/2024.)