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FUVEST 2026 Redação FUVEST

Tema de Redação FUVEST de 2025 – Análise das propostas

A seguir, encontram-se 6 textos que compõem a coletânea de apoio para 2 propostas de redação, das quais apenas
uma deverá ser escolhida.
Texto 1:
W. comenta que, durante a guerra, ele e outros prisioneiros foram escalados para limpar um hospital de campanha
nos arredores da cidade de Lviv, na atual Ucrânia. Lá chegando, ele foi levado ao quarto de um jovem oficial nazista
que, gravemente ferido e ciente da proximidade da morte, desejava pedir perdão a um judeu pelos crimes que havia
cometido contra membros da comunidade judaica.
Na ocasião, chocado com a confissão do nazista e sem saber se aquilo tudo não era uma armadilha, o autor deixou
o quarto em silêncio. Anos mais tarde, porém, ao refletir sobre o episódio, ele resolveu questionar alguns dos seus
conhecidos: “E você, o que teria feito no meu lugar?”.
Entre os comentários ao relato de W., o meu predileto foi escrito pelo filósofo H., amplamente reconhecido pelo seu
ativismo em prol dos direitos civis nos Estados Unidos das décadas de 1950 e 1960.
Em resposta a W., H. escreve que não teria perdoado o oficial nazista. No entanto, o que mais me chamou atenção
no texto de H. não foi exatamente a sua conclusão, mas a maneira como ele construiu o seu raciocínio, utilizando-se do
mesmo gênero textual de W., isto é, a partir de uma narrativa.
Antes de dizer o que ele teria feito no lugar do sobrevivente, H. relata uma situação vivida por S. (1853-1918), o rabino
de Brest, na atual Belarus, muito admirado tanto pela sua afabilidade quanto pelo seu grande conhecimento do Talmud.
Certa vez, em um trem que partia lotado de Varsóvia para Brest, o rabino sentou-se junto a um grupo de caixeirosviajantes que passava o tempo a jogar cartas. Um deles, incomodado pela postura de S., que nunca havia jogado
baralho e se recusava a participar das apostas, resolveu enxotar o rabino do vagão.
Sem conseguir encontrar outro assento vago, S. passou horas em pé até alcançarem Brest. Já na cidade, para a
surpresa do caixeiro-viajante, que ignorava a sua identidade, o rabino foi recebido por uma multidão de admiradores.
Ao tomar conhecimento de que o homem que ele havia agredido era o rabino de Brest, o caixeiro-viajante apressouse em lhe pedir desculpas, mas todos os seus pedidos e promessas de caridade foram refutados pelo rabino.
Vendo que o caixeiro-viajante estava claramente angustiado com toda aquela situação, o filho mais velho de S. resolveu
questionar o pai sobre a dureza da sua decisão, ao que o rabino respondeu: “Meu filho, eu não tenho condições de perdoálo. Ele não sabia quem eu era. Ele ofendeu um homem comum. Deixe que o caixeiro-viajante vá até ele e lhe peça perdão”.
Para H., essa anedota nos ensina que ninguém tem o direito de perdoar uma ofensa cometida contra outra pessoa.
Há, no entanto, algo de extraordinário na maneira como ele opta por também contar uma história para comunicar o seu
posicionamento. Isto é assim pois uma narrativa possui espaços vazios e inconsistências que abrem margem para a
discordância.
Juliana de Albuquerque. “Súplica de oficial nazista provoca reflexão sobre limites do perdão”. Folha de São Paulo. 03.04.2025.
Adaptado.
Texto 2:
O rancor do pai veio à tona mais forte ainda, compareceu inteiro, profundo. Culpou seu José não pelo que ele,
Venâncio, tinha feito, mas pelo que ele era. Por não ter escapado do que viveu, não ter se transformado em outra coisa.
Tentava se defender, argumentava consigo mesmo que não tinha escolhido jogar o filho longe, não tinha era sido capaz
de não jogar. Maldito. A liberdade é uma conversa fiada, é palavra de efeito, sempre no meio de uma frase para
impressionar os desatentos, no fundo estamos presos à incapacidade de ser outra coisa diferente do que somos, do
que a história da gente tramou. Queria uma saída, divagava. Apertou o filho nos braços e implorou a Deus pela vida
dele. O que ele tinha feito não tinha perdão. Negociou. O perdão não existe justamente para perdoar o imperdoável? As
bobagens, os pequenos atritos, os erros aceitáveis não precisam tanto de perdão, basta uma boa vontade, um pouco
de amor e tempo, e tudo se dissolve.
Carla Madeira. Tudo é rio.


Texto III
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen. Mar novo.
Texto 4:

Foto: Abdel Kareem Hana/AP.
Cessar-fogo em Gaza permite o regresso à casa.
Texto 5:
Nosso lar se enfeitou
A esperança germinou
Ah, tem muita flor pra todo lado
Pra curar a minha dor
Procurei um bom doutor
Me mandou beijar teu beijo mais molhado
Seja do jeito que for
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar, tá perdoado!
Arlindo Cruz. Tá perdoado.
Texto 6:
Não me queixo; nunca me queixei de cousa nenhuma:
quando estimo alguém, perdoo; quando não estimo,
esqueço. Perdoar e esquecer é raro, mas não é impossível;
está nas tuas mãos.
Machado de Assis. Iaiá Garcia.
PROPOSTA 1
Redija um texto dissertativo-argumentativo, no qual seja exposto seu ponto de vista sobre o tema: O perdão é um ato
que pode ser condicionado ou limitado.¬¬
PROPOSTA 2
Redija uma carta a uma personagem hipotética que o(a) tenha acusado falsamente da prática de um ato moralmente
reprovável, explicando as razões pelas quais você lhe concede ou não o perdão. Sua redação deve conter,
necessariamente, as partes que compõem a estrutura de uma carta. ATENÇÃO: assine sua carta com o termo “Nome”

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"Balada de amor ao vento" FUVEST 2026 FUVEST 2027 Paulina Chiziane

“Balada de amor ao vento” por Paulina Chiziane – Resumo de cada capítulo

Balada de amor ao vento é o primeiro romance publicado de Paulina Chiziane que já tinha uma ideia do que escrever, mas o primeiro romance escrito por ela foi “Ventos do Apocalipse”.

São 20 capítulos, divididos em partes que demarcam passagem de tempo, mudança de plano ou troca de narrador. O tempo da narrativa é de Moçambique ainda colônia, com o nome da cidade de Maputo ainda como Lourenço Marques, antes do ano de 1976, da independência de Moçambique.

Capítulo 1 Parte 1 A narradora lamenta sua vida, está próxima da morte e lembra-se de Save, terra de sua infância, repleta de bela flora. Em contrapartida, está em Mafalala, terra que abomina, que é suja e triste. Foi para lá por amor, se é que sabia o quê era amor e se amou. Sua filha, mais estudada, contou sobre o mundo e como o era, ela pensa que há quem precise conhecer o mundo da mulher. Pensa em falar da sua história, nem sabe se será interessante, há tantas outras que vivem igual.

Parte 2 “Tudo começa no dia mais bonito do mundo, beleza característica do dia da descoberta do primeiro amor.”. Era época de festa e, obviamente, de namoro. Os rapazes vinham para os ritos de passagem para a fase adulta e iriam dançar e comer depois. A narradora prestou atenção em Mwando, ouviu dos homens sobre ele e também as amigas diziam para desistir, ele estudava para ser padre. Foi zombada pelos meninos e pelas meninas de não ter curvas e ficou assim, pensando nele e demorou para dormir. Perseguia o menino, ia na igreja para ver ele, até que um dia decidiu fazer o ultimato e se vestiu bonita para atraí-lo. Depois da missa, caminharam juntos e ela já desistia, quando ele perguntou o que se passava e ela dizia que de quem ela gostava não era recíproco. Ela revelou sendo ele, mas Mwamdo confessou que gostava dela, era a única que não zombava dele, mas tinha medo do padre. Ela o silenciou e finalmente se beijaram.

Capítulo 2 Parte 1 Mwando se martiriza, queria ser padre mas Sarnau a tentava. Por muito tempo, foi zombado pelos meninos e se isolava para se proteger. Queria ser padre, pedia ajuda para Cristo e tinha medo dos outros meninos contarem dele e de Sarnau. Escreveu uma carta, abriu seu coração, mas o padre surgiu ali e perguntou o motivo de estar tão apavorado. Leu a carta e entendeu. Amanhã ajustariam as contas.

Parte 2 O padre suspeitava do que acontecia com os meninos, principalmente pelas fofocas. Uma noite, em meio do que se culpava de não confiar neles mas vendo que estavam certos, apanhou Salomão e quase o bateu, não fosse o menino mais esguio, coisa que Mwando não foi e o padre descontou a raiva nele. Salomão e Mwando foram expulsos, nada aconteceu com a cozinheira, suspeita de ser a pessoa que estava no quarto de Salomão

Parte 3 Mwando logo se acostumou aos trabalhos dos outros jovens da idade. Passavam bom tempo juntos, Sarnau e Mwando se maravilham com a fauna e a flora do mundo. Mwando vê a obra de Deus e vê o motivo de amar, vendo tudo de cima é fácil se maravilhar. Ao meio de metáforas, os dois fazem sexo, com o uso das metáforas da maçã sendo o fruto proibido, a serpente no Éden e Adão e Eva. Sarnau pede uma oferenda para suas entidades protetoras, a defunta protetora, já que fizeram sexo. Ele hesitou, não gostava de servir outros deuses se não Cristo. Mas prometeu fazer uma oferenda grande. Sarnau o amava e assim dizia.

Capítulo 3

Parte 1

“Mwando ainda não ofereceu nada à minha protetora, mas eu perdoo, ele ainda não arranjou dinheiro, coitado.” Ele trabalha muito, não só com o pai mas com os afazeres de casa que as irmãs são preguiçosas. Sarnau o ama, ama muito, em tudo que vê sabe que o ama. Mas ele parece esconder algo, principalmente quando ele não olha nos olhos para dizer da ausência e cada vez passa menos tempo com ela.

Parte 2 Mwando diz que trabalhava muito nesses dois meses e daí o sumiço. Iria para longe, trabalhar, Sarnau o esperaria, mas ele tenta insistir até que conta a verdade da sua mudança eterna – estava para casar e não aceitava a poligamia. Sarnau se contorcia e chorava, aceitava até poligamia e a distância, mas ela estava grávida e tinha fome de amor. Despediu-se, ainda foi acolhida enquanto chorava e até resgatada de um ataque de cobra. Mwando perguntou o motivo dos ancestrais dela fazerem isso, ela disse que era para acalmar seu ódio e tirar a dor. Não deixou que ele falasse mais e foi embora.

Parte 3 Sarnau não dormia bem, não estava bem, tudo lembrava de Mwando e ela queria que a dor que sentia parasse de qualquer jeito. Enquanto sonhava com uma natureza acolhedora, via Mwando chegando, mas foi acordada por Rindau.

Parte 4 Sarnau decide se matar, vai até o rio e vai andando lentamente. Ela pensa em tudo que fica para trás e nesse último dia que está como todos os outros, belo. No momento que ela chega a uma altura considerável do rio, seu corpo quer viver, mas era tarde. No entanto, ouve vozes, pensando que são do outro plano. Se vê em sua rasteira, tinha sido salva por pescadores que a viram. Sua mãe, curandeira, falava de uma centopeia que entrou nela e fez um nó e que devia sair de Sarnau. Ela gritava e finalmente chorou. Foi como se ela se libertasse de tudo. O sangue jorrava por conta do aborto.

Capítulo 4 Sarnau iria casar e as pessoas se despediam dela. Estava com véu, era prometida ao rei da terra e nunca antes houve um lobolo, quantia paga para firmar o casamento, como o dela. 36 vacas que não pariram, virgens, e mais dez homens com pele de leopardo. Estava contente, nunca tinha planejado tal situação. Ela explica que a rainha tinha uma pretendente para seu filho, Khedzi, mas quando não só se descobriu que essa mulher de pele mais branca, predileta dos homens poderosos, que levantava a capulana, vestido ou saia, para qualquer copo de aguardente, e era filha de feiticeira. A rainha viu que sua mão era delicada, sem marca de trabalho, não a quis e era indigna. Todos se assustaram e ainda mais que apostaram suas filhas, que faltavam ou beleza ou vontade de trabalhar. Um dia, a rainha de encontrou com Sarnau, filha de Rindau, sem lembrar dela. Enquanto a via trabalhar e interessada, pediu para beber, e deu de beber com a concha da mão. A rainha ficou interessada e chamou-a para trabalhar por uma semana. Era comum, fez tudo como deveria ser feito sem pestanejar e, em uma reunião magna, declarou que Sarnau seria a esposa de Nguila, o príncipe, beberrão e forte. Enquanto aceitava o lobolo, a tia repetia o que precisava dizer, que era homenagear a família e enriquecer a terra. Neta de uma moça com lobolo de una peneira de feijão, ela se engrandecia. Até conversa com o leitor, como ela poderia ser bonita se não era no estilo clássico de beleza. Dizia que a beleza variava de cultura para cultura. “É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna.”

Capítulo 5 Parte 1 Sarnau ouve conselhos enquanto está na palhoça se preparando para o matrimônio. Ouve de tudo para aguentar os problemas do matrimônio, pois homem deve ser servido. É uma sociedade patriarcal e se perdoa o homem. Ela pensa que está com a vida feita e é invejada, as mais velhas continuam a aconselhar. No casamento, o príncipe assina com caneta de ouro e Sarnau usa o dedo, sinalizando que é analfabeta, em frente ao padre Ferreira. Vislumbram a festa, tanta gente dançando, homem bebendo ou sendo embriagado para poderem curtir-se ou curtir outros. Sarnau acha tudo lindo.

Parte 2 A família chora, até seu pai que ela nunca o viu chorar também chora e ela não entende, não era momento de felicidade? A velha tia explica que homem é para ser servido, e ela no casamento era como milho no pilão, explicado pela tia, seria amassada, triturada e moída para a felicidade do lar, e assim o suportaria. A mãe chorava de felicidade, até porque explicou que há quem chora por tristeza. Ela ia, infelizmente, a sua escravidão. Chegando no novo lar, via sorrisos, mas ninguém que conhecesse. Pensava na irmã e na família longe.

Capítulo 6 Parte 1

Sarnau acorda, nem acredita na nova vida. Faziam duas semanas do casamento e a festança intensificava com mais presentes. Vestia um vestido diferente por dia, escolhidos pela rainha. Trabalhava para as sogras que a testavam. A oitava sogra foi enfeitiçada, disse a Sarnau que a casa era cheia de feiticeiras e também coxeava por isso. “Uma lagartixa amarelo-acastanhada despenhou-se da árvore caindo no meu regaço, e fugindo célere enterrou-se no areal. Arregalei os olhos, o coração pulsou, e fui percorrida por um grande arrepio. Presságio de desgraça!”. Ela assim disse que não morreria, foi pendurada e amaldiçoada mas iria morrer de velhice. Eram mais cabeças ao currau.

Parte 2 – Gatilho de violência Sarnau estava contente ao dia e, apesar dos maldizeres do casamento, queria ver Nguila. Quando chegou ao quarto, viu ele com Mayi em sua cama. Aprendeu que quando visse o marido com outra que era para preparar banho e não se zangar. Até mesmo Nguila a chama, vendo que chorou, perguntou se alguém tinha morrido e deu um tapa nela que saiu até um dente. A rainha a acudiu entre lágrimas e sangue. Ela o consolou, dizendo que eram de terras distantes e nasceram e foram moldadas em sofrimento. Soube que essa Mayi tinha tatuagens em relevo e a pele lisa era feitiçaria de veneno de cobra. De noite, sonhando difícil, a sogra a acordou para que fosse dormir com seu esposo. No que retornou, Nguila a abraçou, dizendo que devia ensinar a não ter ciúmes e gostava muito dela, era a primeira, tinha respeito e apreço mais do que a outras. Mas ela se impacientava que não engravidava, como Mayi engravidou, mesmo que fizesse pouco tempo que estivessem juntos.

Parte 3 “Não imaginam o paraíso em que vivi quando declarei a minha gravidez.”. Seu marido lhe enchia de carinhos e amor, na cultura de Moçambique, a gravidez é fortemente celebrada e para os homens a mulher grávida é motivo de festa. Ela vestia-se e ornamentava-se. Mas, “Como o girassol, a felicidade dura apenas um sol.”

Capítulo 7

Parte 1

Mudança de narrador para terceira pessoa, um homem chora em sua cabana triste, abandonado. Era Mwando, casou com Sumbi, uma mulher linda, mal acreditou quando a conquistou, como os outros também não acreditaram, e teve o casamento arranjado, os pais queriam casá-la com nobre, na falta de um, foi pelo menos um homem culto e que parecia nobre. “Os homens não choram, ensinam os pais aos filhos. Mwando é homem e chora, mas com razão.”. O lobolo era alto, doze vacas. Com cinco vacas, a família arranjou uma forma de pagar em prestações as vacas. As seis ao casamento, três quando nascesse a primeira criança e três com a segunda. Já no primeiro dia de casamento ela não cumpria seu lugar como mulher. Apesar de Mwando ter se apaixonado por aquela mulher que trabalhava em pilão, ela fingia dores de cabeça e ficava na mesa como um homem. E continuava assim, os dois se amavam, acordavam tarde, nada produziam. “Só come quem trabalha, ensina a sabedoria popular.”. E ele a ajudava nas poucas vezes que ela fazia algo da casa, pegou mal, a vizinhança se afastava e ela logo se tornava tirana. Os carinhos viraram obrigações, exigia presentes mesmo que a família dela não faltasse dinheiro. Mwando se endividou, esgotou as despesas, mesmo que ele não visse problema em agradar a mulher. Ela sempre vinha com sorrisos, e presentes de admiradores quando o dinheiro dele se esgotou. Mas o lobolo e o lugar da mulher em Moçambique é diferente, ela jamais deve trazer prejuízo. Interviram no caso, “Mulher lobolada tem a obrigação de trabalhar para o marido e os pais deste. Deve parir filhos, de preferência varões, para engrandecer o nome da família. Se o rendimento não alcança o desejável, nada há a fazer senão devolver a mulher à sua origem, recolher as vacas e recomeçar o negócio com outra família. Mulher preguiçosa não pode ser tolerada, muito menos a libertina.”. O pai ficou louco que ele respondia aos anciões, que eram de outra religião e pregavam outra fé, ele pensava ser elevado por ser cristão e ignorava os preceitos éticos e morais de uma boa família, mas o pai também era culpado. Não deu outra, afastaram-se da vila, viveram em uma cabana em desgraça e só piorou com o filho morto, com o pretexto que era feitiçaria dos defuntos não apoiarem a união. Mas Sumbi já tinha casamento com gente rica, “amor com pobreza não faz felicidade, arrumou as coisas dela e partiu.”.

Parte 2 Chorava, estava depressivo. Amaldiçoava a religião dos antigos e se culpava, sentia remorso de como era vítima antes das opressões na adolescência e infância agora como adulto, pelos anciões. Pensava e repensava e teve um pensamento. “Homem que é homem deve saber resistir às vicissitudes da vida, pois todos os seres vivos têm as suas amarguras.”. Rezou, gritava alto, chorava e precisava ouvir isso. Entendeu tudo que passou e passa e tinha ressuscitado.

Capítulo 8 Sarnau estava triste, tinha duas filhas e faziam dois anos que o marido dela não a tocava e estava com amores com Pathy, a quinta esposa. Mal comia a comida dela, reclamava de algo ou estava indisposto e brigava com ela. As gêmeas demandavam muito e ela batia nelas como se fossem culpadas. Ela lamenta a morte do rei, Zucula, que trouxe tantas outras mortes e desgraças para o reino. Morreu de cócoras, com uma cobra, e assim foi enterrado. O dia era feio e cheio de sinais ruins, e as pessoas se matavam ao longo dos dias ou iam embora dos postos. A rainha morreu de joelhos e também assim foi enterrada. Em meio a isso, ainda havia uma guerra. O filho, Nguila, era rei e curtia o momento. Sarnau vestia o mesmo ouro da rainha e tivesse quem a invejava, mas comia mal e vivia mal. E para piorar, Mwando a encontrou e ele estava péssimo, nem era o mesmo que lembrava de fisionomia. Apesar de ter enxotado, foi até sua cabana e se amaram. Ela até propôs que continuassem os encontros em uma gruta de fantasmas que era afastada, mas Mwando a lembrou de sua posição e ela se despediu, saboreando o momento de vitória.

Capítulo 9

Parte 1 Sarnau estava em dilema. Por um lado, amava Mwando e seu amor a tranquilizava. Por outro lado, tinha poder, status e riqueza com seu casamento polígamo. Pensava no lado ruim também que Mwando a fez sofrer muito mas do marido polígamo que amava e a deixava de lado.

Parte 2 Lamentava que Mwando não iria mais vê-la, era rainha e não seria coisa boa. Visitou a gruta dos fantasmas, escondendo sua rota, e lá viu Mwando a esperando, ele sofria que poderia ser punido mas queria ver Sarnau. Mais uma vez se amaram, trocaram promessas de amor.

Capítulo 10

Parte 1 Sarnau engravidou de Mwando, mas ela conseguiu fazer um feitiço para que Nguila se encantasse por ela. O feitiço foi tão forte que ela se tornou mais amoroso com todas, exceto Pathi que vivia com ciúmes e tinha até pedido um feitiço que matasse todas as outras 6 esposas. Agora dividia o amor e sempre dormia depois da meia noite com Sarnau, sendo carinhoso. Ela implorava à defunta protetora que o fizesse parecido até com o bisavô, menos com o pai original. Pensou em fugir, mas não trocaria o bem-estar por nada, podia ser um menino e governar tudo. No parto, descobriram que Pathi fez um feitiço para que Sarnau morresse nele em um sonho de Nguila e foi espancada fortemente, além de tomar veneno e ter dado uma diarréia. Sofria. Sarnau sofria de emoções, não sabia até quando poderia continuar com essa mentira do filho ilegítimo e do amor de Mwando.

Parte 2 Mwando pedia que fugisse com ele, queria Sarnau só para si e sofria com as migalhas de carinho e a impossibilidade de se quer ter o filho. Sarnau pedia paciência, o rei aguardava ansiosamente a criança e poderiam fugir quando nascesse.

Capítulo 11

Parte 1 O parto foi difícil, com a luz da lua, cantavam e pediam que viessem bem. Mas Sarnau sofria, diziam que comeu ovo, mas o filho vinha de um adultério e por isso era mais penoso. Descobriram que Phati a enfeitiçava e apanhou. Quando baixou o feitiço, saiu o bebê. Ela teve pena de Phati, apesar de oponente. Para trazer mistério, a criança nasceu de pele clara e a cara da mãe. Apontaram a pele como um indicativo da relação das duas oponentes, mas era a pele de Mwando. O rei se embriagava de felicidade. Ela se perguntava onde estava Mwando.

Parte 2 Phati vigiava Sarnau em cada passo. Os encontros com Mwando continuavam e os seus planos de fuga também. Ela temia o pior e decidiu encerrar os encontros. Ia trazer mal para a família e o pequeno Zucula que já andava e tinha dentes. Diria seu último adeus.

Capítulo 12

Parte 1 Sarnau estava em dilema, sabia que devia deixar Mwando, mas seu amor a confortava contra Nguila que a espancava e a machucava fisicamente. Entre suas tatuagens e machucados sangrando, Mwando a beijava e a amava, pedindo para ser sua e fugir para além do rio. Ela pensava nas crianças antes de seu amor.

Parte 2 Estava decidida em não ir com Mwando, mas Phati a viu e a denunciou como feiticeira, pois só gente com gênio e ligada às religiões de Moçambique e feitiçaria que poderia adentrar as grutas sem ser atingido. Contaria tudo a Nguila e ela não seria ouvida segundo Sarnau, mesmo que ela tivesse voltado a ser a favorita do rei.

Parte 3 Nguila estava machucado, via a verdade nos olhos de Phati mas não sentia nas palavras de Sarnau. A dor que sentiu da possibilidade de traição da rainha e da possível mentira de Phati machucou seu íntimo mais do que o orgulho e mataria uma delas após beberem o licor da verdade, o wanga. Quem estivesse mentido morreria. Queria se embriagar para esquecer. Quando trouxe o fumo e a aguardente, abraçou Sarnau e chorou. “Descobri que ele me amava de verdade, com a sua maneira polígama de amar.”. Chorou também, arrependida. Fugiu na noite enquanto Nguila dormia e sentiu ser vigiada, era Phati de novo. Nocauteou-a e acordou Mwando em sua palhota, deixou tudo e as crianças.

Capítulo 13 O capítulo começa com Sarnau rezando para a defunta protetora que protegesse Mwando, agora pescador, do mar inquieto. Há um retrocesso de como chegou ali. Remaram para longe de Mambone, a correnteza ajudou e Mwando remava rápido. Sarnau chorava, amaldiçoava Phati, mas ao menos tinha a felicidade eterna. Chegaram em Bazaruto, venderam o barco e partiram para Vilanculos. Trabalhava com indianos e fazia tudo, já que Sarnau não saía da palhota que cabiam dois para não ser descoberta. Ele veio, frio da chuva e cansado do trabalho. A pesca foi boa, comia feliz e gostava do calor de Sarnau. Ela estava feliz, não tinha os filhos ou o título mas tinha um marido que era todo o apoio emocional e social. Ele dormiu em seus braços, ela pensava em dias melhores.

Capítulo 14 Parte 1 O sono, segundo o narrador, é importante para conectar o racional e os deuses, espíritos com racionalidade. O período de agosto era difícil para pesca mas bom para colheita. Mwando vagabundeava, ajudava em coisa ou outra mas mais ficava conversando e ouvindo a fofoca do rei e da rainha, ouvia o povo a favor da rainha que fugiu e o homem que a levou como herói. Queria saber cada vez mais, como se fosse alheio, mas o sono ia vindo com mensagens que não decifrava. Em uma noite, foi até o oráculo e nada entendeu, mas em um bar, enquanto bebia, encontrou um antigo amigo de infância e irmão de circuncisão, Nhambi. Ele vinha com outros guardas reais, também era um. Mwando não sabia se fugia ou invocava a amizade de antigos tempos, mas Nhambi veio com palavras duras e amigáveis. Contou que o rei sofria, Mwando era a menor das preocupações, mas ele mandou matar Phati com as vozes do povo aclamando que ela enfeitiçou a rainha e que o homem que a levou era um espião da tribo inimiga de guerra. Mwando sentia vergonha e se arrependia, Nhambi cuspiu no chão e o acusou de ser pior que mulher, devia ter orgulho e não ter agido daquele jeito. Como dívida de ter sido salvo de um ataque de cobra, aconselhou que decidisse se ficava por ali e morria, que eram ordens do rei, ou fugisse e nunca mais voltasse.

Parte 2 Mwando estava como um fantasma para Sarnau, contou que Phati morreu, o rei sofria e sua família corria perigo. Ele iria partir, apaixonou-se por Sarnau por ser nobre, agora era uma simples camponesa com nada de mais. Sarnau o lembrou do filho e que prometeu amor eterno. Reclamou que o filho nem com ela estava e poderia voltar ao rei. Ela disse que morreria e Phati sabia muito bem o que fazia. Deu de costas, correu atrás dela e tomou um golpe que deixou-a desacordada. Acordou pela manhã, viu os pescadores e as mulheres pegando caranguejos. Chorava e ninguém a acudia. Mwando era nuvem na sua vida.

Capítulo 15 Parte 1 Narra-se a partida de negros em um barco de Espírito Santo. De fora, o cenário parece corriqueiro e se acostumaram de ver esse tipo de situação. Dentro, era pior, choravam, clamavam por Deus e pelos defuntos, sem serem ouvidos. Estavam por lá mal sabiam os motivos, era desde guerra, mal entendido ou só ser negro. Mwando estava lá, ele se relacionou com uma mulher prostituta e um sipaio, soldado indiano, não gostou. Tentaram testar o português, falava e escrevia bem, mas na hora dos documentos que ele não tinha vistos foi o fim. Apanhou e foi levado ao barco. Outros negros libertos oprimiam os negros escravos. Iam para Angola, terra de opressão, cacau, café e cana.

Parte 2 Os escravos foram separados e os colonos se abraçavam exageradamente. As mulheres iam para o tabaco e os homens para canaviais e os campos.

Capítulo 16 O capítulo narra e descreve a natureza que os escravos e os colonos armam acampamento para fazerem dali o local de colheita em linguagem poética. Ler o capítulo.

Capítulo 17

Parte 1 Um negro morreu com a cabeça presa na máquina, mandaram chamar o Padre Moçambique, o católico, e Januário, para prestar os costumes africanos. Mwando era tal padre, tinha fama, fazia as celebrações como os padres brancos mas cobrava muitas vezes menos. Os colonos viram vantagem e até deram regalias, como casa e mulher. Era a boa ponte entre os escravos e os colonos. Januário tinha o nome de padre cachaça de tanto que tomava. Tinha um boato de um escravo que pediu para ser enterrado de cócoras e que não trabalhassem por oito dias. O colono riu e enterraram ele de qualquer jeito. Seu corpo aparecia por toda parte e até foi na casa do patrão estourar toda a louça. Quando viu o corpo de novo ali fresco, fez como pediu.

Parte 2 Quinze anos se passaram e assim foi indo a vida de Mwando. O cabelo ficou grisalho, juntou boa grana, tinha casa, mas o coração queria ir de volta para Mambone. O choro foi comovente das pessoas, mas precisava ir. Chegando onde havia a palhota, encontrou um armazém pesqueiro e nenhuma informação de Sarnau. “A resposta negativa deixara-o convencido de que ela talvez tivesse regressado à terra natal.”. Saiu de Vilanculos e voltou a Mambone, ia caminhando pela noite para não ser reconhecido. Os cães latiam como se fosse fantasma, a mãe de Mwando pedia proteção aos defuntos e ele anunciou sua chegada. Ela chorou muito, seu pedido foi atendido de ver seu menino. Contou da morte do pai, soube que Sarnau não era casada e vivia em Lourenço Marques uma vida desgraçada. Estava focado em ver Sarnau.

Capítulo 18 Um mercado barulhento com pessoas vendendo de tudo e um cheiro terrível é onde Sarnau se encontra. Faziam 16 anos que tentava de tudo para Mwando voltar e nada. Tinha agora dois filhos, Phati e João. De início, chamava Phati de Chivite, trabalhava para indianos e dormia em um armazém ao fundo com os cãos e de lá ela nasceu. Mas no segundo mês piorou e no terceiro nem chorava ou comia. Na falta de dinheiro para hospital, foi a uma curandeira que viu que um espírito se alojava nela, que sofria, o espírito de Phati. Ela ia matar um por um, o remédio era nomear e fazer renascer Phati, pura, inocente. No dia seguinte, após fazer o ritual de nascimento, o bebê desatou a chorar e comia bem. João era filho de um outro cristão que o enxotou, não pegava bem ter filhos por aí. “Ser cristão é uma coisa, mas a perversão e o afastamento dos deveres paternais porque se é cristão, é coisa que ainda não entendo bem. A poligamia tem todos os males, lá isso é verdade, as mulheres disputam pela posse do homem, matam-se, enfeitiçam-se, não chegam a conhecer o prazer do amor, mas tem uma coisa maravilhosa: não há filhos bastardos nem crianças sozinhas na rua.” Mas, não importa. “Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.”.

Capítulo 19 Enquanto voltava para casa, derrubou os tomates que caminhava na chuva ao trombar com um homem. Pediu que pagasse pois era sua única fortuna e reconheceu o homem sem querer acreditar. Mwando correu atrás dela e a puxou. Ele pedia perdão, ela disse que sofreu, e ainda acusou ela de ter virado puta. Respondeu que ele tinha tirado sua virgindade, sem pagar a defunta protetora, tirou de seu casamento sem pagar resgate e a deixou sozinha e ficou sem nada, até o útero se foi de tão podre que estava. Ele contou que também sofreu, tinha virado escravo por um indiano ciumento e ficou quinze anos trabalhando em cana e café e gastou tudo que tinha para vê-la. Ela aceitaria, mas que pagasse 24 casamentos. O rei exigia reparo do lobolo, ainda que tivesse se casado com Rindau, irmã de Sarnau, e as 36 vacas deram origem a outros casamentos, resultando 24 lobolos. Ou ele pagasse, ou nada feito. Ele queria pagar, mas tinha nada, sofria mais porque dizia não ter filho e Deus assim o castigou, mas ele tinha, Zucula, o mais velho, era rei, as gêmeas casaram-se em Mambone e Phati estava em seu ventre quando fugiu. João não tinha pai. Ficou eufórico, mas não tinha como pagar. Ela disse que deixaria as lembranças e saiu dali sem saber com qual força. Mwando a chamava na escuridão e ela rejeitou o chamado.

Capítulo 20 Sarnau sofre, chora mas os filhos não notam. Mwando foi até a casa dela, apresentou-se à Phati que abriu a porta e sorria com a resposta dele ser o pai. João sorria muito e os dois pediam para que ele ficasse. Mwando respondeu que ficaria se Sarnau quisesse. Ela mandou os filhos dormirem que o dia era longo. Chovia lá fora, ficaram ali se encarando. Ele disse que as crianças precisavam de um pai, e ela precisava de um homem. Ele tinha vencido, ela tinha o orgulho, mas de quê? Ele chamou de novo o nome dela, tinha negócio, dinheiro, casa, podia ser que desse certo. Puxou o candeeiro e apagou a luz, ficou a escuridão. “Continua a chover lá fora.”.

Tempo da obra: Moçambique antes da independência, com a indicação da cidade de Maputo como Lourenço Marques.

Lugares da obra:

Personagens da obra:

  • Sarnau: Seguidora da religião dos antigos e dos defuntos protetores, sofre para poder ser amada seja na monogamia ou na poligamia
  • Mwando: Cristão, sofre para poder ter respeito e lugar como homem em Moçambique, adotando os valores da modernidade e rejeitando a sua raiz
  • Padre: Sem nome mencionado, antigo mestre de Mwando, hipócrita nos valores cristãos
  • Salomão: Ex-aluno do colégio de padres, teve um caso com a cozinheira
  • Cozinheira: Sem nome mencionado, teve um caso com Salomão
  • Rindau: Irmã de Sarnau
  • Mãe de Sarnau: Sem nome mencionado, curandeira
  • Rei Zucula: Pai de Nguila, rei justo e inteligente
  • Rainha : sem nome mencionado, também veio de uma terra distante, sofreu muito como Sarnau
  • Nguila: Príncipe e futuro rei, marido de Sarnau, beberrão, violento e protetor
  • Khidze: Ex-pretendente de Nguila, feiticeira, preguiçosa e libertina
  • Mayi: Uma das mulheres de Nguila, é a primeira que Sarnau descobre compartilhando a cama do rei
  • Sumbi: Ex-mulher de Mwando, casamento arranjado, preguiçosa, libertina e fugiu para outro casamento
  • Phati: Quinta esposa de Nguila, favorita dele, feiticeira e invejosa
  • Gêmea 1: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Gêmea 2: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Zucula: Filho de Mwando com Sarnau, Nguila acredita ser seu filho
  • Nhambi: Amigo de Mwando, guarda do rei, procurava o sequestrador de Sarnau, mas poupou o amigo que admirava e respeitava muito
  • Phati/Chivite: Filha de Mwando com Sarnau, foi renomeada para descansar o espírito da esposa ciumenta
  • João: Filha de Sarnau com um cristão, enxotou pois não era uma boa aparência ter um filho com uma prostituta
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FUVEST FUVEST 2026 Redação FUVEST

FUVEST 2025 acesso 2026 – Sugestões e apostas de tema de redação

I – O homem deixou de ser social?

II – Devem existir limites para o humor?

III – O lazer e o meio ambiente: entre o direito e a conservação

IV – As diferentes faces do ódio

V – O papel da política no mundo contemporâneo

VI – Qual é o legado da pandemia da COVID-19?

VII – De que maneira a minoria contribui para a maioria?

VIII – Existe espaço para o tédio?

IX – O mundo contemporâneo está perdido com a nova geração?

X – O celular é o novo crucifixo?

XI – “União e reconstrução”: o Brasil é o país do futuro?

XII – Qual o futuro da arte?

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FUVEST 2029 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras. No ano de 2028, a maioria das obras continua sendo de mulheres, com o retorno de escritores homens na lista.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2028, acesso 2029, possui 3 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “Memórias de Martha” de Júlia Lopes de Almeida, “A paixão segundo G. H.” de Clarice Lispector, e “Balada de amor ao vento” de Paulina Chiziane.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2029 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas

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FUVEST FUVEST 2027

FUVEST 2027 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2026, acesso 2027, possui 2 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “As meninas” de Lygia Fagundes Telles, e “O Cristo Cigano” de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2027 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas.

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FUVEST FUVEST 2026

FUVEST 2026 – Lista de obras de leitura obrigatória

Pela primeira vez, um vestibular pediu uma lista completamente composta de autoras. Havia uma lista anteriormente que a FUVEST 2028 teria outras obras, mas a mudança foi feita ainda em 2024.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2025, acesso 2026, possui 9 obras novas comparadas ao ano passado.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2026 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas.

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FUVEST FUVEST 2025 Redação FUVEST

Tema de Redação da FUVEST de 2024 – As relações sociais por meio da solidariedade

O tema de redação da FUVEST 2025, do ano de 2024, foi “As relações sociais por meio da solidariedade”.
Confira os texto motivadores:


Texto 1:
“Rubião, de cabeça, subscreveu logo uma quantia grossa, para obrigar os que viessem depois. Era tudo verdade. Era também
verdade que a comissão ia pôr em evidência a pessoa de Sofia, e dar-lhe um empurrão para cima. As senhoras escolhidas não
eram da roda da nossa dama, e só uma a cumprimentava; mas, por intermédio de certa viúva, que brilhara entre 1840 e 1850,
e conservava do seu tempo as saudades e o apuro, conseguira que todas entrassem naquela obra de caridade”.
Machado de Assis. Quincas Borba. Capítulo XCII.
Texto 2:
As associações de indivíduos da mesma espécie constituem inumeráveis sociedades. Assim como as relações sociais, a vida é
constituída por simbioses – associações duráveis e reciprocamente proveitosas entre seres de espécies diferentes.
Edgar Morin. Fraternidade. Para resistir à crueldade do mundo. Adaptado.
Texto 3:
“Já estávamos em Uidá havia quase duas semanas quando comecei a perceber como o Akin
era esperto e inteligente. Ele conhecia quase todos os donos das lojas, pois de vez em quando
fazia alguns trabalhos para eles, como limpar o chão, levar recados ou entregar encomendas.
Foi dele a ideia de andar comigo e com a Taiwo pelas lojas e pedir presentes em nome dos
Ibêjis [assim são chamados os gêmeos entre os povos iorubás], qualquer coisa, desde que não
fizesse falta (…). Quando voltamos para casa, foi porque não conseguíamos mais carregar
todos os presentes que ganhamos, e a minha avó novamente ficou brava, mas, no fundo, acho
que gostou. A Titilayo riu e disse que éramos mais espertos do que ela imaginava, mas que
não devíamos fazer aquilo novamente porque os tempos estavam difíceis e as pessoas
poderiam não ter o que dar. Como ninguém gostava de recusar presentes aos Ibêjis,
acabavam gastando o que não podiam ou se desfazendo do que precisavam, sem contar que
ainda tinham que economizar dinheiro para quando começasse a época das chuvas, em que
quase não havia movimento no mercado, nem o que vender ou colher, e faltava trabalho para
muita gente. Os rios e lagoas transbordavam, engolindo as terras e os caminhos e dificultando
os negócios. O Akin disse que então só pediríamos nas casas dos ricos, dos comerciantes que
vendiam gente e moravam do outro lado da cidade. O Ayodele, que tinha voltado dos campos
de algodão, avisou que não era para irmos lá de jeito nenhum, pois eles nos colocariam dentro
de um navio e nos mandariam como carneiros para o estrangeiro”.
Yhuri Cruz. Ibeji, 2022.
Museu de Arte do Rio.
Ana Maria Gonçalves. Um defeito de cor.
Texto 4:
O mundo produz alimentos mais do que suficientes para erradicar a fome. Coletivamente, não nos faltam conhecimentos nem
recursos para combater a pobreza e derrotar a fome. O que precisamos é de vontade política para criar as condições para
expandir o acesso a alimentos. À luz disso, lançamos a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e saudamos sua abordagem
inovadora para mobilizar financiamento e compartilhamento de conhecimento, a fim de apoiar a implementação de
programas de larga escala e baseados em evidências, liderados e de propriedade dos países, com o objetivo de reduzir a fome
e a pobreza em todo o mundo. Nós convidamos todos os países, organizações internacionais, bancos multilaterais de
desenvolvimento, centros de conhecimento e instituições filantrópicas a aderir à Aliança para que possamos acelerar os
esforços para erradicar a fome e a pobreza, reduzindo as desigualdades e contribuindo para revitalizar as parcerias globais
para o desenvolvimento sustentável.
Texto 5:
“Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta”.
Cazuza. O tempo não para.
Declaração de Líderes do G20. Rio de Janeiro, 2024. Brasil. Adaptado.
Texto 6:
“Porque – guarde isto! – porque o homem, por mais ignorante
que seja, por mais cego, por mais bruto, gosta de ser tratado
como gente.”
Ruth Guimarães. Água funda.

Considerando as ideias apresentadas nos textos e outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: As relações sociais por meio da solidariedade.

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Água Funda FUVEST FUVEST 2025 Literatura Brasileira Modernismo Modernismo no Brasil Resumo de Cada Capítulo Ruth Guimarães Vestibulares 2024

“Água Funda” de Ruth Guimarães – Resumo de Cada Capítulo

A obra tem 3 edições, uma do lançamento, em 1946, mesmo ano de “Sagarana”, outra esquecida (talvez reimpressão ou segunda edição nos anos 2000?) e uma terceira em 2018. Foi o romance de estréia de Ruth Guimarães, sempre apaixonada por ler e que morou na região rural.

A obra possui dois grandes momentos, 50 anos antes e 50 anos no momento da narração, até o fim dos anos 30.

Há um locutor silencioso, ao qual o narrador fala com e é sempre preocupado com a verdade.

É uma obra sobre o caipira do sudeste, em dois momentos do Brasil, antes e depois da escravidão em uma fazenda no sul de Minas, próximo ao Vale do Paraíba, local de nascimento e de vida da autora.

Os locais de maior atenção são a própria fazenda Olhos d’água e uma cidade próxima da fazenda.

O sentimento principal da obra é o medo.

A história se assemelha aos moldes de um causo contado, já que nem tudo é contado de uma vez e as histórias vão se adicionando aos poucos sem conexão aparente, até que elas se conectam ao final, como uma grande epifania de um causo contado.

Realismo mágico – É impossível traçar a linha de quando superstições e crendices superam a ciência e o racionalismo, os dois existem ao mesmo tempo

Super-realismo – O regional vira universal

Trecho inicial

Estas coisas aconteceram em qualquer tempo e em qualquer parte. O certo é que aconteceram. E, como sempre se dá, ninguém apreendeu nada do seu misterioso sentido. (A história é uma professora sem alunos, A história ensina e ninguém aprende.)

Capítulo 1 O narrador, muitas vezes que dá voz também a própria autora, conversa com um locutor silencioso chamado “moço”. Ele começa a descrever a região que passará boa parte da narrativa. O narrador conta como todo o engenho era o mesmo e não era. Talvez até tivesse as mesmas árvores, animais e até o mesmo Seu Pedro Gomes que lembrava da época, mas a praga mudou tudo naquele lugar, o ar era diferente. A casa tem salas grandes e o sol invade com facilidade tudo, mas há um ar frio de morte por ali, seja pela praga, pelo terreno construído por cima de corpos de negros ou de Maria Carolina, ou Sinhazinha Carolina, antiga bela dona que vigia tudo pelo quadro pendurado na sala. Era irmã de outros dois, Sinhá Maria Isabel, casada, e Miro. Quando a caçula casou, teve festança de uma semana, para felicidade da mãe desses três que eram a praga de sua vida. Tinham matado 40 bois e perderam noção dos cabritos e dos doces. Apesar do exagero, o narrador falava que era verdade, pois até Seu Pedro Gomes poderia confirmar. O narrador tem uma preocupação da história ser verídica, quando há uma suspensão da verossimilhança, ele diz que outros podem comprovar ou que tem como ele provar ou que o povo falava que era verdade, tal qual a expressão de que “A voz do povo é a voz de Deus”. Mas o casamento havia de terminar mal, “casamento que começa com foguete, acaba com porrete. Esse não acabou com porrete, mas foi muito pior.”. Um guainumbi, um beija-flor, de papo branco entrou no quarto no dia do casamento. No começo era bom, mas depois o marido virou festeiro e ia para todas as farras com Seu Pereira. Mas Sinhá não brigava, casou contra a vontade dos pais. Pode até ser que brigasse, mas era escondido ou nunca aconteceu. “A soberba ajudou Sinhá a sofrer calada”. Sinhá Carolina costumava visitar a irmã, que toda hora o marido de Sinhá Carolina ia para longe e voltava chorando. Mas o problema é que ela acreditava no arrependimento que era tantas repetidas vezes, achava sempre que mudaria. “Mulher, pelo coração, a gente leva para onde quer.”. Casaram cedo e era difícil mudar. Quando mudou, o coração de Sinhá já tinha endurecido. Um dia, Sinhá Carolina queria comprar uma cozinheira, Joana Maria dos Anjos, o problema foi que Seu Joaquim Dias falava que era melhor comprar o marido dela também, já que ela era muito bonita e podia dar problema com o marido dela que era mulherengo. Afinal, sempre havia trabalho na roça, uma mão extra era sempre bom. Ela tratou mal já de cara a cozinheira, até a Sinhazinha achou ruim o tratamento, mas a mãe falou que ela fazia o bem entendia pois ela mandava, quando ela fosse mandar, ela faria diferente. Os tempos que a faziam ser assim, ela não era de todo má, tal qual a desgraça depois não era de Joana dos Anjos, mas podia bem ser uma parcela de culpa, mas não total. Tem gente que só aprende depois que “fica com o sinal na carne”. O narrador fala de uma vez que o Sinhô foi sair procurando Carolina. O narrador até fala da beleza das coisas repetidas e como elas são sinais da beleza do mundo. Tal qual a história de Carolina e Deus eram um só. Zé Lucinda tocava violão numa toada repetida. Carolina tinha tido um sonho ruim com Sinhô, mas ele dizia que não ia dar nada. Coitado dele que sempre contrariava. Morreu, acharam com o pescoço quebrado, falaram de praga, até mesmo que era de Joana, e o narrador falou que era cobra e o cavalo assustou, crendice tem limite. Sinhá ficou de luto mas não a viram chorar. Reparou que Joana chorava pelos cantos, mas a soberba de Sinhá era ruim e ela insistia no não. “Ruindade, às vezes, é só falta de imaginar a tristeza dos outros”. Quando começou a cuidar da fazenda, mandou matar o baio, cavalo, só para que tivessem noção de sua ruindade, achavam melhor que tivesse dado ou presenteado ou vendido. Instalaram um moinho perto, Sinhá mandava e a desgraça dela veio por lá. A vida dela subiu, como a de todos que vêm em ondas, mas a dela subiu e desceu, de uma vez, com ela “de cabeça em pé”. Tinha ferramentas para se salvar, o marido, a filha, o dinheiro, mas o progresso vinha e tirava tudo que atrapalhava: marido morreu; filha saiu da frente; o dinheiro perdeu. Assim como Deus quis ter.

Capítulo 2

O narrador explica do caminho da estrada do Limoeiro para Olhos D’Água. De dia é alegre, de noite passava o espírito de Sinhazinha Gertrudes. Sinhazinha era como Sinhá, de juventude e de gênio. Ela procurava frutinhas, e a morte a esperava. A natureza sempre se embeleza para avisar o amor. Tudo fica mais cheiroso, vivo, e seus olhos eram lindos e encontraram os do filho do capataz. Parecia que o Inácio Bugre tinha armado tudo. Inácio Bugre é, supostamente, pelo seu comportamento e atividades, alguém indígena. O problema é que isso não é explicado claramente, alguns indicativos, além do comportamento (sisudo, poucas palavras, bom de natação, resistente à picada de cobra, bom com arame e trabalhos manuais) é o nome Bugre, que é um apelido pejorativo para indígenas de europeus por não serem cristãos, que vem de uma palavra francesa “bougre” que significa “búlgaro”, um povo considerado no século XII herético, o significado da palavra. Trazia presentes, armados, frutas, acessórios, não trazia a lua como Sinhá dizia porque estava alto demais. Um dia ela se afogou e Inácio a salvou. Ela ficou dias acamada, ele ficou do lado sem sair e sem comer. Quando falaram que ela iria melhorar, chorou. Parou pouco depois e fechou a cara. Quando foi vê-la outro dia, sorriu pela primeira vez. O amor estava ali, de uma barulhenta e um quieto. Mas falavam daquilo, ele podia ter más intenções. Sinhá gostava da simplicidade do homem, não era levada fácil por comentários alheios. A família de Inácio que deu o nome da fazenda, com várias nascentes boas e a crendice que ali era que a mãe d’água tem chorado. Trabalhava no brejo, ia de canoa, levava frequentemente picada de cobra. Tinha quem dizia que “ele tinha oração de fechar o corpo”, mas tinha mesmo sangue forte e fumo bom pra fechar ferida. Falava pouco, sorria pouco, mas tinha medo nenhum. Casou o filho do capataz com a menina, mas Sinhá não apoiou. Fez festa e antes dela já vinha tossindo. Conversavam que Seu Jovino não ia bem. Zé da Lucinda um dia se assustou com ele. Era o falecido Sinhô velho da fazenda, que todos se riam dele não saber quem era. Muitos dos velhos moravam no antigo armazém, Sia Maria, a avó, que sempre prozeava por lá, a querer saber de Miro, mas não queria saber de morar com as filhas apesar da saúde. A vida de Sinhazinha continuava uma festa, e Sia Maria não gostava do que ela aprontava. Sinhá falava menos, Sinhazinha o suficiente pela manhã, que passava com a avó o dia todo, mas ia mesmo era com o filho do capataz na canoa. Sinhá brigava com a tia Maria Isabel, não aprovava o filho de capataz. Não pensava no amor por casamento pois o dela não deu certo, logo o de Gertrudes não daria. Maria Isabel aceitou, ficou quieta e “saiu da fazenda para nunca mais voltar”. Tempos depois a Siá Maria faleceu, encontrar-se com o seu velho. Isso afetou Sinhazinha, pois não tinha a quem pedir conselho. Pode ser que foi decidir e decidiu mal, ou bem, nem o narrador sabe. Sinhá continuava dura, Sinhazinha corria para Inácio, até que ela saiu do ninho de vez. Sinhá quis falar com o filho do capataz e corria o boato de que Inácio ajudou o casal a fugir. Inácio ficou ofendido com a acusação, Sinhá estava desconsolada. Ela estava arrependida, e ele não dizia por nada, até porque se fosse a filha dele, não precisava fugir. Queria mandar gente, mas pra quê? Ficou sozinha e sem consolo. Seu Joaquim Dias após um tempo não trabalhava mais na fazenda. Até pensaram os dois de falarem que o filho do capataz era bom, e que ela perdoava a filha, mas a única troca foi de dinheiro. E aí piorou, era uma troca de capataz que nenhum prestava, um chegava tarde e não gostava de trabalhar, outro comprava briga e apanhou, outro era ruim e morreu, outro nortista de cara fechada, e um alemão que não achava brasileiro bom pra trabalhar. Esse ficou. Ficou e pra piorar. Ler página 35

Capítulo 3

O dono da fazenda expulsou o filho de casa. Não se sabe o que é, mas pelas palavras do pai que coisa boa não era. Um cavaleiro bem vestido chegou na fazenda, o mesmo menino que foi expulso da fazenda, apesar de não ser explicado diretamente, querendo saber do dono. Falaram para onde ir e ficaram pensando que ele ia comprar a fazenda. Mas os bichos dali saiam de perto da nova figura. Sinhá gostou dele, apesar de ser estranho um moço aparecendo assim. Eram olhos miúdos de cobra que seduziam, falava pouco. Choveu como nunca na noite. O alemão foi mandado embora, mesmo que ela não tivesse queixas, o novo moço ficou de capataz. Logo espalhou que ela casaria com o capataz. Logo depois que ia vender a fazenda. Falavam até mais, que iam comprar outra fazenda. Apesar do aviso de Miro, que não se intrometia e mal falava com sua irmã, avisar da situação, Sinhá não ouviu. Mulher se enleva com pouco. Miro respeitou. Tinha até boatos que ela e a irmã estavam bem. Mas não estavam, nem se falavam, a filha ninguém sabia, só o Bugre e ele não contava. Ela casava, ele disse que não era de deixar, mas que pelo menos fosse de separação de bens. Isso não era apenas o louco do Miro que via do dinheiro, mas até mesmo de que sabiam que ele foi expulso pelo pai. Há um retorno do conto de como Seu Jovino morreu. A desgraça é uma metáfora em uma história do narrador, e ela chegou para Sinhá Carolina por boa fé, ela nunca mais voltou para a fazenda, a Sinhá Carolina, ela mesma, com esse nome, nunca mais voltou. Sinhá Carolina se deu por toda, como o Diabo gosta, e por ter ficado sozinha, aceitou aquele pouco agrado. Ela fechou a mala e fechou a vida. Todo mundo é como canoa em água funda, a água mexe um pouco, mas é isso. Ler página 52

Capítulo 4

Viram Inácio indo levar a Sinhá para a estação. A história salta para o momento da fala do narrador, os acionistas estavam feliz com tudo, dinheiro sobrava. O novo manda-chuva queria saber o que achavam, chamava todos de amigos, camaradas, perguntavam o que podia melhorar, queria a opinião de pessoas que nunca ouviram nada mais do que ordens. Gente bruta também gosta de ser tratada como gente. Traziam gado novo, cruzavam para ter mais, cimentaram vias, progrediram. Foram 50 anos e muita coisa mudou. O chefe era tão próximo da gente e trabalhava igual que ele era chamado de Velho. Conversavam, comiam e riam juntos.

Capítulo 5

O narrador conta do modo de transporte da época e de hoje. Se antes eram carroças do Miro puxadas por burro, uma traquitana esquisita, hoje eram os caminhões do Zé Luiz, que mudaram de estética mas a engenharia era a mesma. No tempo do Miro era festança, faziam quantas viagens necessárias, até compras na cidade. Do Miro só sobrou uma neta, Curiango, sabia cantar, mas que nem sabia das histórias dele. Ficaram as invenções, acostumaram com a falta. O nome era de pássaro, mas o motivo é incerto. Ela atraía não pelo corpo ou olhos, mas um calor que vinha dela. Joca gostava dela antes mesmo de saber que gostava. Seu Pedro Gomes tentou apartar uma briga de desordeiros e levando facada. Não levava desaforo pra casa e quase nunca mais voltou para ela. Passou a sentir as coisas com a ferida, como toda pessoa, animal ou criança quando sente no ar a mudança. Assim como a lua também muda as coisas. Assim como Curiango.

Capítulo 6

O narrador conta da safra e dos animais criados e de criar estoque. Era nessa época que Joca viu Curiango. Na festança da casa dos Netos tinha de sobra de trabalho aos homens e mulheres cozinhando, já tinha gente e já tinha bagunceiro, como Zé Pedro bebendo e Choquinha, nome que tem sempre de ficar andando de cócoras e ficar nos cantos assim, que queria ajudar mas não conseguia, era enxotada para outro lugar. Joca mal percebeu Curiango, mas na hora da roda que a viu. Achou graça no jeito, ainda mais no apelido e do pai brabo. Ficou sem saber se gostava dela, até o casamento de Cecília. Teve até mesmo que ele caiu em um barranco correndo atrás de Curiango, sendo que no mesmo dia ela tinha ido embora com o pai. Era algo “naqueles olhos”. O narrador puxa a fala de ter ido à Mariquinha Machado para se benzer, e das histórias dela de benzimento. Ele acreditava que era mau-olhado em vez de paixão. Só que Curiango gostava dele e achava estranho as crendices e como espalhou a história do feitiço. Perdoou como se nada tivesse acontecido. E a primavera chegou em setembro. Lembrou da primeira vez que a viu e que a assustou, saiu voando como pássaro. Em um dia que comia Jaboticaba, viu como Mariana pedia para que ele jogasse e como ela cresceu. Pena que era nova. Desceu e viu Choquinha que pedia esmola. Não dava esmola mas dava carona. A relação entre os moradores e Choquinha é de não querer por perto, mas não querer longe. Joca estava de bom humor com a primavera. Sentia-se curado, não por causa do Dr. Amadeu. Tristeza de moço não dura muito tempo. “O coração de Joca era um potro xucro dando pinote”. Em uma noite quente, mal dormia. Era calor, ou até mesmo cavalo que procura algo no cio. Saiu para tomar sereno e acabou parando perto da casa de Mariana. Ler página 74.

Capítulo 7

Joca precisava viajar para resolver uns assuntos em Maria da Fé. Cantavam uma música triste na madrugada. Na volta, mostravam as compras, menos Joca que fingia não ter comprado algo. Na volta, Messias cozinhava naquela noite de breu e contavam histórias de encosto e fantasma. Falaram de portão batendo, enterro no céu, luzes, rezavam. Dito achava tudo esquisito e não se intrometia. Teve outro contando a história de um homem que não podia ir para o céu até ouvir um “Deus lhe pague”. Ganhou por dar um tatu. No meio da conversa, um rato foi roer o pacote de Joca, ele ficou louco, era um corte na seda ramada.

Capítulo 8

Toda noite na casa de Julinha tinha truco apostando dinheiro. Joca participava mesmo que não fosse bom. O truco mineiro joga com manilha específicas. É tão comum que é até parte de vocabulário, como a palavra “maço” e “seis”. A jogatina ia longe, o parceiro de Joca era bom e ele ia na toada, Mariana até pedia pra ir embora mas ele ficava ali. Jogaram até de madrugada. Por ali, veio um homem falando de uma empresa contratando com salário bom, emprego fácil, manual, mas que pagava bem. Mas era a vida, podia chover, trazer lodo, mas tudo era canoa em água funda. Em uma outra passagem, Mariana aparecia com o vestido que Joca comprou. Naquele dia de sol, tudo ficou calmo prevendo algo que ia acontecer e esperavam pra ver, Curiango viu o casal e não entendia bem, ou entendia bem até demais. Mariana até tentou fazer barraco, mas Curiango era maior. Disseram que jogaram o vestido novo pela janela. Joca queria ir nesse trabalho novo. Não ia por dinheiro, mas vergonha e de se punir. Até jogaram truco depois, mas Joca estava muito abalado por qualquer coisa. Zé Lucinda e Joca foram parar na cadeia por dois dias. Olhos d’água queriam os dois por lá mesmo, não porque eram pessoas ruins, mas formavam um grupo ruim. Ler página 93.

Capítulo 9

Mané Pão Doce era o antigo padeiro antes de Zé da Lucinda. Tinha sumido e nem entenderam como. Voltou pele, osso e pereba, pois foi ao trabalho do sertão que pagava bem. A filha ia bem e ele estava sozinho, acreditou e se deu mal. Era tão ruim quanto morrer. Trabalhavam sem parar, quando paravam eram assediados psicologicamente. A única forma de comprar algo era pelo armazém também da companhia que vendia mal e caro. O dinheiro vinha por vales e só podiam usar no armazém. Tentou pedir as contas, mas cobraram tudo que ele fez e tinha, devia dois meses de trabalho e seria preso se não pagasse, era trabalho escravo. Até tentou gritar com o patrão, acordou machucado e foi vigiado. Só que aos poucos foram vendo que mais ficavam com raiva. Não iam matar porque ir para a cadeia por aquilo não valia a pena. Planejaram fugir e conseguiram. Tiveram que amordaçar e irem como feras, já que eles estavam armados e já tinham matado outros. Fugiram um para cada lado e julgaram que não seriam seguidos. Quando ouviram a história, no dia seguinte, o homem que arranjava gente para trabalhar lá apanhou feio do pessoal. E era justa a cambada ruim que foi parar lá com mais gente ruim. Queriam dar um susto mas arrastaram o homem de corda pela cidade. Volta uma cena para um homem amaldiçoando Bugre, que ele seria o primeiro, mas não era. Tal qual 50 anos atrás, pessoas trabalhavam como formigas, mas como escravos. Muito não mudou. O narrador teve dó do homem jogado ao banheiro com remédio de carrapato. Ler página 98.

Capítulo 10

Joca se perdeu no rabicho de Mariana, depois no jogo, e, finalmente, a pinga. Vivia bêbado e sendo resgatado, ouvia sermão e sabia que era de laia ruim, mas queria que tudo se danasse. Vicente ainda dizia que podia ter algo com Curiango, com mulher, nunca se sabe. Choquinha foi pedir esmola para Mariquinha e ela pedia que tudo fosse em verso e assim ela fazia. Joca via tudo enquanto trabalhava no sol. Joca parou para ver Curiango vindo escondido. Acabou vendo Bugre. Amaldiçoou e esperou ela vir, veio e se assustou por achar que tinha gente vendo ela. Ela foi com um pote vazio e voltou cheio, ficou maravilhado vendo ela. Ficou até sabendo mais. Viu Tonho Piraquara passando por ali, tal qual outro pássaro. Pensou que ia ver alguém, até mesmo fosse Curiango, mas nada. Pensou até que fosse para matar alguém mas não, chegou Cecília e ele sumiu. Ficou até pensando em Antônio Olímpio, que tinha a mulher que o traía constantemente. Ficou em choque de contar e não contar da traição, lembrou de quando foi dançar com Curiango e como tudo chegou àquele momento. Lembrou de quando a ajudou levar um pote e fingia que não a conhecia. Era um bruto que não merecia tanta doçura porque ele o achava isso, não que o mundo não quisesse. E nesse tempo quente de vergonha, ela perguntou do boi e do nome, Condenado, mas ele o era e falou tudo, até de como a mulher que gostava não gostava dele, mesma cena de uns capítulos atrás. Tinha medo nenhum do feitiço, sentia-se bem, mas “a Mãe de Ouro é mais forte.”.

Capítulo 11

Mãe de Ouro é um folclore de uma mulher com cabelo de fogo que protege as mulheres casadas e mostra onde tem ouro. Em vez de ser uma ajudante de pessoas que querem se enriquecer, ela só avisa para que não cheguem por perto. Só que como toda lenda, há quem acredite demais, por ouvir os mais velhos e tentar achar explicação em um mundo caótico, e quem acredite de menos, que abusa e debocha. Muitas vezes, quem se dá mal é o último, seja por não se firmar em nada ou tomar porrada do natural e do sobrenatural. Joca acreditava que Curiango era uma praga de Mãe de Ouro. Caiu no barranco porque viu Mãe de Ouro, toda vez que via Curiango sentia no olhar dela a praga que chegava. Tinha um sonho ruim que alguém ia matar Curiango. Na mesma noite, Siá Maria acudiu Joca, seu filho. Achou tudo estranho. Ele parecia dormir, tentou até acordá-lo mas desistiu. Joca contou depois para Curiango, até falando que um dia mataria ela. Ela não achou graça, mas não era para achar. Enquanto a fazenda crescia e aumentavam a produção de cachaça, inventaram de pregar uma peça em um português durante a quaresma, havia uma reza braba que só podia ser ouvida de pé ou de joelhos, além de que os violões eram embrulhados, escondiam-se quadros e fechavam portas. Inventaram de fazer um Judas no sábado de aleluia e assustaram o português Pais que não conseguiu frear direito. Ele deu tiro para o alto de nervoso. Curiango e Joca, ao se casarem, pareciam crianças nas conversas. Moravam em um lugar perto de Olhos D’Água. Em uma noite de São João, ainda lembrou-se do caso de Cecília e da traição com o Quim e se mordia querendo contar. Enquanto viam os outros, pensavam em como subir o pau de sebo. Em uma noite que Joca tinha saído, Curiango deu uma festa e ficou mal, estava parindo. Nem Nhá Chica sabia o que fazer, rezava e pedia para não morrer. Joca deu tempo de chegar, vendo ela com suas roupas – era simpatia – e ele conseguiu ver a isquinha de gente. Joca ficou todo bobo. Mas a praga de Mãe de Ouro era pior que morrer, Deus não deixou que ele morresse. Ele tinha uma vida boa que ia levando, mas a praga veio, veio uma geada que destruiu tudo. O que sobrou dava pouco e nem valia. Depois aconteceram mais coisas estranhas, de espírito mau andando por aí, gente caindo, briga de coronel e vaca, vaca sendo liberada e depois o coronel arrependido, o administrador de Olhos D’Água comprando briga com os vaqueiros. E o narrador viu a morte chegando quando os vaqueiros mataram Santana e procuraram vingança por lá. Deu 3 meses e tudo tava certo. Mataram por charme e os pobres morreram. Ler página 119

Capítulo 12 Joca não sente mais nada, sente falta de sentir algo. Dizia que a Mãe de Ouro ia pegar ele um dia. Vicente Rosa que insistiu que ele falasse, mas ficou na dúvida se era bebedeira ou se ele estava sério demais. Em uma tempestade, Joca pedia ajuda para Curiango que Mãe de Ouro não a pegasse, mas ele não dizia exatamente isso. Há uma passagem de tempo para quando Joca trabalhando nas máquinas da Usina, ouviu Luís Rosa debochando do calor e encheu ele a pauladas com lenha quente. Todos fugiram para cada lado e não tinham coragem de seguir Joca. Acharam ele sem sentido em um morro. Nem o Dr. Amadeu entendia, todos queriam distância. Dr. Amadeu fazia várias perguntas, tentava achar desde genética até vício. Joca desembuchou e tinha medo de ficar louco. Ele sabia que tinha ataque quando via a Mãe de Ouro e lembrava de todas as vezes que a via, o Dr. ficou maravilhado. Joca tinha medo, só sabia das coisas depois, quando bateu no Luís Rosa ele não lembrava. O pessoal queria que ele fosse demitido, o Dr. mandava que ele fosse trabalhar fora dali, não aguentava. Mariquinha Machado falou até que ele tinha levado coice de mula quando pequeno, era atrevido e não gostava dele com razão. Luís Rosa perdoou com muita dor. O povo criava teorias, pensava que era desde o truco, mesmo que Joca dissesse que tinha nada e Luís Rosa ficasse quieto. Bebiano ficou para decidir se trocava de lugar com Joca no trabalho da usina, seria melhor, o trabalho de carregamento era impiedoso e mais trabalhoso. Pensou o dia todo, perguntou à mulher e decidiu assinar sua sentença.

Capítulo 13

Vicente passou na frente da casa de Choquinha, que vivia em uma de favor de uma companhia. Ela estava com frio e convidou ela pra tomar café. Estava na frente do fogão. O narrador fala como se o locutor silencioso perguntasse do moço do Limoeiro, tal qual alguém que ouve fofoca lembra de um detalhe que ficou no suspense. Não sabia o que aconteceu, mas tinha certeza que terminou mal. “Quem faz a Deus, paga ao Diabo.”. O narrador revela que Choquinha é Sinhá, mas, não assim, “Sinhá era a outra. Choquinha FOI Sinhá.”, tal qual lagarta vira borboleta, duas coisas que são e não ao mesmo tempo uma a outra. Sinhá era borboleta e virou lagarta. Por isso o narrador dizia que Sinhá não voltou, eram duas pessoal totalmente opostas, uma orgulhosa, bonita e teimosa, a outra feia, humilhada e dependente. Ela voltou porque não tinha mais juízo e não tinha uma unha do que era antes. O narrador conta a história do cachorro do Pedro Gomes, Biguá, um cão esperto e companheiro que ele levava sempre para caçar em uma época que tudo era mais mato e com mais bicho. Era esperto demais que só faltava falar e atirar. Em uma viagem de caçada que demorou muito tempo e tiveram que se enfiar em muitos lugares para dormir, caçar e achar, teve uma tempestade que deixou Biguá para trás. Acharam que ele tinha morrido para não ter achado o caminho. Seu Pedro Gomes até tentou procurá-lo, cortou mato e tudo, mas nada, ficou triste. Mas ele voltou, machucado de mordida e de espinho, voltou devagarzinho e mal conseguia andar. Seu Pedro Gomes chorava como criança, o cão estava falecendo e não tinha mais como viver. E o Zé Pedro era um bêbado da região que bebia até perder a consciência mas conseguia voltar para casa. Tal qual o bêbado que não vê mais e o cachorro cego de espinho de ouriço, algo guia eles para o caminho que precisam seguir, tal qual a água precisa descer o morro. Tal qual Sinhá. Ler página 150.

Capítulo 14

O narrador revela o que foi feito de Sinhá. É a história mais feia que ele sabia. Eles iam pegar uma linha de trem bem tarde e bem distante de tudo em Minas. Ele deixou ela lá sentada e falou que ia comprar as passagens, o narrador pensa como que ele tinha coração para fazer aquilo. Ela esperou um bom tempo, coisa de horas. Ela foi procurando e perguntando por ele, mas ela boba de amor não acreditava no abandono, ainda que os empregados falassem que a estação não era grande, que o viram entrar no trem, desconfiado e olhando pros lados. Um dos empregados teve até dó do tanto que ela chorava, virou a noite ali, perguntavam se ela conhecia alguém ou se era perto dali. Mas ela não podia e não queria voltar, não tinha para onde ir. Foi até a casa do moço, mas chorava e não comia, foi para a Santa Casa e saiu de lá abobada. A molecada que ouviu a história apelidaram Sinhá de Nhá Baldeação, mas ela não respondia e as crianças pararam. Andava por aí, tinha vezes que até ganhava roupa e banho, até que sumiu. Uns parentes de Vicente Rosa foram visitá-los com as crianças e elas reconheceram Nhá Baldeação e contaram a história. Vicente Rosa ouviu quieto e só contou ao narrador, mas notícia ruim espalha rápido e tem de mensageiro os familiares, que passaram a notícia e todos descobriram que Choquinha era Sinhá. Vicente até levou ela para o Dr. Amadeu, que pediu que a deixassem em paz para morrer, não tinha o que fazer com aquele frio dela. O narrador não sabe se ela morreu, mas o quadro na sala que arrepiava ele era um aviso. E aí a desgraça e a morte tomou conta de Olhos d’água: Bugre morreu de picada de cobra, ainda que tivesse matado ela pela crendice de que se cura comendo o coração da cobra, mas não conseguiu, no único dia que estava desprotegido e sem fumo; Antônio Olímpio foi o segundo, nas viagens de tropa ficava ouvindo uma possível indireta da infidelidade de Cecília, pediu ao filho mais velho que a vigiasse, escondeu-se e viu ela conversando com um homem, cego da idolatria que tinha por ela, matou de facada porque viu alguém pedindo fogo e não que ela tivesse traindo antes tantas vezes que não viu, morreu na cadeia de doença de friagem da cadeia e do coração de ciumento; por dois anos que a cana crescia bem e levaram até para pesquisar e foi a vez de Bebiano morrer na Usina, culparam Joca por trocar de lugar com ele que trabalhava com fogo e no dia um dos foguistas se descuidou da máquina que estava mais perigosa e só achou o corpo carbonizado, Curiango até ouviu tudo mas eles culpavam era Joca por ser ruim, mas o chefe das máquinas falava que não dava mais e o engenheiro contradiz e foi mandado embora. A praga foi pegando todos, de rebote até quem não tinha nada a ver.

Capítulo 15

Curiango percebia como Joca chamava ela desesperadamente, como criança desamparada. Achava graça no começo, mas teve medo. Ela achou que ele escondia algo, ele olhava como presa domada, e ela com raiva de jaguatirica dizia que podia ir para a rua com a outra, mas ele via a Mãe de Ouro. Joca foi resgatado de um atoleiro e se não fosse Bugre ficava lá, tinha visto a Mãe de Ouro. Curiango foi até uma igreja para pedir para uma santa ajudar-lo, ela tinha desespero. Ela ia prometendo, querendo uma crença de barganha, falando que se tudo desse certo ela faria algo em troca, mas ela era soberba e tinha vergonha. Retratava-se, prometia mesmo assim. Depois da igreja, até lembrou-de de Joca falando do fogo e se ria com essa mistura de crença e doideira que vivia, passou na frente de um angico que consideravam mal-assombrado e ela rezava com fervor. Vicente Rosa foi acordado e Curiango pedia ajuda. Mas naquele meio sono e meio dia começando ele tinha visto Mãe de Ouro. Curiango estava começando a ficar louca com Joca. Ele falava sobre grama, usina, mas voltou a dormir como se nem falado tivesse. Pensaram em encosto, mas ele reagia diferente, achava que a vizinha estava errada e era a Mãe de Ouro. Tinha melhorado, Santa Rita dos Impossíveis o curou. Tinha até ouvido que espiritismo é coisa do diabo e que “gente, quando morre, não volta para infernizar o juízo dos outros.”. Pensava que era bom, como tinha encosto. Não era mau, mas que tinha gente ruim que queria mau dos outros não faltava. Tentou dar uma chance ao centro espírita, mas Joca nem confiava no Dr. Amadeu. Desistiu do primeiro e foi no segundo. Ele teve um ataque feio antes dela ir conversar com o doutor. Ele não falava que tinha cura, mas nem desdizia, pedia que cuidasse bem dele. Curiango foi a um feiticeiro, relacionou com Bugre e ele poder saber de algo. Não achou. Uma noite, Joca disse que ia para lá que ela o chamava. Ela chorou e implorou pela filha. Tinha medo. Ele disse para que fossem juntos. Disse que era nada sem ela, e realmente foi a última coisa sã que disse. Choveu muito e ele foi, Curiango esperou para poder pedir ajuda para o compadre, não podia sair viajando com ele. Vicente Rosa ficou sério e falou que o encontrava, era homem de uma palavra só e o encontrou. Curiango ficou com medo que tivesse morrido, mas Vicente Rosa dizia que era quase o mesmo. Esqueceu de tudo. Estava na Santa Casa, estava bem, tinha nada grave, foi encontrado na estrada. Curiango ouviu tudo e só saiu, sem chorar ou agradecer. Foi para a Santa Casa mas foi cedo demais. No que esperava, ouviu conversas e pediu para ver Joca. Apesar de esperar, ouviu a conversa de que João José dos Santos já tinha tido alto e foi embora. Mas ela não acreditava e tudo zunia. A enfermeira se compadeceu e deixou ela visitar a enfermaria, achando que ele tinha morrido e não queriam lhe contar. Passou-se um tempo e Curiango estava com novo vestido, sentindo a terra e o dia feliz. Comentaram que Joca se foi para melhor. O médico dizia que não tinha cura para a cabeça, ao corpo tinha. Só que ele falou tudo para cuidar e deixar no sossego que ele mal entendeu que ele tinha ido embora sem ela saber para onde. Até perguntou ao enfermeiro, mas o médico podia fazer mais nada. Curiango ficou ali, sem saber o que fazer ou esperar, queria afastar-se dali mas não tinha rumo, com o embrulhinho de goiabada e queijo que comprou a Joca. Ela estava cansada, sentia nada por cansaço, antes fosse um passarinho preso que canta o dia inteiro por não saber o que é melhor. O narrador contou a mesma história ao Dr. Amadeu, e ele disse que o que mudou foi o espírito dessas paragens. O narrador não ficaria mais naquele “lugar pesteado”. A praga cai pela metade e sobe pela metade, vai ricocheteando todos no caminho que nem tem relação como o Biguá, o Bugre, Antônio Olímpio, Santana, Joca e finalmente Curiango, com o pai que dá trabalho, a beleza que não ajuda e a mocidade que atrapalha. O narrador comenta que Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz. Deve ter acontecido tudo porque era bom. Ler página 185.

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“Romanceiro da Inconfidência” de Cecília Meireles – Resumo de Cada Capítulo

“Romance” é um estilo de poema com a estrutura de redondilha maior e rima assonante (foco em sons de vogais).

A obra foi escrita em 1953. A obra é aclamada como uma epopeia e um distanciamento lírico intimista marcante de Cecília Meireles.

É uma narrativa inventiva baseada num evento real, a Inconfidência Mineira de 1789, com o objetivo de tonar a cidade de Ouro Preto, a antiga Vila Rica, independente da corte real.

São 85 romances e 5 partes:

Do romance 1 ao 19, o ambiente, tanto físico, de paisagem, cidade e tensão que antecede a Inconfidência. A corrida do ouro com o misto de tradições e folclores explicam o ambiente de forma sincrônica e anacrônica.

Do romance 20 ao 47, trama e frustração, há um foco na cidade de Ouro Preto, o que se passava por ali que traria o espírito insurrecional. Há a invocação e importância do falar, tanto pelo espírito poético, mas das ações de denúncia, apoio, mentiras e declarações entre os inconfidentes.

Do romance 48 ao 54, a morte de Cláudio Manoel da Costa e Tiradentes, a forma que morrem aumenta o fator lendário da história. A violência e a cegueira da busca do ouro marcam a parte.

Do romance 65 ao 80, o infortúnio de Gonzaga e Alvarenga, há uma análise do sofrimento dos dois escritores e de como poderia nem ser tudo isso quando olhado com outra perspectiva. Há uma perspectiva da África e de outras pessoas também envolvidas com os vivos do episódio e os delatores.

E, por fim, do romance 81 ao 85, a presença da dona rainha Dona Maria I. Apesar de ela mesma ter dado a sentença, ela lamenta e sofre com o que aconteceu na terra. Há, por fim, o testamento de Marília, fechando a fala final dos inconfidentes.

As figuras da obra são reais, há uma releitura poética dos eventos, com inserções fantásticas. A história remota não de figuras proeminentes e influenciadoras, mas inimigos poderosos.

Parte 1

Fala inicial 16 versos e 7 sílabas poéticas, 9 versos e 7 sílabas poéticas 8 sílabas poéticas, 16 versos, 13 versos e 8 sílabas poéticas, 11 versos e 7 sílabas poéticas 21 04 1792 XVI, IX, XVI, XIII, XI X, IX, X, I,

O eu lírico fala das vozes do passado “vinte-e-um de abril sinistro”, do terror e das promessas. Há uma falta de memória, mas um pedido do eu lírico que não se chore pela memória dos que já foram. Há uma lamentação da Rainha louca e de não ouvirem a voz das orações. Procuram-se culpados e inocentes, mas tudo é um mistério.

Cenário

10 sílabas poéticas, versos em tercetos, no esquema de rima de ABA, BCB, CDC Há a descrição paisagística de Ouro Preto, do gado, dos rios, das montanhas, de tudo que ali conta do que foi antes. Ali, os fracos encontraram os fortes, o amor encontrou violência. O eu lírico relembra das mulheres dos árcades brasileiros, procurando sobreviventes e testemunhas. Apesar do passado não estar mais lá e não entender as escritas do presente, o campo entende. Como quem não encontra musas, o eu lírico fica com a visão de Alferes, Tiradentes, para escrever a história.

Romance I ou da revelação do ouro No sertão, os americanos (para nomear quem andava no novo continente) anda pela região, povoada de insetos, novos cheiros, luz e pedras. Ele conhece os arredores, apesar de ver muita vida e não ser encostado, o seu objetivo é o ouro que se esconde pelos rios. Se o cheiro de onça era perigo, agora é do homem, que ali infesta a área procurando ouro com inúmeros equipamentos. Com essa fome que não se sacia, que faz até homem matar outro e morrer por isso, nasce Ouro Preto.

Romance II ou do ouro incansável Há uma descrição do ouro, como ele é doce e suave, as possibilidades do que pode ser colocado e adornado. Mas o que o torna feio são quem os procuram: ladrões; políticos; contrabandistas. Em um local que nasce riqueza, a pobreza aumenta.

Romance III ou do caçador feliz Há a descrição de um caçador, que tropeça em diamantes em ouro e que parece caçar o que não está caçando.

Romance IV ou da donzela assassinada A história é sobre uma moça que, enquanto limpava seu lenço, o seu pai a apunhalou pelas costas, achando que ela estava de romance com alguém pelo período do Natal. Para conectar-se à história, o punhal era de ouro. Morreu pela honra do pai sem poder se quer ser entendida.

Romance V ou da destruição de ouro podre O Arraial de Ouro Podre estava sendo limpado pelo fogo. A violência durante o período é assustadora, mandam enforcar e esquartejam depois, queimam locais sem remorso, só pensam na riqueza. Em toda essa história, o eu lírico diz a um garoto que durma, para que ele não veja as atrocidades ou ouça o que acontece. Há uma invocação de quem se dava título ao Conde de Assumar, o D. Afonso VI, um rei com pouco poder, incapaz e traído pelo irmão, Pedro II. O eu lírico fica triste de como os pequenos tiranos mandam mais que o rei. Há uma lamentação de Filipe dos Santos, participante da Revolta de Vila Rica, que foi esquartejado e espalhados os seus pedaços em torno da cidade como exemplo. Mas, como diz, morreu, “outros, porém, nascerão.”.

Romance VI ou da transmutação dos metais Há um relato poético do casamento de D. José I de Portugal e Mariana Vitória da Espanha dos noivos que fariam a união de Portugal e Espanha em 1727, José tinha 13 anos e Mariana 9 anos, ainda vindo com a temática histórica do romance anterior. O pai de D. José I, D. João V, gastou muito na festa de forma espalhafatosa. Na conexão desta história, há a chegada do pagamento de “os quintos de ouro das minas/que do Brasil são mandados”, imposto cobrado por 20% do material extraído desde 1534, por D. João III. Na narrativa, os caixões estão com “grãos de chumbo / cunhetes acogulados”. Os monarcas se sentiram traídos. Há quem suspeitasse de Sebastião Fernandes Rego, fraudador do Brasil colônia e trapaceiro.

Romance VII ou do negro das Catas Catas pode ser uma cidade de Minas. Há um relato de um negro cantando, antes mesmo do sol nascer, que já trabalhava. É uma inclusão da figura dos negros no Brasil, ainda que no período colonial. Na literatura, custou muito tempo até finalmente termos negros na literatura como personagens em vez de plano de fundo ou objetos. Ele canta da terra que sente saudades e de como a escravidão acabaria com sua vida e sonho de liberdade. Presença estética da anáfora, repetição de uma construção ou palavra no início dos versos (”Já se ouve cantar o negro”, 7 sílabas poéticas).

Romance VIII ou do Chico-Rei Chico-Rei é uma personagem lendária que era um antigo monarca na África, foi trazido como escravo ao Brasil e ganhou alforria, com o trabalho, tornou-se “rei” em Ouro Preto. Em 5 sílabas poéticas, há a narração da lamentação dos escravos que viviam em Luanda e Congo, que agora viviam para minerar pelos portugueses em Minas. Apesar de alguns versos parecerem ter mais, a contagem de sílabas poéticas para com vírgulas, por isso as partes com “, meu povo” não contam. Os negros pedem salvação e que até, um dia, quem sabe, descansem em paz, para Nossa Senhora do Rosário, figura que simboliza a conexão do céu e terra na reza.

Romance IX ou de Vira-e-sai Santa Ifigênia, santa que ajudou no catolicismo se espalhar na Etiópia, é invocada. Na história, ela é virgem e casada com o Senhor, apesar de tentarem queimar a casa que morava, após mandar mata o evangelista Mateus que a dedicou a Deus, as chamas foram enviadas para a casa real. No romance, o eu lírico pede ajuda para ela com Chico-Rei e os negros.

Romance X ou da donzela pobre Há uma relação de antítese no que é apresentado à donzela do romance. Os parentes dela procuram ouro em lugares vazios, ela reza em locais que falam de planos celestes com ouro e riqueza da terra, há uma comparação dos olhos, apesar de serem olhos grandes, eles dão medo. O reino de Deus é longe do dos humanos. “Pobre” pode ser lido como “coitada” ou “inocente”, não só de riqueza.

Romance XI ou do punhal e da flor Uma donzela foi cortejada na Sexta-Feira da Semana Santa por um Ouvidor. Porém, procurando satisfação, o parente dela vai até ele e o Ouvidor saca um punhal.

Romance XII ou de Nossa Senhora da Ajuda Há uma descrição das posses do Marquês de Pombal, tanto de estátuas de santos quanto de louça cara. A “que mais valia” era uma de imagem de Nossa Senhora da Ajuda, uma das diversas invocações de Maria, mãe de Jesus. Haviam sete crianças rezando ali, entre elas, Joaquim José, o Tiradentes. O eu lírico pede à Santa que o salve. Como na época eram tempos de ouro, não poderia o salvar do futuro tempo de sangue.

Romance XIII ou do Contratador Fernandes João Fernandes de Oliveira era contratador e explorador de diamantes, além de apaixonado pela ex-escrava Chica da Silva. Em uma conversa entre ele e o Conde de Valadares, que pressionaria o Marquês de Pombal para não dar mais os direitos de procura de diamantes, ele é recebido com muito bom gosto e carisma, marca do Contratador, pois assim ele ganhava o respeito e favores das pessoas de Minas. O que o Conde queria era dinheiro, tinha voz para prendê-lo mas esperava algo que dissesse que ele não estava do lado da Corte. Fernandes até falava como a riqueza deixava o homem mal e não melhorava nada. O Conde nem ouvia tudo isso. O eu lírico lamenta como os pobres pagam pela soberba dos ricos.

Romance XIV ou da Chica da Silva Chica da Silva era uma ex-escrava que, apesar do senso comum de que era bela e sensual, era feia e banguela. Muito do que se sabe dela não é possível diferenciar de mito e verdade, apesar de ser uma figura lendária que alcançou a alforria. Ela era muito rica e tinha muito poder. Há até comparações de que nem os reis de Portugal tiveram uma mulher tão rica como ela, “a Chica-que-manda”.

Romance XV ou das cismas da Chica da Silva Presença de rima grave ou feminina, feito em palavras paroxítonas. Chica da Silva tem medo da visita do Conde ao Contratador, pensando no que poderia ser o seu real intento. Dentro dela, o pensamento da inconformação de como a Corte que só aproveita do melhor da exploração de Ouro nas minas, não vê as mazelas e a destruição do ciclo do ouro. O Contratador não entende a malícia do Conde, porém Chica da Silva não se sente bem.

Romance XVI ou da traição do Conde A rima se foca em ser toante ou assonante, que é o foco nos sons vocálicos e ignorando as vogais entre, como cavalo-cascalho e longe-volve e alarmado-vassalo. Trazem novidades à Chica da Silva e ao Contratador, sendo que a primeira não gosta do mensageiro Conde, o Contratador tinha que voltar a Portugal, mesmo sendo fiel. Era desejo do Conde, além da cobiça, Fernandes não sabia o que fazer e Chica da Silva estava enfurecida.

Romance XVII ou das lamentações no Tejuco Em sete sílabas poéticas e com a rima feita nos versos pares, altas-madrugadas-mulatas-douradas-falsas-desgraçadas, com a ajuda da construção de “ai que” e “e que” do contraste dos sonhos, dos castigos, dos corpos malhados e das almas tão ruins. Fernandes ia embora e Chica ficava em prantos. O eu lírico amaldiçoa o ouro e seu desejo, além de como corrompe os homens.

Romance XVIII ou dos velhos do Tejuco O eu lírico contempla o futuro que perguntarão de Chica da Silva. Tejuco é o segundo maior afluente do rio Paranaíba que passa em Minas Gerais. O título “velhos do Tejuco” pode ser uma alusão aos Lusíadas do “Velho do Restelo” do Canto IV dos Lusíadas, já que ele amaldiçoa as aventuras por trazerem dor aos lusitanos em troca de fama, deixando a família e a pátria, em uma oposição de antigo x novo, passado x presente, já que as ideias monárquicas eram anti-expansionistas. Dali, a história pode sair, mas nada levarão, nem deixarão “o nome da caveira”.

Romance XIX ou dos maus presságios Fernandes fica e Chica lamenta. Dizem que a história se repete, levam ouro, deixam um rastro de sangue e de lágrimas, podem até mudar os nomes mas é tudo o mesmo. Não tinha santo que protegesse, lenda para se inspirar.

Parte 2

Cenário Dividido em dísticos, parelhas, ou dois versos, descrevendo um avanço temporal para falar de Vila Rica. É mais do mesmo, cidade com igreja, entre montanhas, com gente de Minas, o silêncio, a obediência, uma névoa que se cria desse cenário de exploração.

Fala à antiga Vila Rica O local é repleto de água, natural e de lágrimas. Há uma retenção por parte do eu lírico de contar da história dos homens que pisaram naquelas terras que o sol mal encosta.

Romance XX ou do país da Arcádia A Arcádia vem da referência do período literário de fuga aos ideias de escapismo. Como retratado pelo eu lírico, é tudo por parte de desejo. Ele invoca os nomes de amadas de árcades brasileiros. A natureza é muito importante como retrato de sentimentos.

Romance XXI ou das ideias A região é cercada de ouro, diamantes, negros, mulatos e indígenas. A terra toda revirada procurando-se ouro. As ideias de repartição começam a surgir, no meio de pessoas que nascem, voltam, de quem vê a diferença e vê a injustiça. Há o uso de gradação pelas palavras que seguem uma linha lógica de começo, meio e fim. Há uma disparidade da vida de Portugal, pedindo ouro e vivendo em guerra, do Brasil que só manda ouro e só fica pior, começam a receber ideias dos Estados Unidos de independência. Fazem comparações do casamento da família real com o amor impossível dos árcades.

Romance XXII ou do diamante extraviado Um negro carregava um diamante no meio da noite. Era uma tentativa de vender para comprar a alforria e podia ser morto por isso. De forma curiosa, não é visto, ou é fingido não ser visto.

Romance XXIII ou das exéquias do príncipe O príncipe morre e as relações com França e Inglaterra não melhoram em 1788. As estrofes são divididas em introdução (dois iniciais), desenvolvimento e conclusão (dois finais). Há um foco sonoro no som “o” e na tentativa de deixar uma feição de espanto ou revolta. Apesar de muitos chorarem, muitos fingem a tristeza e outros nem entendem. Ele também poderia ser a esperança de um novo período, uma jovem mentalidade de inovação, mas o Brasil estava fadado a ficar com um pensamento antiquado.

Romance XXIV ou da bandeira da inconfidência Há uma descrição de um clima de desconfiança. As pessoas ficam em janelas, vigiando o que acontece, as reuniões para um levante popular acontecem de noite. Como tudo é ainda muito idealizado, há mais perguntas do que respostas. A bandeira é criada ainda que no imaginário para a Inconfidência Mineira e o mote “Liberdade, ainda que tarde”. “Inconfidência” é um ato de deslealdade, ou seja, ela nunca aconteceu, todos foram julgados por um ato que iria acontecer e foi interceptado. Mesmo que a liberdade não acontecesse ali, todos sabiam que a queriam.

Romance XXV ou do aviso anônimo Há notícias que a guarda real irá para a cidade, anunciando sangue e justiça. Há avisos de esconder jóias e correr para quem mentiu. Há um foco no som de “v” e som de “s”, como um som de vento que prenuncia a tempestade.

Romance XXVI ou da Semana Santa de 1789 O romance começa com o imperativo “Lembrai-vos”. Há uma troca de falas do eu lírico marcadas por parênteses, enquanto a narração é positiva, as parênteses trazem melancolia. A narração é sobre a luta da liberdade e seus custos e sacrifícios.

Romance XXVII ou do animoso Alferes Alferes é outro nome para Tiradentes, que é uma posição militar antiga equivalente ao segundo-tenente ou a de porta-bandeira, que era uma porta de entrada para o oficialato. Ele era bom conhecedor da região, não tinha vindo de família pobre, foi dentista (o que o fez ganhar o apelido) e era militar. Em uma terra de belezas naturais, Tiradentes, que promete segurança e sossego, sente uma sombra que paira, deixando tudo feio e sombrio. Ler página 86

Romance XXVIII ou da denúncia de Joaquim Silvério Há uma narração da carta que Joaquim Silvério denunciaria o complô da Inconfidência Mineira. Como aponta o eu lírico, a escrita é traiçoeira e as intenções de se enriquecer, tal qual na história ficam os heróis mortos e com estátuas em praças e os denunciadores cobrando dinheiro nas cartas.

Romance XXIX ou das velhas piedosas Há um mensageiro, Joaquim Silvério, levando as cartas na Semana Santa. Como nada suspeitam, não vêem a falsidade das ações e desconfiança que precisariam.

Romance XXX ou do riso dos tropeiros Passaram loucos, acusando Portugal e de como iriam trazer liberdade. Incomodava-se com o tanto que a terra era rica e ali ficavam sem direito nenhum. As pessoas riem, apesar da loucura que realmente faz sentido, há uma conformidade de aceitar a situação, até porque era passível de morte ser contra a corte real.

Romance XXXI ou de mais tropeiros O louco reclama de como toda a riqueza vai para Portugal, deixando-os pobres. Tinham inspiração dos Estados Unidos e sua independência. Como é visível, “loucura” e “coragem” são pontos de vista. Este mesmo louco foi preso com algumas cartas ao Visconde e Vice-Rei. O uso do verbo conjugado, mesmo que no mesmo tempo verbal, traz uma diferença do Romance XXX. Apesar de rirem dele, ficavam quietos com o seu destino.

Romance XXXII ou das Pilatas O eu lírico conta de um pobre que vai para o Rio. Se até sonhar era quase um crime, quem diria falar algo disso.

Romance XXXIII ou do cigano que viu chegar o Alferes Um cigano viu Tiradentes vindo. Tinha um semblante de pessoa cansada e perseguida. A vida de Tiradentes foi tal qual, trabalhou muito para não ser recompensado.

Romance XXXIV ou de Joaquim Silvério O eu lírico compara Joaquim Silvério com Judas, acusando-o de pior e mais ganancioso que Judas, já que a figura bíblica pediu menos e teve remorso, o oposto do delator. Curiosamente, o nome Joaquim remete a um rei orgulhoso e imoral que renegava Deus. Ele desafiou Deus e é um símbolo de esperança de libertação. Outra história é símbolo de luta contra injustiça e opressão.

Romance XXXV ou do suspiroso Alferes “Apanhar” vem do verbo espanhol que significa “arrumar”. Há um espanto da vegetação e dos rios, além das bocas que sussurram de uma inconfidência e de traidores escrevendo.

Romance XXXVI ou das sentinelas Dois soldados passeiam. Em uma imagem, é como se Tiradentes estivesse colocando sementes de revolução em outras pessoas para que brotasse algo. Porém, o Alferes sente a sombra de vários soldados sentinelas que o levarão para julgamento. O traidor não ouve.

Romance XXXVII ou de Maio de 1789 Os revolucionários sonham com a chegada do dia glorioso, enquanto Joaquim Silvério pensava no perdão de suas dívidas. Durante o mês de maio deu-se a perseguição dos inconfidentes e da denúncia de Joaquim Silvério do ato antes da Derrama, ato que aconteceu poucas vezes e que servia como arrecadação do ouro no Brasil para Portugal. Tiradentes havia fugido e o procuravam. Como é uma história real que está com narrativa ficcional, a história perdura até o fim de maio, mas Tiradentes havia feito uma viagem ao Rio e depois voltado a sua cidade, que ficou cercado na própria casa por soldados e se rendeu, achando que a revolução ainda poderia acontecer sem ele no dia 10. Ele foi para o Rio no dia 7, denunciado pela família no dia 8.

Romance XXXVIII ou do embuçado Uma pessoa embuçada, com o rosto escondido por um capuz, aparece em Vila Rica. Ele trouxe mais perguntas do que respostas (com o romance preenchido com 34 perguntas em 36 versos). Ele trazia a notícia de que deveriam fugir, pois seriam presos e enforcados.

Romance XXXIX ou de Francisco Antônio Francisco era um coronel, minerador e fazendeiro que se juntou ao movimento pelos ideais separatistas. A mulher dele que denunciou Joaquim Silvério por ter traído o movimento. O romance o descreve como uma pessoa enorme, gorda, rica e detentora de muitas posses. Ele fala alto como não se devem meter pessoas com poucas convicções em grandes planos. Tinha inspiração na revolução dos Estados Unidos, foi enviado a Moçambique.

Romance XL ou do Alferes Vitoriano Vitoriano foi participante do movimento, foi chicoteado. Vitoriano anda pela calada da madrugada. Ele levava um recado pelo Coronel Francisco Antônio, que já estaria preso ou morto naquela hora. Porém, foi interceptado, chicoteado e nem conseguiu entregar o recado.

Romance XLI ou dos delatores Aqui se passa como foi a delação, como se ouviu de tantas pessoas e que nem mais se sabe de onde saíram as informações. Passaram entre militares, políticos, agentes. O problema de toda a Inconfidência Mineira é que não houve justamente um crime, houve a sentença por lesa-majestade, quando há traição com a fidelidade à família real. O nome de quem se foi fica, mas não é claro se houve nem se quer revolta.

Romance XLII ou do sapateiro Capanema Há uma reclamação de um sapateiro reclamando dos “branquinhos do Reino”. Há alguns romeiros indo a uma taverna. As notícias corriam soltas sobre as prisões, sentenças e julgamentos, falavam que era desde levante, a contrabando e extravio. Como eles ouvem a história, ficam com raiva dos portugueses, foi como se os condenados tivessem levantado mais pessoas para a revolução. E, no fim, a personagem para em uma cadeia.

Romance XLIII ou as conversas indignadas A dinâmica de “Romanceiro da Inconfidência” é interessante pela perspectiva do colono. Em vez de podermos ver a história com olhos de quem colonizou o Brasil, os colonos vêem a injustiça, o ouro sendo levado, a violência sem tamanho por quem queria uma vida melhor. Tiradentes fica sozinho, sem ter o que ou quem o salve.

Romance XLIV ou da testemunha falsa Há pouca esperança para os presos, ainda que acusariam até os próprios pais se isso os salvassem. O problema da história épica é que os inimigos são infinitamente mais fortes e poderosos do que os heróis, além de mais violentos. Tal qual Camões disse que o mundo vive ordenado para quem faz o mal, aqui se fala de como há mais prêmios para o Mal do que para o Bem, como os heróis recebem glórias e compaixão só depois de degolados. O medo toma conta dos presos, a verdade virou conveniência e crença.

Romance XLV ou do Padre Rolim Padre José da Silva e Oliveira Rolim foi sentenciado. Apesar deste ser o resultado, a definição não foi simples, houve muitas trocas de cartas. Tinha vida bizarra e vivia longe, mas a desgraça vem mesmo que você tente se afastar.

Romance XLVI ou do caixeiro Vicente Vicente era um capitão e caixeiro que foi condenado a exílio perpétuo. Apesar da acusação de Joaquim Silvério, Vicente contou o que sabia sobre Tiradentes, temendo por sua vida.

Romance XLVII ou dos sequestros As ordens são enviadas para encontrar os inconfidentes, encontram livros que inspiraram o ato, como de Horácio, Júlio César e Ovídio, como compêndios, dicionários e tratados que influenciaram até a França e os Estados Unidos. Nada fica no mesmo lugar, procurando evidências, provas, destruindo tudo no caminho. A inteligência não tem vez contra brutalidade.

Fala dos pusilânimes Pusilânime é um outro jeito de chamar alguém de corajoso. O romance é uma forma de lembrar a recompensa da liberdade, de poder aproveitar o que existe hoje de bom. Todavia, não é algo que veio de graça ou que não possa deixar de ser seu. O problema é que houve o esquecimento. Cecília Meireles traz de volta uma história que por 200 anos permaneceu intocada para que fosse relembrada e relida. Cecília Meireles é reconhecida por ser uma escritora dos temas que fugiram e foram esquecidos. A sombra e o vento são elementos importantíssimos, pois são usados como metáfora para perda, tristeza e solidão.

Parte 3

Romance XLVIII ou do jogo de cartas Há novamente o uso de sombra e vento para falar da tristeza e da perda. Há um jogo sinestésico dos naipes, principalmente com o símbolo de ouros.

Romance XLIX ou de Cláudio Manuel da Costa Cláudio Manuel da Costa foi um escritor árcade preso na Inconfidência Mineira. Ele se suicidou antes de ser levado para o exílio. Há quem disse que se enforcou, apunhalado ou com veneno. Até consideraram ser outro corpo e não do poeta.

Romance L ou de Inácio Pamplona Inácio Correia Pamplona foi um dos delatores de Tiradentes. O português fugiu ainda quando ouviu a notícia da morte de Cláudio Manuel da Costa. Ninguém explicava para onde foi com essa perda e nem como morreu o poeta árcade.

Romance LI ou das sentenças As sentenças são dadas tanto para inocentes quanto culpados, sem medida ou dó. A justiça pesa mais quando não há como ir contra ou ter armas. Quem tem dinheiro, consegue escapar ou ter as penas reduzidas.

Romance LII ou do carcereiro O eu lírico prevê um fim ruim para a história. Há uma digressão do eu lírico de como os escrivões não contam a história pelo lado da vítima, os infelizes são deixados de lado, no sentido de não terem poder.

Romance LIII ou das palavras aéreas O vento retorna como elemento da mudança constante, além de como a vida foge rapidamente. O tempo é acima de tudo, tal qual não é possível controlá-lo. Há também a importância e o peso das palavras, sejam elas escritas, ouvidas ou pronunciadas.

Romance LIV ou do enxoval interrompido Uma pastora costurava um enxoval. Infelizmente, o jovem a que ela costurava para casar não está mais vivo. Há uma conversa com a natureza e a pastora tal qual os poemas do Trovadorismo de cantigas de amigo.

Romance LV ou de um preso chamado Gonzaga Tomás António Gonzaga é preso, período que também escreve a segunda parte das liras de “Marília de Dirceu”. Ele está só e triste, da terra nem quer o ouro. Um homem inteligente e respeitado agora preso para ir para outra terra.

Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes Há uma reunião de inventário para avaliar o preço dos bens de Tiradentes. Em uma terra que só se preocupam com dinheiro, tudo que vinha do herói era arrematado para ser qualquer outra coisa, menos a memória de um revolucionário. Enquanto eles possuem praticidade real, o sentimento que eles levam são tristes.

Romance LVII ou dos vãos embargos Minas está sobre o domínio do governador da capitania D. Luís da Cunha Meneses, violento, impulsivo e irracional. E assim como a história mostra, ele não seria culpado ou punido por isso.

Romance LVIII ou da grande madrugada O amanhecer é um símbolo para algo novo ou o fim de um período ruim. A escuridão novamente aparece como uma figura do presente e do futuro de perda. A figura do governador da capitania passa como um lembrete de não trair o rei nem em pensamentos.

Romance LIX ou da reflexão dos justos Há uma lamentação de Tiradentes ter trabalhado tanto e agora estar preso e sozinho. Não tem a quem falar, ficou solitário, apenas sobrando o choro.

Romance LX ou do caminho da forca As pessoas vêem o caminhar de Tiradentes para a forca, todos o conhecem. A história é interessante pois brinca com a fantasia do que poderia ser, o que distancia a história da factualidade, trazendo a condição humana sem negar a realidade histórica. Ninguém intervinha, muito menos tinha quem pudesse ajudar da decisão de Maria I, considerada uma rainha louca.

Romance LXI ou dos domingos do Alferes A mãe de Domingos já sonhava com o nome do filho que seria “Domingos”. Pensava no nome de título e como ele viria bem para a família, tal qual o dia sagrado faz jus.

Romance LXII ou do bêbedo descrente Há uma indagação do eu lírico de ver pessoas sendo enforcadas, ainda que fosse culturalmente uma coisa triste. Mais ainda o fato de tantas comemorações e gente importante da patente militar por ali se era só um criminoso sendo executado.

Romance LXIII ou do silêncio do Alferes Tiradentes tem um silêncio ao seu redor de quando proferia suas afirmações do passado e da injustiça que vivia agora.

Romance LXIV ou de uma pedra crisólita Em meio de escuridão do futuro e do presente, uma pedra que não foi lapidada era segurada. Tiradentes estava morto, a pedra continuava ali. Tal qual a revolução era contra a riqueza gananciosa, a ideia sumiu com a morte dele.

Parte 4

Cenário Há uma descrição do jardim que foi de Gonzaga, homem rico e que pode também ser uma metáfora às liras que escrevia. Só cresciam espinhos naquela terra infértil. As rosas ali definham, um símbolo de desejo que morreu, desejo da inconfidência e também de Dirceu e Marília.

Romance LXV ou dos maldizentes Há um lamento dos poetas árcades, nomeados com pessoas que usam nomes fingidos e que falam por consoantes. Pensavam tanto na Arcádia e de como foi na Inglaterra e na França e agora tudo se foi.

Romance LXVI ou de outros maldizentes Há pessoas perguntando de como ficou Tomás António Gonzaga. Ficou sem muito dinheiro. Falam de como tinha outro nome e como amava outra mulher. Diziam como era tudo tolice. Como que se fosse para fugir da febre poética, era enviado para Moçambique.

Romance LXVII ou da África dos Setecentos Há uma lamentação da África, de quem sai de lá é cativo escravo e quem chega foi por exílio. Ler página 185

Romance LXVIII ou de outro Maio fatal Em outro ano, no mês de maio, semelhante ao que deflagraram a Inconfidência Mineira, era uma despedida. Vila Rica estava pobre, não havia mais ouro. Não há mais desejos da Arcádia de outro momento, tudo volta ao silêncio, as pessoas se estranham.

Romance LXIX ou do exílio de Moçambique Há uma narração sentimental de Gonzaga indo para Moçambique, lamentando não sentir mais o Amor.

Romance LXX ou do lenço do exílio Em uma construção de uma estrofe em quatro versos, há um verso em parênteses para cada estrofe, trazendo um estado de exceção ao eu lírico. Há uma tentativa de bordar-se um lenço como lembrança da terra natal e de tudo o que já foi.

Romance LXXI ou de Juliana de Mascarenhas Juliana de Sousa Mascarenhas foi a mulher com quem Tomás António Gonzaga casou em Moçambique e teve dois filhos. Ainda casado, Tomás António Gonzaga escreveu a terceira parte das liras de Marília de Dirceu a sua amada no Brasil, com quem planejava ir para Moçambique, mas não conseguiu a levar. O eu lírico conversa com Juliana, dizendo que ali ela teria como ser mais bonita que Marília, que conseguiria conquistar o coração do preso exilado, que traria uma nova vida.

Imaginária serenata Há uma lamentação do eu lírico feminino em ser de uma pessoa que está distante do amado, porém não fisicamente, mas na mente dele. Apesar da história poder se encontrar nos documentos históricos, Cecília Meireles teve o trabalho de encontrar nos ecos da história o o ritmo poético em meio aos ritmos sociais da Inconfidência Mineira. Mesmo que ela nunca aconteceu e já foi terminada romances atrás, a história continua para podermos ter acesso ao ritmo emocional e poético das personagens (bem conhecidas e satélites da Inconfidência)

Romance LXXII ou de Maio no Oriente Em outro mês de maio, de novo, Juliana e Gonzaga se casam. As pessoas do casamento dizem que Gonzaga tinha sonhos de Arcádia e imaginava um amor que agora poderia o ter. Apesar de ser um mês que se comemora Virgem Maria, é perceptível que na obra Maio tem um sinal de um mês terrível. Curiosamente, maio é um mês que nunca termina no mesmo dia da semana e começa no mesmo dia da semana que todos os outros meses do ano. Há uma simbologia de um mês de primavera no hemisfério norte, mas é uma tradução mal feita no Brasil, já que é outra estação.

Romance LXXIII ou da inconformada Marília Marília era para ter ido com Tomás António Gonzaga para Moçambique a pedido do poeta, mas ela nunca soube se ele se quer ficou vivo depois da prisão ou do que aconteceu com ele. O campo conversava com Marília, em uma tentativa de locus amenos (o campo/o lugar que acalma), mas ela dizia que ele jamais o deixaria, com a desculpa dele estar alienado (o que ele estava, já que o escapismo era comum como recurso linguístico). Ela até julgava que ele tivesse a esquecido e até mesmo casado, ainda que repetisse que só seria possível se estivesse fora de si.

Romance LXXIV ou da rainha prisioneira Há uma lamentação para Maria I, considerada uma rainha louca no período. Há um paradoxo com seu nome, já que é um nome santo que significa perdão e esperança, dois sentimentos que ela não trazia no seu reinado no Brasil. Por conta do seu estado mental, o filho mais novo, João, nomeado João VI, governou em seu lugar como regente. O seu reinado foi conhecido como a Viradeira, um período de abalo de governança, instabilidade financeira e de desconfiança até das ciências por ser fervorosamente religiosa, o que era totalmente o oposto do tanto de ouro que recebiam do Brasil. Ainda há um perigo iminente que eram os países da França, Inglaterra e Espanha que eram mais fortes no período, sem contar a ascensão de Napoleão. Ler página 204

Fala à Comarca do Rio das Mortes A Comarca do Rio das Mortes era uma antiga parte da capitania de São Paulo e Minas de Ouro (que englobava quase todo o centro-oeste, sudeste e sul do país). Há uma lamentação dessa região que, apesar de ter tanta fauna e flora, estava destruída. Em uma região tão bela com tanta vida, hoje passam fantasmas de outro tempo.

Romance LXXV ou de Dona Bárbara Heliodora Bárbara Heliodora foi poetisa, ativista do movimento e casada com o inconfidente Alvarenga Peixoto, considerada heroína do movimento. Apesar de ter sido linda, tinha caído em demência e perdeu seus bens quando Alvarenga Peixoto foi exilado. Viveu os últimos anos da vida com a irmã e os filhos, lamentando a ida do marido. Era considerada a estrela que soube guiar o marido.

Romance LXXVI ou do ouro fala Ouro Fala também é um lugar no sul de Minas Gerais. Mas há também uma brincadeira, pois há como que uma simbologia do ouro usado em peças, objetos e riqueza como se o ouro denunciasse um passado, como se as regiões abandonadas dos aluviais contassem uma história, que denuncia o passado.

Romance LXXVII ou da música de Maria Ifigênia
Maria Ifigênia é a filha primogênita do casal Bárbara Heliodora e Alvarenga Peixoto. Há um relato e avaliação emocional dos pais – um exilado e a outra louca. É como se seu futuro de sucesso fosse tirado de si por fantasmas (da Inconfidência e da ganância portuguesa) de seu sucesso, agora silenciada.

Romance LXXVIII ou de um tal Alvarenga Alvarenga Peixoto era poeta e doutor, além de amigo de Basílio da Gama e dado como autor da frase “Libertas quae sera tamen” (”Liberdade ainda que tardia” em latim). Apesar de nascer na cidade do Rio, estudou em Portugal e morava em Minas. Tinha ideias iluministas, como devia muito dinheiro, foi exilado à Angola e morreu de uma febre tropical da região.

Romance LXXIX ou da morte de Maria Ifigênia Maria tinha porte e jeitos de princesa. Aparentemente, não há um registro incontestável de quando ela morreu, há de que ela se casou mas não deixou filhos. A história deixa de forma poética a suposta causa da morte, que foi uma viagem a cavalo.

Romance LXXX ou do enterro de Bárbara Heliodora É curioso analisar a pausa lírica usada na obra, pois mesmo que se tenha na imagem alguns poetas e Tiradentes como figuras da Inconfidência, a extensão e prolongamento da história aumentam a dramaticidade de tudo que aconteceu, desde o início da descoberta do ouro, como trataram a situação e o julgamento. Há uma repetição dos verbos no passado, como se a figura do presente não fosse mais do que poeira do que ela foi. É uma dualidade do tempo presente na obra, falar de tempo é de ser e não ser, o que foi e o que é, mudança e repetição, temporário e eterno, ao mesmo tempo.

Parte 5

Retrato de Marília em Antônio Dias Todo o romance está entre parênteses, como se fosse uma fala de fora do eu lírico e mais pessoal. Há uma lamentação de Marília, pseudônimo dado por Gonzaga à Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a qual conheceu com 15 anos, noivou aos 22 e nunca mais se viram. Ela morreu aos 85 anos. Lamenta-se como ela ficou feia, sem brilho, que apenas na morte havia o brilho do que ela já foi, em um paradoxo de realidade e lembrança.

Cenário Há uma projeção para a Rainha Maria I, agora próxima da morte. Estava em um estado avançado de demência, há uma revisitação de um passado glorioso de uma terra infértil, de inconfidentes que iam para outras terras, de vassalos de um reino que nem conhecia mais.

Romance LXXXI ou dos ilustres assassinos Há uma denúncia dos assassinos dos inconfidentes, apesar deles terem poder e decretar tudo facilmente com penas e tinta, o nome dos assassinados é o que é lembrado ao longo do tempo.

Romance LXXXII ou dos passeios da Rainha Louca A Rainha costumava fazer passeios nos últimos anos da sua vida, é, inclusive daí que surge a expressão “Maria vai com as outras”, denominando as suas companhias para todo lugar que ia, mesmo que fosse com uma louca. Apesar da visão tropical, bela e paradisíaca, ela pensava muito em como seria julgada, no fogo do Inferno, não conseguia lembrar-se do poder e como era poderosa, nem se quer da paz dos dias que anunciavam o tanto que ela sofreria.

Romance LXXXIII ou da Rainha morta Morre a rainha, havia uma triste nas cerimônias e tudo que rondava a notícia. Apesar de tanta tristeza, aquele rosto morto lembrava de tempos e de rostos que jamais foram sepultados no Brasil.

Romance LXXXIV ou dos cavalos da inconfidência Em uma mudança para oito sílabas poéticas, há a fala dos cavalos da inconfidência, animal que simboliza poder, liberdade e nobreza. Há a passagem dele pelos campos, anunciando novos tempos para pessoas, mas tudo no passado. Infelizmente, todos os cavalos ficaram algemados, acorrentados e condenados a crimes. Ninguém sabe mais os nomes deles ou se quer os lembram. Essa história é uma retomada do que foi a Inconfidência Mineira que, durante o início da República do Brasil, tentaram montar esse imaginário coletivo de Tiradentes como um herói, mas que ficou intocado por 200 anos sem nada se falar.

Romance LXXXV ou do testamento da Marília Marília escreve seu testamento, sendo que toda sua glória esteve no passado e a morte vem como um alívio. Há uma reclamação do ouro de Minas, levado dali, que deixou pobre de espírito e bolso Portugal e Brasil.

Fala dos inconfidentes mortos Há uma mudança de contagem de sílabas poéticas para 4 sílabas poéticas (simbologia do mundo material). A covardia reinou neste período da Inconfidência, do que iniciou o movimento, do que veio antes, do que aconteceu durante e do que ficou em terra arrasada. Quem, afinal, foi para o inferno e subiu ao céu, em um conflito que ninguém saiu bem? Ler página 238

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FUVEST Redação FUVEST

Todos os Temas de Redação da FUVEST – Desde 1977

A prova da FUVEST – ou conhecida apenas como FUVEST – é a porta de entrada para ser aluno da USP. Muito temida pelos paulistas e considerada uma das provas mais difíceis, a segunda fase traz uma indisposição aos alunos que precisam fazer a redação (que é bem diferente da redação do ENEM).

Abaixo, você pode conferir a lista dos temas de todas as edições da FUVEST (lembre-se que, para motivos de estudos, é melhor acompanhar os temas dos últimos 10 anos, pois a prova mudou demais ao longo do tempo). A edição é referente ao ano de entrada dos alunos (a primeira fase de 2023 foi feita em 2022, então, se está procurando a prova do ano X, você precisa adicionar X+1 [ex.: a prova de 2023 é a FUVEST 2024]).

EdiçãoTema
2024Educação Básica e a Formação Profissional: Entre a Multitarefa e a Reflexão
2023Refugiados Ambientais e Vulnerabilidade Social
2022As Diferentes Faces do Riso
2021O Mundo Contemporâneo Está Fora de Ordem?
2020O Papel da Ciência no Mundo Contemporâneo
2019De que Maneira o Passado Contribui para a Compreensão do Presente?
2018Devem Existir Limites para a Arte?
2017O Homem Saiu de sua Menoridade?
2016As Utopias: Indispensáveis, Inúteis ou Nocivas?
2015“Camarotização” da Sociedade Brasileira: A Segregação das Classes Sociais e a Democracia
2014Envelhecimento da População
Temas das edições 2024 a 2014 da FUVEST

Antes da edição 2013, a FUVEST aplicava temas de redação com base na leitura, interpretação e apontamentos válidos do candidato na elaboração de um texto. Eles são bem diferentes do que é aplicado hoje em dia na FUVEST, mas, a título de curiosidade, deixei os temas para que vocês pudessem ver como eram.

AnoTema
2013“Consumismo” (o tema tinha como base a análise de uma imagem)
2012Participação Política: Indispensável ou Superada?
2011O Altruísmo e o Pensamento a Longo Prazo Ainda Têm Lugar no Mundo Contemporâneo?
2010O Mundo Por Imagens (interpretação a partir da escolha de um dos textos motivadores)
2009Fronteiras (interpretação da definição da palavra)
2008Mundo Digital (reflexão a partir da leitura dos textos motivadores)
2007Amizade (comparação de reflexões clássicas e contemporâneas no mundo atual)
2006Trabalho (relacionar as ideias dos textos motivadores)
2005“Catraca Invisível” e “Descratacalização da Vida”
2004Concepção de Tempo
2003Auto-estima
2002Avaliar a Geração Antecedente
2001O Crescimento do Neonazismo e o Fascismo
2000Estrangeirismos
1999Atual geração brasileira jovem que chegou ao vestibular
Todos os temas da FUVEST, entre as edições 2013 e 1999. Fonte: Site da FUVEST

Até a edição 1998, os temas eram baseados no tema que conectava todos os textos motivadores, cabia ao aluno ler os textos, analisar as ideias e conectá-las para escrever uma dissertação. A seguir, não são exatamente as palavras temáticas, frase temática ou o tema que os alunos precisavam escrever, mas a ideia geral que os textos motivadores traziam.