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Tema de Redação da UFRGS de 2025 – “Estudar? Para quê?”

Considere o texto “Estudar? Para quê?” de Michael França, Ciclista, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, economista pela USP, pesquisador do INSPER e visiting scholar nas universidades de Columbia e Stanford, publicado no Jornal Folha de São Paulo.

Num país marcado pela segregação sistêmica, poucos mitos são tão insistentes quanto o da educação como o principal passaporte para a ascensão social e diminuição das desigualdades. Muitos pobres sabem disso. E convencer um jovem desfavorecido a investir anos de sua vida no estudo, renunciando ao lazer ou à renda imediata que poderia vir de algum subemprego qualquer, é como pedir um ato de fé. Contudo, tal fé não costuma se sustentar quando vários exemplos ao redor teimam em contradizer a promessa. E a promessa é de que, se o jovem pobre estudar com esforço e dedicação, adquirirá habilidades e competências que abrirão portas no mercado de trabalho. O problema é que esse discurso ignora um ponto fundamental. Para muitos que vêm de origens desfavorecidas, o retorno da educação é menor. Quando chegam ao mercado, eles enfrentam discriminação e têm menos oportunidades do que os filhos das elites. Essa percepção mina sua confiança. Ao olhar para o futuro, esses jovens costumam ver poucos exemplos de pessoas como eles que conseguiram ascender socialmente por meio dos estudos. Eles sabem que o caminho da educação exigirá anos de sacrifício, dedicação e privações, sem garantia de que conseguirão se sustentar durante todo o percurso. Muitos, diante desse horizonte, desistem antes mesmo de começar. O efeito desse quadro se vê dentro das próprias escolas. Estudantes de baixa renda, em muitos casos, não se engajam nos estudos. Porém, nada disso tem a ver com suas capacidades, mas vem do fato de que eles não são ingênuos e percebem desde cedo que o esforço dos desfavorecidos, na dividida sociedade brasileira, raramente é recompensado. No fim, isso alimenta um ciclo perverso em que baixos níveis de dedicação levam a piores resultados, que, por sua vez, reforçam a descrença na educação. Uma profecia que se cumpre sozinha. Nesse contexto, os papagaios da educação, ou seja, aqueles que repetem exaustivamente que o país só avançará com ensino de qualidade, precisam aprender uma valiosa lição. A lição de que não se pode depositar todo o peso de uma sociedade excludente nas costas das escolas e dos professores. Não cabe a eles a tarefa de operar milagres. É preciso entender que a educação não é um sistema isolado. Ela não começa nem termina dentro da sala de aula. Ela é moldada pelas interações sociais, pelo ambiente em que cada estudante está inserido, por suas vivências, pelas expectativas em relação ao futuro e pela possibilidade de transformar o conhecimento acumulado em realização. Se a sociedade como um todo continuar relativamente fechada para os jovens periféricos, o valor da educação como promessa enfraquece. Dessa forma, avançar na oferta de uma educação de qualidade é um passo. Um passo importante, mas, ainda assim, representa apenas um passo. Sem transformar o mercado de trabalho, sem reduzir o peso da discriminação em nossa sociedade, sem justiça tributária, e sem reformas estruturais que corrijam as disparidades nos pontos de partida dos cidadãos brasileiros, nenhuma escola e nenhum professor conseguirão evitar que uma legião de estudantes se torne, cada vez mais, desencantada com o sistema. O texto é uma homenagem à música “Dá o Pé, Loro”, de Guinga. Disponível em: . Acesso em: 24 set. 2025.

A partir desse texto, considere a seguinte situação. O texto de Michael França foi publicado em uma coluna de “opinião” do Jornal Folha de São Paulo, logo ele recebeu todo tipo de comentário: algumas críticas bem fundamentadas, alguns elogios, muitas opiniões e também – como é bastante comum hoje em dia em redes sociais, fóruns de discussões etc. – vários comentários violentos. Em função dessa situação, o Jornal resolveu lançar uma edição especial de um caderno, onde serão publicados textos que discutem de forma substancial as ideias do artigo de Michael França. O Jornal estabeleceu apenas um critério para aceitar inscrições: o texto enviado deverá ter sido previamente escolhido por uma escola; portanto, ele será representativo do debate feito no interior dessa instituição. O fato é que sua escola decidiu participar do processo promovido pelo Jornal, e você decidiu participar também. Para tanto, a escola forneceu informações importantes para enriquecer o debate, sugerindo a leitura de parte da “Introdução” do estudo “Evasão escolar e o abandono: um guia para entender esses conceitos”, publicado no Observatório de Educação Ensino Médio e Gestão do Instituto Unibanco.

Introdução
A escola tem um papel social essencial quando se trata de potencializar vínculos sociais, de desenvolver habilidades físicas e cognitivas e de tornar o aluno um agente social. No entanto, existem percalços e negações diárias do direito à educação que aumentam a probabilidade de os jovens não darem continuidade aos estudos. Por trás de situações de abandono e evasão escolar, existem motivações diversas, desde gravidez, falta de conexão dos conteúdos com os interesses dos estudantes, necessidade imediata de geração de renda, entre outros. A predominância de currículos e práticas pedagógicas que não incluem a perspectiva de grupos historicamente excluídos, por exemplo, acaba por aumentar os índices de evasão e exclusão escolar de estudantes negros, LGBTQIAPN+ e com deficiência. As taxas de evasão consolidadas até 2023 mostram uma trajetória de queda nos últimos anos, totalizando 3,0% no ensino fundamental e 5,9% no ensino médio, conforme divulgado no Censo Escolar 2023. Um estudo assinado por Reynaldo Fernandes, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Educação (MEC), traçou em 2011 um perfil dos jovens com maior risco à evasão: são os de baixa renda, em sua maioria negros, forçados precocemente ao mercado de trabalho ou que engravidam já na adolescência. Fernandes apontou que esses fatores “externos” à atividade propriamente escolar se articulam a um processo contínuo de desinteresse e desengajamento, levando, por fim, ao abandono. Além disso, é na adolescência que o problema se apresenta com maior intensidade e por isso os índices de evasão no ensino médio são bem superiores aos do ensino fundamental. Segundo a edição 2023 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua Educação), que é realizada pelo IBGE, a taxa de escolarização entre os jovens de 15 a 17 anos naquele ano foi de 91,9%. Essa taxa retrata a proporção de estudantes de determinada faixa etária em relação ao total de pessoas dessa mesma faixa etária. O dado indica, portanto, que 8,1% dos adolescentes com idade típica do ensino médio estavam fora da escola em 2023, fato que dialoga com as muitas deficiências dessa etapa de ensino na educação brasileira. Tem relação, também, com o impacto das questões sociais na vida dos jovens e com experiências escolares que podem ter sido negativas em suas vidas desde o ensino fundamental. Adaptado de: . Acesso em: 24 set. 2025.

Ora, como você já deve ter percebido, o texto de Michael França é opinativo; nele, o autor apresenta seu ponto de vista sobre dificuldades encontradas por jovens, em especial os mais desfavorecidos, para se manterem na escola, e também sobre a relação entre a educação desses jovens e o mercado de trabalho. O texto da “Introdução” é predominantemente informativo; nele, são fornecidos dados que ilustram o problema da evasão escolar no Brasil, além de apontar possíveis causas disso.
De certa forma, podemos considerar que, no primeiro texto, o autor lança um olhar crítico ao futuro, ao argumentar que “Para muitos que vêm de origens desfavorecidas, o retorno da educação é menor. Quando chegam ao mercado, eles enfrentam discriminação e têm menos oportunidades do que os filhos das elites”. No segundo texto, vemos um olhar para o presente, ao afirmar-se que “existem percalços e negações diárias do direito à educação que aumentam a probabilidade de os jovens não darem continuidade aos estudos”.
Pois bem: a situação que está sendo proposta aqui é você escrever um texto, na modalidade dissertativa, que assume um ponto de vista em relação ao artigo “Estudar? Para quê?”, utilizando, para isso, o levantamento informativo presente na “Introdução”, fornecida pela escola.
A seleção dos textos apresentados pelos alunos à escola, entre os quais estará o seu, ficará a cargo de uma comissão composta por educadores de diversas áreas do conhecimento (literatura, sociologia, filosofia etc.). Lembre que o seu texto poderá ser escolhido pela escola para representá-la na edição especial do Jornal.
Observe que você poderá privilegiar diferentes aspectos presentes no artigo publicado no Jornal, formulando opiniões de aproximação ou de distanciamento em relação à análise feita pelo autor. O mais importante, porém, é que você consiga fundamentar – de modo bem-informado, ético e responsável – a sua interpretação a respeito das ideias trazidas para a discussão; é isso que se espera
de um debate que seja realmente relevante.
Bom trabalho!

Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –,
e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão
esses espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2025 acesso 2026

UFRGS 2025 acesso 2026 – Sugestões e apostas de temas de redação

Leonardo Lichote – https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/06/joao-bosco-apresenta-o-brasil-de-opressores-e-oprimidos-em-boca-cheia-de-frutas.shtml Eliane Brum – https://sumauma.com/quem-somos/ Luis Felipe Pondé – https://www.fronteiras.com/leia/exibir/ponde-nao-acho-que-a-pandemia-deixara-um-grande-legado Sued Carvalho – https://www.miseria.com.br/ultimas-noticias/politica/sued-carvalho-up-defende-criacao-de-espacos-de-lazer-na-periferia/ Aílton Krenak – https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/653699-nos-nao-podemos-ser-uma-maquina-de-fazer-coisas-entrevista-com-ailton-krenak Reinaldo Azevedo – https://noticias.uol.com.br/colunas/reinaldo-azevedo/2025/07/03/os-que-querem-quebrar-os-ovos-dos-pobres-tem-queixo-de-vidro-para-a-critica.htm Trump e o Brasil – https://www.brasildefato.com.br/2025/08/06/como-sair-do-impasse-entre-trump-x-stf/ Que democracia existe nos debates eleitorais? – https://averdade.org.br/2024/08/que-democracia-existe-nos-debates-eleitorais/ Discurso da ONU em 2024 – A união constrói o futuro – https://g1.globo.com/politica/noticia/2024/09/24/leia-a-integra-do-discurso-de-lula-na-assembleia-geral-da-onu.ghtml Por que escolhi não ter filhos – https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/paulo-germano/noticia/2025/08/por-que-nao-tenho-filhos-cme1u5m8f00it012xcack3oja.html Por que a PL4939/20 ameaça sua privacidade digital – https://www.cartacapital.com.br/opiniao/por-que-o-pl-4939-20-ameaca-sua-privacidade-digital/ A volta do nós contra eles – https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/lula-nos-contra-eles/

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Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2024 Acesso 2025

Tema de redação da UFRGS de 2024 – O Brasil é um país sem memória?

Considere, abaixo, o texto “Incêndio no Museu Nacional provoca reflexão: Brasil é um país
sem memória?”, de autoria do jornalista Leonardo Lichote, publicado no Jornal O Globo, em 08/09/2018.
Das chamas que consumiram o Museu Nacional parecia se erguer – palpável como os fragmentos
de documentos incinerados que também se erguiam dali – a confirmação do fracasso do Brasil em gerir
sua memória. Como se o crepitar do fogo chiasse a frase que, de tão repetida, se tornou um traço
incontestável de nossa personalidade: somos um país sem memória. Mas, para além do lugar-comum, o
que significa essa afirmação? Como nos tornamos uma Nação que deixa sua História queimar, quando
não voluntariamente a demole em nome da construção de algo mais moderno, seguindo a bençãomaldição de sermos “o país do futuro”, outra definição possível do Brasil?
O Globo conversou com pessoas que lidam com o tema e o pensam de diferentes formas. No
desdobramento que elas fazem da frase “o Brasil é um país sem memória” se desenha a consciência de
que há, aqui, muitos países e muitas memórias. Ou, como acredita o escritor Alberto Mussa, há país de
menos para dar conta de suas memórias.
— O Brasil não formou ainda uma noção de nacionalidade. Com o fim da escravidão, uma espécie
de esboço de nação começou a surgir, uma sociedade que pôde gerar um Machado de Assis ou mesmo
um Noel Rosa — afirma Mussa. — Mas então veio um projeto estatal de embranquecimento do Brasil,
com estímulo tremendo à importação de pessoas sobretudo da Europa. A imigração não é um problema.

Mas essas pessoas foram beneficiadas pelo sistema e em duas gerações se tornaram a elite do Brasil,
uma elite que não se identifica com o país.
Mussa ressalta que não defende ingenuamente a recuperação do mito da cordialidade ou da
democracia racial, mas sim que uma nação é formada pela contribuição de diversos povos:
— Seria importante que o pensamento filosófico europeu tivesse o mesmo valor do pensamento
mítico iorubá ou tupinambá. Assim que se constitui uma nação. Quando para você um cesto indígena
não significa nada, ou um tambor apreendido num terreiro de candomblé no início do século XX, você
não tem como cuidar dessa memória. Para se ter uma ideia, não temos nem um gentílico que nos
designe. Porque brasileiro, originalmente, é o português que veio aqui para pegar pau brasil e vender lá.
É uma atividade. Isso é muito simbólico do que o país passa.
Estudioso da História da presença africana no Brasil, o escritor e músico Spirito Santo ataca o
mesmo ponto e se refere a uma elite desenraizada que se comporta “como europeus de segunda classe,
ressentidos de sua suposta condição de asilados, degredados, piratas sem navio para fugir de uma ilha
estranha, já saqueada”. Ele faz questão de diferenciar brasis quando reflete sobre como o país lida com
sua memória:
— A grande maioria dos brasileiros cuida de forma exemplar de nossa memória por meio de
inúmeras manifestações culturais, disponíveis à atenção das instituições destinadas a organizá-los e
conservá-los, como as universidades, os museus. Mas o que fazer quando essas instituições assumem a
condição de espaços exclusivos de ascensão social para uma certa casta que se sente estrangeira e que
exerce poder por meio de arcaicos mecanismos de exclusão social de parte majoritária de nossa
população?
Sob outra perspectiva, a desvalorização da memória no âmbito institucional seria reflexo da própria
forma como o país lida com a cultura e a pesquisa. É o que pensa o antropólogo Roberto DaMatta, que
trabalhou por cerca de 30 anos no Museu Nacional.
— O Brasil não tem lugar para pessoas que fazem pesquisa, investigação e trabalho intelectual.
Essas pessoas existem, mas ninguém se interessa. Tanto que temos o ditado: “quem sabe faz, quem
não sabe ensina”. Educar no Brasil é tarefa de quem não sabe – define DaMatta. — Apostamos na
ignorância. Nada que não tenha a ver com algo prático, como ganhar dinheiro ou dar tiro em bandido,
atrai atenção.
Autor de “A utilidade do inútil”, o filósofo italiano Nuccio Ordine lembra que na mitologia grecoromana, a deusa da memória, Mnemosyne, era tida como a mãe de todas as artes e de todos os saberes:
— Perder a memória significa abrir mão de interrogar o passado para compreender o presente e
pre-ver o futuro — diz o filósofo, que marca a diferença entre memória e “raízes”. — A memória nos
ajuda a conhecer os grandes valores que unem toda a Humanidade. Em contrapartida, as raízes são
instrumentalizadas para construir uma perigosa narrativa da História fundada sobre uma ideia estática
de “identidade”, como os nacionalismos europeus que estão gerando formas perigosas de racismo.
Homero não é grego, assim como Jorge Amado não é brasileiro. A cultura é um patrimônio universal.
Na Grécia clássica, conta a antropóloga Regina Abreu (professora da pós-graduação em Memória
Social na UNIRIO), praticavam-se longos exercícios de memorização, de declamação, de repetição de
fatos considerados importantes.
— Memória é trabalho. Ela não se faz espontaneamente. É preciso convocar uma vontade de
memória — afirma a antropóloga, que defende que apenas o Estado pode assumir essa responsabilidade
em instituições como o Museu Nacional. — O trabalho ali empreendido é invisível, envolve muitos anos
em pesquisa. Tudo isso não traz visibilidade. Quem pode financiar este trabalho? O poder público. Nossas
elites econômicas, infelizmente, não estão interessadas em memória nacional. Preferem viajar para a
Disney ou visitar o Museu do Louvre em Paris. Como dizia Euclides da Cunha, elas continuam “cegas aos
quadros reais das nossas vidas”.
Disputa simbólica
A memória, muitos dos entrevistados notam, é um espaço importante de disputa simbólica. É
sintomático, por exemplo, que uma das primeiras declarações oficiais após o incêndio fizesse referência
à “lembrança da família imperial” (e não às pesquisas ou ao acervo do Museu Nacional).
— É na memória que definimos o que é mais importante e o que é menos. Ela não abarca tudo,
é uma ilha de edição — afirma, citando Waly Salomão, a historiadora Karen Worcman, fundadora do
Museu da Pessoa. — Quem está editando? É um poder imenso, porque isso influencia todos os valores
do país. O Museu da Pessoa nasce dessa consciência, ao se afirmar como um museu no qual toda e
qualquer pessoa pode integrar essa memória coletiva.
Ruy Castro, autor de biografias de personagens como Garrincha e Carmem Miranda, também
chama a atenção para esse “poder imenso”:
— Há várias passagens na história cultural do Brasil que foram “reescritas” 20 ou 30 anos depois
de acontecidas, e foi essa versão que passou a prevalecer. Como dizia George Orwell, quem controla o
passado controla o presente, e quem controla o presente controla o futuro. O texto acima vale-se de um fato traumático da história recente do Brasil – o incêndio que provocou
grande destruição do Museu Nacional e de seu acervo – para refletir a respeito de um tema importante
para compreender a sociedade brasileira, contido no subtítulo em forma de pergunta: “O Brasil é um país
sem memória?”.
Como se pode ver, trata-se de um assunto complexo, passível de ser expandido em diferentes
direções. Antes de tudo, porém, refletir sobre o tema é urgente e atual, exigindo a participação de vários
setores da nossa sociedade.
Isso posto, considere a seguinte situação.
Imagine que você é morador de alguma região do Rio Grande do Sul entre as que recentemente
foram afetadas pela maior enchente que já atingiu o Estado, o que causou danos enormes aos patrimônios
público e privado, e também à vida das pessoas residentes nesses locais.
Passada a catástrofe, um grupo de cidadãos do Estado lança a ideia de construir, em uma região a
ser definida futuramente, um espaço, um memorial, que reunirá a maior quantidade possível de materiais
diversos (informações, dados, testemunhos, imagens etc.), relativos à enchente. O fato é que essa ideia
encontrou resistência junto a outros grupos da sociedade organizada. Para esses, um acontecimento de
tamanhas proporções deve ser esquecido, devido ao sofrimento causado a tantas pessoas.
Em uma audiência pública ocorrida para debater a viabilidade, ou não, de construção desse espaço,
o grupo autor da ideia apresentou o texto acima, como forma de argumentar favoravelmente à sua
proposta.

Como você pode imaginar, esse texto causou grande controvérsia entre os presentes na audiência,
motivo pelo qual foi criada uma comissão que ficou encarregada de apresentar, em nova audiência pública,
argumentos sobre a pertinência das ideias, contidas no texto, à situação em questão.
Considere que você faz parte dessa comissão e que deverá apresentar seu ponto de vista
sobre a adequação das ideias formuladas pelo autor do texto para refletir sobre a viabilidade,
ou não, de criação de um espaço de memória da catástrofe.
Em outras palavras, você acha que os argumentos apresentados por Lichote, referentes
à construção da memória no Brasil, podem ser aplicados para discutir a construção, ou não,
de um espaço de memória relativo à catástrofe que atingiu o Rio Grande do Sul?
Você deverá organizar seu ponto de vista em um texto dissertativo, que será lido por você na
próxima audiência pública, em que estarão presentes grupos favoráveis e contrários à proposta.
Bom trabalho!
Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –, e
máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses
espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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2025 Redação UFRGS UFRGS

UFRGS 2025 Acesso 2026 – Redação – Sugestão de Roteiro de Estudos

Abril = como escrever uma introdução com e sem repertório, quais são os elementos de um parágrafo de introdução, como usar as palavras do tema, como fazer a conexão do repertório com a realidade do tema e criar teses a partir dos textos motivadores (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2024 – Memória da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul Sugestão de leitura – “Dia da consciência – Se você é branco e não se acha racista, tenho uma má notícia para te dar” de Vera Iaconelli) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2024/11/dia-da-consciencia.shtml

Maio = como escrever um parágrafo de desenvolvimento com repertório dos textos motivadores, entendendo como fazer o tópico frasal, explicação e justificação (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2021 – Mudanças climáticas e direitos humanos Sugestão de leitura – ”Quem está disposto a perder seus privilégios?” de Eloisa Artuso) https://www.cartacapital.com.br/opiniao/quem-esta-disposto-a-perder-seus-privilegios/

Junho = como escrever uma conclusão, conectando os repertórios com a discussão, justificando e explicando (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2016 – O que é ter um estilo? Sugestão de leitura – ”A professora grávida” de Miguel Esteves Cardoso) https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/artigos/a-professora-gravida-por-miguel-esteves-cardoso

Julho = Férias

Agosto = Como lidar com temas para concordar com o texto (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2023 – Que História pode e deve ser ensinada? Sugestão de leitura – ”A escala 6×1 e a desigualdade na escola” de Cinthia Rodrigues) https://www.brasildefato.com.br/2024/11/13/a-escala-6×1-e-a-desigualdade-na-escola

Setembro = Como lidar com temas para discordar (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2019 – A música brasileira está pior? Sugestão de leitura – “O direito à informação e a cultura do tempo perdido” de Maria Helena Japiassu Marinho de Macedo) https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-direito-a-informacao-e-a-cultura-do-tempo-perdido/

Outubro = Escrever os últimos temas de redação da UFRGS (totalizando 3 temas / 1 redação a cada 2 semanas (total de 15 redações em 30 semanas)

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Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2021 Acesso 2022

Tema de Redação da UFRGS de 2021 – Mudanças climáticas e direitos humanos

O tema de redação da UFRGS de 2021, acesso 2022, foi “Mudanças climáticas e direitos humanos”.

REDAÇÃO
Considere, abaixo, parte da entrevista da ex-presidente da Irlanda e Alta Comissária das Nações
Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, publicada no Jornal Valor Econômico, em 2016, e
aqui reproduzida a partir do site https://www.fronteiras.com/.
Nessa entrevista, a ex-presidente aborda o tema “Mudanças climáticas e direitos humanos”.
Por que as mudanças climáticas são uma questão de direitos humanos?
M.R.: Porque estão corroendo uma série de direitos, particularmente os sociais. Direito à alimentação,
à água. E também estão corroendo a saúde, tirando as pessoas de seus lugares. Existe uma grande
injustiça nas mudanças climáticas, porque afetam comunidades pobres e países pobres que não são
responsáveis pelas emissões de gases.
Por que o maior impacto sobre as pessoas pobres não ganha evidência?
M.R.: Acho que as pessoas não têm uma compreensão completa em relação a isso. E também não
se sentem suficientemente responsáveis. Temos que trazer à luz a injustiça da mudança climática e
torná-la mais visível.
[…] E o aspecto financeiro? Nem todos concordam em financiar as mudanças necessárias.
M.R.: Precisamos ver as finanças climáticas como uma forma de deixar o mundo mais seguro para
todos, fornecendo tecnologia e investimentos aos países em desenvolvimento para uma transição bem
rápida para a energia renovável.
[…] Governos e líderes empresariais parecem muitas vezes mais interessados no aspecto
econômico. Como incluir as pessoas nas soluções?
M.R.: Foi por isso que criei minha fundação, que é voltada à justiça climática. Precisamos colocar as
pessoas no centro de todas as ações relacionadas ao clima, ou iremos cometer erros. Por exemplo,
em 2007, 2008, havia um grande movimento para transformar o milho em etanol nos Estados Unidos.
Isso fez com que os preços de alimentos subissem e foi muito ruim para as comunidades pobres.
Tenho ouvido cada vez mais sobre grandes projetos, grandes hidrelétricas, florestamento que tentam
ser positivos para o clima, mas não são bons para os pequenos proprietários de terra, atropelam os
direitos dos povos indígenas, das pessoas pobres. Isso não é aceitável.
Como a senhora vê os direitos humanos atualmente?
M.R.: É difícil responder globalmente. Há uma preocupação com o que é descrito como o fechamento
de espaço para ação da sociedade civil. Em outras palavras, é mais difícil para a sociedade civil ser
influente. A chamada guerra contra o terror tem feito até protestos legítimos serem caracterizados como
terrorismo. E há um grande movimento para proibir ou reduzir a ação das ONGs. Muitos países estão
suspendendo o financiamento externo para as organizações não governamentais. E se não conseguem
recursos do exterior é muito mais difícil para elas financiarem suas atividades que são responsabilizar os
governos pela garantia de direitos humanos… É um grande problema, há muitos mais.
[…] As mudanças climáticas podem gerar refugiados do clima?
M.R.: Tenho certeza de que veremos o clima como fator de deslocamento das pessoas, porque estão
sofrendo com secas severas, inundações severas. Há estimativas de que em 2050 poderemos ter algo
entre 50 e 200 milhões de refugiados do clima. Nem podemos chamá-los de refugiados, porque eles
não têm esse status.
Como a senhora vê a atual situação?
M.R.: Falamos sobre direitos humanos e sobre problemas do clima e isso pode ser deprimente. Esses
problemas são muito sérios. Acredito que existem duas formas de olhar para isso.
Uma é ver o quanto isso é ruim e descrever o quanto isso é ruim. E tudo fica muito negativo, não há
energia, não há oxigênio para fazer nada. A outra é ver que a situação é difícil, mas que há pessoas
corajosas lutando contra isso e que podemos tentar ajudá-las.

Eu sempre pego emprestada uma expressão do meu amigo arcebispo Desmond Tutu. Estivemos em um painel em Nova Iorque, há alguns anos, com pessoas jovens, e ele fica muito entusiasmado quando está com jovens. Havia lá uma jornalista que, de forma até um pouco ríspida, perguntou a ele como se mantinha otimista. E ele respondeu: “Minha cara, não sou um otimista, sou um prisioneiro da esperança”. Isso foi profundamente importante para mim. Você precisa ter esperança, que é a energia para fazer mudanças. Adaptado de: . Como você pode perceber, a ex-presidente da Irlanda tem opiniões claras a respeito do impacto que as mudanças climáticas têm na vida das pessoas. Ela, em sua argumentação, apresenta aspectos relativos às mudanças climáticas e à consequente ameaça aos direitos humanos. A partir disso, considere a seguinte situação. Você já é aluno universitário e é finalista, juntamente com mais dois colegas, de um projeto de sua Universidade que proporciona a jovens estudantes debater presencialmente com grandes personalidades do mundo. Neste ano, a personalidade que debaterá com um aluno será a expresidente Mary Robinson. Na verdade, apenas um dos três finalistas terá a incumbência de discutir com ela. O escolhido será aquele que convencer um grupo de jurados, formado por alunos e professores, de que tem as ideias mais bem fundamentadas a respeito do assunto a ser debatido e de que tem opiniões bem claras e definidas acerca do que pensa a ex-presidente. Para definir quem será o escolhido entre os três finalistas, os jurados determinaram que cada um deverá escrever um texto dissertativo a respeito das ideias da ex-presidente na entrevista. Esse texto será lido, em voz alta, em uma sessão em que os jurados estarão presentes. Você deverá, portanto, escrever o seu texto e lê-lo para os jurados. Lembre-se de que esses jurados vão escutá-lo e vão comparar o seu texto aos dos outros dois alunos que também gostariam de estar frente à ex-presidente para, com ela, debater. A partir dessa comparação, os jurados escolherão quem será o aluno que representará sua Universidade no debate com a grande pensadora. Em resumo, você deverá escrever uma dissertação que, ao ser lida perante o grupo de jurados, deve apresentar claramente seu ponto de vista sobre as ideias de Mary Robinson expressas na entrevista publicada no jornal. Essa redação deve convencer os jurados de que você é a pessoa certa para representar sua Universidade nesse grande evento. Para fazer o seu texto, recomendamos que você: a) seja claro ao apresentar seu ponto de vista sobre as ideias defendidas pela expresidente na entrevista; b) construa argumentos bem fundamentados, de modo que possam convencer os jurados de que você é a pessoa ideal para debater com a pensadora. Bom trabalho! Instruções A versão final do seu texto deve: 1 – conter um título na linha destinada a esse fim; 2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –, e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco serão descontados do cômputo total de linhas. 3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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Todos os Temas de Redação da UFRGS – Desde 2014

O vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem a tendência de pedir uma redação a ser escrita pelos candidatos.

O vestibular possui o ano de edição referente ao ano de entrada à universidade, ou seja, quem faz o vestibular no ano de 2024, vai se aplicar para a UFRGS 2025.

A seguir, confira quais foram os temas de redação já cobrados pelo vestibular.

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2024 Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2024 Acesso 2025 Vestibulares 2024

UFRGS 2024 Acesso 2025 – Redação – Sugestão de Roteiro de Estudos

Abril = como escrever uma introdução com e sem repertório, quais são os elementos de um parágrafo de introdução, como usar as palavras do tema, como fazer a conexão do repertório com a realidade do tema e criar teses a partir dos textos motivadores (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2021 – Mudanças climáticas e direitos humanos)

Maio = como escrever um parágrafo de desenvolvimento com repertório dos textos motivadores, entendendo como fazer o tópico frasal, explicação e justificação (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2022 – O apagamento das mulheres na história e o direito à memória)

Junho = como escrever uma conclusão, conectando os repertórios com a discussão, justificando e explicando (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2018 – Os adolescentes que merecemos)

Julho = Férias

Agosto = Como lidar com temas para concordar com o texto(Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2019 – A música brasileira está pior?)

Setembro = Como lidar com temas para discordar (Sugestão de tema para praticar: UFRGS de 2017 – ”Pai da Pátria” e a relação do brasileiro com o Brasil)

Outubro = Escrever os últimos temas de redação da UFRGS (totalizando 3 temas / 1 redação a cada 2 semanas (total de 15 redações em 30 semanas)

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Tema de Redação da UFRGS de 2023 – “Qual História pode e deve ser ensinada?”

O tema de redação da UFRGS do ano de 2023 e acesso 2024 foi “Qual História pode e deve ser ensinada?”. O tema tinha como base o texto motivador com o título “Deixem a História em paz” de Jaime Pinsky. Baseado na leitura, você deveria escrever um texto que concorda ou discorda dos pontos apresentados do texto e que deveria ser lido em um grupo de discussão sobre o ensino de História na escola entre pais, alunos e professores.

Você pode conferir as instruções e o texto motivador neste link ou vê-los a seguir:

Em junho de 2022, Jaime Pinsky, historiador, editor, professor Titular de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Livre Docente pela Universidade de São Paulo (USP), publicou um texto no Jornal Correio Braziliense, em que apresenta seu entendimento a respeito da História e do ofício do historiador. Leia o texto abaixo.

Deixem a História em paz
Se as lições da História fossem claras, Solano Lopez não seria considerado herói no Paraguai e bandido no Brasil, e Duque de Caxias não seria cultuado no Brasil e considerado um carrasco sanguinário no país vizinho. Ouço, em conversas informais, médicos, advogados, economistas e administradores de sucesso me informando (consolando?) que pensaram em estudar História, admiram muito os historiadores e gostam das lições que ensinam. Sinto decepcioná-los, meus caros, mas história não é para amadores. Na verdade, a maioria nem sequer tem ideia do que é História, embora todos se sintam no direito (obrigação?) de palpitar sobre o assunto, e até de exigir a troca de professores em muitas escolas.
Mas vamos por partes. Sim, senhores, História é uma área de conhecimento que nos toca profunda e diretamente, não é aquela coisa idiota e decorativa (nos dois sentidos) ensinada em meados do século passado no Brasil e em muitas escolas de primeiro mundo até hoje. Basta examinar livros didáticos, supostamente de História, em escolas públicas nos EUA: não passam de compêndios parecidos com listas dos infindáveis presidentes americanos e alguns cidadãos de destaque, algo sobre suas vidas, outro tanto sobre suas obras e poucas e até nenhuma palavra sobre as sociedades em que atuaram, a condição das minorias, a democracia na prática (não só a democracia formal), o papel das mulheres, a vida dos indígenas, dos negros, dos imigrantes e assim por diante.
História não é a narrativa, ou uma narrativa, nem qualquer narrativa sobre coisas que aconteceram. História implica se apropriar do passado a partir do presente. Se um estudioso de qualquer época e de qualquer tema do passado decide pesquisar algum fato que tenha acontecido, ele vai, obrigatoriamente, olhar esse passado a partir do seu presente. E seu presente, o ponto de vista a partir do qual ele se dá conta daquilo que aconteceu, será, hoje, diferente do ponto de vista de alguém que estudou esse passado há, por exemplo, um século. Um elefante será sempre um elefante, mas se o ponto de vista levar o observador a conhecer o elefante pela frente, ele poderá ver uma tromba enorme, mas se o enxergar por trás, verá apenas um rabinho. Deixando a zoologia de lado, é evidente que não se pode deixar de considerar a historicidade do próprio historiador.
Uma historiadora que se debruce hoje sobre a história das mulheres no período colonial brasileiro será levada a fazer investigações que outra, vivendo um século atrás, não terá feito. O comportamento, a prática social, a relação que as mulheres têm com o próprio corpo, a moral sexual, os objetivos profissionais, até mesmo seus anseios e sonhos têm a ver com sua realidade econômica, política, religiosa. Mulheres da Arábia Saudita só receberam autorização para dirigir veículos há poucos anos e isso, seguramente, pode parecer revolucionário para moradoras de países vizinhos, algumas ainda sujeitas a imposições machistas vestidas de dogmas de fé.
Mas a coisa toda parecerá um arcaísmo insuportável em sociedades que superaram esse dilema há muitas décadas. O historiador precisa ter sensibilidade e conhecimento empírico e teórico para pesquisar, entender e apresentar a questão. História não é para amadores. Uma questão precisa ficar clara: História não tem partido, não é de esquerda, nem de direita. Quem trabalha com ela precisa utilizar todas as técnicas que aprendeu, na faculdade ou fora dela, para não confundir a atividade docente com um espaço de pregação política. Seu compromisso, como docente, é com o conhecimento histórico estabelecido a partir de pesquisas feitas por gente séria.
Hoje, temos centenas de cursos de história no país, com gente boa se formando em muitos lugares. Temos também livros sérios que apresentam questões fundamentais da história com linguagem acessível a professores e alunos. Buscar obras de qualidade para ter bons pontos de partida é uma atitude necessária para não transformar a sala de aula em campo de batalha, ou palanque político. Por outro lado, cabe aos dirigentes educacionais oferecer suporte aos seus docentes. Tenho visto um movimento inaceitável de pais de alunos querendo interferir em programas de curso, em abordagens de temas sensíveis, chegando até a instrumentalizar seus filhos para questionarem de modo grosseiro os professores quando estes não apresentam abordagem histórica que os interessa.
Ler para os filhos, ler com os filhos, ler para dar exemplo aos filhos é, sem dúvida, uma forma melhor de ajudar o processo educacional do que insurgi-los contra os professores de História. Pedir para que as escolas cuidem mais da iniciação científica de seus alunos, para que o país tenha ainda alguma chance de chegar a um patamar que desejamos, é outra. É só querer ajudar de verdade.

PINSKY, J. Deixem a História em paz. Disponível em: . Acesso em: 27 set. 2023.

O texto é claro: o Professor Pinsky é contundente em defender seu ponto de vista, especialista que é em sua área do conhecimento. Podemos, a partir da leitura de suas ideias, destacar um conjunto de argumentos que o levam a defender suas opiniões; e isso não apenas sobre a História narrada em livros, mas também sobre o papel que têm, na construção dessa narrativa, a escola, os alunos, os pais de alunos e a comunidade em geral.
Agora, considere a seguinte situação.
Você está no último ano do ensino médio e faz parte de um grupo formado por pais, alunos e professores cuja função é debater o futuro do ensino na sua escola. Desta vez, o ensino da História será o grande tema de discussão: Que História pode e deve ser ensinada?
Esse assunto tem grande relevância, porque ele faz pensar sobre o nosso passado e o nosso presente; ele também faz refletir sobre manifestações de preconceito, de intolerância, de autoritarismo, de racismo e de tantas outras formas de discriminação. Uma boa discussão a respeito de tudo isso faz ver e entender melhor nossa conexão com a História da humanidade, o que inclui avaliar nossas ações, tanto positivas quanto negativas. A partir disso, podemos criar sociedades mais equitativas, justas e inclusivas.
O texto “Deixem a História em paz” certamente é um bom ponto de partida para o debate sobre o futuro do ensino de História em sua escola e, por isso, foi apresentado ao grupo do qual você faz parte, como forma de dar início à conversa.
Após a leitura feita pelo grupo, decidiu-se que algumas pessoas deveriam apresentar uma opinião fundamentada sobre as ideias veiculadas pelo texto do Professor. Você está entre as pessoas escolhidas. O conjunto dessas opiniões conduzirá o grupo a levar em conta, ou não, o texto como um parâmetro.
Como um dos escolhidos, você foi encarregado de dissertar sobre as ideias do texto “Deixem a História em paz”, de Jaime Pinsky. Nessa dissertação, você deverá apresentar ao grupo o seu ponto de vista a respeito dos argumentos expostos pelo historiador. A sua dissertação será lida perante o grupo e, certamente, será levada em conta para auxiliar a balizar o futuro do ensino de História em sua escola.
Lembre bem: você terá a oportunidade de opinar sobre algo que pode ter grande impacto na sua escola, o que pode incluir outras disciplinas do currículo e, na formação da cidadania de seus colegas.
Bom trabalho!

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Tema de Redação da UFRGS de 2022 – O apagamento das mulheres na história e o direito à memória

O tema de redação da UFRGS 2023 foi “O apagamento das mulheres na história e o direito à memória”. A seguir, você pode conferir como que a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) realizada no ano de 2022 (com o acesso de 2023) ofereceu os textos motivadores de leitura ou você pode também ver eles na íntegra no PDF no link.

Confira:

REDAÇÃO
Considere, abaixo, o texto “O apagamento das mulheres na história e o direito à memória”, de autoria da Juíza do Trabalho Daniela Valle R. Muller, escrito para o blog Sororidade em Pauta, e publicado na Revista Carta Capital, em 12.04.2019.
Às vezes acontece bem na nossa frente, de supetão. A verdade é que passamos a enxergar o que já acontece faz tempo, afinal, o apagamento da mulher na história e/ou a diminuição do seu papel eram tidos como “naturais” e só passaram a ser percebidos como problema há pouco tempo. Uma situação da qual nos damos conta aos poucos, percebendo que nos relatos oficiais nós, as mulheres, sumimos e, quando mencionadas, aparecemos apenas em papéis coadjuvantes – amantes, esposas, mães, enfim, como um detalhe pitoresco e de menor relevância da narrativa. Discutimos e pensamos nisso, normalmente, de forma abstrata, mas a vida não acontece apenas no plano das ideias, a realidade é caprichosa e um dia ela teima de acontecer assim, na nossa frente, e de um modo semiexplícito para não deixar dúvida do que se passa. Mais do que entender, nesse momento sentimos o que é a memória negada e distorcida em relação às mulheres, em especial quanto a sua atuação na esfera pública.
Comigo esse flagrante aconteceu durante uma aula sobre Lênin e a Revolução Russa. O professor relatava detalhadamente os acontecimentos entre 1914 e 1920 e a certa altura mencionou uma importante reunião de governo, realizada pouco depois da vitória revolucionária.
Nesse momento, uma aluna interpelou sobre a participação de uma determinada mulher na referida reunião. O professor confirmou, mas disse que essa participação, essa mulher, o fato em si, nada daquilo era significativo e seguiu a aula sem dar detalhes sobre nossa revolucionária, que permaneceu nas sombras da história. Nesse exato momento, aquela mulher foi simplesmente apagada da narrativa histórica, e isso aconteceu através de um gesto singelo, cotidiano: avaliação como irrelevante dessa presença feminina.
É um poder grande esse de selecionar o que é importante e o que não é digno de registro e nota, o que pode ser apagado, esquecido.
Até hoje não sei quem era a pioneira, seu nome não foi anotado no quadro, nem mesmo foi ditado claramente, apenas mencionado en passant pela colega de turma. E isso em relação a um movimento protagonizado por mulheres que, em 23 de fevereiro de 1917 (dia 8 de março no nosso calendário), iniciaram um protesto e uma greve que foram o estopim da Revolução Russa de outubro de 1917.
Mesmo assim, pouco ou nada sabemos acerca de revolucionárias como Inês Armand, Natália Sedova, Rosalia Zemlyachka, Alexandra Kollontai e Nadêjda Krúpskaia.
Esse é apenas um de infinitos casos. Mesmo em relação à Revolução Francesa, detalhada, descrita e narrada ad nauseam nos últimos duzentos anos, raramente se menciona a existência de Olympe de Gouges que, em 1791, escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, além de peças teatrais que explicavam os princípios da Revolução Francesa à enorme massa de analfabetos; nem Sophie de Condorcet e tantas outras que já questionavam a desigualdade opressora entre homens e mulheres.
A história do Brasil não é exceção. Aqui, tantas outras mulheres são igualmente esquecidas, classificadas como desimportantes.
Desse jeito ficamos sem acesso a uma parte importante da nossa memória, das origens que nos constituíram como sociedade, porque pouco ou nada conhecemos sobre figuras como Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Mariana Crioula, Myrthes Campos, Alzira Soriano, Nísia da Silveira.
Ou então são desqualificadas como figuras tristes, loucas ou más. Essa desqualificação, aliás, é uma constante, basta lembrar a vereadora Marielle Franco que, poucas horas após seu brutal assassinato, sofre uma nova tentativa de homicídio, dessa vez, simbólico, moral. Para que o crime seja perfeito sua morte tem que ser completa, para impedir a continuidade da sua luta, das suas ideias, da sua representatividade, enfim, para que ela se torne uma pessoa que ninguém conhece e, portanto, sem importância, senha para desaparecer dos registros históricos oficiais.
E muito antes dela aprendemos: D. Carlota Joaquina era louca, D. Leopoldina, melancólica e malamada, Domitila de Castro, apenas uma mundana e por aí vai. Será mesmo? Mulheres que participaram tão ativamente de acontecimentos políticos tão relevantes na história do Brasil?
Um país que nasceu de um decreto assinado por uma mulher, onde a escravidão foi extinta por lei assinada também por uma mulher, a primeira escola pública gratuita foi instituída por uma mulher, a primeira greve geral foi iniciada por mulheres, operárias da indústria têxtil de São Paulo, não tem como contar sua história por inteiro excluindo as mulheres da narrativa e dos registros oficiais.
Consequência dessa falta de registro é a impressão, fortemente instalada no senso comum, de que a participação das mulheres na história, na sociedade e na política é nula ou bastante secundária e reforça a premissa patriarcal de que a mulher deve se restringir ao ambiente e às questões domésticas, civis, particulares.
Entretanto, a memória das conquistas, das realizações e também das injustiças sofridas por nossas ancestrais que foram massacradas e/ou silenciadas, que não tiveram oportunidade de ter seu ponto de vista considerado, é a chave para interromper essa lógica, sendo um componente essencial para compreender o presente e confrontar uma visão de “natureza” quanto ao protagonismo dos homens na construção do processo histórico.
Tal quadro desafia a compreensão da realidade para além dos feitos narrados pelos vencedores, registrados nos livros e documentos oficiais, e recomenda uma aproximação do passado que fica oculto, de expedientes que a história oficial deu por arquivados, mas estão guardados em fragmentos como roupas, canções, corpos, depoimentos, ruínas, prédios. Olhar com atenção esses fragmentos permite “escovar a história a contrapelo”, conhecer e cultivar a memória daquelas que lutaram e trazêlas a público para dar nova vida às mulheres que ficaram escondidas nas sombras da história.
Porque a memória é assim, um jogo de luz e sombras, seletiva: enquanto traz à luz alguns fatos e aspectos, obscurece tantos outros, que se apagam, caem no esquecimento.
Resgatar a memória de luta das mulheres é uma necessidade para enfrentar, hoje, o retrocesso representado pela opressão machista e patriarcal; portanto, conhecer, registrar e divulgar os feitos das mulheres, suas lutas, suas ideias, suas estratégias de solidariedade e enfrentamento é dar nova vida a essas guerreiras, evitando que fiquem nos registros históricos como derrotadas e insignificantes.
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/o-apagamento-das-mulheresna-historia-e-o-direito-a-memoria/

Você, com certeza, percebeu: o texto é contundente! Ele expõe com clareza a opinião da Juíza a respeito do assunto. Para argumentar, a autora faz uso de conhecimento histórico, de experiências pessoais e de exemplos conhecidos, ou não, por nós. Realmente, o tema “O apagamento das mulheres na história e o direito à memória” merece discussão ampla e aprofundada.
A partir da leitura do texto, considere a seguinte situação: você faz parte de um grupo universitário que estuda e debate assuntos da contemporaneidade, atividade muito comum dentro das
universidades. Normalmente, esses grupos são coordenados por um ou dois professores e contam com a participação de alunos de iniciação científica, alunos de diferentes semestres da faculdade,
outros professores etc. Ou seja, são, por natureza, bastante heterogêneos.
O fato é que o professor coordenador do seu grupo leu o texto da Juíza durante uma reunião e, como era de esperar, o tema suscitou forte debate. Alguns colegas concordaram completamente com a autora; outros, dela discordaram veementemente. Enfim, instaurou-se uma forte polêmica!
Tendo em vista essa situação, o professor coordenador solicitou a membros do grupo a redação de textos dissertativos que apresentem claramente um posicionamento acerca das opiniões lançadas
pela Juíza. Esses textos representarão as ideias daqueles que concordaram ou daqueles que discordaram da autora.
Você foi um dos escolhidos pelo professor nesta importante tarefa: escrever um dos textos!
Observe que você será porta-voz de uma coletividade: seu texto, além de apresentar um posicionamento qualificado sobre as ideias da Juíza, deverá representar a opinião de seus colegas de grupo.
Enfim, você deverá escrever uma dissertação que, ao ser lida no grupo de estudos ao qual você pertence, apresentará seu ponto de vista sobre o texto da Juíza e representará a opinião daqueles com os quais você se identificou durante o debate.
Bom trabalho!


Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, o texto não será avaliado –, e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.