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"Balada de amor ao vento" FUVEST 2026 FUVEST 2027 Paulina Chiziane

“Balada de amor ao vento” por Paulina Chiziane – Resumo de cada capítulo

Balada de amor ao vento é o primeiro romance publicado de Paulina Chiziane que já tinha uma ideia do que escrever, mas o primeiro romance escrito por ela foi “Ventos do Apocalipse”.

São 20 capítulos, divididos em partes que demarcam passagem de tempo, mudança de plano ou troca de narrador. O tempo da narrativa é de Moçambique ainda colônia, com o nome da cidade de Maputo ainda como Lourenço Marques, antes do ano de 1976, da independência de Moçambique.

Capítulo 1 Parte 1 A narradora lamenta sua vida, está próxima da morte e lembra-se de Save, terra de sua infância, repleta de bela flora. Em contrapartida, está em Mafalala, terra que abomina, que é suja e triste. Foi para lá por amor, se é que sabia o quê era amor e se amou. Sua filha, mais estudada, contou sobre o mundo e como o era, ela pensa que há quem precise conhecer o mundo da mulher. Pensa em falar da sua história, nem sabe se será interessante, há tantas outras que vivem igual.

Parte 2 “Tudo começa no dia mais bonito do mundo, beleza característica do dia da descoberta do primeiro amor.”. Era época de festa e, obviamente, de namoro. Os rapazes vinham para os ritos de passagem para a fase adulta e iriam dançar e comer depois. A narradora prestou atenção em Mwando, ouviu dos homens sobre ele e também as amigas diziam para desistir, ele estudava para ser padre. Foi zombada pelos meninos e pelas meninas de não ter curvas e ficou assim, pensando nele e demorou para dormir. Perseguia o menino, ia na igreja para ver ele, até que um dia decidiu fazer o ultimato e se vestiu bonita para atraí-lo. Depois da missa, caminharam juntos e ela já desistia, quando ele perguntou o que se passava e ela dizia que de quem ela gostava não era recíproco. Ela revelou sendo ele, mas Mwamdo confessou que gostava dela, era a única que não zombava dele, mas tinha medo do padre. Ela o silenciou e finalmente se beijaram.

Capítulo 2 Parte 1 Mwando se martiriza, queria ser padre mas Sarnau a tentava. Por muito tempo, foi zombado pelos meninos e se isolava para se proteger. Queria ser padre, pedia ajuda para Cristo e tinha medo dos outros meninos contarem dele e de Sarnau. Escreveu uma carta, abriu seu coração, mas o padre surgiu ali e perguntou o motivo de estar tão apavorado. Leu a carta e entendeu. Amanhã ajustariam as contas.

Parte 2 O padre suspeitava do que acontecia com os meninos, principalmente pelas fofocas. Uma noite, em meio do que se culpava de não confiar neles mas vendo que estavam certos, apanhou Salomão e quase o bateu, não fosse o menino mais esguio, coisa que Mwando não foi e o padre descontou a raiva nele. Salomão e Mwando foram expulsos, nada aconteceu com a cozinheira, suspeita de ser a pessoa que estava no quarto de Salomão

Parte 3 Mwando logo se acostumou aos trabalhos dos outros jovens da idade. Passavam bom tempo juntos, Sarnau e Mwando se maravilham com a fauna e a flora do mundo. Mwando vê a obra de Deus e vê o motivo de amar, vendo tudo de cima é fácil se maravilhar. Ao meio de metáforas, os dois fazem sexo, com o uso das metáforas da maçã sendo o fruto proibido, a serpente no Éden e Adão e Eva. Sarnau pede uma oferenda para suas entidades protetoras, a defunta protetora, já que fizeram sexo. Ele hesitou, não gostava de servir outros deuses se não Cristo. Mas prometeu fazer uma oferenda grande. Sarnau o amava e assim dizia.

Capítulo 3

Parte 1

“Mwando ainda não ofereceu nada à minha protetora, mas eu perdoo, ele ainda não arranjou dinheiro, coitado.” Ele trabalha muito, não só com o pai mas com os afazeres de casa que as irmãs são preguiçosas. Sarnau o ama, ama muito, em tudo que vê sabe que o ama. Mas ele parece esconder algo, principalmente quando ele não olha nos olhos para dizer da ausência e cada vez passa menos tempo com ela.

Parte 2 Mwando diz que trabalhava muito nesses dois meses e daí o sumiço. Iria para longe, trabalhar, Sarnau o esperaria, mas ele tenta insistir até que conta a verdade da sua mudança eterna – estava para casar e não aceitava a poligamia. Sarnau se contorcia e chorava, aceitava até poligamia e a distância, mas ela estava grávida e tinha fome de amor. Despediu-se, ainda foi acolhida enquanto chorava e até resgatada de um ataque de cobra. Mwando perguntou o motivo dos ancestrais dela fazerem isso, ela disse que era para acalmar seu ódio e tirar a dor. Não deixou que ele falasse mais e foi embora.

Parte 3 Sarnau não dormia bem, não estava bem, tudo lembrava de Mwando e ela queria que a dor que sentia parasse de qualquer jeito. Enquanto sonhava com uma natureza acolhedora, via Mwando chegando, mas foi acordada por Rindau.

Parte 4 Sarnau decide se matar, vai até o rio e vai andando lentamente. Ela pensa em tudo que fica para trás e nesse último dia que está como todos os outros, belo. No momento que ela chega a uma altura considerável do rio, seu corpo quer viver, mas era tarde. No entanto, ouve vozes, pensando que são do outro plano. Se vê em sua rasteira, tinha sido salva por pescadores que a viram. Sua mãe, curandeira, falava de uma centopeia que entrou nela e fez um nó e que devia sair de Sarnau. Ela gritava e finalmente chorou. Foi como se ela se libertasse de tudo. O sangue jorrava por conta do aborto.

Capítulo 4 Sarnau iria casar e as pessoas se despediam dela. Estava com véu, era prometida ao rei da terra e nunca antes houve um lobolo, quantia paga para firmar o casamento, como o dela. 36 vacas que não pariram, virgens, e mais dez homens com pele de leopardo. Estava contente, nunca tinha planejado tal situação. Ela explica que a rainha tinha uma pretendente para seu filho, Khedzi, mas quando não só se descobriu que essa mulher de pele mais branca, predileta dos homens poderosos, que levantava a capulana, vestido ou saia, para qualquer copo de aguardente, e era filha de feiticeira. A rainha viu que sua mão era delicada, sem marca de trabalho, não a quis e era indigna. Todos se assustaram e ainda mais que apostaram suas filhas, que faltavam ou beleza ou vontade de trabalhar. Um dia, a rainha de encontrou com Sarnau, filha de Rindau, sem lembrar dela. Enquanto a via trabalhar e interessada, pediu para beber, e deu de beber com a concha da mão. A rainha ficou interessada e chamou-a para trabalhar por uma semana. Era comum, fez tudo como deveria ser feito sem pestanejar e, em uma reunião magna, declarou que Sarnau seria a esposa de Nguila, o príncipe, beberrão e forte. Enquanto aceitava o lobolo, a tia repetia o que precisava dizer, que era homenagear a família e enriquecer a terra. Neta de uma moça com lobolo de una peneira de feijão, ela se engrandecia. Até conversa com o leitor, como ela poderia ser bonita se não era no estilo clássico de beleza. Dizia que a beleza variava de cultura para cultura. “É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna.”

Capítulo 5 Parte 1 Sarnau ouve conselhos enquanto está na palhoça se preparando para o matrimônio. Ouve de tudo para aguentar os problemas do matrimônio, pois homem deve ser servido. É uma sociedade patriarcal e se perdoa o homem. Ela pensa que está com a vida feita e é invejada, as mais velhas continuam a aconselhar. No casamento, o príncipe assina com caneta de ouro e Sarnau usa o dedo, sinalizando que é analfabeta, em frente ao padre Ferreira. Vislumbram a festa, tanta gente dançando, homem bebendo ou sendo embriagado para poderem curtir-se ou curtir outros. Sarnau acha tudo lindo.

Parte 2 A família chora, até seu pai que ela nunca o viu chorar também chora e ela não entende, não era momento de felicidade? A velha tia explica que homem é para ser servido, e ela no casamento era como milho no pilão, explicado pela tia, seria amassada, triturada e moída para a felicidade do lar, e assim o suportaria. A mãe chorava de felicidade, até porque explicou que há quem chora por tristeza. Ela ia, infelizmente, a sua escravidão. Chegando no novo lar, via sorrisos, mas ninguém que conhecesse. Pensava na irmã e na família longe.

Capítulo 6 Parte 1

Sarnau acorda, nem acredita na nova vida. Faziam duas semanas do casamento e a festança intensificava com mais presentes. Vestia um vestido diferente por dia, escolhidos pela rainha. Trabalhava para as sogras que a testavam. A oitava sogra foi enfeitiçada, disse a Sarnau que a casa era cheia de feiticeiras e também coxeava por isso. “Uma lagartixa amarelo-acastanhada despenhou-se da árvore caindo no meu regaço, e fugindo célere enterrou-se no areal. Arregalei os olhos, o coração pulsou, e fui percorrida por um grande arrepio. Presságio de desgraça!”. Ela assim disse que não morreria, foi pendurada e amaldiçoada mas iria morrer de velhice. Eram mais cabeças ao currau.

Parte 2 – Gatilho de violência Sarnau estava contente ao dia e, apesar dos maldizeres do casamento, queria ver Nguila. Quando chegou ao quarto, viu ele com Mayi em sua cama. Aprendeu que quando visse o marido com outra que era para preparar banho e não se zangar. Até mesmo Nguila a chama, vendo que chorou, perguntou se alguém tinha morrido e deu um tapa nela que saiu até um dente. A rainha a acudiu entre lágrimas e sangue. Ela o consolou, dizendo que eram de terras distantes e nasceram e foram moldadas em sofrimento. Soube que essa Mayi tinha tatuagens em relevo e a pele lisa era feitiçaria de veneno de cobra. De noite, sonhando difícil, a sogra a acordou para que fosse dormir com seu esposo. No que retornou, Nguila a abraçou, dizendo que devia ensinar a não ter ciúmes e gostava muito dela, era a primeira, tinha respeito e apreço mais do que a outras. Mas ela se impacientava que não engravidava, como Mayi engravidou, mesmo que fizesse pouco tempo que estivessem juntos.

Parte 3 “Não imaginam o paraíso em que vivi quando declarei a minha gravidez.”. Seu marido lhe enchia de carinhos e amor, na cultura de Moçambique, a gravidez é fortemente celebrada e para os homens a mulher grávida é motivo de festa. Ela vestia-se e ornamentava-se. Mas, “Como o girassol, a felicidade dura apenas um sol.”

Capítulo 7

Parte 1

Mudança de narrador para terceira pessoa, um homem chora em sua cabana triste, abandonado. Era Mwando, casou com Sumbi, uma mulher linda, mal acreditou quando a conquistou, como os outros também não acreditaram, e teve o casamento arranjado, os pais queriam casá-la com nobre, na falta de um, foi pelo menos um homem culto e que parecia nobre. “Os homens não choram, ensinam os pais aos filhos. Mwando é homem e chora, mas com razão.”. O lobolo era alto, doze vacas. Com cinco vacas, a família arranjou uma forma de pagar em prestações as vacas. As seis ao casamento, três quando nascesse a primeira criança e três com a segunda. Já no primeiro dia de casamento ela não cumpria seu lugar como mulher. Apesar de Mwando ter se apaixonado por aquela mulher que trabalhava em pilão, ela fingia dores de cabeça e ficava na mesa como um homem. E continuava assim, os dois se amavam, acordavam tarde, nada produziam. “Só come quem trabalha, ensina a sabedoria popular.”. E ele a ajudava nas poucas vezes que ela fazia algo da casa, pegou mal, a vizinhança se afastava e ela logo se tornava tirana. Os carinhos viraram obrigações, exigia presentes mesmo que a família dela não faltasse dinheiro. Mwando se endividou, esgotou as despesas, mesmo que ele não visse problema em agradar a mulher. Ela sempre vinha com sorrisos, e presentes de admiradores quando o dinheiro dele se esgotou. Mas o lobolo e o lugar da mulher em Moçambique é diferente, ela jamais deve trazer prejuízo. Interviram no caso, “Mulher lobolada tem a obrigação de trabalhar para o marido e os pais deste. Deve parir filhos, de preferência varões, para engrandecer o nome da família. Se o rendimento não alcança o desejável, nada há a fazer senão devolver a mulher à sua origem, recolher as vacas e recomeçar o negócio com outra família. Mulher preguiçosa não pode ser tolerada, muito menos a libertina.”. O pai ficou louco que ele respondia aos anciões, que eram de outra religião e pregavam outra fé, ele pensava ser elevado por ser cristão e ignorava os preceitos éticos e morais de uma boa família, mas o pai também era culpado. Não deu outra, afastaram-se da vila, viveram em uma cabana em desgraça e só piorou com o filho morto, com o pretexto que era feitiçaria dos defuntos não apoiarem a união. Mas Sumbi já tinha casamento com gente rica, “amor com pobreza não faz felicidade, arrumou as coisas dela e partiu.”.

Parte 2 Chorava, estava depressivo. Amaldiçoava a religião dos antigos e se culpava, sentia remorso de como era vítima antes das opressões na adolescência e infância agora como adulto, pelos anciões. Pensava e repensava e teve um pensamento. “Homem que é homem deve saber resistir às vicissitudes da vida, pois todos os seres vivos têm as suas amarguras.”. Rezou, gritava alto, chorava e precisava ouvir isso. Entendeu tudo que passou e passa e tinha ressuscitado.

Capítulo 8 Sarnau estava triste, tinha duas filhas e faziam dois anos que o marido dela não a tocava e estava com amores com Pathy, a quinta esposa. Mal comia a comida dela, reclamava de algo ou estava indisposto e brigava com ela. As gêmeas demandavam muito e ela batia nelas como se fossem culpadas. Ela lamenta a morte do rei, Zucula, que trouxe tantas outras mortes e desgraças para o reino. Morreu de cócoras, com uma cobra, e assim foi enterrado. O dia era feio e cheio de sinais ruins, e as pessoas se matavam ao longo dos dias ou iam embora dos postos. A rainha morreu de joelhos e também assim foi enterrada. Em meio a isso, ainda havia uma guerra. O filho, Nguila, era rei e curtia o momento. Sarnau vestia o mesmo ouro da rainha e tivesse quem a invejava, mas comia mal e vivia mal. E para piorar, Mwando a encontrou e ele estava péssimo, nem era o mesmo que lembrava de fisionomia. Apesar de ter enxotado, foi até sua cabana e se amaram. Ela até propôs que continuassem os encontros em uma gruta de fantasmas que era afastada, mas Mwando a lembrou de sua posição e ela se despediu, saboreando o momento de vitória.

Capítulo 9

Parte 1 Sarnau estava em dilema. Por um lado, amava Mwando e seu amor a tranquilizava. Por outro lado, tinha poder, status e riqueza com seu casamento polígamo. Pensava no lado ruim também que Mwando a fez sofrer muito mas do marido polígamo que amava e a deixava de lado.

Parte 2 Lamentava que Mwando não iria mais vê-la, era rainha e não seria coisa boa. Visitou a gruta dos fantasmas, escondendo sua rota, e lá viu Mwando a esperando, ele sofria que poderia ser punido mas queria ver Sarnau. Mais uma vez se amaram, trocaram promessas de amor.

Capítulo 10

Parte 1 Sarnau engravidou de Mwando, mas ela conseguiu fazer um feitiço para que Nguila se encantasse por ela. O feitiço foi tão forte que ela se tornou mais amoroso com todas, exceto Pathi que vivia com ciúmes e tinha até pedido um feitiço que matasse todas as outras 6 esposas. Agora dividia o amor e sempre dormia depois da meia noite com Sarnau, sendo carinhoso. Ela implorava à defunta protetora que o fizesse parecido até com o bisavô, menos com o pai original. Pensou em fugir, mas não trocaria o bem-estar por nada, podia ser um menino e governar tudo. No parto, descobriram que Pathi fez um feitiço para que Sarnau morresse nele em um sonho de Nguila e foi espancada fortemente, além de tomar veneno e ter dado uma diarréia. Sofria. Sarnau sofria de emoções, não sabia até quando poderia continuar com essa mentira do filho ilegítimo e do amor de Mwando.

Parte 2 Mwando pedia que fugisse com ele, queria Sarnau só para si e sofria com as migalhas de carinho e a impossibilidade de se quer ter o filho. Sarnau pedia paciência, o rei aguardava ansiosamente a criança e poderiam fugir quando nascesse.

Capítulo 11

Parte 1 O parto foi difícil, com a luz da lua, cantavam e pediam que viessem bem. Mas Sarnau sofria, diziam que comeu ovo, mas o filho vinha de um adultério e por isso era mais penoso. Descobriram que Phati a enfeitiçava e apanhou. Quando baixou o feitiço, saiu o bebê. Ela teve pena de Phati, apesar de oponente. Para trazer mistério, a criança nasceu de pele clara e a cara da mãe. Apontaram a pele como um indicativo da relação das duas oponentes, mas era a pele de Mwando. O rei se embriagava de felicidade. Ela se perguntava onde estava Mwando.

Parte 2 Phati vigiava Sarnau em cada passo. Os encontros com Mwando continuavam e os seus planos de fuga também. Ela temia o pior e decidiu encerrar os encontros. Ia trazer mal para a família e o pequeno Zucula que já andava e tinha dentes. Diria seu último adeus.

Capítulo 12

Parte 1 Sarnau estava em dilema, sabia que devia deixar Mwando, mas seu amor a confortava contra Nguila que a espancava e a machucava fisicamente. Entre suas tatuagens e machucados sangrando, Mwando a beijava e a amava, pedindo para ser sua e fugir para além do rio. Ela pensava nas crianças antes de seu amor.

Parte 2 Estava decidida em não ir com Mwando, mas Phati a viu e a denunciou como feiticeira, pois só gente com gênio e ligada às religiões de Moçambique e feitiçaria que poderia adentrar as grutas sem ser atingido. Contaria tudo a Nguila e ela não seria ouvida segundo Sarnau, mesmo que ela tivesse voltado a ser a favorita do rei.

Parte 3 Nguila estava machucado, via a verdade nos olhos de Phati mas não sentia nas palavras de Sarnau. A dor que sentiu da possibilidade de traição da rainha e da possível mentira de Phati machucou seu íntimo mais do que o orgulho e mataria uma delas após beberem o licor da verdade, o wanga. Quem estivesse mentido morreria. Queria se embriagar para esquecer. Quando trouxe o fumo e a aguardente, abraçou Sarnau e chorou. “Descobri que ele me amava de verdade, com a sua maneira polígama de amar.”. Chorou também, arrependida. Fugiu na noite enquanto Nguila dormia e sentiu ser vigiada, era Phati de novo. Nocauteou-a e acordou Mwando em sua palhota, deixou tudo e as crianças.

Capítulo 13 O capítulo começa com Sarnau rezando para a defunta protetora que protegesse Mwando, agora pescador, do mar inquieto. Há um retrocesso de como chegou ali. Remaram para longe de Mambone, a correnteza ajudou e Mwando remava rápido. Sarnau chorava, amaldiçoava Phati, mas ao menos tinha a felicidade eterna. Chegaram em Bazaruto, venderam o barco e partiram para Vilanculos. Trabalhava com indianos e fazia tudo, já que Sarnau não saía da palhota que cabiam dois para não ser descoberta. Ele veio, frio da chuva e cansado do trabalho. A pesca foi boa, comia feliz e gostava do calor de Sarnau. Ela estava feliz, não tinha os filhos ou o título mas tinha um marido que era todo o apoio emocional e social. Ele dormiu em seus braços, ela pensava em dias melhores.

Capítulo 14 Parte 1 O sono, segundo o narrador, é importante para conectar o racional e os deuses, espíritos com racionalidade. O período de agosto era difícil para pesca mas bom para colheita. Mwando vagabundeava, ajudava em coisa ou outra mas mais ficava conversando e ouvindo a fofoca do rei e da rainha, ouvia o povo a favor da rainha que fugiu e o homem que a levou como herói. Queria saber cada vez mais, como se fosse alheio, mas o sono ia vindo com mensagens que não decifrava. Em uma noite, foi até o oráculo e nada entendeu, mas em um bar, enquanto bebia, encontrou um antigo amigo de infância e irmão de circuncisão, Nhambi. Ele vinha com outros guardas reais, também era um. Mwando não sabia se fugia ou invocava a amizade de antigos tempos, mas Nhambi veio com palavras duras e amigáveis. Contou que o rei sofria, Mwando era a menor das preocupações, mas ele mandou matar Phati com as vozes do povo aclamando que ela enfeitiçou a rainha e que o homem que a levou era um espião da tribo inimiga de guerra. Mwando sentia vergonha e se arrependia, Nhambi cuspiu no chão e o acusou de ser pior que mulher, devia ter orgulho e não ter agido daquele jeito. Como dívida de ter sido salvo de um ataque de cobra, aconselhou que decidisse se ficava por ali e morria, que eram ordens do rei, ou fugisse e nunca mais voltasse.

Parte 2 Mwando estava como um fantasma para Sarnau, contou que Phati morreu, o rei sofria e sua família corria perigo. Ele iria partir, apaixonou-se por Sarnau por ser nobre, agora era uma simples camponesa com nada de mais. Sarnau o lembrou do filho e que prometeu amor eterno. Reclamou que o filho nem com ela estava e poderia voltar ao rei. Ela disse que morreria e Phati sabia muito bem o que fazia. Deu de costas, correu atrás dela e tomou um golpe que deixou-a desacordada. Acordou pela manhã, viu os pescadores e as mulheres pegando caranguejos. Chorava e ninguém a acudia. Mwando era nuvem na sua vida.

Capítulo 15 Parte 1 Narra-se a partida de negros em um barco de Espírito Santo. De fora, o cenário parece corriqueiro e se acostumaram de ver esse tipo de situação. Dentro, era pior, choravam, clamavam por Deus e pelos defuntos, sem serem ouvidos. Estavam por lá mal sabiam os motivos, era desde guerra, mal entendido ou só ser negro. Mwando estava lá, ele se relacionou com uma mulher prostituta e um sipaio, soldado indiano, não gostou. Tentaram testar o português, falava e escrevia bem, mas na hora dos documentos que ele não tinha vistos foi o fim. Apanhou e foi levado ao barco. Outros negros libertos oprimiam os negros escravos. Iam para Angola, terra de opressão, cacau, café e cana.

Parte 2 Os escravos foram separados e os colonos se abraçavam exageradamente. As mulheres iam para o tabaco e os homens para canaviais e os campos.

Capítulo 16 O capítulo narra e descreve a natureza que os escravos e os colonos armam acampamento para fazerem dali o local de colheita em linguagem poética. Ler o capítulo.

Capítulo 17

Parte 1 Um negro morreu com a cabeça presa na máquina, mandaram chamar o Padre Moçambique, o católico, e Januário, para prestar os costumes africanos. Mwando era tal padre, tinha fama, fazia as celebrações como os padres brancos mas cobrava muitas vezes menos. Os colonos viram vantagem e até deram regalias, como casa e mulher. Era a boa ponte entre os escravos e os colonos. Januário tinha o nome de padre cachaça de tanto que tomava. Tinha um boato de um escravo que pediu para ser enterrado de cócoras e que não trabalhassem por oito dias. O colono riu e enterraram ele de qualquer jeito. Seu corpo aparecia por toda parte e até foi na casa do patrão estourar toda a louça. Quando viu o corpo de novo ali fresco, fez como pediu.

Parte 2 Quinze anos se passaram e assim foi indo a vida de Mwando. O cabelo ficou grisalho, juntou boa grana, tinha casa, mas o coração queria ir de volta para Mambone. O choro foi comovente das pessoas, mas precisava ir. Chegando onde havia a palhota, encontrou um armazém pesqueiro e nenhuma informação de Sarnau. “A resposta negativa deixara-o convencido de que ela talvez tivesse regressado à terra natal.”. Saiu de Vilanculos e voltou a Mambone, ia caminhando pela noite para não ser reconhecido. Os cães latiam como se fosse fantasma, a mãe de Mwando pedia proteção aos defuntos e ele anunciou sua chegada. Ela chorou muito, seu pedido foi atendido de ver seu menino. Contou da morte do pai, soube que Sarnau não era casada e vivia em Lourenço Marques uma vida desgraçada. Estava focado em ver Sarnau.

Capítulo 18 Um mercado barulhento com pessoas vendendo de tudo e um cheiro terrível é onde Sarnau se encontra. Faziam 16 anos que tentava de tudo para Mwando voltar e nada. Tinha agora dois filhos, Phati e João. De início, chamava Phati de Chivite, trabalhava para indianos e dormia em um armazém ao fundo com os cãos e de lá ela nasceu. Mas no segundo mês piorou e no terceiro nem chorava ou comia. Na falta de dinheiro para hospital, foi a uma curandeira que viu que um espírito se alojava nela, que sofria, o espírito de Phati. Ela ia matar um por um, o remédio era nomear e fazer renascer Phati, pura, inocente. No dia seguinte, após fazer o ritual de nascimento, o bebê desatou a chorar e comia bem. João era filho de um outro cristão que o enxotou, não pegava bem ter filhos por aí. “Ser cristão é uma coisa, mas a perversão e o afastamento dos deveres paternais porque se é cristão, é coisa que ainda não entendo bem. A poligamia tem todos os males, lá isso é verdade, as mulheres disputam pela posse do homem, matam-se, enfeitiçam-se, não chegam a conhecer o prazer do amor, mas tem uma coisa maravilhosa: não há filhos bastardos nem crianças sozinhas na rua.” Mas, não importa. “Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.”.

Capítulo 19 Enquanto voltava para casa, derrubou os tomates que caminhava na chuva ao trombar com um homem. Pediu que pagasse pois era sua única fortuna e reconheceu o homem sem querer acreditar. Mwando correu atrás dela e a puxou. Ele pedia perdão, ela disse que sofreu, e ainda acusou ela de ter virado puta. Respondeu que ele tinha tirado sua virgindade, sem pagar a defunta protetora, tirou de seu casamento sem pagar resgate e a deixou sozinha e ficou sem nada, até o útero se foi de tão podre que estava. Ele contou que também sofreu, tinha virado escravo por um indiano ciumento e ficou quinze anos trabalhando em cana e café e gastou tudo que tinha para vê-la. Ela aceitaria, mas que pagasse 24 casamentos. O rei exigia reparo do lobolo, ainda que tivesse se casado com Rindau, irmã de Sarnau, e as 36 vacas deram origem a outros casamentos, resultando 24 lobolos. Ou ele pagasse, ou nada feito. Ele queria pagar, mas tinha nada, sofria mais porque dizia não ter filho e Deus assim o castigou, mas ele tinha, Zucula, o mais velho, era rei, as gêmeas casaram-se em Mambone e Phati estava em seu ventre quando fugiu. João não tinha pai. Ficou eufórico, mas não tinha como pagar. Ela disse que deixaria as lembranças e saiu dali sem saber com qual força. Mwando a chamava na escuridão e ela rejeitou o chamado.

Capítulo 20 Sarnau sofre, chora mas os filhos não notam. Mwando foi até a casa dela, apresentou-se à Phati que abriu a porta e sorria com a resposta dele ser o pai. João sorria muito e os dois pediam para que ele ficasse. Mwando respondeu que ficaria se Sarnau quisesse. Ela mandou os filhos dormirem que o dia era longo. Chovia lá fora, ficaram ali se encarando. Ele disse que as crianças precisavam de um pai, e ela precisava de um homem. Ele tinha vencido, ela tinha o orgulho, mas de quê? Ele chamou de novo o nome dela, tinha negócio, dinheiro, casa, podia ser que desse certo. Puxou o candeeiro e apagou a luz, ficou a escuridão. “Continua a chover lá fora.”.

Tempo da obra: Moçambique antes da independência, com a indicação da cidade de Maputo como Lourenço Marques.

Lugares da obra:

Personagens da obra:

  • Sarnau: Seguidora da religião dos antigos e dos defuntos protetores, sofre para poder ser amada seja na monogamia ou na poligamia
  • Mwando: Cristão, sofre para poder ter respeito e lugar como homem em Moçambique, adotando os valores da modernidade e rejeitando a sua raiz
  • Padre: Sem nome mencionado, antigo mestre de Mwando, hipócrita nos valores cristãos
  • Salomão: Ex-aluno do colégio de padres, teve um caso com a cozinheira
  • Cozinheira: Sem nome mencionado, teve um caso com Salomão
  • Rindau: Irmã de Sarnau
  • Mãe de Sarnau: Sem nome mencionado, curandeira
  • Rei Zucula: Pai de Nguila, rei justo e inteligente
  • Rainha : sem nome mencionado, também veio de uma terra distante, sofreu muito como Sarnau
  • Nguila: Príncipe e futuro rei, marido de Sarnau, beberrão, violento e protetor
  • Khidze: Ex-pretendente de Nguila, feiticeira, preguiçosa e libertina
  • Mayi: Uma das mulheres de Nguila, é a primeira que Sarnau descobre compartilhando a cama do rei
  • Sumbi: Ex-mulher de Mwando, casamento arranjado, preguiçosa, libertina e fugiu para outro casamento
  • Phati: Quinta esposa de Nguila, favorita dele, feiticeira e invejosa
  • Gêmea 1: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Gêmea 2: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Zucula: Filho de Mwando com Sarnau, Nguila acredita ser seu filho
  • Nhambi: Amigo de Mwando, guarda do rei, procurava o sequestrador de Sarnau, mas poupou o amigo que admirava e respeitava muito
  • Phati/Chivite: Filha de Mwando com Sarnau, foi renomeada para descansar o espírito da esposa ciumenta
  • João: Filha de Sarnau com um cristão, enxotou pois não era uma boa aparência ter um filho com uma prostituta
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Literatura Africana Niketche: uma história de poligamia Paulina Chiziane Resumo de Cada Capítulo UNICAMP 2025

“Niketche: uma história de poligamia” de Paulina Chiziane – Resumo de Cada Capítulo

Capítulo 1

O narrador fala que ouve um estouro e pensa em se esconder. Rami, ou Rosa Maria, a narradora, é chamada pelas vizinhas para falar que Betinho que quebrou o vidro do carro. Ela sente-se mal pelo seu caçula de ter batido em carro de gente rica e pensa em como Tony podia deixar-lhe assim. O caçula voa para o quarto como que procurando o sossego que viria antes do castigo, Rami quer se sentir viva e quer castigar. Mas a cara dele de choro era demais e ela não conseguia, o menino só queria uma manga. Pedia castigo, Rami fica encantada, ainda pensa em Tony e como ela devia cuidar das coisas de homem. O dono do carro falava fino e não foi violento, ela explicou que Dr. Tony, comandante da polícia, resolveria. Aceitou, mas não sentiu crença nas palavras da mulher desesperada. As vizinhas consolam Rami. Tony era o culpado, sua ausência era perceptível e sabia por onde andava, trabalho não era. As outras falavam de como os maridos delas também as largaram. Rami não entende como os homens fazem isso com as mulheres, procurar algo novo e criar novos apetites na velhice. Para acalmar a dor, as outras mulheres contam suas dores. As mulheres sofriam caladas, mandavam ali, poucos homens passavam por ali de noite como amantes. Ela pensa em como o amor é dito e relacionado com os homens e as mulheres. Encostava a cabeça na cama fria pensando como ela foi ter aquela situação de ficar com um homem ruim sendo bela. Ela não se vê, depende dele. Dava tudo, obedecia e era desprezada. Agora que tinha mais dinheiro ficava com outras mulheres de Maputo. Não se achando psicologicamente, foi ao espelho ver-se fisicamente, tinha olheiras, chorava muito. Via uma coisa e sentia outra, até tentou falar consigo mesma, chorava e lamentava-se, não aceitava ter sido trocada do marido. Como parte da cultura, a música, o canto e a dança são para todos os momentos. A mulher feliz e bela que vê no espelho não condiz com Rami. Beija o espelho e sente frio, aquela era quem era e queria ser de novo.

Capítulo 2

Ao acordar, Rami lamenta mais ainda. Ela não lembra de ter lutado ou ter ido atrás dos desejos. Ela se sente um rio vazio de vida e quer se sentir viva. Ela vai encarar a tal Julieta – ou Juliana, não sabia bem – que tem filhos de Tony. Quer confrontá-la, machucá-la. Comeu bem, tomou banho, foi andando até a casa que sabia onde era. Bateu na porta, teve remorso, ela abriu, teve raiva de vê-la gordinha, e disse que estava ali para ter o marido. Ela entra na casa e vasculha, vendo tudo maior e mais bonito. Ela vê uma foto pendurada de Tony com a moça e fica com raiva, Julieta a trata com carinho e aí que piora tudo. Ela começa a xingar, dizendo o que nunca disse e assustando Julieta, daí elas partem pra agressão física, mas Julieta toma vantagem, Rami foi para apanhar e desmaia. Apesar de tudo, Julieta levou ela para dentro, deu banho e cuidou, respondendo que ela que devia saber onde o marido que ela procurava estava. Toda aquela contradição ofende Rami, a casa, as roupas, os quadros pendurados. Julieta disse que namoraram enquanto ainda era pequena, que Tony era casado por obrigação e esperava um momento para poder se divorciar. Tal qual Rami, tinha 5 filhos. Faziam 7 meses que ela não via Tony. Ele só aparece para deixar dinheiro. Há uma analogia de como Deus faz os homens e as mulheres, nada é o mesmo. Agora Rami tem dó. Ela era vítima, não rival. Rami consolou e quis saber onde ele estava, Julieta dizia que com uma terceira, já até tentou tirar satisfação. Rami achou estranho, pois o marido não era dela, e Julieta perguntou desde quando “teu” era algo para homem. Entrava e saía da vida de mãos vazias, tudo que chamava dela seria por pouco tempo. As duas sofriam, mulher só mudava de rosto e nome. Saiu de lá num táxi com roupas da rival. Ela fala com o espelho, não sente saudades de Tony e quer que fique longe. Quis deixar tudo, cantou para espantar os males. Queria divórcio, mas outra mulher dormiria na cama e cuidaria dos filhos. Decidiu ficar. Ler página 20

Capítulo 3

Tony dormia, roncava muito. Respondia “sim”, “não” e rosnando. Os pensamentos são fortes e ela acorda o homem que reage a nada para perguntar se lhe traía. Rami desembuchou tudo, da dor e da saudade, até do encontro com Julieta. Ele ouve e vira para dormir de novo, ela diz que traição é crime, ele diz que os homens são livres e as mulheres que pecam. Ele caiu no sono de novo e deixou ela ali, pensando no que ele sonhava. Ele acorda meia noite, enquanto era observado por Rami, como se chamassem pelo além, veste-se e vai. Há uma superstição de mudjiwas, reencarnações de cônjuges que vagam pelo mundo. Ele reclama que quer dormir em paz e vai embora. Ela queria que ficasse, mas ele vai embora antes.

Capítulo 4

Rami pede ajuda para entender o amor. O amor não é matemático e varia. Ouviu de família, mãe, amigas sobre causos e truques, sem poder entender como realmente saber do amor. Ela terá a primeira lição. Percebeu que emagreceu e pensou se estava feia, perguntou ao espelho. O espelho sorriu mudo e disse que era gorda, ela emagreceu, com o custo de um marido que a deixava louca, ele disse como ela era sortuda de ter um marido que a fazia emagrecer. Rami achou o espelho louco. Ela pede conselho ao espelho, ele diz para varrer tudo do peito e considerar que não há mulher culpada, e se quer existe homem inocente. Na primeira aula, a conselheira de amor a espera. Ela troca as letras, Rami não ri e fica feliz com a nortista. Ela era bem gorda, preenchia a cadeira, mas posava como rainha que conhecia tudo do amor, Rami invejava e pensava no que ela já devia ter passado. Na Europa, a beleza é magreza, na África, gente gorda era de alimentado bem. Rami a acha atraente, ela não era mais bonita, mas era mais magnética. Começam falando de família, Natal, e finalmente chega a pergunta de como ela estava. Ela sente vergonha, a conselheira diz que amor não se compra e não há o que ter de vergonha. Falaram de costumes e de tradições, como foi o preparatório para o casamento. Ela dizia de bordado e rezas, a conselheira perguntou de sexo, ela sabia de nada, não ouviu disso no campo e na igreja. A conselheira disse que era criança. Ela lembrou da frase “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, sem lembrar da autora. Falaram até de costumes de besuntar a pele, do tabu da menstruação, alimentação, trabalhos domésticos, intempéries, das mulheres do norte serem taxadas de frescas e falsas e as do sul serem frouxas e frias, são tratadas diferentes pelos homens, as do norte são compartilhadas e as do sul são gado. As do norte se embelezam e dão luz, as do sul falam alto como trovoadas e se vestem porque não podem ficar nuas. Os homens do sul ficam louco com as do norte e vice-versa, o primeiro pela beleza e o segundo pela subserviência. As mulheres do sul gostam dos homens do norte porque são gentis e as mulheres do norte gostam dos do sul pela agressividade. A grama do vizinho é sempre mais verde. A conselheira descobre que Rami nunca foi às escolas de amor e nem outra que não fosse cristã. A conselheira contou que ensinavam de amor e sexo. Dizia como aquilo engrandecia, e Rami ficava incomodada de ser taxada de criança, contou de Tony e sua infidelidade. Ela disse que seria mais fácil compartilhar ele, em uma poligamia. No Norte de Moçambique a partilha é comum, de bens, de comidas, até de parceiros, a mulher é luz e é dela que sai o sobrenome dos filhos das famílias. No Sul, a mulher é posse e vai pro irmão mais novo em caso de morte ou ser estéril. Rami não conseguia, era moderna mas egoísta. Ela conta que Tony também não foi às escolas de amor, e a conselheira dizia que ele era criança também. Ela ficou mais furiosa pela desqualificação do marido do que ela, a conselheira explicou que na escola do amor é ensinado que mulher é sagrado, é como mãe ou Deus, não se bate, agradece-se, idolatra-se. Ela pensa no tanto de violência que passou, passa e que até em Julieta fez. Ela conta das cores e como homem se atrai. Tal como insetos, as mulheres precisam de cor e flores. É bicho de som, é sempre bom cantar, gritar o espanta. O olho de homem é como elefante, encanta-se com coisa pequena, astuta, como gripe, infecção de bactéria. O homem é uma flecha que viaja e destrói, deixa ele ser fim e você é princípio. O amor é pavio aceso e precisa ser reaquecido, como dia e noite, como as curvas de tudo e da mulher. Rami se encanta e sente-se revelada com ela. Ela aconselhou Rami a usar ouro para destacar a pele negra bela. Falaram da pele e das diferenças, no Norte é bom pele lisa, no Sul o oposto. Os olhos são também importantes, não há mulher feia pois o amor é cego, há mulher diferente. Conquista-se homem na cama e com comida, ela conta até das partes da galinha que vão para cada um. Rami comenta como queria que tradições fossem combatidas. A conselheira achava era bom, facilitava para fisgar e manter homem por coisa boba, como a moela de galinha. Rami participou de 15 aulas, até de temas proibidos e que foi reprimida. Revoltou por estar tão despreparada, mas na escola do amor não havia idade para começar. Sabia tanto de balé e de ideias cristãs de colonizadores mas sabia nada dos ritos do próprio povo. Aprendeu segredos só de colegas de ensino, aprendeu do poder da mulher. Queria testar o conhecimento em homem novo, ver o que podia fazer. Comprou roupas novas em tons quentes, ela deseja Tony e pensa nele olhando-a. Ele a observa, põe a mão nela e diz que estava cheirando açafrão. Quis ver a terceira mulher que arruinou tudo. O espelho a encorajou para continuar a guerra. Amanhã seria outro dia.

Capítulo 5

Rami queria ver a terceira, mas para aprender, como que ela conseguiu tomar o lugar de Julieta? Pensou em quem seria sua conselheira e saiu de manhã de casa. Porém, assim que entrou na casa começou a apanhar, não adiantava dizer que era de bem, muito menos que era casada em comunhão de bens, tomava a maior surra da vida. Foram presas pela a polícia, a vizinhança via a comoção e só sabia que tinha homem no meio. Muitas mulheres marginais estavam lá, a cela era pequena e quente, fedia. Luísa, o nome da terceira, segura mãos com Rami, que estava assustada. Era boa mulher, mas saiu sem cuidar da casa e dos filhos, olhava Luísa com remorso e lágrimas. Ao passar um vigia, Rami quis saber por qual motivo estava presa se era santa, o policial disse que era santa arruaceira. Quando ela disse que era casada com o comandante António Tomás, daí que ele se arrepiou. Quis saber o que ela fazia na rua e ela foi cobrar a infidelidade. Ele disse que homem era livre para achar na rua o que não achava em casa. Aceitou conferir a identidade e ameaçou que pagaria o sobro se fosse mentira. Antes de sair, mandou que libertasse Luísa, o guarda se riu e deixou as duas em uma sala fresca com banco gelado. Luísa, após um silêncio e desculpas, dizia que Tony era dela. Rami dizia que ela era bonita e podia ter bem melhor. Ela argumenta que ela teria nada por ser amante, vivia no segredo e sem direito. Ela aceitava a marginalidade, ela recebia o dinheiro e prazer, ela acreditava que mulher devia ser usada como objeto, sem ter ilusões de criar uma casa, ela sabia que Tony era casado e tinha dois filhos. Rami se assusta com essa mulher que aceita migalhas. Ela aproveitava a maré favorável até não ser usada mais, Rami dizia que a agressão foi demais, mas Julieta tinha ido na mesma semana e tinha agredido ela, Luísa só revidou. Rami queria conhecer, Luísa era de Zambézia, de uma aldeia que homem faltava e era compartilhado, daí sua postura de aproveitar o pouco que tinha, Tony a visitava pouco mas era o suficiente de alguém que só tinha homem velho na aldeia. Luísa acusa as mulheres do sul de roubarem homens, que haviam muitos estrangeiros e sobrava nada para elas. Rami perguntou qual motivo não procurava um só pra ela, homem tinha, mas com grana era difícil. Rami perguntava como ela se achava de Tony, enquanto recebesse dinheiro, era esposa, os filhos consolidavam ainda mais, quando não ganhava dinheiro, fazia qualquer coisa, mesmo que fosse Saly agora o interesse de Tony, uma quarta mulher. Ela fascina Rami, procura tudo o que tem nela que não tem em si: cabelo farto; pele lisa; fogosa; olhos brilhantes. Ela fascinava-se com Luísa. Ela finalmente descobriu e viu que muito de Luísa era Rami no passado. Ela entendeu que Tony foi atrás do que Rami foi, procurava juventude. O guarda volta repreendendo as duas por terem baixado o nível, que deviam se comportar com a mesma finura do marido. Se elas fossem fazer mais bagunça, o próprio marido cuidaria daquilo. Elas deveriam ter vergonha. Dali, Rami foi procurar Saly, que a indicou para Mauá, a quinta mulher. O coração de Tony tinha cinco pontos, um hexágono amoroso.

Capítulo 6

Rami sente o corpo todo dolorido e inchado das rivais que foram invadidas. Ela vai para o hospital, lá, vê um casal de idosos, um senhora empurrando um senhor na maca. Eles mostram marcas da vida que passou. Quando o médico fala com eles, o senhor cala a senhora. Farta, a senhora xinga-o de rabugento e o deixa ali. Ele a chama nervoso. Ele desmaia. Rami fica surpresa com tudo aquilo.

Capítulo 7

Rami procurava soluções, estava abatida fisicamente com as rivais. Apelou para a magia. O mercador de sorte diz que pode engarrafar o homem, Rami não se dá por feliz. Ele passa uma receita de sopa nojenta, e o que move esses mercadores é dinheiro, tem quem acredita e paga para ver. Ela pensa nas lembranças de um passado oposto. Lembra do calor e da presença, hoje tem silêncio e ausência. Pensou em um caso de ladrão que engordava ao tentar sair da casa que roubou e emagrecia se afastava-se da porta. Viu tudo mas não o viu engordando. Aceitou a magia mas não a sopa porque não queria o bafo. Aceitou também uma tatuagem feita de lâmina para enfeitiçar Tony, só que ela piorou. Funcionou, Tony veio cheio de amor e pegou na tatuagem que não curou, ela o xingou e ele foi embora.

Capítulo 8

O espelho é uma metáfora constante na obra, sobre evolução, idealização, saudosismo e autoconhecimento. Ela se sente mal com o presente e envergonhada com a situação social com Tony. Fez de tudo de crendice, roupa, creme e nada do amor de volta. Ao ver as amantes, apanhou da primeira, passou vergonha com a segunda, por apanhar e ter menos filhos e ainda ter que trabalhar para manter as crianças, a terceira bateu nela e falou que o que era dela estava no ventre e o marido era dela também, tinha nenhum homem perto e era feliz por ser casada e ter um homem por um dia do mês, tinha quem nem tinha um se quer na vida. A quinta amante, Mauá, tinha dezenove anos e era borboleta ainda, tinha nem como brigar com ela. Aborreceu-se de tudo, de ter ido para a escola do amor e de tudo, a tradição e os costumes são combatidos e tenta-se entender até que ponto devem ser mantidos ou questionados. Rami fala de como as mulheres suportam as piores coisas para ter um homem e evitar a solidão. Mas é mais preciso, como Luísa disse, o problema é homem rico. Os homens exigem beleza das mulheres, as mulheres exigem dinheiro dos homens. Ela até pensa como a Bíblia diz do mal das mulheres no mundo e pensa como que Deus as trouxe ao mundo. Ela até pensa em uma deusa, casada com Deus e reza o “pai-nosso” mas mudando para uma perspectiva de mulher casada. Os homens são naturalmente polígamos, mas Rami quer Tony e o terá mesmo que seja a última coisa que faça em vida.

Capítulo 9

Tia Maria conta histórias de poligamia a Rami em sua visita, foi casada aos 10 anos e era pagamento de dívida a um rei. Morou com 24 outras esposas e teve dois filhos de um guarda e morava com 2 maridos. Rami achava tudo estranho, Tia Maria falava que a vida era curta e tudo havia de se compartilhar para ser feliz, cachimbo, comida, marido e mulher. Rami achava tudo um harém, mas a tia explicava que todas dividiam as tarefas por igual e o rei era exemplo, tinha que agradar todas sem dar privilégio ou tratar diferente. Rami não compreendia como sua tia podia ser rainha no meio de tanta poligamia, ela explicava que nada faltava, que até na Bíblia a poligamia era comum, e o rei devia ter a quem mandar e ser sinal de prosperidade, com filhos e riqueza, sem ter festas de matrimônios que ele planejasse pois isso cuidavam os outros, e tudo era parte de um contrato de jogo político, exceto a tia que era pagamento de dívida. A primeira esposa era diferente, ninguém encostava e só com ela o rei dormia na cama. Ela era também magra e possivelmente pela amargura de ficar sozinha. O rei era inteligente e poderoso. Morreu e a tia foi casar com Marcos, pai das meninas, trabalhou na África do Sul nas minas de ouro e teve silicose. Tomás cuidou das filhas e acolheu Marcos. Marcos tinha fama de gostar de homens e ser gay, mas a tia deixava que os outros falassem, ainda porque ela era a devassa por ter dois maridos.

Capítulo 10

Rami bebia vinho na festa da criança de Luísa. Ela lamenta não ser mais criança e das pequenas preocupações sem saber das durezas da vida adulta. Acha o aniversariante bonitinho como Tony, lembra do seu filho, Betinho. A casa tem poucas reformas de mão masculina e de imposição da falta de controle das mulheres. Ela não ia de início para a festa, mas aceitou o convite para mostrar que não guardava rancor e até conhecer Luísa e quem a rodeava. De noite, as crianças se foram e um homem bonito trazia flores na casa. Era o amante de Luísa, ele não sabia disfarçar e Rami pegou rápido os indícios. Ela começa a ficar encantada com o homem e fala como Tony foi encantado por Luísa e a vingou de Julieta. No fim, a vergonha a abandona, poderia ser uma metáfora de ter vomitado metaforicamente e literalmente, a Luísa arrasta ela para o quarto, um tanto desconfortável que faltava homem, que Tony fez dois filhos ali. Ela tem um sonho metafórico de pedir vinho e um homem socorrê-la. No dia seguinte acordou na cama de Luísa e pensa que teve sexo com o amante de Luísa. Pensa que tudo foi uma trama, do vinho ao quarto. Ela diz como devia ter trazido sua capulana, um vestido típico de Moçambique, que protegia sempre uma mulher e que se rendeu e seu casamento estava errado. Luísa fez café e chamava-a de irmã, Rami sentia vergonha e se chamava adúltera, Luísa dizia que não era possessiva e vinha de onde emprestar homem era como emprestar colher de pau, ainda mais elas que tinham o mesmo marido e estavam quites. Ela se sentia estuprada e usada, Luísa disse que ela estava carente e precisava, ainda mais que ela colocava essas ideias de fidelidade das mulheres do sul como tola, já que Rami era deixada para lá e Tony continuava aprontando. Rami não quer ser mulher de vida e se pune por ser mulher casada, Luísa dizia que ela era casada, mas ganhava nada e era mais sozinha do que todas, era melhor ir achando o que podia e dar aos filhos uma vida que ela jamais teve. Ela bebe mais café e pensa. Ela até ouve a mesma cantoria de ontem e acha que está delirando, mas o mesmo homem retorna, cumprimenta Rami e ela fica toda nervosa. Não há mulher feia se amor é feito no escuro, muito menos mulher fria no fogo do amor. Ele admira Rami, desde o físico até sua atitude com Luísa de se unir. Ela acha que ele se aproveita da fragilidade do casamento e que abusou dela. Mas ele era carinhoso, diz que devia haver um basta na tirania de homens e até mesmo que não fosse por outra tirania, o que não era fácil. Ela pergunta de Lu, quer saber o que ocupa em sua vida. Ele já foi casado e também foi tirano, mas achou ela na rua voltando do serviço sangrando ainda grávida, expulsa de casa por Tony. A criança levou o nome de Vítor, o mesmo do homem que a salvou. Rami não acreditava que Tony era capaz disso. Vítor disse que homem é assim, faz às amantes o que jamais faria à primeira. Ele maldizia de Tony, devia ser largado em vez de motivo de briga das mulheres. Ele tinha remorso e por isso ajudava Lu, bateu na mulher no último mês de gravidez e perdeu o único filho que teria de outras duas. Ele queria casar com Lu, mas ela só tem ambições com Tony, ainda mais que ela não queria um padrasto, pois homem do sul trata mulher como sucata. Rami tem pena e se atrai, quer ajudá-lo e sela o compromisso com um beijo, entendeu que não era produto de álcool a atração. Ela agora considera Lu uma amiga, elas voltam juntas para a casa. As crianças a recebem e ficam felizes de a ver melhor, que vivia antes qual tal viúva, ela voltou uma nova mulher. Passou a frequentar a casa da Lu e ter o amante polígamo, ainda que se enojasse, precisava.

Capítulo 11

Rami ansiava por uma terra para chamar de sua, o que era impossível em uma cultura patriarcal que desapropria tudo da mulher. Ela tinha nem sobrenome que não ligasse a homem ou espaço físico e espiritual para repousar. Pensou na poligamia como uma solução para a situação, reverteria a situação de explorada, até mesmo porque ela já vivia nessa situação. Tinha histórias de mulheres magoadas que viraram sogras terríveis para se vingarem e com razão. O povo Macua era um sem poligamia pela influência do Islamismo, já o de Rami, com raízes cristãs, era poligâmico ainda que contradiz a lei atual e a influência, pois a raiz de Moçambique era a poligamia, mas o papa influenciou para mudar esse costume ao celibato. Porém, pouco poder se exerce com pouca mulher. Ainda assim, seguiam a poligamia sem seguir tudo, como ter as mulheres e regalias mas não cumprirem os deveres de tratá-las por igual e com respeito. É uma terra com costumes de homens que é preservado pelas mulheres. A obra ao longo da narrativa vai de questionar, aceitar e entender os costumes, não de simplesmente negá-los ou ir contra, pois os costumes também possuem raízes que beneficiam duas partes, como a poligamia antes e no momento da história. Rami até pediu que Deus trouxesse um novo Moisés que contasse de Adão com várias Evas, além de bananas, já que maçãs não existem por ali. Rami não achava ruim a ideia da poligamia e de Tony, mas queria que ele tivesse dito, seguisse os moldes, e até se casasse com mais feias e mais desastradas. O jeito que Tony fazia era desrespeitar a mulher e torná-la objeto, todas rodando o mesmo homem que nada devolve e só toma. Rami ainda se considerava adúltera, mas tentava usar palavras para mudar a situação e amenizar, como um eufemismo. A poligamia contava cinco esposas e dezesseis filhos, mais quatro no ventre, Rami tinha ciúmes, ainda que não pudesse pela cultura, até de não ser a que mais tem filhos e ia fazer mais um de birra.

Capítulo 12

Rami queria ajuda da família para tramar uma conspiração com a família e os tios sobre a situação com Tony. Era um ultimato de escolher as outras ou a primeira na frente da família. Ao visitar os pais, já fica triste com o pai que mal vive mais e sempre está de olhos fechados, como quem não quisesse saber do mundo. Começou falando de coisas pequenas e foi ao problema, o pai mudou de voz moribunda e olhos fechados para arregalar e culpá-la, dizendo que na época dela mulher só ouvia. Afasta-se do pai, que era para ser segurança e perde as esperanças, vai ter com a mãe e desembucha o sofrimento. Ela se compara com as mulheres, diz o que não tem e culpa a mãe por tê-la feito menos bonita. Ela sorri e diz que homem é como bode, vai pastar em outros lugares mas sempre volta, bastava segurá-lo pelos chifres. A mãe até chora, pois Rami a lembra da irmã mais velha morta por moela de galinha, o gato comeu aquele resto e o marido a espancou, mandou ir para a casa dos pais e morreu no meio do caminho por um leopardo. Rami não sabia antes da história porque a mãe não queria lhe dar pesadelos. Ela sentiu sua dor ser menos, teve pena e perguntou da reação. A mãe disse que elas só podiam obedecer, o pai de Rami era mais um homem como todos.

Capítulo 13

Rami perguntava a quem podia do que achavam de poligamia e de sua história. Os homens sorriam e falavam que era a tradição, as mulheres praguejazam e diziam que mataria todas as amantes. Os homens falavam que o marido devia ser respeitado, as mulheres apontavam sobre inimizade, traição e até de união. A tia lhe disse que “quando as mulheres se entendem, os homens não abusam.”. Ela analisava e via que Tony não era amoroso com as outras, as usava e somente passava mais tempo com Mauá. Pensava no futuro incerto de todas. Teve um encontro secreto com todas, faltando Mauá, pois ela era amada, diferente das outras. Luísa falava de como Tony deu filhos bons, Julieta o maldizia por fazer sofrer com mentiras, Saly se indignava com a falta de apoio familiar e de linhagem. Rami se solidarizava, mas se deliciava com as dores e de ser a primeira dama, coisa que pensou no nome e na loucura de haver uma numeração. Ela precisava tomar uma ordem para ajudar todas, dirigiu-se a cada uma da dor que cada uma sentia. Elas choram ao ouvir como são tratadas por Tony. Pediu união, elas se assustaram, Rami faria um novo monumento de esperança com os cacos que tinham de todas.

Capítulo 14

Tony tinha uma festa grande de 50 anos de idade do bom e do melhor, Rami tinha um plano e foi doce durante toda a festa, Tony estava contente e até carinhoso com Rami. Cada uma das mulheres de Tony chegava, mas elas trocavam alguns filhos entre si como se cuidasse uma da outra. Tidas vestiam o mesmo e as crianças também, tal qual tradição de poligamia. Tony tinha um misto de raiva e vergonha, tentava explicar o pessoal que cochichava da cena. Elas entraram como serpentes, não tiveram vergonha. O tio dele até fala da cultura bantu, mas achava exagero o tanto de mulheres e filhos, Rami o defendia como um homem fértil e provedor. Outro tio falava de cultura, miscigenação e todas tantas outras coisas moralistas. Muitos foram embora daquele reino de pecado católico e outros homens de poder saíram dizendo que tinham compromissos. Apenas ficaram as fofoqueiras. Nesse meio tempo, Tony tomou 4 doses de uísque duplo. Rami pediu que fosse conversar com ela e as outras mulheres, que já se uniram para viver em conjunto e em poligamia. Tony resmungou e falou que ia levar uns papéis que o Ministro esqueceu, de forma covarde. Não voltou mais e elas se divertiram por ali, Rami as encorajou de aproveitar o momento de visibilidade, Rami usou a arma que Tony usou contra ela. Ao fim da noite, ela começou a ter remorso, pensando que elas ganharam visibilidade, mas o que ela teria agora?

Capítulo 15

Bem cedo, a sogra de Rami a chamou, ela gritava e tratava-a como uma criança, como toda sogra trata a nora para manter o poder e a hierarquia. Tony tinha chegado abatido, chorava e dizia que o envenenaram, comia comida sem sal e a sogra a culpava. Ela contou os fatos, da traição constante de Tony e da reunião das mulheres aliadas. A imagem de santo de Tony caía e a sogra ficava quieta. Até que ela ficou doce e feliz, pensou que família grande era sempre bom, tinha quem podia ajudar em casa, dar felicidade e até tristeza, ainda mais com dezessete netos, a família ser grande era uma união da tradição bantu com a visão católica. Rami ficou surpresa e empolgada com a visão. Até perguntou se eram ilegítimos, a sogra disse da lei, mas todos eram ainda seus netos e a continuação da linhagem. A sogra ficava feliz, tinha gente para povoar o quintal dela e queria saber quando iriam, dizia como Tony era mal-educado e como escondeu essa felicidade dela. Rami disse que não dependia dela dos netos visitarem, exigiu ver Tony o quanto antes. Vergonha era ser operário sem dinheiro para ser polígamo, mas Tony era doutor e rico, precisava desfrutar do dinheiro com a família. Mauá era quem passava mais tempo com Tony e ele ficava magro, silencioso, irritado e tratava mal os subordinados da polícia, além de beber mais. Agora que as mulheres se entendiam, ele piorava.

Capítulo 16

Rami disse às rivais que viessem cobrar Tony de suas obrigações, deveres e responsabilidades. Ao longo do livro é uma ondulação de chamar as outras mulheres de rivais, amigas e companheiras. Ele reclamava, fugia, Rami aguentava tudo e Tony enfim soltou que tudo era porque não trabalhavam e mendigavam. Cada uma tinha um sonho de negócio, Saly já tentou mas teve que usar todo o dinheiro para curar o filho, Lu queria uma loja de moda, Ju gostava de crianças, Mauá foi criada para ser esposa. Rami organizou para que os negócios se unissem, ela vendia produtos, comprava roupa e revendia, inspirando cada uma, tinham agora negócios de cabelo, roupa, devolviam o dinheiro com juros e mimos. Tony reclamava, mas não o ouviam. Rami participava da venda de roupas e no mercado principal vendia para outras. Ouvia história na hora do almoço de violência sexual das vendedoras e como cada uma tinha no consolo da história ruim um lado positivo, de maridos, filhos, pais e padrastos. Rami contou da situação com a Lu, as rivais e o marido doutor, até da prestação de contas. As vendedoras se assustavam, achavam que eram irmãs e aconselharam a mentir ao Tony das contas. Disseram que ela precisava guardar um pouco para si, até mesmo de amantes de áreas que lhe interessavam. Elas diziam que ela continuar atrás de doutor era furada, ainda mais que eles só se preocupam com filosofias e não sabem manejar dinheiro. Ela até disse que eles podiam ajudar, mas elas dizem que eles só atrapalham. Ela finalmente entrou forçada no xitique. Ela e Lu abriram uma loja cada de roupas, Saly tinha uma loja de bebidas, Ju tinha um armazém, Mauá um cabeleireiro. As rivais se sentiam mal pelo passado violento e como tudo começou, ela aceitava que não tinha como ter começado bem.

Capítulo 17

A sogra de Tony se acabava de ver os netos, levava chocolate e visitava todos, falavam de como elas deveriam ser loboladas, que é um processo de pagar à família da noiva ou à noiva em relação ao casamento. Ela agora advogava pela poligamia e negava a monogamia, sistema que negou seus netos e os marginalizou, brigou até com o irmão que era padre, agora Tony honrava a família que tinha tanta dificuldade de ter filhos. A sogra foi contra os costumes cristão e voltou às raízes sem resistência da família. Ju e Lu foram loboladas, uma com dinheiro e a outra espantada com o tanto. Tiveram que adaptar pois os filhos já estavam casados. Todas elas lobolaram com papel especificando as cláusulas e retirando o assistente conjugal. Finalmente as mulheres aceitavam um costume patriarcal, ficavam em festas por meses. Tony ia perdendo o conforto e Rami também. Uma reunião das casadas foi feita com auditoria da sogra, Rami foi promovida à rainha e podia punir as outras, ainda que não quisesse. Organizaram uma rotina de quem ficaria com Tony e de como o serviriam. A comida seria fresca, havia até mesmo o que era para alimentar e o motivo de ser apenas uma semana em cada casa. As mulheres finalmente descobriam compromisso sendo que sempre foram escondidas. Rami se deliciava.

Capítulo 18

Mauá passava Tony pela escala. Rami perguntava como foi a semana, elas se alimentavam afetivamente de pouco mas era assim mesmo. Alimentou com as partes da galinha que devia e dizia que o via cantarolando, mas na hora do sexo Tony só dormia. Mauá brilhava menos, desconfiou e descobriu que Tony tinha uma outra amante. Mauá chorava e se queixava, Ju e Lu se deliciavam pois a Mauá perdia o posto da mais nova. Elas diziam que ela finalmente sentia a desgraça que sentiam. Para Rami era o oposto, ela sentia mais nada, que diferença fazia uma sexta em uma poligamia? Seguia a tradição da poligamia e mantinha o homem por perto. Até mesmo o número de mulheres na poligamia dizia muito do homem, de saber resolver conflitos e discussões. Mauá se inconformava mais com o fato da nova amante ser feia do que a traição em si, ela era mulata, e as mulheres logo ficaram preconceituosas, dizendo que mulata não prestava. Elas precisavam descobrir o estado civil, até porque a cultura da poligamia era dos negros, podia bem ser que ela só queria se divertir, mas o fato de ser solteira poderia implicar em mais uma na poligamia, Rami não gostava da ideia de seis pois poderia dificultar em eleições com um número par. Mauá ficou encarregada de descobrir tudo da sexta, com foto e informações. Finalmente fizeram o flagrante e viram que ela era bem mais bonita que a Mauá. Ficaram pensando o que ela preenchia que outras 5 não preenchiam. Infelizmente a Mauá levou a culpa de ter sido ela que não manteve Tony amado. Saly desabafava que desde sua aparição Tony era mais ausente e a vida só piorava. Até que chegou a informação que a amante era estéril, rejeitada por um político. Na poligamia, sempre havia uma estéril, já que ela não se ocupava com crianças, provavelmente o que Tony procurava. Ela também talvez não procuraria dinheiro pois tinha emprego que mandava em homem e carro próprio, talvez do antigo casamento. Decidiram um corretivo de sexo, não uma greve, Rami tentava reinar entre as esposas no cio, reprimidas e revoltadas, Rami sofria muito.

Capítulo 19

Todas foram juntar juntas com Tony, que aprovou a ideia. Todas ficaram felizes de vê-lo e o embebedaram para que ele soltasse a verdade. Perguntavam o que ele gostava em cada uma, com a promessa de que não ficariam bravas. Mauá era doce, Saly era boa cozinheira e boa de briga, Lu é boa de corpo e se enfeita bem, Ju é um monumento de redenção, Rami é a afirmação dele de homem no mundo. Ju sentia que elas eram vistas como objetos a Tony, apesar de tentar dizer que as via com respeito tal qual Jesus Cristo veio de uma mulher, elas iam se ofendendo e fechando o rosto, até perguntarem da mulata nova, Eva. Ele diz que estava feliz com elas, mas queria experimentar uma carne mais clara. Mauá fica louca e Lu cobra da performance dele, que deve explicações pois é casado. Tony tenta falar que ele é o marido e está acima, elas respondem como nunca responderam, dizendo que era direito da poligamia de até mesmo convocar um assistente conjugal da sua má performance. Ele ameaça as deixar de lado, ainda que as tivesse registrado. As mulheres são vistas como objetos e Tony como um doador de estatutos. Elas aceitavam as palavras duras, mas Mauá dizia que era até melhor ficar solteira, pois todas elas tinham ganhado clientes e contatos, além de dinheiro. Saly comandou que Tony ficasse e agradasse todas elas aquela noite, trancou a casa e colocou Tony em cheque. Elas ficaram nuas no quarto de Saly que tinha arrumado essa armadilha para Tony com outros estrados, ele ficava num misto de nervoso e feliz, chorando e sorrindo. Mulher pelada era mau agouro e Tony se desesperava, não dava conta e ainda tentou clamar por Rami, que ela mudou e era melhor. Ele bebe uísque e diz que Eva era mulher rica, só tinha dinheiro e não tinha homem, era a única coisa que Tony podia oferecer a ela, companhia. Elas acreditam porque homens podem mentir por nada, podia ser verdade ou não. Ele bebe mais meia garrafa e decide ir para casa com Rami, ela fica feliz do marido em casa, ele toma um café forte e vomita. Ele finge dormir na cama e Rami fica pensando em como a mulher nua era um agouro, o Tony quis tanto ter tantas que ficou mal. Falou das analogias do corpo nu, o que significava, e de um conhecido que perdeu dinheiro até e capotou o carro de tanto desejar Rami nua. Até uma história da guerra civil de Moçambique de uma mulher nua com miçangas na frente que desmoralizava as tropas inimigas. Pensou também como mulher podia ser bom, como musas inspiradoras, de como o povo africano associava nudez à terra. Ela conta de um rei déspota tirano que foi combatido e ganhou. As mulheres foram anunciar o descontentamento. Ele respondeu com palavras arrogantes, elas mostraram a bunda e se foram, ele ficou insultado e teve um ataque cardíaco, morreu no mesmo dia. Rami ficou com insônia nesses pensamentos. Queria ouvir música e banhar-se com espuma e concluiu melhor ouvir voz feminina, como a de Rosália Mboa. Ela tenta ver sua nudez, queria se estimar e se assusta. Ela volta ao quarto, Tony ainda dorme e ela pensa que ele provavelmente tem um pesadelo de mulheres nuas. Ela pensa em tantas outras mulheres que vivem nessa situação de harém e pede “perdão a Deus pelo mal que a vida lhes faz.”.

Capítulo 20

Houve um conselho de família feito por Tony que pediu ajuda de todos os familiares, acusava as mulheres de não o tratarem bem e mal sabia conduzir a reunião, em um misto de choro e pressão. Apenas o pai de Rami não apareceu. A sogra de Rami a defendia, dizendo que ele que era o feiticeiro e não aguentava. A tia de Tony perguntava dos ritos, da comida, e ele confirmava tudo, apesar de não lembrar de ter comido moela, mesmo que elas tenham dito que era dado. A família de Tony defende e murmura a seu favor, as mulheres ficam em silêncio, querem construir pontes, não queimar. Saly tenta se defender falando que compra mais de quilo de moelas, mas um velho a interrompe, acusando que foram mal instruídas e que há diferença entre moela e moelas. A mãe de Rami fica quieta, Rami quer revidar, mas fica em silêncio pela mãe quieta. Começa uma discussão da moela e de como não há respeito, ainda mais que moela pode ser comprada aos montes e comida por qualquer um. Fazem como que as mulheres tivessem que olhar ao chão, como forma de submissão e pensar menos, mesmo que o chão levasse mais questionamentos. Mauá levantava a voz, incomodada com as pedradas, coisa de mulher do Norte acostumada a ser ouvida, reclamou da importância da moela, de como estavam unidad e agora era um problema. Tony usava palavras grosseiras para falar de como desrespeitaram quando ficaram nuas. A família defendia Tony falando que aquilo já era demais e ele se sentia vitorioso, até mesmo do azar que não chegava mas estava no futuro. Rami chorava porque as tias falavam de amor como se soubessem ou tivessem recebido, as mulheres eram obedientes com a casa. Contam a história de Vuyazi, uma princesa insubmissa que não fazia nada dos agrados de casamento ao homem, que foi punida pelo dragão do rei e estampada na lua, o que explicava uma vez por mês as mulheres menstruarem. Rami resmungou que não precisava ser estampada na lua e o tio de Tony clamava por ele como uma pérola no deserto. Tony ficou feliz e anunciou que sua morte seria pelo azar das mulheres. Fica um silêncio e Rami vê que mulher nasceu para chorar e sofrer, questiona Deus e o motivo de ser mulher, até mesmo do que adiantava ser homem. A família jantou e bebeu de forma exagerada, Tony era um rei por ali. Rami analisava tudo e de como podiam usar a nudez como arma, assim como Mauá ria e dizia do povo do Sul, dizendo depois da dança de Niketche, uma dança do povo macua que celebra a transição de menina para mulher, sobre a sensualidade, ainda mais das cinco que dançaram a Tony e ele só soube chorar. Falam depois das diferenças de tratamento aos homens e mulheres, mulher é celebrada com uma galinha ao nascer, homem com vaca, mulher recebe três batidas de tambor, homem cinco, mulher é amamentada até um ano, homem aos dois, mulher é anunciada como bebê no relento, homem embaixo de árvore de antepassados ou na casa, homem casa, mulher é casada, homem dorme, mulher é dormida, mulher fica viúva e homem só perde uma mulher. Lu falava até mesmo de como o verbo ter mudava a perspectiva de ver as coisas no casamento. Rami chorava era de raiva, mas usaria as mulheres como suas armas.

Capítulo 21 Tony se afasta cada vez mais de Rami e ela pensa constantemente em separação. Ela pensa que não adianta, separação é libertação para homem, para mulher é perder estatuto. Pensava em como a solidão afetava cada gênero até que Tony chega, na semana da Saly, com sorriso de que vinha coisa ruim. Queria divórcio. Rami chora, como de costume, ela pergunta o motivo e ele diz que era castigo, tentava ser rainha mas era pior que todas. Rami nem se sentia bem, quem dirá orgulhosa, como acusava Tony. Tony dizia que elas o tratavam mal pois agora tinham dinheiro. A vida era boa para ele e agora tudo mudou por orgulho de Rami.

Capítulo 22

Um homem gorducho apareceu para Rami, o advogado de Tony. Ele pediu que assinasse pacificamente, ou se não seria acusada de danos morais, maus tratos e violência psicológica e estava infeliz. Rami lembrou que ele era polígamo ao advogado, ele não ligou, acusou da culpada ser Rami de não ter sido o suficiente. Mandou ela assinar novamente, dizendo que ela era a única esposa na lei e Rami se negou a ser maltratada por outro homem além de Tony. Deu um tapa e o homem saiu correndo gritando pela mãe, Rami ia comer o gorducho. Ele disse que era da lei e se complicaria, ela ameaçou matar ele e Tony e ainda arranhou o homem. Sabendo que se complicou, fugiu dali. Ela se sentiu culpada, mas gostou de ter batido em alguém pela primeira vez, ainda mais depois de tanto apanhar e ser um homem de lei. Pensou no divórcio e desmaiou.

Capítulo 23

Rami pensa em como aceitou e suportou tudo do amor e está sendo dispensada. Foi conversar com o espelho, eles conversaram de como Deus tinha planos maiores, além de que não seria nem a primeira e nem a última a divorciar, se acontecesse, era para acontecer. O espelho dizia que o mundo continuaria sem ela e que há mulheres que sofrem muito mais. Dali apareceram as quatro rivais e perguntavam do divórcio, Rami não queria lutar contra mas as mulheres pediam que lutassem, já que podiam ser as próximas divorciadas. Ju se desesperava, pois ela tinha agora o prazer de ter um marido pois Rami era a segurança de tudo. Saly achava estranho como as mulheres do sul aceitavam ter tantos filhos sem ter amor, a relação era moral, ter filhos de pais diferentes é ruim, antes elas tentassem fisgar ele com vários filhos. Saly dizia que prazer vinha antes, condenava essa moral que só machucava elas, já que no Norte o prazer é mais simples. As rivais não se davam por vencido, elas tinham progresso, teriam com o divórcio. Saly, Mauá e Lu perguntam e explicam como encantam Tony, sem saber que Rami nada fazia, desde raspar musgo a fazer comida com teia de aranha. Encantava a ideia dessas magias, mas qual o custo do amor se é feitiçaria? Rami atacava falando que elas pensavam só em sexo, o que é um questionamento, Lu apontou já que a primeira coisa que vêem é a genitália. Mauá continuava falando da infantilidade de negarem os ritos de amor e escolas, que o pessoal do sul é só estética. Rami ainda era contra colocar as filhas na escola de amor para manter a virgindade. Saly dizia que Rami precisava ser amada, mas não por homem, ela mesma, que fizesse exercícios da parte íntima. Saly apontava que a Europa infectou Moçambique, com esses costumes de cristianismo e ciência, depositam amor no beijo mas trazem pornografia aos tolos. Mauá reafirmava que homem era escravo na mão de mulher que sabe amar. Todas falavam de como sugavam Tony por mulher ter o que comer sem precisar trabalhar. Rami está cansada e se sente derrotada de continuar e mudar. Elas insistem e contam as artimanhas de amor, tal qual as tatuagens, o que interessa Rami mas deixa-a mais cansada. Elas tentam convencê-la de como juntas já fizeram tudo, mas Rami estava insultada e queria todas longes.

Capítulo 24

Rami pensa como toda mulher é solidão e silêncio, de como se fala pouco com o que carrega e não diz. Pensa nas canções que a vagina poderia fazer, vai ao parque e faz diálogos silenciosos com todas que passam. Elas contam histórias iguais de conteúdo, mas são todas diferentes na estética. Pensa na obediência das mulheres e relata histórias esteriotipadas do coletivo social moçambicano. Pensa em como doutores ficam moles e valem de nada. Pensa em como são rebaixadas a serem rotuladas de nada, mas os homens fazem mundos e fundos para achar uma, sendo na solteirice ou traição. Finalmente ela sorri e tem orgulho de ser mulher.

Capítulo 25

Rami quer falar com sua mãe, alguém que a ama e que a entende. Rami chora ao vê-la, enquanto o pai falava com dois amigos. Ela dizia do divórcio e como mais nada agradava Tony e ela era um fracasso. A mãe a defende, falando que ela casou e foi virgem, teve tudo na legalidade e conquistou o sonho de muitas mulheres, sem feitiço. Rami pergunta de como não aprendeu nada e pede que ela conte uns feitiços, a mãe se desculpa falando que o pai era da cidade e chora. Ela se silencia e pensa em como dói a traição, a poligamia e a monogamia. Se a mãe sabia da dor da vida, por que Rami veio ao mundo?

Capítulo 26

Rami vai a pé ao trabalho. Um homem morreu atropelado e a natureza parava para ver. Falavam do lugar ser assombrado. Trabalhou e foi dormir com essa imagem. Saly ligou de madrugada, dizendo que não achava Tony. Rami ficava irritada com ter que mudar a rotina por um vadio, o coração apertava de imaginar Tony como o homem morto. Saly achava estranho tudo pois Tony foi de calção e chinelo comprar cigarro, sem levar documento e nem se quer carro. Não o acharam, às seis da manhã, foi dormir.

Capítulo 27

As tias e cunhadas de Tony entram na casa de Rami às 7 alegando que ela estava livre do fardo do divórcio, pois era viúva. Mandavam ficar quieta para não parecer alegre, Rami não entendia como eles acharam o paradeiro dele tão acertado, tomaram conta da casa e dela, rasparam a cabeça de navalha e vestiram-na de preto, moviam os móveis. Pensou que era melhor ter assinado os papéis. A morte sempre uniu pessoas mais fácil, mulher pode chorar tudo o que guardou e se alimentar com a comida paga pelo marido morto. Depois de abraços e choro que era controlada, falaram que o encontraram atropelado na ponte. Mal dava para ver o corpo e como isso passou pelas rivais? Choravam por Tony, Rami chorava por ele ter ido para outra mulher. As esposas vieram e conversaram sobre o acontecido. Elas achavam estranho todo o corpo delito, a invocação de religião e o enxotamento da ajuda policial. Lu desconfiava de traição, Saly reclamava dos olhares julgadores, Mauá dizia que a morte sempre vem com aviso e esse veio sem nada. Só que Lu lembra que no sul a morte é celebração e questiona quem que vai pagar pela comida de todos. Vão até o necrotério e Rami identifica que não é Tony por uma cicatriz atrás da orelha direita de uma briga que deixou ele todo costurado depois de uma garrafada, mas Rami não diz nada. Tentou falar até para a sogra, mas ela tentava consolar Rami. Sentiu-se irada, entendeu que toda aquela pressa era vingança do sucesso. Rami aceitou as loucuras supersticiosas da família e queria aproveitar a situação. Naquele mesmo local, havia morrido outro polígamo um ano atrás, podia ser que havia um espírito.

Capítulo 28

A família de Mauá e Saly, macua e maconde, vieram exigir os direitos de viúvas característicos das tradições. O irmão mais velho de Tony era o porta-voz e explicou que as tradições de nada valem na poligamia, pois ela é feita de trato assinado e isento de tradição. Todas vieram como concubinas e de prazer, pois na poligamia não há interesse, como elas vieram depois de Tony doutor e com dinheiro, a poligamia nem oficializava elas como esposas, apenas Rami e mal validava Ju. Isso ofende, naturalmente, os macondes e os macuas, que protestaram contra os maus-tratos de Rami e já avisaram de não encostar em Saly e Mauá. Começa uma briga de ofensas de generalizações das pessoas do norte, ditas como escravos das mulheres, e das pessoas do sul, ditas como brutas e violentos com suas mulheres. Um tenta se defender do outro, os do norte dizendo como mãe é certeza, provedora e vida, os outros no respeito da terra, mas o problema é que os homens do norte conseguem defender-se melhor, pois os homens do sul só apontam os erros, zombam e diminuem, os do norte explicam e desarmam os brutos. Saly e Mauá pedem socorro a Rami que disse que aquilo tudo era show, ninguém se mataria. Continuavam as ofensas, famílias que fizeram tanto e sofreram tanto e esqueceram do velório. Ninguém quer ficar por baixo.

Capítulo 29

As mulheres da família de Tony fazem uma nova reunião, somente com Ju e Rami. Elas culpam Rami da traição, tratar mal, fazer complô com as rivais e de feitiçaria. Rami aceita tudo e diz que sim. Agora os familiares voltavam às tradições e passariam as esposas a um dos cunhados, empolgados pela carne. Rami aceita tudo, dá a cara e não se abaixa. Pensa que era bom ter outro homem, ainda que fosse levirato e não incesto, não precisaria ficar nas ruas para encantar.

Capítulo 30

Eva, a suposta amiga de Tony, foi conversar com Rami, era bonita. Ela perguntava diretamente à Rami, até porque ela sabia que Tony estava vivo e em Paris de férias, recebeu até uma ligação dele e contou que o motivo não era para ser explicado agora. Mas Eva achava estranho tudo, ele tinha um problema do joelho e ela sugeriu ver um médico, cuidou de tudo e no dia da viagem viu a Gaby, mais uma amante, ela achou que Mauá era a última e ficou magoada com a mentira. As rivais cobraram de Eva uma participação do luto, pois havia gente que chorava e comia ali. Rami desculpou-as por serem enxotadas, Eva disse mais uma vez que era apenas amiga de Tony. Ela era do Norte, maconde. Eva pedia para que parasse a loucura, chamasse a polícia, mostrasse os documentos, Rami disse que pensaria e só seguia essa invocação de tradição e religião da família pois não a ouviam. Mas ela também queria aproveitar o momento, ela ficaria com um cunhado que era bem bonito, Levy, e até Eva o cobiçou. Mas ela ainda pensava como Tony reagiria, Rami contou de tudo que passou e Eva o considerou louco, merecia ser punido. Eva concordou com Rami do curso que tomaria e se foi, Rami a elogiou e admirou e pensou que mulher só podia ser presa ou livre, mas sempre solitária.

Capítulo 31

As quatro rivais estão no funeral de preto, Rami está com todos os acessórios de preto e só faltava pele ser pintada do tanto que tinha. Estava bela e queria ser lembrada desse dia. Há muita gente, há até outras mulheres chorando que podiam ser outras amantes de Tony, o cemitério não deixa sentimento ser escondido. Rami só chora por ver gente chorando sem ter perda. Chegou a noite e o enterro, Rami simbolicamente deixava naquele corpo a morte de Tony, não queria mais saber dele, enterrou as memórias boas e ruins. Tudo se foi do que ela admirava, ainda para melhorar ele seria lembrado como quem fingiu de morto. Rami pediu perdão por essas culturas que sofria, da história do rei e a rainha insubmissa e como a sua tia teve da moela. O enterro continuou com o corpo descendo e choro, apenas uma lágrima de Rami para não perder a pose. Ela fitava Levy, que seria seu pelos próximos oito dias, pediria a Mauá para ensinar a dança sexual e ele seria seu consolo sexual. Estava cansada dos rituais cristãos e de ganhar nada em seguir. A vida seguia em frente, partilharam tudo do Tony, disputaram até cueca e presente de familiares, deram 30 dias para sair da casa que deixaram só teto e parede para a viúva, sem encostar nas outras esposas, com medo de superstição, feitiço, gente vindo ou de não considerarem esposas.

Capítulo 32

Oito dias depois, um grupo de mulheres prepara uma fogueira na casa de Rami e a tia de Tony puxa ela da esteira e a leva pelo pulso. Ela pega o robe e vai ao banheiro com raiva. Tenta ver o espelho mas ela foi arrancada de lá. Foi banhada de água quente e folhas, cobriram com lençol branco a jogaram num quarto com incenso, folhas no chão e pelada. Ela grita e pergunta a Deus como sofre tanto se é fiel e obediente. Eis que sente uma mão quente, de Levy, era o ritual de passagem. Ele a beija de leve, incendeia rápido e se amam. Ela fica feliz e não sente vergonha de aproveitar o homem já casado, preferia ser amada por um instante do que desprezada a vida inteira.

Capítulo 33

Tony volta e acha estranho a situação toda. Vê os filhos e a Rami sem nada por volta e ela pede para ele ouvir e sentar. Ele ouve tudo, segura o choro, teve que processar da tradição da iniciação sexual e perguntou como que ela não resistiu. Ela disse que foi ensinada a obedecer, como que no luto não o faria, além de elogiar Levy como um cavalheiro e gentil. Ele tinha voz baixa, disse que Rami tinha princípios, que sabia que não era ele, até perguntou o que seria agora, a vontade de Rami de vingança era mais forte do que compaixão, disse que foi largada, raspada e despida, ainda mais que nunca era ouvida. Perguntou das outras, elas estavam recebendo visitas e condolências dos irmãos de Tony, mas ser humilhada apenas Rami, questionava a não aparição da polícia, ela respondia que foi vetada e não pegava bem uma viúva por aí. Ele estava sem chão, sem expressão, amaldiçoou a tradição, Rami o chicoteava da mesma forma que sempre foi. Ele pensava nos filhos que deixou e que a tradição os deixou sem colchão, a tradição que tanto achava boa, que trabalhou como doutor, deixaria nada aos filhos. Ele chorava, tentou um abraço e ela, pela primeira vez, recusou, ela que tanto pedia. Ela disse que ele podia ser um espírito e mandava se afastar, ele tentava de novo e continuava a repelir o homem. Ele ainda acusava Rami da desgraça, Rami disse que ele a construiu com teto de palha. Anoitece e Tony continua meditando no mesmo engradado de cerveja que sentou para ouvir tudo, as outras rivais dormiam na cama que Tony comprou, Rami e seus filhos dormiam em folhas de jornal. Até quis comprar uma cama, mas as lojas já fecharam e não atendiam esse tipo de emergência. No meio da noite Rami ainda viu Tony acordado e viu como sofria, não só de ser saqueado e tomado tudo, construiu nada para ficar, mas também da kutchinga, foi tomado e substituído em tudo que teria de resquício de vida. Ele tinha até emagrecido e contou que mandou prender todos do saque, até a mãe, responderiam judicialmente. Ele disse que não adiantava, errou demais para fazer algo, ele prometia melhorar e que errou. Ela disse que iria ao Levy e levaria os filhos, ele dizia que não e pedia perdão, ela ignorava e dizia que ele era nada, viveu como quis e que colhesse os frutos, poderia ser feliz com suas concubinas e partiria. Ele barrou a saída, puxou as malas, ela o empurrou e brigaram. Mas pararam quando chegou o filho mais velho chora vendo tudo e a campainha toca.

Capítulo 34

Cada rival foi aparecendo, bem vestida pela Lu e perfumadas pela Mauá, Tony estava no meio tal qual bolo a ser fatiado. Saly o acolhe e pergunta da viagem com deboche, elas dizem ser um espírito e o beliscam para ver se era realmente vivo, soltava gemidos e chorava, queria pedir perdão, errar era humano. Ele balbuciava, as mulheres diziam de como foram tratadas, como que voltou se foi com a Gaby. Vomitaram tudo que sentiam. Ele se oferecia para ser chicoteado, Rami pedia divórcio. Denunciavam o tratamento e escapava de responder das mulheres que choravam no velório. Falam de como é a morte no norte, respeitosa. Ele queria retomar o controle e voltar como tudo era, disse que pagaria os gastos do velório e dos negócios fechados por uma semana, pediu a tabela semanal de esposas. Saly gritou que ele devolveria tudo a Rami em sete dias. Rami disse que faria a escala, mas faltava Eva e Gaby. Tony pediu que não, eram amigas. Rami dizia que iria ao Levy. Ele clamava que só por cima do cadáver, o que era fácil. Elas se uniam para que Eva fosse a sexta, sofreu junto e se uniu às esposas. Pedia piedade e Rami foi ao banheiro ver a careca, o espelho pergunta quem era, e nega que fosse Rami, era quem a sociedade construiu.

Capítulo 35

Rami foi ao restaurante perto do serviço, estava sozinha na semana, Tony partiu para outros braços. Queria falar com Lu e retomar uma conversa. Enquanto bebia água gelada, viu um carro bonito chegando e Lu que dirigia, era usado, mas o primeiro carro, Rami a abraça de felicidade. O tópico era o Vítor, como que Lu não ia a ele para casar. Ela chegou perto como quem conta segredo, não queria ser como Rami, a primeira, pois toda primeira esposa é serviço e espinho, a segunda é flor e prazer, ela jamais trocaria isso. Rami a considerava ingrata, mas as coisas eram assim, Rami perfumava e cuidava de Tony, as esposas o recebiam perfumado e sem obrigações familiares, apenas prazer. Vito e Tony eram do sul, ela prometeu jamais casar com um homem do sul e se contentava com os prazeres de cada homem na ilegitimidade. Rami se surpreende de novo com como ela é assertiva, decidida e afronta tudo. Ela segue apenas o décimo mandamento, ama a ti mesmo como o próximo. Os homem aprendem a amar antes si do que outros, as mulheres o oposto, ela fazia como os homens, valia de nada obedecer se obedecer fosse o destino de Rami. Rami chorava, Lu se indignava de como a tratavam mal, ela multiplicava o amor onde existia ódio. Devia ser amada, Lu era grata pela poligamia e tudo que deu. Rami pensava em como os filhos também perpetuavam costumes. Também perguntava de novo da lei, que era mais forte que tradição, Lu resistia mas até chorou. Ela conta como foi violentada na vila, trocada por algodão para cobrir os irmãos, mal tratada por uma família de dezessete pelas mulheres, fugiu pela mata e sofreu na cidade até ter Tony na sua frente. Rami insistia no assunto do casamento com Vito, sentia muito pelo passado, mas ele já foi. Lu prometeu pensar.

Capítulo 36

A casa de Rami virou local de reclamações das rivais, coisa que não incomoda ela, mas os seus filhos. Era sexta, dia de passar o Tony. Lu responde o de costume, como o serviu, como o tratou, mas Tony apareceu em sua casa sem ser avisado por Saly. Ele também não foi dançar, Saly teve dó de Tony, já tinha 50 anos e dizia que gastava energia na poligamia. Tony gasta a energia que tem dançando de jazz a rock com as esposas, elas já podem pagar as despesas de fim de semana. Tony se enche de amor das esposas e ele enche sua vida com elas, troca os nomes menos o de Mauá. Porém, faziam 15 dias que Saly estava com Tony, nenhuma mais queria tomar ele em casa, homem em casa limita, não ajuda e elas tinham seus negócios agora. Ju aceitou recebê-lo, mas ela reclama de como o mimam e como isso gera mais trabalho. Rami se delicia com o plano que tem, as mulheres mudam, menos Tony, ele viveria e morreria pelas mulheres.

Capítulo 37

De noite, Mauá vai visitar Rami, bem vestida, logo vem cada uma, menos Lu, constantemente Rami é lembrada de como era traída e do que cada mulher fez para conquistar Tony, amargurando seu interior. Elas disseram que Tony as chamou ali, acharam tudo estranho e que vinha coisa ruim, principalmente Rami, que sabia o que viria mas não contava. Elas se elogiavam, pensava em como a roupa feminina só pode ser criação de homem para controlar. Finalmente Tony chegou, fumando nervoso, Rami leu uma carta breve, era um convite de casamento de Lu e Vito. Tony as ofendia, dizendo que foi traído, que não adiantava ter tantas no mundo, era o gado dele, domesticado, que riam dele pelas costas. Elas ficavam quieta, ele reclamava e dizia até demais, de como Mauá iria trair logo mais, de como Ju sempre quis casar com ele, de como Lu tinha até um filho chamado Vito e pensando desde quando existia esta relação. Pensou até se os filhos eram seus das mulheres. Quatro lhe bastavam ele diz, mas temia o que outros diriam da sua virilidade. Rami já via que ele choraria as pitangas a ela. Botou a culpa em Rami, disse que homem não nasceu para sofrer, bebeu e saiu em disparada com o carro. Telefonam para Lu e avisam do que rolou. Eles seguem Tony com o carro de Mauá e encontram a porta da casa dela escancarada. Acharam Tony chorando como touro capado, Rami preferia ver violência do que ele chorando por amor. Ele pedia que ficasse, até o dinheiro do lobolo e os filhos. Ela negava pois ele não era pai oficial. Ele até falou de largar todas e depois de matar se o deixasse. Propôs ser casada com aliança e véu, ficaria se fosse assim. Tony procurava uma solução. Escolheu a violência e disse que a amava e dava de tudo, voltaria implorando ele de volta pois ele era o melhor. Ele tenta socar ela para machucar o rosto antes do casamento, mas vai fraco, ela desvia e morde o braço dele até sangrar. Rami tentou estancar a ferida funda com um lenço. Ela sente ciúmes. Mais uma vez Tony culpa Rami, ela aceita e ele pergunta se não tem pena dele. Ele diz que ela é boa, que trazia amarguras, mas que ela era boa por isso. Ela aceita. Rami o ajuda a ir embora. Ele não aceita ser abandonado, mulher é acostumada, homem não. Ela pensa em como cantar espanta os males, tal qual uma mulher do Zimbabué que teve cinco filhos, cada uma geração da história de guerras de lá. Mas cantava feliz, apesar de ter sido violada, o último filho foi de amor e ela só teve homens, que jamais conheceriam a dor da violação sexual.

Capítulo 38

Rami está com insônia e vê Tony delirando com Lu. Ele acorda e pergunta a hora, era o dia do casamento de Lu e ele perguntou se Rami ia, pois queria impedir o casamento e pediu a participação de Rami. Rami, ainda que não fosse se ele não a deixasse, disse que ela era apenas lobolada, não havia como impedir. Ele apela dizendo que é bom, Rami só tem ele para curar de outras. Ele pensava em feitiço, contratar um pistoleiro, uma invocadora de trovões, prova do que gostava mais de Lu do que de Rami. Ele vai de desejar Lu a enxotá-la em casa frase. Ele vai a loucura quando Rami menciona de que ele devia casar com mulher antiga, ele grita do trovão a ser encomendado e desmaia. Levaram ao hospital Rami e os filhos. Ela explica ao doutor a situação do casamento, Tony grita que ela devia saber o seu lugar, Rami se cansa e o deixa. Ele chora por ela. No dia seguinte, arruma-se bem para o casamento, apesar de ter ligado ao médico para verificar como estava Tony.

Capítulo 39

Lu está irradiante no casamento, Rami se emociona. Lu pergunta de Tony e Rami explica que está hospitalizado de depressão por ela, o que a deixa mais feliz. Lu agradece e se emociona com Rami, as outras rivais, menos Ju, agradecem Rami e o que fez, Mauá até conta que era a próxima noiva. Lu até oferece o lugar de segunda esposa no casamento, para que tenha prazer. Rami vê e pensa nas mulheres que sofrem, nos homens que têm a vida para eles. Dançam, celebram Vuyazi e pensam num mundo melhor aos dois gêneros.

Capítulo 40

Já é novembro, Rami acorda, sente saudades de não sabe quem e inveja talvez da Lu, mas de tantas outras mulheres em sua situação e situações diferentes. Acha triste a situação das mulheres do mundo e estranho como é invejada. Até pensa em como é possível roubar um marido. Pensa nas promessas do Tony não cumpridas e levanta-se. Ela invoca um canto que sua mãe gosta e fala de como apanha. Enquanto lavava a louça para espantar a amargura, Tony chega com uma rosa e cheio de ternura, Rami preferia que fosse lenha. Ele diz que queria largar todas para focar só em Rami. Ela fica enjoada das mentiras e tentativas de explicar porque traía. Tenta elogiar ela mas tem um sentimento de aversão em Rami. Ele tenta jogar promessas e um ideal que nunca esteve com Rami de fato e teve pouco tempo para conhecer. Rami vai ficando com raiva, o nojo aumenta de um homem que traiu, agrediu e abandonou mulheres e filhos. Tentou bater nele com uma colher de pau mas foi parada. Ela diz como o via como sagrado e se enganou. Ele diz que o médico disse para cuidar da vida depois de ouvir suas histórias, além de que as outras esposas só o seguiam por dinheiro, agora que tinham negócios, o desrespeitavam. Pergunta o que é de cada mulher, cada uma delas tem prioridades, tenta ser doce e falar que Rami é a verdadeira. Rami lembra do avô materno que batia na sua avó, chamando-a de tambor. Ele continua com essa ideia de tentar envolvê-la, dizendo como ela o apoiava, ela não aguentou e saiu dali. Não queria mais amar um homem, queria ser segunda esposa, queria ser qualquer outra coisa.

Capítulo 41

As rivais foram convocadas emergencialmente. Elas riram, apenas Rami tinha ouvido isso pela primeira vez. Chora de novo, de como homem mente e mulher sofre. Elas fazem uma votação de arranjar uma nova mulher, todas mal têm tempo para Tony ou si mesmas. Rami diz que elas não amam mais Tony, elas dizem que o verbo é diferente, não é emoção, ficou lógico e racional. Rami acreditava no amor eterno, mas Tony não a correspondia e as rivais já tinham se aproveitado dele, cansaram-se. Ju explicava como ter um marido polígamo era cuidar como um rei, obedecer e ter direito nenhum. Pensavam quando envelhecesse do que valeria aquela poligamia. Decidiram viajar para a quinta esposa, no sul eram gordas e não serviam, no centro tinham cores de pele variada mas nada mais, no norte faltava algo ou eram imperfeitas em detalhes. A procura era longa e talvez houvesse um fim.

Capítulo 42

Elas têm uma reunião com Tony. Rami começava com medo mas todas a ajudavam no discurso que elas estavam velhas e precisavam cuidar de Tony. Ao ouvir da nova esposa, pediu que não. Elas já tinham achado a nova esposa, Saluá, dezoito anos, ela entra e é graciosa e bonita, Tony se apaixona e começa a exagerar nos ditos. Ele pergunta dela, tem medo pois é velho e tem medo de sujar a menina. Elas perguntam de novo da decisão, ele diz que não, as mulheres invocariam os assistentes conjugais e declarariam impotência sexual de Tony, que estava na lei. Mauá anuncia que já tem outro dentro de quinze dias, Tony não fala nada, Ju tinha um português com dinheiro fazia dois anos que até adotou os filhos de Tony e talvez os não legítimos entre eles. Tony permanece em silêncio.

Capítulo 43

As rivais saem com Saluá, Tony fala com Rami e a culpa de novo. Tony começa a dizer que a queria admirar, elogiar e confiar, mas homem só fazia o oposto de tudo isso. Ele fica andando na casa e decide sair na chuva. Rami tem medo da superstição de homem que sai na chuva e some. Ela até consegue chegar na frente dele e barrar a passagem. Tony queria ir para um local seguro de mulheres, a casa de sua mãe. Ele lamenta os filhos que teve e confunde, as mulheres que mal viveu junto, arrependia-se. Eles caminham juntos na chuva e até se beijam, Rami fica feliz e ele encosta em seu ventre duro. Ela estava grávida, mas ele não entendia como. Todas as esposas partiram, Lu casou com quem lhe ama, Ju casou com quem estava presente, Saly conquistou um italiano padre, Mauá tinha um substituto de Tony. Ela podia salvá-lo, mas recusa-se, o filho era de Levy. Três trovoadas o deixam mole. Rami o segura, mas solta depois de um tempo, ele cai.