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"A Visão das Plantas" Djaimilia Pereira de Almeida FUVEST FUVEST 2026 FUVEST 2027 FUVEST 2028 FUVEST 2029

“A Visão das Plantas” de Djaimilia Pereira de Almeida – Resumo de cada capítulo

Capítulo 1

Acordou em casa, tudo estava ao mesmo jeito mas ao mesmo tempo não. O pó cobria tudo, algumas roupas eram comidas pelas traças. “A mobília não saudou o seu regresso. Não tinha mais ninguém na vida.”. Sentia cheiros mas não eram tão confiáveis quanto seu ouvido. “Sobrava‑lhe a casa de jantar, a pequena saleta, os dois quartitos húmidos, a cozinha de tecto escuro aberta para a despensa, os frascos, caixas de farinha de milho bichada, garrafas de aguardente e o quintal, tomado pelas silvas, as urtigas e os cardos.”. A maresia fez com o capitão o mesmo que a casa, tinha degradado com o tempo. A natureza tomou conta da casa, tal como o mofo. Teve até medo da luz que entrava e do espírito da casa sair e o capitão fechou de novo tudo, respirando o pó. A casa tinha também cicatrizes, mesmo sem ter matado alguém. Ali, o capitão achou lugar para descansar o coração, mesmo que não merecesse.

Capítulo 2 Livrou-se da mobília velha e inutilizável, manteve uma mesa e duas cadeiras que usava para escrever. Mantinha-se sempre um silêncio, apreciava aquilo tudo. Queimou roupa velha e coisas que não usaria mais, despediu-se sem aplauso. Dormia na cama que a mãe se foi, sem sentir falta, sem ela saber dela. “Contava com a monotonia saborosa dos seus hábitos de capitão velho, retornado à casa de família desagravado para morrer em descanso.”

Capítulo 3 Ao poucos ia morrendo, achou consolo naquele pouco de jardim que ia arrumando e que a vida proliferava. O jardim se penetrava por tudo, remover tudo que ali havia de memória humana. Ele ia com calma, com as mãos, ora parando para fumar, ora sentindo o vento do mar de tarde. Tinha vezes que dormia, mas ia sempre mondando, limpando.

Capítulo 4 Temia endoidecer com o passar do tempo. Ia limpando, tinha já queimado vilas, feito a natureza se apavorar, mas ali continuava a mesmice. A natureza fazia o favor de lembrar que, no final, restariam apenas os cadáveres e a memória da morte, e assim ela conspira para que os homens adormeçam. Celestino, o nome do capitão, ia todo dia fazer algo novo, fosse em mar ou na casa. Pela mesmidão, a natureza achava um meio de se reconsolidar e ele ia perdendo a luta contra o tempo, queria pará-lo. Talvez fosse assim com Deus, “traz os resistentes à solta, prontos a rasteirar os felizes, no fundo do beco, para se desforrar do tédio.”.

Capítulo 5 Celestino plantou de tudo, de flores a árvores frutíferas e fazia o adubo. Chegou a ter exertos que pedia ou ganhava e tinha cactos que sabia a quantidade de espinhos. Tinha até uma caveira de conchas no bambuza que crescia bem. Padre Alfredo o visitou, indo dar sermão mas foi intoxicado pelos cheiros das flores e aquele sol a pino. Ia tirando conclusões daquele homem que cuidava tão bem das plantas. Gostava da mãe dele, era importante que nada o faltasse.

Capítulo 6 Costumava sair nas manhãs nubladas, de barba longa, sobretudo preto, cara de poucos amigos aos adultos e sorriso para crianças. “Tinha pelas crianças a simpatia de um admirador de obras perfeitas.”. As mulheres rezavam, os homens riam das histórias inventadas, as crianças morriam de curiosidade. Os cachorros nem visitavam a frente pois Celestino os espantava, até construiu um espantalho com cortinas esgarçadas e as pessoas inventaram histórias de rituais. Mas isso afastava os adultos, as crianças eram curiosas, três procuravam ver como ele era, mas viam um jardim florido, bem cuidado, e “um pires com três cubos de marmelada e três fatias de queijo curado.”.

Capítulo 7 Os boatos iam ao Padre, Celestino visitava a igreja, sem nunca se ajoelhar, sentava como se aquilo fosse sua forma de o assim fazer e se acalmar. Padre comentava que a casa tinha ouvidos a ele, sem que ele se quer dissesse algo.

Capítulo 8 Mas os boatos mais pareciam pelo passado do capitão do que a atualidade dita de um homem que dançava com o Diabo e falava línguas. Não conseguiu dele palavras ou até sua vida como uma pessoa com as mãos encharcadas de sangue e de rum, mas de um homem com ideias desconexas e talvez senil que não completa ideias, com as mãos cheirando adubo e terra. Ele se foi. “A loucura é o mais santo dos remédios. Ao contrário do que se dizia na vila e lhe assegurava a língua‑de‑trapos do sacristão, a casa não fora ocupada por um facínora, mas por um homem atrapalhado com os preparativos do seu enterro.”.

Capítulo 9 A narração abre aspas para a fala do Capitão, chamando as crianças como se falasse sendo Jesus Cristo, contando da história de sua vida ali na aldeia. Nasceu e não conhecia o pai, sabia que era Capitão, Nuno, delirava achando que caminhava em casa e o som do mar distante inquietava-o. Sonhava em ser dono da casa, de seu medo e da aldeia. Entre a narração, há um devaneio de se a história e a mentira valesse a pena se ele inventava, podendo ser possível analisar de ele inventar as histórias ou as plantas dali. Os pequenos suplicavam com os olhos para continuar. Foi ser capitão e a mãe deu a casaca e o cordão de ouro. Foi para a África, passou fome, febre, e foi apanhado por holandeses. Cuidaram dele, matou-os no sono e deixou a menina holandesa amarrada em um tronco de árvore lançada para a sorte. Foi assim sangue frio sempre e foi isso que o fez viver. Matou animais, queimou vilas e dormia tranquilo sem remorso.

Capítulo 10 As crianças comiam as amores, pedindo por mais, mais sangue. Conta como cuida das plantas, faz o café, cumprimenta e cuida de cada flor por pétala. Sonha e dorme pensando nelas. As crianças iam enjoando das amoras e o vento soprava as palavras de Celestino. A vizinha pensava que ia matar as crianças, o marido ria.

Capítulo 11 Os rumores a respeito do capitão pioravam depois da conversa com o Padre Alfredo. Dois anos se passaram e ele fazia parte do folclore da vila. As mães tapavam os olhos das crianças quando passavam por ali e as avós ameaçavam levar os netos para serem decapitados se não comessem tudo ou se comportassem mal. As crianças viam aquele velho grande mexendo nas flores. “Para pirata, era chato. Se calhar, disfarçava. Quem dera a Raul ter um roseiral bonito como aquele. Celestino deixou de querer saber se o espreitavam, se não lhe falavam. O espantalho fizera o seu trabalho.”. A casa de sementes vendia de má vontade e acusava de montar um altar para Judas Escariotes. Mas o mar chegava com gente nova e gente nova ia embora, por mar ou por terra, e foram logo deixando ele. Ele ia ficando cego e andando com dificuldade. Mas o que puxava todos do folclore eram as flores na primavera, quase como uma luxúria, uma tentação para pecar. De tarde, o capitão ia espreitar se o pires de guloseimas estava vazio. Sempre assim o encontrava.

Capítulo 12 Algumas frases soltas são citadas, misturando passado e presente do capitão, envolvendo cheiros, ratos, pessoas, conhecidas e ainda não citadas na história, além de, claro, falar das flores.

Capítulo 13 Celestino já não dava conta das trepadeiras e algumas plantas mais altas, planejou salgar a terra com a ajuda de ou Manuel ou Bentes. “de frente, a casa velha tinha rosinhas atrás das orelhas, de costas, era melaço e varejeiras.”.

Capítulo 14 Outra sequência de frases soltas, falando das rotas do capitão pelas Índias, os ratos, em uma previsão de que Celestino perdia noção da realidade e ia enlouquecendo.

Capítulo 15 Em uma noite que a vizinha o vigiava, um vento bateu e Celestino sentia que ia morrer. Mas a Natureza não o tomou, era livre para aquela casa que achou e criou com suas plantas.

Capítulo 16 “As plantas viam o jardineiro como as plantas vêem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora. Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.”. As plantas não faziam diferença para ele, tal qual Celestino não via diferença na vida do motim dos escravos que matou jogando cal no porão. As plantas continuariam, perceberiam a mudança como um chapéu usado moldou-se a uma cabeça e foi jogado fora.

Capítulo 17 A vila ficava a mudar aos poucos, mas Celestino não veria a mudança ao século XX. Imaginava e passeava na vila que se indiferenciava por ele, não era ódio e nem repulsa, mas o tempo passou e era um fantasma que não assustava. O padre era quem o via com frequência, dizendo que não era tarde, mas quando que “tarde” começava? Tinha nada a dizer aos ouvidos de Jesus. Quem o esperava era a casa, o mar tinha findado.

Capítulo 18 Novas frases soltas, que se misturam entre descrições e alucinações, lembrou da holandesa de oito anos, em Júlio e Saraiva, da infância, dos novos tempos e do mar que o tragava.

Capítulo 19 Celestino envelhecia. Talvez ali tivesse descoberto o amor, ou até mesmo a prova viva de Deus que há bem em todos, ou que não há justiça alguma no mundo que um capitão que ceifava vidas agora cultive flores lindas. Talvez até do fazer bem que viesse de quem fosse cabeça oca. Pensava de vez em quando em atirar nas costas do Padre Alfredo com nariz empinado de perfumista depois de falar do calendário da paróquia. Também as crianças cresciam em sua volta e casais se faziam. Pode ser que cada flor fosse uma vida ceifada por ele, dali surgia o amor, ao contrário do que pensavam de que plantava as flores do seu caixão. Mas uma coisa era certa – o tempo passava. As pessoas espiavam esse homem que ali ficava no jardim ou deliravam de noite que ele invadia suas casas.

Capítulo 20 Há uma descrição de Celestino avançando por uma mata virgem, com os pensamentos de que a morte o rodeava e a floresta o engoliria.

Capítulo 21 Há uma breve explicação dos pais de Celestino, o pai viu o filho nascer sem saber como criar e ainda menos que ia morrer em pai, profissão da família. A mãe trabalhava muito, fazia de tudo em roupas que a sufocavam naquele calor de Portugal. Ainda assim, há uma descrição do madeireiro vendo aquela madeira vinda do Brasil que contava uma história, de uma mata que Celestino se perderia. Ao fim, Celestino viu o sol e caiu sangrando na praia. Alguns trechos falam de pensamentos desconexos, entre festejar com negros, a noite, as estrelas e pães.

Capítulo 22 “Aprendeu a fazer queijo. Cozia a sua broa. Recuperou o alambique.”. Perdia-se no tempo e não sabia mais traçar qual tempo estava, até mesmo repetia as atividades de infância agora velho. No ribeiro, enquanto ainda estava bêbado, pensou ter ouvido vozes e pensava se estava ficando louco. Pensou ser a holandesa que prendeu no tronco, mas não achou nada e nem teve respostas.

Capítulo 23 Descreve-se as manhãs em sua casa. Sobe a fumaça do orvalho no chão, como sobe o do cigarro do capitão. Começou a vida brincando com marinheiros e acabava ela brincando com jardineiros.

Capítulo 24 Várias frases soltas de móveis, chuva e sangue de noite.

Capítulo 25 Enquanto cuidava dos potes de terra, viu um brilho. Achou que era o pingente que sua mãe tinha lhe dado, mas ele ainda o tinha. Foi tomado de um ataque de loucura e cavou sem parar, como se sua alma fosse feita para isso e sua vida disso dependesse. Cavou até cair a noite, estava todo dentro da cova e chorou. Sua pele doía mas cavava, e assim adormeceu, sem saber o que procurava ou o que tinha por ali.

Capítulo 26 Já era meio-dia e foi acordado com o sol a pino. Sentiu um galo na testa e foi dormir com os pés gelados e as ideias embaralhadas.

Capítulo 27 No dia seguinte, amanheceu mais velho, com a pança, a corcunda e a pele áspera que antes havia de um corpo esguio. Foi se ver ao espelho e se espantava. Cortou a barba longa no queixo e a deixou cair aos pés desconhecidos, como se ela não fizesse parte dele. Barbeou-se, com paciência e com calma, já que tremia e se arrependia de ver aquela pele seca. O mundo teve outro sentimento, a cara feita fazia a chuva e o vento ter outro sabor. Naquele espetáculo da natureza, o capitão teve sua última aventura em leme e “Fechou a porta e foi para dentro ver se comia alguma coisa.”.

Capítulo 28 Tinha ficado doente em uma das tantas visitas do médico. Recomendava descanso e caldo. O padre, provocando-o, perguntava se não queria confessar. Ele respondia não com a cabeça e veemente. Na época do frio, temia das plantas morrerem e ia conferir tudo apesar da doença. Talvez pelo sistema de irrigação ou algo maior, as plantas continuavam as mesmas, e essas flores e frutos mostravam piedade aquele monstro de outrora. Na época de São João, foi levado por Manuel, primo do caseiro falecido Amadeu. Mas não gostava do barulho e da gente, tentou voltar para casa, perdeu-se e machucou-se ao cair no chão. Manuel o encontrou em um beco. Implorou para ser levado para casa. “Foi a primeira e única vez na vida que implorou alguma coisa fosse a quem fosse.”. Ficava cego, a pele nunca mais ganhou cor, conhecia as flores pelo tato e pensava que as flores o respondiam pelo tato. Alguns animais o visitavam, gato e rafeiro, tipo de cachorro de guiar gado, deixava alguns ossos, os coelhos, que cavavam buracos, torcia os pescoços. Junto ao limoeiro, enterrou os cabelos das barbas, tão distantes dele quanto jamais foram. Pode ser que seria assim enterrado no jardim ou saberia voltar ao jardim pelo cheiro. “Todos os dias o jardim estava diferente. Jamais se entediava.”.

Capítulo 29 Certa vez, o padre havia lhe trazido um peixe, mas esqueceu na cozinha e ele apodreceu. O cheiro o enojou, acostumou-se com as flores.

Capítulo 30 “Raul, Pedro e Luzia ainda apareciam. Queriam ouvir histórias do corso.”. Deleitava-se com as crianças, os risos e os olhares das histórias que contava. Mostrou também suas tatuagens e cicatrizes. Mas tudo aquilo deu vazão de curiosidade para pena e nojo. Um homem que viveu tanto e degolou todos era agora escravo do jardim e vítima do tempo. Era ironia do destino que o mar tenha o deixado em terra. Não cuidou do jardim, estava escravo dele. “Mas depois de as crianças se terem ido embora, não saberia dizer quem o tinha visitado.”.

Capítulo 31 Celestino recebia visitas nortunas, principalmente de uma negra que preparava uma refeição a ele a até mesmo a de Padre Alfredo mais jovem. Estava sonâmbulo, acordava em lugares diferentes, sujo, lambuzado, cansado, machucado, sem lembrar do que fez. As pessoas não o olhavam mais e as crianças não o visitavam.

Capítulo 32 “A casa e o jardim, que começara por compor à sua imagem, estavam desleixados.”. Não completava frases que escrevia e também as atividades do jardim não eram mais as mesmas belas de antes. Sonhava de olhos abertos, misturava infância, passado e o presente de uma vez, ora cantarolando, ora navegando. A holandesa aparecia de vez em quando, dormindo perto dele como uma neta fria. Pensava na morte e o que seriam de suas plantas.

Capítulo 33 Em vez de continuar sonâmbulo, sonhava acordado, as plantas iam saindo de seu corpo, inerte, sem reação, babando com o brilho da Lua e o estado vegetal do antigo capitão.

Capítulo 34 Sem saber que era a morte, uma negra de saia e avental vinha lhe fazer companhia de dia. Cuidava dele, dava de comer, lia enquanto podava as rosas. Aos poucos, ia sendo embalado. Em uma noite, voltou do bosque, distante da morte, mais velho, mais cedo, cada vez mais distante do que já foi e piorando.

Capítulo 35 A morte ia o chamando, agia como um menino de tão indefeso, fraco e sem força ou meio de reagir. A negra ia o chamando por Capitão, talvez por ser um nominativo, ou talvez para ver se ali restava o que ele já foi, coisa que não restava mais nada além da carcaça. “Com medo dela, entregue aos seus braços, entre o sono e o delírio, derrotado. Não era hoje, ainda não. De volta, deitava‑o na cama, tapava‑o, voltava à cozinha. A morte, quando quer, tem toda a paciência do mundo.”

Capítulo 36 Celestino agora era patriarca de uma casa que vinham vivos e alucinações. Vivia com a escrava e a menina holandesa, “a velha negra por ele mandada ao Atlântico e a menina que o capitão deixara no mato de olhos vendados.”. Ia passando o tempo, ele, morimbundo, ouviu da morte de Mendes, de gatinhos nascendo, e as mulheres da casa iam e vinham. Mal sabia o que era realidade. Ele ia perdendo forma assim como o jardim. Como a morte não o engolia para a terra, aos poucos tudo perdia-se forma para virar uma coisa só. Só via a menina holandesa de olhos vendados, pois o que a vida fez, a morte não desfaz. Assim iam passando seus momentos.

Capítulo 37 Os gatinhos nasceram. Celestino os vigiava, alimentava, e pode ser que, farto do ato, a mãe desceu a ladeira e nunca mais teve com a ninhada. Os filhotes da gata tigrada também viraram gatos e também se foram.

Capítulo 38 Via o espantalho a dançar pelas ventanias. Pensava em como ele dançava sem precisar de descanso e caldo, coisa que ele precisava. Ficava entre pensamentos de ventos e lembrando dos corpos de escravos mortos no episódio da cal, assim como vendo o corpo da escrava sem vida ao mar. Ainda estava ali, pensava, cuidava dos cravos e aos poucos ia se rastejando, como se dissesse à Morte que podia vir buscá-lo.

Capítulo 39 O Capitão ia se esquecendo de andar, de falar, retornava ao estado de menino amedrontado. O jardim tomava conta dele, por meio do medo. O espantalho agora dava medo, ouvia as vozes e se apavorava dos barulhos de fora, de quem seriam, de quando. Tinha medo das plantas virem estrangular ele, como a velha preta, que não aparecia mais.

Capítulo 40 Manuel um dia veio buscar o pirata para ver o mar novamente, tirar daquele jardim que tratava as flores como filhas e parecia até que seu desejo era se tornar uma flor. Manuel quis estar perto de um pirata sério, quis fazer seu pé molhar, esboçar algo, nada. Era um velho em outro mundo, sem pensamento conectado. Manuel se decepcionou e ficou em silêncio naquele velho que respirava e tiritava com o som da maré. Levou de volta para casa, comeram dois nacos de pão e deixou-o na cama, aquele capitão que todos souberam do regresso já tinham morrido. Virou cantiga de pescador. Morreu sem que as plantas parecessem saber. O médico e o padre viram-no na cama. Cobiçou o pirata, que nas mãos que o padre tinha, faziam as plantas morrerem.

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"Balada de amor ao vento" FUVEST 2026 FUVEST 2027 Paulina Chiziane

“Balada de amor ao vento” por Paulina Chiziane – Resumo de cada capítulo

Balada de amor ao vento é o primeiro romance publicado de Paulina Chiziane que já tinha uma ideia do que escrever, mas o primeiro romance escrito por ela foi “Ventos do Apocalipse”.

São 20 capítulos, divididos em partes que demarcam passagem de tempo, mudança de plano ou troca de narrador. O tempo da narrativa é de Moçambique ainda colônia, com o nome da cidade de Maputo ainda como Lourenço Marques, antes do ano de 1976, da independência de Moçambique.

Capítulo 1 Parte 1 A narradora lamenta sua vida, está próxima da morte e lembra-se de Save, terra de sua infância, repleta de bela flora. Em contrapartida, está em Mafalala, terra que abomina, que é suja e triste. Foi para lá por amor, se é que sabia o quê era amor e se amou. Sua filha, mais estudada, contou sobre o mundo e como o era, ela pensa que há quem precise conhecer o mundo da mulher. Pensa em falar da sua história, nem sabe se será interessante, há tantas outras que vivem igual.

Parte 2 “Tudo começa no dia mais bonito do mundo, beleza característica do dia da descoberta do primeiro amor.”. Era época de festa e, obviamente, de namoro. Os rapazes vinham para os ritos de passagem para a fase adulta e iriam dançar e comer depois. A narradora prestou atenção em Mwando, ouviu dos homens sobre ele e também as amigas diziam para desistir, ele estudava para ser padre. Foi zombada pelos meninos e pelas meninas de não ter curvas e ficou assim, pensando nele e demorou para dormir. Perseguia o menino, ia na igreja para ver ele, até que um dia decidiu fazer o ultimato e se vestiu bonita para atraí-lo. Depois da missa, caminharam juntos e ela já desistia, quando ele perguntou o que se passava e ela dizia que de quem ela gostava não era recíproco. Ela revelou sendo ele, mas Mwamdo confessou que gostava dela, era a única que não zombava dele, mas tinha medo do padre. Ela o silenciou e finalmente se beijaram.

Capítulo 2 Parte 1 Mwando se martiriza, queria ser padre mas Sarnau a tentava. Por muito tempo, foi zombado pelos meninos e se isolava para se proteger. Queria ser padre, pedia ajuda para Cristo e tinha medo dos outros meninos contarem dele e de Sarnau. Escreveu uma carta, abriu seu coração, mas o padre surgiu ali e perguntou o motivo de estar tão apavorado. Leu a carta e entendeu. Amanhã ajustariam as contas.

Parte 2 O padre suspeitava do que acontecia com os meninos, principalmente pelas fofocas. Uma noite, em meio do que se culpava de não confiar neles mas vendo que estavam certos, apanhou Salomão e quase o bateu, não fosse o menino mais esguio, coisa que Mwando não foi e o padre descontou a raiva nele. Salomão e Mwando foram expulsos, nada aconteceu com a cozinheira, suspeita de ser a pessoa que estava no quarto de Salomão

Parte 3 Mwando logo se acostumou aos trabalhos dos outros jovens da idade. Passavam bom tempo juntos, Sarnau e Mwando se maravilham com a fauna e a flora do mundo. Mwando vê a obra de Deus e vê o motivo de amar, vendo tudo de cima é fácil se maravilhar. Ao meio de metáforas, os dois fazem sexo, com o uso das metáforas da maçã sendo o fruto proibido, a serpente no Éden e Adão e Eva. Sarnau pede uma oferenda para suas entidades protetoras, a defunta protetora, já que fizeram sexo. Ele hesitou, não gostava de servir outros deuses se não Cristo. Mas prometeu fazer uma oferenda grande. Sarnau o amava e assim dizia.

Capítulo 3

Parte 1

“Mwando ainda não ofereceu nada à minha protetora, mas eu perdoo, ele ainda não arranjou dinheiro, coitado.” Ele trabalha muito, não só com o pai mas com os afazeres de casa que as irmãs são preguiçosas. Sarnau o ama, ama muito, em tudo que vê sabe que o ama. Mas ele parece esconder algo, principalmente quando ele não olha nos olhos para dizer da ausência e cada vez passa menos tempo com ela.

Parte 2 Mwando diz que trabalhava muito nesses dois meses e daí o sumiço. Iria para longe, trabalhar, Sarnau o esperaria, mas ele tenta insistir até que conta a verdade da sua mudança eterna – estava para casar e não aceitava a poligamia. Sarnau se contorcia e chorava, aceitava até poligamia e a distância, mas ela estava grávida e tinha fome de amor. Despediu-se, ainda foi acolhida enquanto chorava e até resgatada de um ataque de cobra. Mwando perguntou o motivo dos ancestrais dela fazerem isso, ela disse que era para acalmar seu ódio e tirar a dor. Não deixou que ele falasse mais e foi embora.

Parte 3 Sarnau não dormia bem, não estava bem, tudo lembrava de Mwando e ela queria que a dor que sentia parasse de qualquer jeito. Enquanto sonhava com uma natureza acolhedora, via Mwando chegando, mas foi acordada por Rindau.

Parte 4 Sarnau decide se matar, vai até o rio e vai andando lentamente. Ela pensa em tudo que fica para trás e nesse último dia que está como todos os outros, belo. No momento que ela chega a uma altura considerável do rio, seu corpo quer viver, mas era tarde. No entanto, ouve vozes, pensando que são do outro plano. Se vê em sua rasteira, tinha sido salva por pescadores que a viram. Sua mãe, curandeira, falava de uma centopeia que entrou nela e fez um nó e que devia sair de Sarnau. Ela gritava e finalmente chorou. Foi como se ela se libertasse de tudo. O sangue jorrava por conta do aborto.

Capítulo 4 Sarnau iria casar e as pessoas se despediam dela. Estava com véu, era prometida ao rei da terra e nunca antes houve um lobolo, quantia paga para firmar o casamento, como o dela. 36 vacas que não pariram, virgens, e mais dez homens com pele de leopardo. Estava contente, nunca tinha planejado tal situação. Ela explica que a rainha tinha uma pretendente para seu filho, Khedzi, mas quando não só se descobriu que essa mulher de pele mais branca, predileta dos homens poderosos, que levantava a capulana, vestido ou saia, para qualquer copo de aguardente, e era filha de feiticeira. A rainha viu que sua mão era delicada, sem marca de trabalho, não a quis e era indigna. Todos se assustaram e ainda mais que apostaram suas filhas, que faltavam ou beleza ou vontade de trabalhar. Um dia, a rainha de encontrou com Sarnau, filha de Rindau, sem lembrar dela. Enquanto a via trabalhar e interessada, pediu para beber, e deu de beber com a concha da mão. A rainha ficou interessada e chamou-a para trabalhar por uma semana. Era comum, fez tudo como deveria ser feito sem pestanejar e, em uma reunião magna, declarou que Sarnau seria a esposa de Nguila, o príncipe, beberrão e forte. Enquanto aceitava o lobolo, a tia repetia o que precisava dizer, que era homenagear a família e enriquecer a terra. Neta de uma moça com lobolo de una peneira de feijão, ela se engrandecia. Até conversa com o leitor, como ela poderia ser bonita se não era no estilo clássico de beleza. Dizia que a beleza variava de cultura para cultura. “É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna.”

Capítulo 5 Parte 1 Sarnau ouve conselhos enquanto está na palhoça se preparando para o matrimônio. Ouve de tudo para aguentar os problemas do matrimônio, pois homem deve ser servido. É uma sociedade patriarcal e se perdoa o homem. Ela pensa que está com a vida feita e é invejada, as mais velhas continuam a aconselhar. No casamento, o príncipe assina com caneta de ouro e Sarnau usa o dedo, sinalizando que é analfabeta, em frente ao padre Ferreira. Vislumbram a festa, tanta gente dançando, homem bebendo ou sendo embriagado para poderem curtir-se ou curtir outros. Sarnau acha tudo lindo.

Parte 2 A família chora, até seu pai que ela nunca o viu chorar também chora e ela não entende, não era momento de felicidade? A velha tia explica que homem é para ser servido, e ela no casamento era como milho no pilão, explicado pela tia, seria amassada, triturada e moída para a felicidade do lar, e assim o suportaria. A mãe chorava de felicidade, até porque explicou que há quem chora por tristeza. Ela ia, infelizmente, a sua escravidão. Chegando no novo lar, via sorrisos, mas ninguém que conhecesse. Pensava na irmã e na família longe.

Capítulo 6 Parte 1

Sarnau acorda, nem acredita na nova vida. Faziam duas semanas do casamento e a festança intensificava com mais presentes. Vestia um vestido diferente por dia, escolhidos pela rainha. Trabalhava para as sogras que a testavam. A oitava sogra foi enfeitiçada, disse a Sarnau que a casa era cheia de feiticeiras e também coxeava por isso. “Uma lagartixa amarelo-acastanhada despenhou-se da árvore caindo no meu regaço, e fugindo célere enterrou-se no areal. Arregalei os olhos, o coração pulsou, e fui percorrida por um grande arrepio. Presságio de desgraça!”. Ela assim disse que não morreria, foi pendurada e amaldiçoada mas iria morrer de velhice. Eram mais cabeças ao currau.

Parte 2 – Gatilho de violência Sarnau estava contente ao dia e, apesar dos maldizeres do casamento, queria ver Nguila. Quando chegou ao quarto, viu ele com Mayi em sua cama. Aprendeu que quando visse o marido com outra que era para preparar banho e não se zangar. Até mesmo Nguila a chama, vendo que chorou, perguntou se alguém tinha morrido e deu um tapa nela que saiu até um dente. A rainha a acudiu entre lágrimas e sangue. Ela o consolou, dizendo que eram de terras distantes e nasceram e foram moldadas em sofrimento. Soube que essa Mayi tinha tatuagens em relevo e a pele lisa era feitiçaria de veneno de cobra. De noite, sonhando difícil, a sogra a acordou para que fosse dormir com seu esposo. No que retornou, Nguila a abraçou, dizendo que devia ensinar a não ter ciúmes e gostava muito dela, era a primeira, tinha respeito e apreço mais do que a outras. Mas ela se impacientava que não engravidava, como Mayi engravidou, mesmo que fizesse pouco tempo que estivessem juntos.

Parte 3 “Não imaginam o paraíso em que vivi quando declarei a minha gravidez.”. Seu marido lhe enchia de carinhos e amor, na cultura de Moçambique, a gravidez é fortemente celebrada e para os homens a mulher grávida é motivo de festa. Ela vestia-se e ornamentava-se. Mas, “Como o girassol, a felicidade dura apenas um sol.”

Capítulo 7

Parte 1

Mudança de narrador para terceira pessoa, um homem chora em sua cabana triste, abandonado. Era Mwando, casou com Sumbi, uma mulher linda, mal acreditou quando a conquistou, como os outros também não acreditaram, e teve o casamento arranjado, os pais queriam casá-la com nobre, na falta de um, foi pelo menos um homem culto e que parecia nobre. “Os homens não choram, ensinam os pais aos filhos. Mwando é homem e chora, mas com razão.”. O lobolo era alto, doze vacas. Com cinco vacas, a família arranjou uma forma de pagar em prestações as vacas. As seis ao casamento, três quando nascesse a primeira criança e três com a segunda. Já no primeiro dia de casamento ela não cumpria seu lugar como mulher. Apesar de Mwando ter se apaixonado por aquela mulher que trabalhava em pilão, ela fingia dores de cabeça e ficava na mesa como um homem. E continuava assim, os dois se amavam, acordavam tarde, nada produziam. “Só come quem trabalha, ensina a sabedoria popular.”. E ele a ajudava nas poucas vezes que ela fazia algo da casa, pegou mal, a vizinhança se afastava e ela logo se tornava tirana. Os carinhos viraram obrigações, exigia presentes mesmo que a família dela não faltasse dinheiro. Mwando se endividou, esgotou as despesas, mesmo que ele não visse problema em agradar a mulher. Ela sempre vinha com sorrisos, e presentes de admiradores quando o dinheiro dele se esgotou. Mas o lobolo e o lugar da mulher em Moçambique é diferente, ela jamais deve trazer prejuízo. Interviram no caso, “Mulher lobolada tem a obrigação de trabalhar para o marido e os pais deste. Deve parir filhos, de preferência varões, para engrandecer o nome da família. Se o rendimento não alcança o desejável, nada há a fazer senão devolver a mulher à sua origem, recolher as vacas e recomeçar o negócio com outra família. Mulher preguiçosa não pode ser tolerada, muito menos a libertina.”. O pai ficou louco que ele respondia aos anciões, que eram de outra religião e pregavam outra fé, ele pensava ser elevado por ser cristão e ignorava os preceitos éticos e morais de uma boa família, mas o pai também era culpado. Não deu outra, afastaram-se da vila, viveram em uma cabana em desgraça e só piorou com o filho morto, com o pretexto que era feitiçaria dos defuntos não apoiarem a união. Mas Sumbi já tinha casamento com gente rica, “amor com pobreza não faz felicidade, arrumou as coisas dela e partiu.”.

Parte 2 Chorava, estava depressivo. Amaldiçoava a religião dos antigos e se culpava, sentia remorso de como era vítima antes das opressões na adolescência e infância agora como adulto, pelos anciões. Pensava e repensava e teve um pensamento. “Homem que é homem deve saber resistir às vicissitudes da vida, pois todos os seres vivos têm as suas amarguras.”. Rezou, gritava alto, chorava e precisava ouvir isso. Entendeu tudo que passou e passa e tinha ressuscitado.

Capítulo 8 Sarnau estava triste, tinha duas filhas e faziam dois anos que o marido dela não a tocava e estava com amores com Pathy, a quinta esposa. Mal comia a comida dela, reclamava de algo ou estava indisposto e brigava com ela. As gêmeas demandavam muito e ela batia nelas como se fossem culpadas. Ela lamenta a morte do rei, Zucula, que trouxe tantas outras mortes e desgraças para o reino. Morreu de cócoras, com uma cobra, e assim foi enterrado. O dia era feio e cheio de sinais ruins, e as pessoas se matavam ao longo dos dias ou iam embora dos postos. A rainha morreu de joelhos e também assim foi enterrada. Em meio a isso, ainda havia uma guerra. O filho, Nguila, era rei e curtia o momento. Sarnau vestia o mesmo ouro da rainha e tivesse quem a invejava, mas comia mal e vivia mal. E para piorar, Mwando a encontrou e ele estava péssimo, nem era o mesmo que lembrava de fisionomia. Apesar de ter enxotado, foi até sua cabana e se amaram. Ela até propôs que continuassem os encontros em uma gruta de fantasmas que era afastada, mas Mwando a lembrou de sua posição e ela se despediu, saboreando o momento de vitória.

Capítulo 9

Parte 1 Sarnau estava em dilema. Por um lado, amava Mwando e seu amor a tranquilizava. Por outro lado, tinha poder, status e riqueza com seu casamento polígamo. Pensava no lado ruim também que Mwando a fez sofrer muito mas do marido polígamo que amava e a deixava de lado.

Parte 2 Lamentava que Mwando não iria mais vê-la, era rainha e não seria coisa boa. Visitou a gruta dos fantasmas, escondendo sua rota, e lá viu Mwando a esperando, ele sofria que poderia ser punido mas queria ver Sarnau. Mais uma vez se amaram, trocaram promessas de amor.

Capítulo 10

Parte 1 Sarnau engravidou de Mwando, mas ela conseguiu fazer um feitiço para que Nguila se encantasse por ela. O feitiço foi tão forte que ela se tornou mais amoroso com todas, exceto Pathi que vivia com ciúmes e tinha até pedido um feitiço que matasse todas as outras 6 esposas. Agora dividia o amor e sempre dormia depois da meia noite com Sarnau, sendo carinhoso. Ela implorava à defunta protetora que o fizesse parecido até com o bisavô, menos com o pai original. Pensou em fugir, mas não trocaria o bem-estar por nada, podia ser um menino e governar tudo. No parto, descobriram que Pathi fez um feitiço para que Sarnau morresse nele em um sonho de Nguila e foi espancada fortemente, além de tomar veneno e ter dado uma diarréia. Sofria. Sarnau sofria de emoções, não sabia até quando poderia continuar com essa mentira do filho ilegítimo e do amor de Mwando.

Parte 2 Mwando pedia que fugisse com ele, queria Sarnau só para si e sofria com as migalhas de carinho e a impossibilidade de se quer ter o filho. Sarnau pedia paciência, o rei aguardava ansiosamente a criança e poderiam fugir quando nascesse.

Capítulo 11

Parte 1 O parto foi difícil, com a luz da lua, cantavam e pediam que viessem bem. Mas Sarnau sofria, diziam que comeu ovo, mas o filho vinha de um adultério e por isso era mais penoso. Descobriram que Phati a enfeitiçava e apanhou. Quando baixou o feitiço, saiu o bebê. Ela teve pena de Phati, apesar de oponente. Para trazer mistério, a criança nasceu de pele clara e a cara da mãe. Apontaram a pele como um indicativo da relação das duas oponentes, mas era a pele de Mwando. O rei se embriagava de felicidade. Ela se perguntava onde estava Mwando.

Parte 2 Phati vigiava Sarnau em cada passo. Os encontros com Mwando continuavam e os seus planos de fuga também. Ela temia o pior e decidiu encerrar os encontros. Ia trazer mal para a família e o pequeno Zucula que já andava e tinha dentes. Diria seu último adeus.

Capítulo 12

Parte 1 Sarnau estava em dilema, sabia que devia deixar Mwando, mas seu amor a confortava contra Nguila que a espancava e a machucava fisicamente. Entre suas tatuagens e machucados sangrando, Mwando a beijava e a amava, pedindo para ser sua e fugir para além do rio. Ela pensava nas crianças antes de seu amor.

Parte 2 Estava decidida em não ir com Mwando, mas Phati a viu e a denunciou como feiticeira, pois só gente com gênio e ligada às religiões de Moçambique e feitiçaria que poderia adentrar as grutas sem ser atingido. Contaria tudo a Nguila e ela não seria ouvida segundo Sarnau, mesmo que ela tivesse voltado a ser a favorita do rei.

Parte 3 Nguila estava machucado, via a verdade nos olhos de Phati mas não sentia nas palavras de Sarnau. A dor que sentiu da possibilidade de traição da rainha e da possível mentira de Phati machucou seu íntimo mais do que o orgulho e mataria uma delas após beberem o licor da verdade, o wanga. Quem estivesse mentido morreria. Queria se embriagar para esquecer. Quando trouxe o fumo e a aguardente, abraçou Sarnau e chorou. “Descobri que ele me amava de verdade, com a sua maneira polígama de amar.”. Chorou também, arrependida. Fugiu na noite enquanto Nguila dormia e sentiu ser vigiada, era Phati de novo. Nocauteou-a e acordou Mwando em sua palhota, deixou tudo e as crianças.

Capítulo 13 O capítulo começa com Sarnau rezando para a defunta protetora que protegesse Mwando, agora pescador, do mar inquieto. Há um retrocesso de como chegou ali. Remaram para longe de Mambone, a correnteza ajudou e Mwando remava rápido. Sarnau chorava, amaldiçoava Phati, mas ao menos tinha a felicidade eterna. Chegaram em Bazaruto, venderam o barco e partiram para Vilanculos. Trabalhava com indianos e fazia tudo, já que Sarnau não saía da palhota que cabiam dois para não ser descoberta. Ele veio, frio da chuva e cansado do trabalho. A pesca foi boa, comia feliz e gostava do calor de Sarnau. Ela estava feliz, não tinha os filhos ou o título mas tinha um marido que era todo o apoio emocional e social. Ele dormiu em seus braços, ela pensava em dias melhores.

Capítulo 14 Parte 1 O sono, segundo o narrador, é importante para conectar o racional e os deuses, espíritos com racionalidade. O período de agosto era difícil para pesca mas bom para colheita. Mwando vagabundeava, ajudava em coisa ou outra mas mais ficava conversando e ouvindo a fofoca do rei e da rainha, ouvia o povo a favor da rainha que fugiu e o homem que a levou como herói. Queria saber cada vez mais, como se fosse alheio, mas o sono ia vindo com mensagens que não decifrava. Em uma noite, foi até o oráculo e nada entendeu, mas em um bar, enquanto bebia, encontrou um antigo amigo de infância e irmão de circuncisão, Nhambi. Ele vinha com outros guardas reais, também era um. Mwando não sabia se fugia ou invocava a amizade de antigos tempos, mas Nhambi veio com palavras duras e amigáveis. Contou que o rei sofria, Mwando era a menor das preocupações, mas ele mandou matar Phati com as vozes do povo aclamando que ela enfeitiçou a rainha e que o homem que a levou era um espião da tribo inimiga de guerra. Mwando sentia vergonha e se arrependia, Nhambi cuspiu no chão e o acusou de ser pior que mulher, devia ter orgulho e não ter agido daquele jeito. Como dívida de ter sido salvo de um ataque de cobra, aconselhou que decidisse se ficava por ali e morria, que eram ordens do rei, ou fugisse e nunca mais voltasse.

Parte 2 Mwando estava como um fantasma para Sarnau, contou que Phati morreu, o rei sofria e sua família corria perigo. Ele iria partir, apaixonou-se por Sarnau por ser nobre, agora era uma simples camponesa com nada de mais. Sarnau o lembrou do filho e que prometeu amor eterno. Reclamou que o filho nem com ela estava e poderia voltar ao rei. Ela disse que morreria e Phati sabia muito bem o que fazia. Deu de costas, correu atrás dela e tomou um golpe que deixou-a desacordada. Acordou pela manhã, viu os pescadores e as mulheres pegando caranguejos. Chorava e ninguém a acudia. Mwando era nuvem na sua vida.

Capítulo 15 Parte 1 Narra-se a partida de negros em um barco de Espírito Santo. De fora, o cenário parece corriqueiro e se acostumaram de ver esse tipo de situação. Dentro, era pior, choravam, clamavam por Deus e pelos defuntos, sem serem ouvidos. Estavam por lá mal sabiam os motivos, era desde guerra, mal entendido ou só ser negro. Mwando estava lá, ele se relacionou com uma mulher prostituta e um sipaio, soldado indiano, não gostou. Tentaram testar o português, falava e escrevia bem, mas na hora dos documentos que ele não tinha vistos foi o fim. Apanhou e foi levado ao barco. Outros negros libertos oprimiam os negros escravos. Iam para Angola, terra de opressão, cacau, café e cana.

Parte 2 Os escravos foram separados e os colonos se abraçavam exageradamente. As mulheres iam para o tabaco e os homens para canaviais e os campos.

Capítulo 16 O capítulo narra e descreve a natureza que os escravos e os colonos armam acampamento para fazerem dali o local de colheita em linguagem poética. Ler o capítulo.

Capítulo 17

Parte 1 Um negro morreu com a cabeça presa na máquina, mandaram chamar o Padre Moçambique, o católico, e Januário, para prestar os costumes africanos. Mwando era tal padre, tinha fama, fazia as celebrações como os padres brancos mas cobrava muitas vezes menos. Os colonos viram vantagem e até deram regalias, como casa e mulher. Era a boa ponte entre os escravos e os colonos. Januário tinha o nome de padre cachaça de tanto que tomava. Tinha um boato de um escravo que pediu para ser enterrado de cócoras e que não trabalhassem por oito dias. O colono riu e enterraram ele de qualquer jeito. Seu corpo aparecia por toda parte e até foi na casa do patrão estourar toda a louça. Quando viu o corpo de novo ali fresco, fez como pediu.

Parte 2 Quinze anos se passaram e assim foi indo a vida de Mwando. O cabelo ficou grisalho, juntou boa grana, tinha casa, mas o coração queria ir de volta para Mambone. O choro foi comovente das pessoas, mas precisava ir. Chegando onde havia a palhota, encontrou um armazém pesqueiro e nenhuma informação de Sarnau. “A resposta negativa deixara-o convencido de que ela talvez tivesse regressado à terra natal.”. Saiu de Vilanculos e voltou a Mambone, ia caminhando pela noite para não ser reconhecido. Os cães latiam como se fosse fantasma, a mãe de Mwando pedia proteção aos defuntos e ele anunciou sua chegada. Ela chorou muito, seu pedido foi atendido de ver seu menino. Contou da morte do pai, soube que Sarnau não era casada e vivia em Lourenço Marques uma vida desgraçada. Estava focado em ver Sarnau.

Capítulo 18 Um mercado barulhento com pessoas vendendo de tudo e um cheiro terrível é onde Sarnau se encontra. Faziam 16 anos que tentava de tudo para Mwando voltar e nada. Tinha agora dois filhos, Phati e João. De início, chamava Phati de Chivite, trabalhava para indianos e dormia em um armazém ao fundo com os cãos e de lá ela nasceu. Mas no segundo mês piorou e no terceiro nem chorava ou comia. Na falta de dinheiro para hospital, foi a uma curandeira que viu que um espírito se alojava nela, que sofria, o espírito de Phati. Ela ia matar um por um, o remédio era nomear e fazer renascer Phati, pura, inocente. No dia seguinte, após fazer o ritual de nascimento, o bebê desatou a chorar e comia bem. João era filho de um outro cristão que o enxotou, não pegava bem ter filhos por aí. “Ser cristão é uma coisa, mas a perversão e o afastamento dos deveres paternais porque se é cristão, é coisa que ainda não entendo bem. A poligamia tem todos os males, lá isso é verdade, as mulheres disputam pela posse do homem, matam-se, enfeitiçam-se, não chegam a conhecer o prazer do amor, mas tem uma coisa maravilhosa: não há filhos bastardos nem crianças sozinhas na rua.” Mas, não importa. “Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.”.

Capítulo 19 Enquanto voltava para casa, derrubou os tomates que caminhava na chuva ao trombar com um homem. Pediu que pagasse pois era sua única fortuna e reconheceu o homem sem querer acreditar. Mwando correu atrás dela e a puxou. Ele pedia perdão, ela disse que sofreu, e ainda acusou ela de ter virado puta. Respondeu que ele tinha tirado sua virgindade, sem pagar a defunta protetora, tirou de seu casamento sem pagar resgate e a deixou sozinha e ficou sem nada, até o útero se foi de tão podre que estava. Ele contou que também sofreu, tinha virado escravo por um indiano ciumento e ficou quinze anos trabalhando em cana e café e gastou tudo que tinha para vê-la. Ela aceitaria, mas que pagasse 24 casamentos. O rei exigia reparo do lobolo, ainda que tivesse se casado com Rindau, irmã de Sarnau, e as 36 vacas deram origem a outros casamentos, resultando 24 lobolos. Ou ele pagasse, ou nada feito. Ele queria pagar, mas tinha nada, sofria mais porque dizia não ter filho e Deus assim o castigou, mas ele tinha, Zucula, o mais velho, era rei, as gêmeas casaram-se em Mambone e Phati estava em seu ventre quando fugiu. João não tinha pai. Ficou eufórico, mas não tinha como pagar. Ela disse que deixaria as lembranças e saiu dali sem saber com qual força. Mwando a chamava na escuridão e ela rejeitou o chamado.

Capítulo 20 Sarnau sofre, chora mas os filhos não notam. Mwando foi até a casa dela, apresentou-se à Phati que abriu a porta e sorria com a resposta dele ser o pai. João sorria muito e os dois pediam para que ele ficasse. Mwando respondeu que ficaria se Sarnau quisesse. Ela mandou os filhos dormirem que o dia era longo. Chovia lá fora, ficaram ali se encarando. Ele disse que as crianças precisavam de um pai, e ela precisava de um homem. Ele tinha vencido, ela tinha o orgulho, mas de quê? Ele chamou de novo o nome dela, tinha negócio, dinheiro, casa, podia ser que desse certo. Puxou o candeeiro e apagou a luz, ficou a escuridão. “Continua a chover lá fora.”.

Tempo da obra: Moçambique antes da independência, com a indicação da cidade de Maputo como Lourenço Marques.

Lugares da obra:

Personagens da obra:

  • Sarnau: Seguidora da religião dos antigos e dos defuntos protetores, sofre para poder ser amada seja na monogamia ou na poligamia
  • Mwando: Cristão, sofre para poder ter respeito e lugar como homem em Moçambique, adotando os valores da modernidade e rejeitando a sua raiz
  • Padre: Sem nome mencionado, antigo mestre de Mwando, hipócrita nos valores cristãos
  • Salomão: Ex-aluno do colégio de padres, teve um caso com a cozinheira
  • Cozinheira: Sem nome mencionado, teve um caso com Salomão
  • Rindau: Irmã de Sarnau
  • Mãe de Sarnau: Sem nome mencionado, curandeira
  • Rei Zucula: Pai de Nguila, rei justo e inteligente
  • Rainha : sem nome mencionado, também veio de uma terra distante, sofreu muito como Sarnau
  • Nguila: Príncipe e futuro rei, marido de Sarnau, beberrão, violento e protetor
  • Khidze: Ex-pretendente de Nguila, feiticeira, preguiçosa e libertina
  • Mayi: Uma das mulheres de Nguila, é a primeira que Sarnau descobre compartilhando a cama do rei
  • Sumbi: Ex-mulher de Mwando, casamento arranjado, preguiçosa, libertina e fugiu para outro casamento
  • Phati: Quinta esposa de Nguila, favorita dele, feiticeira e invejosa
  • Gêmea 1: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Gêmea 2: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Zucula: Filho de Mwando com Sarnau, Nguila acredita ser seu filho
  • Nhambi: Amigo de Mwando, guarda do rei, procurava o sequestrador de Sarnau, mas poupou o amigo que admirava e respeitava muito
  • Phati/Chivite: Filha de Mwando com Sarnau, foi renomeada para descansar o espírito da esposa ciumenta
  • João: Filha de Sarnau com um cristão, enxotou pois não era uma boa aparência ter um filho com uma prostituta
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FUVEST FUVEST 2027

FUVEST 2027 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2026, acesso 2027, possui 2 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “As meninas” de Lygia Fagundes Telles, e “O Cristo Cigano” de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2027 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas.