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"A Visão das Plantas" Djaimilia Pereira de Almeida FUVEST FUVEST 2026 FUVEST 2027 FUVEST 2028 FUVEST 2029

“A Visão das Plantas” de Djaimilia Pereira de Almeida – Resumo de cada capítulo

Capítulo 1

Acordou em casa, tudo estava ao mesmo jeito mas ao mesmo tempo não. O pó cobria tudo, algumas roupas eram comidas pelas traças. “A mobília não saudou o seu regresso. Não tinha mais ninguém na vida.”. Sentia cheiros mas não eram tão confiáveis quanto seu ouvido. “Sobrava‑lhe a casa de jantar, a pequena saleta, os dois quartitos húmidos, a cozinha de tecto escuro aberta para a despensa, os frascos, caixas de farinha de milho bichada, garrafas de aguardente e o quintal, tomado pelas silvas, as urtigas e os cardos.”. A maresia fez com o capitão o mesmo que a casa, tinha degradado com o tempo. A natureza tomou conta da casa, tal como o mofo. Teve até medo da luz que entrava e do espírito da casa sair e o capitão fechou de novo tudo, respirando o pó. A casa tinha também cicatrizes, mesmo sem ter matado alguém. Ali, o capitão achou lugar para descansar o coração, mesmo que não merecesse.

Capítulo 2 Livrou-se da mobília velha e inutilizável, manteve uma mesa e duas cadeiras que usava para escrever. Mantinha-se sempre um silêncio, apreciava aquilo tudo. Queimou roupa velha e coisas que não usaria mais, despediu-se sem aplauso. Dormia na cama que a mãe se foi, sem sentir falta, sem ela saber dela. “Contava com a monotonia saborosa dos seus hábitos de capitão velho, retornado à casa de família desagravado para morrer em descanso.”

Capítulo 3 Ao poucos ia morrendo, achou consolo naquele pouco de jardim que ia arrumando e que a vida proliferava. O jardim se penetrava por tudo, remover tudo que ali havia de memória humana. Ele ia com calma, com as mãos, ora parando para fumar, ora sentindo o vento do mar de tarde. Tinha vezes que dormia, mas ia sempre mondando, limpando.

Capítulo 4 Temia endoidecer com o passar do tempo. Ia limpando, tinha já queimado vilas, feito a natureza se apavorar, mas ali continuava a mesmice. A natureza fazia o favor de lembrar que, no final, restariam apenas os cadáveres e a memória da morte, e assim ela conspira para que os homens adormeçam. Celestino, o nome do capitão, ia todo dia fazer algo novo, fosse em mar ou na casa. Pela mesmidão, a natureza achava um meio de se reconsolidar e ele ia perdendo a luta contra o tempo, queria pará-lo. Talvez fosse assim com Deus, “traz os resistentes à solta, prontos a rasteirar os felizes, no fundo do beco, para se desforrar do tédio.”.

Capítulo 5 Celestino plantou de tudo, de flores a árvores frutíferas e fazia o adubo. Chegou a ter exertos que pedia ou ganhava e tinha cactos que sabia a quantidade de espinhos. Tinha até uma caveira de conchas no bambuza que crescia bem. Padre Alfredo o visitou, indo dar sermão mas foi intoxicado pelos cheiros das flores e aquele sol a pino. Ia tirando conclusões daquele homem que cuidava tão bem das plantas. Gostava da mãe dele, era importante que nada o faltasse.

Capítulo 6 Costumava sair nas manhãs nubladas, de barba longa, sobretudo preto, cara de poucos amigos aos adultos e sorriso para crianças. “Tinha pelas crianças a simpatia de um admirador de obras perfeitas.”. As mulheres rezavam, os homens riam das histórias inventadas, as crianças morriam de curiosidade. Os cachorros nem visitavam a frente pois Celestino os espantava, até construiu um espantalho com cortinas esgarçadas e as pessoas inventaram histórias de rituais. Mas isso afastava os adultos, as crianças eram curiosas, três procuravam ver como ele era, mas viam um jardim florido, bem cuidado, e “um pires com três cubos de marmelada e três fatias de queijo curado.”.

Capítulo 7 Os boatos iam ao Padre, Celestino visitava a igreja, sem nunca se ajoelhar, sentava como se aquilo fosse sua forma de o assim fazer e se acalmar. Padre comentava que a casa tinha ouvidos a ele, sem que ele se quer dissesse algo.

Capítulo 8 Mas os boatos mais pareciam pelo passado do capitão do que a atualidade dita de um homem que dançava com o Diabo e falava línguas. Não conseguiu dele palavras ou até sua vida como uma pessoa com as mãos encharcadas de sangue e de rum, mas de um homem com ideias desconexas e talvez senil que não completa ideias, com as mãos cheirando adubo e terra. Ele se foi. “A loucura é o mais santo dos remédios. Ao contrário do que se dizia na vila e lhe assegurava a língua‑de‑trapos do sacristão, a casa não fora ocupada por um facínora, mas por um homem atrapalhado com os preparativos do seu enterro.”.

Capítulo 9 A narração abre aspas para a fala do Capitão, chamando as crianças como se falasse sendo Jesus Cristo, contando da história de sua vida ali na aldeia. Nasceu e não conhecia o pai, sabia que era Capitão, Nuno, delirava achando que caminhava em casa e o som do mar distante inquietava-o. Sonhava em ser dono da casa, de seu medo e da aldeia. Entre a narração, há um devaneio de se a história e a mentira valesse a pena se ele inventava, podendo ser possível analisar de ele inventar as histórias ou as plantas dali. Os pequenos suplicavam com os olhos para continuar. Foi ser capitão e a mãe deu a casaca e o cordão de ouro. Foi para a África, passou fome, febre, e foi apanhado por holandeses. Cuidaram dele, matou-os no sono e deixou a menina holandesa amarrada em um tronco de árvore lançada para a sorte. Foi assim sangue frio sempre e foi isso que o fez viver. Matou animais, queimou vilas e dormia tranquilo sem remorso.

Capítulo 10 As crianças comiam as amores, pedindo por mais, mais sangue. Conta como cuida das plantas, faz o café, cumprimenta e cuida de cada flor por pétala. Sonha e dorme pensando nelas. As crianças iam enjoando das amoras e o vento soprava as palavras de Celestino. A vizinha pensava que ia matar as crianças, o marido ria.

Capítulo 11 Os rumores a respeito do capitão pioravam depois da conversa com o Padre Alfredo. Dois anos se passaram e ele fazia parte do folclore da vila. As mães tapavam os olhos das crianças quando passavam por ali e as avós ameaçavam levar os netos para serem decapitados se não comessem tudo ou se comportassem mal. As crianças viam aquele velho grande mexendo nas flores. “Para pirata, era chato. Se calhar, disfarçava. Quem dera a Raul ter um roseiral bonito como aquele. Celestino deixou de querer saber se o espreitavam, se não lhe falavam. O espantalho fizera o seu trabalho.”. A casa de sementes vendia de má vontade e acusava de montar um altar para Judas Escariotes. Mas o mar chegava com gente nova e gente nova ia embora, por mar ou por terra, e foram logo deixando ele. Ele ia ficando cego e andando com dificuldade. Mas o que puxava todos do folclore eram as flores na primavera, quase como uma luxúria, uma tentação para pecar. De tarde, o capitão ia espreitar se o pires de guloseimas estava vazio. Sempre assim o encontrava.

Capítulo 12 Algumas frases soltas são citadas, misturando passado e presente do capitão, envolvendo cheiros, ratos, pessoas, conhecidas e ainda não citadas na história, além de, claro, falar das flores.

Capítulo 13 Celestino já não dava conta das trepadeiras e algumas plantas mais altas, planejou salgar a terra com a ajuda de ou Manuel ou Bentes. “de frente, a casa velha tinha rosinhas atrás das orelhas, de costas, era melaço e varejeiras.”.

Capítulo 14 Outra sequência de frases soltas, falando das rotas do capitão pelas Índias, os ratos, em uma previsão de que Celestino perdia noção da realidade e ia enlouquecendo.

Capítulo 15 Em uma noite que a vizinha o vigiava, um vento bateu e Celestino sentia que ia morrer. Mas a Natureza não o tomou, era livre para aquela casa que achou e criou com suas plantas.

Capítulo 16 “As plantas viam o jardineiro como as plantas vêem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora. Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.”. As plantas não faziam diferença para ele, tal qual Celestino não via diferença na vida do motim dos escravos que matou jogando cal no porão. As plantas continuariam, perceberiam a mudança como um chapéu usado moldou-se a uma cabeça e foi jogado fora.

Capítulo 17 A vila ficava a mudar aos poucos, mas Celestino não veria a mudança ao século XX. Imaginava e passeava na vila que se indiferenciava por ele, não era ódio e nem repulsa, mas o tempo passou e era um fantasma que não assustava. O padre era quem o via com frequência, dizendo que não era tarde, mas quando que “tarde” começava? Tinha nada a dizer aos ouvidos de Jesus. Quem o esperava era a casa, o mar tinha findado.

Capítulo 18 Novas frases soltas, que se misturam entre descrições e alucinações, lembrou da holandesa de oito anos, em Júlio e Saraiva, da infância, dos novos tempos e do mar que o tragava.

Capítulo 19 Celestino envelhecia. Talvez ali tivesse descoberto o amor, ou até mesmo a prova viva de Deus que há bem em todos, ou que não há justiça alguma no mundo que um capitão que ceifava vidas agora cultive flores lindas. Talvez até do fazer bem que viesse de quem fosse cabeça oca. Pensava de vez em quando em atirar nas costas do Padre Alfredo com nariz empinado de perfumista depois de falar do calendário da paróquia. Também as crianças cresciam em sua volta e casais se faziam. Pode ser que cada flor fosse uma vida ceifada por ele, dali surgia o amor, ao contrário do que pensavam de que plantava as flores do seu caixão. Mas uma coisa era certa – o tempo passava. As pessoas espiavam esse homem que ali ficava no jardim ou deliravam de noite que ele invadia suas casas.

Capítulo 20 Há uma descrição de Celestino avançando por uma mata virgem, com os pensamentos de que a morte o rodeava e a floresta o engoliria.

Capítulo 21 Há uma breve explicação dos pais de Celestino, o pai viu o filho nascer sem saber como criar e ainda menos que ia morrer em pai, profissão da família. A mãe trabalhava muito, fazia de tudo em roupas que a sufocavam naquele calor de Portugal. Ainda assim, há uma descrição do madeireiro vendo aquela madeira vinda do Brasil que contava uma história, de uma mata que Celestino se perderia. Ao fim, Celestino viu o sol e caiu sangrando na praia. Alguns trechos falam de pensamentos desconexos, entre festejar com negros, a noite, as estrelas e pães.

Capítulo 22 “Aprendeu a fazer queijo. Cozia a sua broa. Recuperou o alambique.”. Perdia-se no tempo e não sabia mais traçar qual tempo estava, até mesmo repetia as atividades de infância agora velho. No ribeiro, enquanto ainda estava bêbado, pensou ter ouvido vozes e pensava se estava ficando louco. Pensou ser a holandesa que prendeu no tronco, mas não achou nada e nem teve respostas.

Capítulo 23 Descreve-se as manhãs em sua casa. Sobe a fumaça do orvalho no chão, como sobe o do cigarro do capitão. Começou a vida brincando com marinheiros e acabava ela brincando com jardineiros.

Capítulo 24 Várias frases soltas de móveis, chuva e sangue de noite.

Capítulo 25 Enquanto cuidava dos potes de terra, viu um brilho. Achou que era o pingente que sua mãe tinha lhe dado, mas ele ainda o tinha. Foi tomado de um ataque de loucura e cavou sem parar, como se sua alma fosse feita para isso e sua vida disso dependesse. Cavou até cair a noite, estava todo dentro da cova e chorou. Sua pele doía mas cavava, e assim adormeceu, sem saber o que procurava ou o que tinha por ali.

Capítulo 26 Já era meio-dia e foi acordado com o sol a pino. Sentiu um galo na testa e foi dormir com os pés gelados e as ideias embaralhadas.

Capítulo 27 No dia seguinte, amanheceu mais velho, com a pança, a corcunda e a pele áspera que antes havia de um corpo esguio. Foi se ver ao espelho e se espantava. Cortou a barba longa no queixo e a deixou cair aos pés desconhecidos, como se ela não fizesse parte dele. Barbeou-se, com paciência e com calma, já que tremia e se arrependia de ver aquela pele seca. O mundo teve outro sentimento, a cara feita fazia a chuva e o vento ter outro sabor. Naquele espetáculo da natureza, o capitão teve sua última aventura em leme e “Fechou a porta e foi para dentro ver se comia alguma coisa.”.

Capítulo 28 Tinha ficado doente em uma das tantas visitas do médico. Recomendava descanso e caldo. O padre, provocando-o, perguntava se não queria confessar. Ele respondia não com a cabeça e veemente. Na época do frio, temia das plantas morrerem e ia conferir tudo apesar da doença. Talvez pelo sistema de irrigação ou algo maior, as plantas continuavam as mesmas, e essas flores e frutos mostravam piedade aquele monstro de outrora. Na época de São João, foi levado por Manuel, primo do caseiro falecido Amadeu. Mas não gostava do barulho e da gente, tentou voltar para casa, perdeu-se e machucou-se ao cair no chão. Manuel o encontrou em um beco. Implorou para ser levado para casa. “Foi a primeira e única vez na vida que implorou alguma coisa fosse a quem fosse.”. Ficava cego, a pele nunca mais ganhou cor, conhecia as flores pelo tato e pensava que as flores o respondiam pelo tato. Alguns animais o visitavam, gato e rafeiro, tipo de cachorro de guiar gado, deixava alguns ossos, os coelhos, que cavavam buracos, torcia os pescoços. Junto ao limoeiro, enterrou os cabelos das barbas, tão distantes dele quanto jamais foram. Pode ser que seria assim enterrado no jardim ou saberia voltar ao jardim pelo cheiro. “Todos os dias o jardim estava diferente. Jamais se entediava.”.

Capítulo 29 Certa vez, o padre havia lhe trazido um peixe, mas esqueceu na cozinha e ele apodreceu. O cheiro o enojou, acostumou-se com as flores.

Capítulo 30 “Raul, Pedro e Luzia ainda apareciam. Queriam ouvir histórias do corso.”. Deleitava-se com as crianças, os risos e os olhares das histórias que contava. Mostrou também suas tatuagens e cicatrizes. Mas tudo aquilo deu vazão de curiosidade para pena e nojo. Um homem que viveu tanto e degolou todos era agora escravo do jardim e vítima do tempo. Era ironia do destino que o mar tenha o deixado em terra. Não cuidou do jardim, estava escravo dele. “Mas depois de as crianças se terem ido embora, não saberia dizer quem o tinha visitado.”.

Capítulo 31 Celestino recebia visitas nortunas, principalmente de uma negra que preparava uma refeição a ele a até mesmo a de Padre Alfredo mais jovem. Estava sonâmbulo, acordava em lugares diferentes, sujo, lambuzado, cansado, machucado, sem lembrar do que fez. As pessoas não o olhavam mais e as crianças não o visitavam.

Capítulo 32 “A casa e o jardim, que começara por compor à sua imagem, estavam desleixados.”. Não completava frases que escrevia e também as atividades do jardim não eram mais as mesmas belas de antes. Sonhava de olhos abertos, misturava infância, passado e o presente de uma vez, ora cantarolando, ora navegando. A holandesa aparecia de vez em quando, dormindo perto dele como uma neta fria. Pensava na morte e o que seriam de suas plantas.

Capítulo 33 Em vez de continuar sonâmbulo, sonhava acordado, as plantas iam saindo de seu corpo, inerte, sem reação, babando com o brilho da Lua e o estado vegetal do antigo capitão.

Capítulo 34 Sem saber que era a morte, uma negra de saia e avental vinha lhe fazer companhia de dia. Cuidava dele, dava de comer, lia enquanto podava as rosas. Aos poucos, ia sendo embalado. Em uma noite, voltou do bosque, distante da morte, mais velho, mais cedo, cada vez mais distante do que já foi e piorando.

Capítulo 35 A morte ia o chamando, agia como um menino de tão indefeso, fraco e sem força ou meio de reagir. A negra ia o chamando por Capitão, talvez por ser um nominativo, ou talvez para ver se ali restava o que ele já foi, coisa que não restava mais nada além da carcaça. “Com medo dela, entregue aos seus braços, entre o sono e o delírio, derrotado. Não era hoje, ainda não. De volta, deitava‑o na cama, tapava‑o, voltava à cozinha. A morte, quando quer, tem toda a paciência do mundo.”

Capítulo 36 Celestino agora era patriarca de uma casa que vinham vivos e alucinações. Vivia com a escrava e a menina holandesa, “a velha negra por ele mandada ao Atlântico e a menina que o capitão deixara no mato de olhos vendados.”. Ia passando o tempo, ele, morimbundo, ouviu da morte de Mendes, de gatinhos nascendo, e as mulheres da casa iam e vinham. Mal sabia o que era realidade. Ele ia perdendo forma assim como o jardim. Como a morte não o engolia para a terra, aos poucos tudo perdia-se forma para virar uma coisa só. Só via a menina holandesa de olhos vendados, pois o que a vida fez, a morte não desfaz. Assim iam passando seus momentos.

Capítulo 37 Os gatinhos nasceram. Celestino os vigiava, alimentava, e pode ser que, farto do ato, a mãe desceu a ladeira e nunca mais teve com a ninhada. Os filhotes da gata tigrada também viraram gatos e também se foram.

Capítulo 38 Via o espantalho a dançar pelas ventanias. Pensava em como ele dançava sem precisar de descanso e caldo, coisa que ele precisava. Ficava entre pensamentos de ventos e lembrando dos corpos de escravos mortos no episódio da cal, assim como vendo o corpo da escrava sem vida ao mar. Ainda estava ali, pensava, cuidava dos cravos e aos poucos ia se rastejando, como se dissesse à Morte que podia vir buscá-lo.

Capítulo 39 O Capitão ia se esquecendo de andar, de falar, retornava ao estado de menino amedrontado. O jardim tomava conta dele, por meio do medo. O espantalho agora dava medo, ouvia as vozes e se apavorava dos barulhos de fora, de quem seriam, de quando. Tinha medo das plantas virem estrangular ele, como a velha preta, que não aparecia mais.

Capítulo 40 Manuel um dia veio buscar o pirata para ver o mar novamente, tirar daquele jardim que tratava as flores como filhas e parecia até que seu desejo era se tornar uma flor. Manuel quis estar perto de um pirata sério, quis fazer seu pé molhar, esboçar algo, nada. Era um velho em outro mundo, sem pensamento conectado. Manuel se decepcionou e ficou em silêncio naquele velho que respirava e tiritava com o som da maré. Levou de volta para casa, comeram dois nacos de pão e deixou-o na cama, aquele capitão que todos souberam do regresso já tinham morrido. Virou cantiga de pescador. Morreu sem que as plantas parecessem saber. O médico e o padre viram-no na cama. Cobiçou o pirata, que nas mãos que o padre tinha, faziam as plantas morrerem.

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FUVEST FUVEST 2026 Redação FUVEST

FUVEST 2025 acesso 2026 – Sugestões e apostas de tema de redação

I – O homem deixou de ser social?

II – Devem existir limites para o humor?

III – O lazer e o meio ambiente: entre o direito e a conservação

IV – As diferentes faces do ódio

V – O papel da política no mundo contemporâneo

VI – Qual é o legado da pandemia da COVID-19?

VII – De que maneira a minoria contribui para a maioria?

VIII – Existe espaço para o tédio?

IX – O mundo contemporâneo está perdido com a nova geração?

X – O celular é o novo crucifixo?

XI – “União e reconstrução”: o Brasil é o país do futuro?

XII – Qual o futuro da arte?

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FUVEST FUVEST 2029

FUVEST 2029 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras. No ano de 2028, a maioria das obras continua sendo de mulheres, com o retorno de escritores homens na lista.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2028, acesso 2029, possui 3 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “Memórias de Martha” de Júlia Lopes de Almeida, “A paixão segundo G. H.” de Clarice Lispector, e “Balada de amor ao vento” de Paulina Chiziane.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2029 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas

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FUVEST FUVEST 2028

FUVEST 2028 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2027, acesso 2028, possui 2 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “Opúsculo humanitário” de Nísia Floresta, e “Caminho de pedras” de Rachel de Queiroz.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2028 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas

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FUVEST FUVEST 2027

FUVEST 2027 – Lista de obras de leitura obrigatória

Desde o ano de 2025, a FUVEST inova pedindo uma lista completamente composta de autoras.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2026, acesso 2027, possui 2 obras novas comparadas ao ano passado. As obras que não fazem mais parte da lista são “As meninas” de Lygia Fagundes Telles, e “O Cristo Cigano” de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2027 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas.

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FUVEST FUVEST 2026

FUVEST 2026 – Lista de obras de leitura obrigatória

Pela primeira vez, um vestibular pediu uma lista completamente composta de autoras. Havia uma lista anteriormente que a FUVEST 2028 teria outras obras, mas a mudança foi feita ainda em 2024.

Dessa forma, a FUVEST do ano de 2025, acesso 2026, possui 9 obras novas comparadas ao ano passado.

A lista de obras de leitura obrigatória da FUVEST 2026 ficou da seguinte forma:

Você pode conferir os resumos das obras clicando no nome delas.

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FUVEST FUVEST 2025 Redação FUVEST

Tema de Redação da FUVEST de 2024 – As relações sociais por meio da solidariedade

O tema de redação da FUVEST 2025, do ano de 2024, foi “As relações sociais por meio da solidariedade”.
Confira os texto motivadores:


Texto 1:
“Rubião, de cabeça, subscreveu logo uma quantia grossa, para obrigar os que viessem depois. Era tudo verdade. Era também
verdade que a comissão ia pôr em evidência a pessoa de Sofia, e dar-lhe um empurrão para cima. As senhoras escolhidas não
eram da roda da nossa dama, e só uma a cumprimentava; mas, por intermédio de certa viúva, que brilhara entre 1840 e 1850,
e conservava do seu tempo as saudades e o apuro, conseguira que todas entrassem naquela obra de caridade”.
Machado de Assis. Quincas Borba. Capítulo XCII.
Texto 2:
As associações de indivíduos da mesma espécie constituem inumeráveis sociedades. Assim como as relações sociais, a vida é
constituída por simbioses – associações duráveis e reciprocamente proveitosas entre seres de espécies diferentes.
Edgar Morin. Fraternidade. Para resistir à crueldade do mundo. Adaptado.
Texto 3:
“Já estávamos em Uidá havia quase duas semanas quando comecei a perceber como o Akin
era esperto e inteligente. Ele conhecia quase todos os donos das lojas, pois de vez em quando
fazia alguns trabalhos para eles, como limpar o chão, levar recados ou entregar encomendas.
Foi dele a ideia de andar comigo e com a Taiwo pelas lojas e pedir presentes em nome dos
Ibêjis [assim são chamados os gêmeos entre os povos iorubás], qualquer coisa, desde que não
fizesse falta (…). Quando voltamos para casa, foi porque não conseguíamos mais carregar
todos os presentes que ganhamos, e a minha avó novamente ficou brava, mas, no fundo, acho
que gostou. A Titilayo riu e disse que éramos mais espertos do que ela imaginava, mas que
não devíamos fazer aquilo novamente porque os tempos estavam difíceis e as pessoas
poderiam não ter o que dar. Como ninguém gostava de recusar presentes aos Ibêjis,
acabavam gastando o que não podiam ou se desfazendo do que precisavam, sem contar que
ainda tinham que economizar dinheiro para quando começasse a época das chuvas, em que
quase não havia movimento no mercado, nem o que vender ou colher, e faltava trabalho para
muita gente. Os rios e lagoas transbordavam, engolindo as terras e os caminhos e dificultando
os negócios. O Akin disse que então só pediríamos nas casas dos ricos, dos comerciantes que
vendiam gente e moravam do outro lado da cidade. O Ayodele, que tinha voltado dos campos
de algodão, avisou que não era para irmos lá de jeito nenhum, pois eles nos colocariam dentro
de um navio e nos mandariam como carneiros para o estrangeiro”.
Yhuri Cruz. Ibeji, 2022.
Museu de Arte do Rio.
Ana Maria Gonçalves. Um defeito de cor.
Texto 4:
O mundo produz alimentos mais do que suficientes para erradicar a fome. Coletivamente, não nos faltam conhecimentos nem
recursos para combater a pobreza e derrotar a fome. O que precisamos é de vontade política para criar as condições para
expandir o acesso a alimentos. À luz disso, lançamos a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e saudamos sua abordagem
inovadora para mobilizar financiamento e compartilhamento de conhecimento, a fim de apoiar a implementação de
programas de larga escala e baseados em evidências, liderados e de propriedade dos países, com o objetivo de reduzir a fome
e a pobreza em todo o mundo. Nós convidamos todos os países, organizações internacionais, bancos multilaterais de
desenvolvimento, centros de conhecimento e instituições filantrópicas a aderir à Aliança para que possamos acelerar os
esforços para erradicar a fome e a pobreza, reduzindo as desigualdades e contribuindo para revitalizar as parcerias globais
para o desenvolvimento sustentável.
Texto 5:
“Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta”.
Cazuza. O tempo não para.
Declaração de Líderes do G20. Rio de Janeiro, 2024. Brasil. Adaptado.
Texto 6:
“Porque – guarde isto! – porque o homem, por mais ignorante
que seja, por mais cego, por mais bruto, gosta de ser tratado
como gente.”
Ruth Guimarães. Água funda.

Considerando as ideias apresentadas nos textos e outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: As relações sociais por meio da solidariedade.

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FUVEST Redação FUVEST

Tema de Redação da FUVEST de 2018 – De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?

O tema de redação da FUVEST 2019 teve como a frase “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?”.

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Água Funda FUVEST FUVEST 2025 Literatura Brasileira Modernismo Modernismo no Brasil Resumo de Cada Capítulo Ruth Guimarães Vestibulares 2024

“Água Funda” de Ruth Guimarães – Resumo de Cada Capítulo

A obra tem 3 edições, uma do lançamento, em 1946, mesmo ano de “Sagarana”, outra esquecida (talvez reimpressão ou segunda edição nos anos 2000?) e uma terceira em 2018. Foi o romance de estréia de Ruth Guimarães, sempre apaixonada por ler e que morou na região rural.

A obra possui dois grandes momentos, 50 anos antes e 50 anos no momento da narração, até o fim dos anos 30.

Há um locutor silencioso, ao qual o narrador fala com e é sempre preocupado com a verdade.

É uma obra sobre o caipira do sudeste, em dois momentos do Brasil, antes e depois da escravidão em uma fazenda no sul de Minas, próximo ao Vale do Paraíba, local de nascimento e de vida da autora.

Os locais de maior atenção são a própria fazenda Olhos d’água e uma cidade próxima da fazenda.

O sentimento principal da obra é o medo.

A história se assemelha aos moldes de um causo contado, já que nem tudo é contado de uma vez e as histórias vão se adicionando aos poucos sem conexão aparente, até que elas se conectam ao final, como uma grande epifania de um causo contado.

Realismo mágico – É impossível traçar a linha de quando superstições e crendices superam a ciência e o racionalismo, os dois existem ao mesmo tempo

Super-realismo – O regional vira universal

Trecho inicial

Estas coisas aconteceram em qualquer tempo e em qualquer parte. O certo é que aconteceram. E, como sempre se dá, ninguém apreendeu nada do seu misterioso sentido. (A história é uma professora sem alunos, A história ensina e ninguém aprende.)

Capítulo 1 O narrador, muitas vezes que dá voz também a própria autora, conversa com um locutor silencioso chamado “moço”. Ele começa a descrever a região que passará boa parte da narrativa. O narrador conta como todo o engenho era o mesmo e não era. Talvez até tivesse as mesmas árvores, animais e até o mesmo Seu Pedro Gomes que lembrava da época, mas a praga mudou tudo naquele lugar, o ar era diferente. A casa tem salas grandes e o sol invade com facilidade tudo, mas há um ar frio de morte por ali, seja pela praga, pelo terreno construído por cima de corpos de negros ou de Maria Carolina, ou Sinhazinha Carolina, antiga bela dona que vigia tudo pelo quadro pendurado na sala. Era irmã de outros dois, Sinhá Maria Isabel, casada, e Miro. Quando a caçula casou, teve festança de uma semana, para felicidade da mãe desses três que eram a praga de sua vida. Tinham matado 40 bois e perderam noção dos cabritos e dos doces. Apesar do exagero, o narrador falava que era verdade, pois até Seu Pedro Gomes poderia confirmar. O narrador tem uma preocupação da história ser verídica, quando há uma suspensão da verossimilhança, ele diz que outros podem comprovar ou que tem como ele provar ou que o povo falava que era verdade, tal qual a expressão de que “A voz do povo é a voz de Deus”. Mas o casamento havia de terminar mal, “casamento que começa com foguete, acaba com porrete. Esse não acabou com porrete, mas foi muito pior.”. Um guainumbi, um beija-flor, de papo branco entrou no quarto no dia do casamento. No começo era bom, mas depois o marido virou festeiro e ia para todas as farras com Seu Pereira. Mas Sinhá não brigava, casou contra a vontade dos pais. Pode até ser que brigasse, mas era escondido ou nunca aconteceu. “A soberba ajudou Sinhá a sofrer calada”. Sinhá Carolina costumava visitar a irmã, que toda hora o marido de Sinhá Carolina ia para longe e voltava chorando. Mas o problema é que ela acreditava no arrependimento que era tantas repetidas vezes, achava sempre que mudaria. “Mulher, pelo coração, a gente leva para onde quer.”. Casaram cedo e era difícil mudar. Quando mudou, o coração de Sinhá já tinha endurecido. Um dia, Sinhá Carolina queria comprar uma cozinheira, Joana Maria dos Anjos, o problema foi que Seu Joaquim Dias falava que era melhor comprar o marido dela também, já que ela era muito bonita e podia dar problema com o marido dela que era mulherengo. Afinal, sempre havia trabalho na roça, uma mão extra era sempre bom. Ela tratou mal já de cara a cozinheira, até a Sinhazinha achou ruim o tratamento, mas a mãe falou que ela fazia o bem entendia pois ela mandava, quando ela fosse mandar, ela faria diferente. Os tempos que a faziam ser assim, ela não era de todo má, tal qual a desgraça depois não era de Joana dos Anjos, mas podia bem ser uma parcela de culpa, mas não total. Tem gente que só aprende depois que “fica com o sinal na carne”. O narrador fala de uma vez que o Sinhô foi sair procurando Carolina. O narrador até fala da beleza das coisas repetidas e como elas são sinais da beleza do mundo. Tal qual a história de Carolina e Deus eram um só. Zé Lucinda tocava violão numa toada repetida. Carolina tinha tido um sonho ruim com Sinhô, mas ele dizia que não ia dar nada. Coitado dele que sempre contrariava. Morreu, acharam com o pescoço quebrado, falaram de praga, até mesmo que era de Joana, e o narrador falou que era cobra e o cavalo assustou, crendice tem limite. Sinhá ficou de luto mas não a viram chorar. Reparou que Joana chorava pelos cantos, mas a soberba de Sinhá era ruim e ela insistia no não. “Ruindade, às vezes, é só falta de imaginar a tristeza dos outros”. Quando começou a cuidar da fazenda, mandou matar o baio, cavalo, só para que tivessem noção de sua ruindade, achavam melhor que tivesse dado ou presenteado ou vendido. Instalaram um moinho perto, Sinhá mandava e a desgraça dela veio por lá. A vida dela subiu, como a de todos que vêm em ondas, mas a dela subiu e desceu, de uma vez, com ela “de cabeça em pé”. Tinha ferramentas para se salvar, o marido, a filha, o dinheiro, mas o progresso vinha e tirava tudo que atrapalhava: marido morreu; filha saiu da frente; o dinheiro perdeu. Assim como Deus quis ter.

Capítulo 2

O narrador explica do caminho da estrada do Limoeiro para Olhos D’Água. De dia é alegre, de noite passava o espírito de Sinhazinha Gertrudes. Sinhazinha era como Sinhá, de juventude e de gênio. Ela procurava frutinhas, e a morte a esperava. A natureza sempre se embeleza para avisar o amor. Tudo fica mais cheiroso, vivo, e seus olhos eram lindos e encontraram os do filho do capataz. Parecia que o Inácio Bugre tinha armado tudo. Inácio Bugre é, supostamente, pelo seu comportamento e atividades, alguém indígena. O problema é que isso não é explicado claramente, alguns indicativos, além do comportamento (sisudo, poucas palavras, bom de natação, resistente à picada de cobra, bom com arame e trabalhos manuais) é o nome Bugre, que é um apelido pejorativo para indígenas de europeus por não serem cristãos, que vem de uma palavra francesa “bougre” que significa “búlgaro”, um povo considerado no século XII herético, o significado da palavra. Trazia presentes, armados, frutas, acessórios, não trazia a lua como Sinhá dizia porque estava alto demais. Um dia ela se afogou e Inácio a salvou. Ela ficou dias acamada, ele ficou do lado sem sair e sem comer. Quando falaram que ela iria melhorar, chorou. Parou pouco depois e fechou a cara. Quando foi vê-la outro dia, sorriu pela primeira vez. O amor estava ali, de uma barulhenta e um quieto. Mas falavam daquilo, ele podia ter más intenções. Sinhá gostava da simplicidade do homem, não era levada fácil por comentários alheios. A família de Inácio que deu o nome da fazenda, com várias nascentes boas e a crendice que ali era que a mãe d’água tem chorado. Trabalhava no brejo, ia de canoa, levava frequentemente picada de cobra. Tinha quem dizia que “ele tinha oração de fechar o corpo”, mas tinha mesmo sangue forte e fumo bom pra fechar ferida. Falava pouco, sorria pouco, mas tinha medo nenhum. Casou o filho do capataz com a menina, mas Sinhá não apoiou. Fez festa e antes dela já vinha tossindo. Conversavam que Seu Jovino não ia bem. Zé da Lucinda um dia se assustou com ele. Era o falecido Sinhô velho da fazenda, que todos se riam dele não saber quem era. Muitos dos velhos moravam no antigo armazém, Sia Maria, a avó, que sempre prozeava por lá, a querer saber de Miro, mas não queria saber de morar com as filhas apesar da saúde. A vida de Sinhazinha continuava uma festa, e Sia Maria não gostava do que ela aprontava. Sinhá falava menos, Sinhazinha o suficiente pela manhã, que passava com a avó o dia todo, mas ia mesmo era com o filho do capataz na canoa. Sinhá brigava com a tia Maria Isabel, não aprovava o filho de capataz. Não pensava no amor por casamento pois o dela não deu certo, logo o de Gertrudes não daria. Maria Isabel aceitou, ficou quieta e “saiu da fazenda para nunca mais voltar”. Tempos depois a Siá Maria faleceu, encontrar-se com o seu velho. Isso afetou Sinhazinha, pois não tinha a quem pedir conselho. Pode ser que foi decidir e decidiu mal, ou bem, nem o narrador sabe. Sinhá continuava dura, Sinhazinha corria para Inácio, até que ela saiu do ninho de vez. Sinhá quis falar com o filho do capataz e corria o boato de que Inácio ajudou o casal a fugir. Inácio ficou ofendido com a acusação, Sinhá estava desconsolada. Ela estava arrependida, e ele não dizia por nada, até porque se fosse a filha dele, não precisava fugir. Queria mandar gente, mas pra quê? Ficou sozinha e sem consolo. Seu Joaquim Dias após um tempo não trabalhava mais na fazenda. Até pensaram os dois de falarem que o filho do capataz era bom, e que ela perdoava a filha, mas a única troca foi de dinheiro. E aí piorou, era uma troca de capataz que nenhum prestava, um chegava tarde e não gostava de trabalhar, outro comprava briga e apanhou, outro era ruim e morreu, outro nortista de cara fechada, e um alemão que não achava brasileiro bom pra trabalhar. Esse ficou. Ficou e pra piorar. Ler página 35

Capítulo 3

O dono da fazenda expulsou o filho de casa. Não se sabe o que é, mas pelas palavras do pai que coisa boa não era. Um cavaleiro bem vestido chegou na fazenda, o mesmo menino que foi expulso da fazenda, apesar de não ser explicado diretamente, querendo saber do dono. Falaram para onde ir e ficaram pensando que ele ia comprar a fazenda. Mas os bichos dali saiam de perto da nova figura. Sinhá gostou dele, apesar de ser estranho um moço aparecendo assim. Eram olhos miúdos de cobra que seduziam, falava pouco. Choveu como nunca na noite. O alemão foi mandado embora, mesmo que ela não tivesse queixas, o novo moço ficou de capataz. Logo espalhou que ela casaria com o capataz. Logo depois que ia vender a fazenda. Falavam até mais, que iam comprar outra fazenda. Apesar do aviso de Miro, que não se intrometia e mal falava com sua irmã, avisar da situação, Sinhá não ouviu. Mulher se enleva com pouco. Miro respeitou. Tinha até boatos que ela e a irmã estavam bem. Mas não estavam, nem se falavam, a filha ninguém sabia, só o Bugre e ele não contava. Ela casava, ele disse que não era de deixar, mas que pelo menos fosse de separação de bens. Isso não era apenas o louco do Miro que via do dinheiro, mas até mesmo de que sabiam que ele foi expulso pelo pai. Há um retorno do conto de como Seu Jovino morreu. A desgraça é uma metáfora em uma história do narrador, e ela chegou para Sinhá Carolina por boa fé, ela nunca mais voltou para a fazenda, a Sinhá Carolina, ela mesma, com esse nome, nunca mais voltou. Sinhá Carolina se deu por toda, como o Diabo gosta, e por ter ficado sozinha, aceitou aquele pouco agrado. Ela fechou a mala e fechou a vida. Todo mundo é como canoa em água funda, a água mexe um pouco, mas é isso. Ler página 52

Capítulo 4

Viram Inácio indo levar a Sinhá para a estação. A história salta para o momento da fala do narrador, os acionistas estavam feliz com tudo, dinheiro sobrava. O novo manda-chuva queria saber o que achavam, chamava todos de amigos, camaradas, perguntavam o que podia melhorar, queria a opinião de pessoas que nunca ouviram nada mais do que ordens. Gente bruta também gosta de ser tratada como gente. Traziam gado novo, cruzavam para ter mais, cimentaram vias, progrediram. Foram 50 anos e muita coisa mudou. O chefe era tão próximo da gente e trabalhava igual que ele era chamado de Velho. Conversavam, comiam e riam juntos.

Capítulo 5

O narrador conta do modo de transporte da época e de hoje. Se antes eram carroças do Miro puxadas por burro, uma traquitana esquisita, hoje eram os caminhões do Zé Luiz, que mudaram de estética mas a engenharia era a mesma. No tempo do Miro era festança, faziam quantas viagens necessárias, até compras na cidade. Do Miro só sobrou uma neta, Curiango, sabia cantar, mas que nem sabia das histórias dele. Ficaram as invenções, acostumaram com a falta. O nome era de pássaro, mas o motivo é incerto. Ela atraía não pelo corpo ou olhos, mas um calor que vinha dela. Joca gostava dela antes mesmo de saber que gostava. Seu Pedro Gomes tentou apartar uma briga de desordeiros e levando facada. Não levava desaforo pra casa e quase nunca mais voltou para ela. Passou a sentir as coisas com a ferida, como toda pessoa, animal ou criança quando sente no ar a mudança. Assim como a lua também muda as coisas. Assim como Curiango.

Capítulo 6

O narrador conta da safra e dos animais criados e de criar estoque. Era nessa época que Joca viu Curiango. Na festança da casa dos Netos tinha de sobra de trabalho aos homens e mulheres cozinhando, já tinha gente e já tinha bagunceiro, como Zé Pedro bebendo e Choquinha, nome que tem sempre de ficar andando de cócoras e ficar nos cantos assim, que queria ajudar mas não conseguia, era enxotada para outro lugar. Joca mal percebeu Curiango, mas na hora da roda que a viu. Achou graça no jeito, ainda mais no apelido e do pai brabo. Ficou sem saber se gostava dela, até o casamento de Cecília. Teve até mesmo que ele caiu em um barranco correndo atrás de Curiango, sendo que no mesmo dia ela tinha ido embora com o pai. Era algo “naqueles olhos”. O narrador puxa a fala de ter ido à Mariquinha Machado para se benzer, e das histórias dela de benzimento. Ele acreditava que era mau-olhado em vez de paixão. Só que Curiango gostava dele e achava estranho as crendices e como espalhou a história do feitiço. Perdoou como se nada tivesse acontecido. E a primavera chegou em setembro. Lembrou da primeira vez que a viu e que a assustou, saiu voando como pássaro. Em um dia que comia Jaboticaba, viu como Mariana pedia para que ele jogasse e como ela cresceu. Pena que era nova. Desceu e viu Choquinha que pedia esmola. Não dava esmola mas dava carona. A relação entre os moradores e Choquinha é de não querer por perto, mas não querer longe. Joca estava de bom humor com a primavera. Sentia-se curado, não por causa do Dr. Amadeu. Tristeza de moço não dura muito tempo. “O coração de Joca era um potro xucro dando pinote”. Em uma noite quente, mal dormia. Era calor, ou até mesmo cavalo que procura algo no cio. Saiu para tomar sereno e acabou parando perto da casa de Mariana. Ler página 74.

Capítulo 7

Joca precisava viajar para resolver uns assuntos em Maria da Fé. Cantavam uma música triste na madrugada. Na volta, mostravam as compras, menos Joca que fingia não ter comprado algo. Na volta, Messias cozinhava naquela noite de breu e contavam histórias de encosto e fantasma. Falaram de portão batendo, enterro no céu, luzes, rezavam. Dito achava tudo esquisito e não se intrometia. Teve outro contando a história de um homem que não podia ir para o céu até ouvir um “Deus lhe pague”. Ganhou por dar um tatu. No meio da conversa, um rato foi roer o pacote de Joca, ele ficou louco, era um corte na seda ramada.

Capítulo 8

Toda noite na casa de Julinha tinha truco apostando dinheiro. Joca participava mesmo que não fosse bom. O truco mineiro joga com manilha específicas. É tão comum que é até parte de vocabulário, como a palavra “maço” e “seis”. A jogatina ia longe, o parceiro de Joca era bom e ele ia na toada, Mariana até pedia pra ir embora mas ele ficava ali. Jogaram até de madrugada. Por ali, veio um homem falando de uma empresa contratando com salário bom, emprego fácil, manual, mas que pagava bem. Mas era a vida, podia chover, trazer lodo, mas tudo era canoa em água funda. Em uma outra passagem, Mariana aparecia com o vestido que Joca comprou. Naquele dia de sol, tudo ficou calmo prevendo algo que ia acontecer e esperavam pra ver, Curiango viu o casal e não entendia bem, ou entendia bem até demais. Mariana até tentou fazer barraco, mas Curiango era maior. Disseram que jogaram o vestido novo pela janela. Joca queria ir nesse trabalho novo. Não ia por dinheiro, mas vergonha e de se punir. Até jogaram truco depois, mas Joca estava muito abalado por qualquer coisa. Zé Lucinda e Joca foram parar na cadeia por dois dias. Olhos d’água queriam os dois por lá mesmo, não porque eram pessoas ruins, mas formavam um grupo ruim. Ler página 93.

Capítulo 9

Mané Pão Doce era o antigo padeiro antes de Zé da Lucinda. Tinha sumido e nem entenderam como. Voltou pele, osso e pereba, pois foi ao trabalho do sertão que pagava bem. A filha ia bem e ele estava sozinho, acreditou e se deu mal. Era tão ruim quanto morrer. Trabalhavam sem parar, quando paravam eram assediados psicologicamente. A única forma de comprar algo era pelo armazém também da companhia que vendia mal e caro. O dinheiro vinha por vales e só podiam usar no armazém. Tentou pedir as contas, mas cobraram tudo que ele fez e tinha, devia dois meses de trabalho e seria preso se não pagasse, era trabalho escravo. Até tentou gritar com o patrão, acordou machucado e foi vigiado. Só que aos poucos foram vendo que mais ficavam com raiva. Não iam matar porque ir para a cadeia por aquilo não valia a pena. Planejaram fugir e conseguiram. Tiveram que amordaçar e irem como feras, já que eles estavam armados e já tinham matado outros. Fugiram um para cada lado e julgaram que não seriam seguidos. Quando ouviram a história, no dia seguinte, o homem que arranjava gente para trabalhar lá apanhou feio do pessoal. E era justa a cambada ruim que foi parar lá com mais gente ruim. Queriam dar um susto mas arrastaram o homem de corda pela cidade. Volta uma cena para um homem amaldiçoando Bugre, que ele seria o primeiro, mas não era. Tal qual 50 anos atrás, pessoas trabalhavam como formigas, mas como escravos. Muito não mudou. O narrador teve dó do homem jogado ao banheiro com remédio de carrapato. Ler página 98.

Capítulo 10

Joca se perdeu no rabicho de Mariana, depois no jogo, e, finalmente, a pinga. Vivia bêbado e sendo resgatado, ouvia sermão e sabia que era de laia ruim, mas queria que tudo se danasse. Vicente ainda dizia que podia ter algo com Curiango, com mulher, nunca se sabe. Choquinha foi pedir esmola para Mariquinha e ela pedia que tudo fosse em verso e assim ela fazia. Joca via tudo enquanto trabalhava no sol. Joca parou para ver Curiango vindo escondido. Acabou vendo Bugre. Amaldiçoou e esperou ela vir, veio e se assustou por achar que tinha gente vendo ela. Ela foi com um pote vazio e voltou cheio, ficou maravilhado vendo ela. Ficou até sabendo mais. Viu Tonho Piraquara passando por ali, tal qual outro pássaro. Pensou que ia ver alguém, até mesmo fosse Curiango, mas nada. Pensou até que fosse para matar alguém mas não, chegou Cecília e ele sumiu. Ficou até pensando em Antônio Olímpio, que tinha a mulher que o traía constantemente. Ficou em choque de contar e não contar da traição, lembrou de quando foi dançar com Curiango e como tudo chegou àquele momento. Lembrou de quando a ajudou levar um pote e fingia que não a conhecia. Era um bruto que não merecia tanta doçura porque ele o achava isso, não que o mundo não quisesse. E nesse tempo quente de vergonha, ela perguntou do boi e do nome, Condenado, mas ele o era e falou tudo, até de como a mulher que gostava não gostava dele, mesma cena de uns capítulos atrás. Tinha medo nenhum do feitiço, sentia-se bem, mas “a Mãe de Ouro é mais forte.”.

Capítulo 11

Mãe de Ouro é um folclore de uma mulher com cabelo de fogo que protege as mulheres casadas e mostra onde tem ouro. Em vez de ser uma ajudante de pessoas que querem se enriquecer, ela só avisa para que não cheguem por perto. Só que como toda lenda, há quem acredite demais, por ouvir os mais velhos e tentar achar explicação em um mundo caótico, e quem acredite de menos, que abusa e debocha. Muitas vezes, quem se dá mal é o último, seja por não se firmar em nada ou tomar porrada do natural e do sobrenatural. Joca acreditava que Curiango era uma praga de Mãe de Ouro. Caiu no barranco porque viu Mãe de Ouro, toda vez que via Curiango sentia no olhar dela a praga que chegava. Tinha um sonho ruim que alguém ia matar Curiango. Na mesma noite, Siá Maria acudiu Joca, seu filho. Achou tudo estranho. Ele parecia dormir, tentou até acordá-lo mas desistiu. Joca contou depois para Curiango, até falando que um dia mataria ela. Ela não achou graça, mas não era para achar. Enquanto a fazenda crescia e aumentavam a produção de cachaça, inventaram de pregar uma peça em um português durante a quaresma, havia uma reza braba que só podia ser ouvida de pé ou de joelhos, além de que os violões eram embrulhados, escondiam-se quadros e fechavam portas. Inventaram de fazer um Judas no sábado de aleluia e assustaram o português Pais que não conseguiu frear direito. Ele deu tiro para o alto de nervoso. Curiango e Joca, ao se casarem, pareciam crianças nas conversas. Moravam em um lugar perto de Olhos D’Água. Em uma noite de São João, ainda lembrou-se do caso de Cecília e da traição com o Quim e se mordia querendo contar. Enquanto viam os outros, pensavam em como subir o pau de sebo. Em uma noite que Joca tinha saído, Curiango deu uma festa e ficou mal, estava parindo. Nem Nhá Chica sabia o que fazer, rezava e pedia para não morrer. Joca deu tempo de chegar, vendo ela com suas roupas – era simpatia – e ele conseguiu ver a isquinha de gente. Joca ficou todo bobo. Mas a praga de Mãe de Ouro era pior que morrer, Deus não deixou que ele morresse. Ele tinha uma vida boa que ia levando, mas a praga veio, veio uma geada que destruiu tudo. O que sobrou dava pouco e nem valia. Depois aconteceram mais coisas estranhas, de espírito mau andando por aí, gente caindo, briga de coronel e vaca, vaca sendo liberada e depois o coronel arrependido, o administrador de Olhos D’Água comprando briga com os vaqueiros. E o narrador viu a morte chegando quando os vaqueiros mataram Santana e procuraram vingança por lá. Deu 3 meses e tudo tava certo. Mataram por charme e os pobres morreram. Ler página 119

Capítulo 12 Joca não sente mais nada, sente falta de sentir algo. Dizia que a Mãe de Ouro ia pegar ele um dia. Vicente Rosa que insistiu que ele falasse, mas ficou na dúvida se era bebedeira ou se ele estava sério demais. Em uma tempestade, Joca pedia ajuda para Curiango que Mãe de Ouro não a pegasse, mas ele não dizia exatamente isso. Há uma passagem de tempo para quando Joca trabalhando nas máquinas da Usina, ouviu Luís Rosa debochando do calor e encheu ele a pauladas com lenha quente. Todos fugiram para cada lado e não tinham coragem de seguir Joca. Acharam ele sem sentido em um morro. Nem o Dr. Amadeu entendia, todos queriam distância. Dr. Amadeu fazia várias perguntas, tentava achar desde genética até vício. Joca desembuchou e tinha medo de ficar louco. Ele sabia que tinha ataque quando via a Mãe de Ouro e lembrava de todas as vezes que a via, o Dr. ficou maravilhado. Joca tinha medo, só sabia das coisas depois, quando bateu no Luís Rosa ele não lembrava. O pessoal queria que ele fosse demitido, o Dr. mandava que ele fosse trabalhar fora dali, não aguentava. Mariquinha Machado falou até que ele tinha levado coice de mula quando pequeno, era atrevido e não gostava dele com razão. Luís Rosa perdoou com muita dor. O povo criava teorias, pensava que era desde o truco, mesmo que Joca dissesse que tinha nada e Luís Rosa ficasse quieto. Bebiano ficou para decidir se trocava de lugar com Joca no trabalho da usina, seria melhor, o trabalho de carregamento era impiedoso e mais trabalhoso. Pensou o dia todo, perguntou à mulher e decidiu assinar sua sentença.

Capítulo 13

Vicente passou na frente da casa de Choquinha, que vivia em uma de favor de uma companhia. Ela estava com frio e convidou ela pra tomar café. Estava na frente do fogão. O narrador fala como se o locutor silencioso perguntasse do moço do Limoeiro, tal qual alguém que ouve fofoca lembra de um detalhe que ficou no suspense. Não sabia o que aconteceu, mas tinha certeza que terminou mal. “Quem faz a Deus, paga ao Diabo.”. O narrador revela que Choquinha é Sinhá, mas, não assim, “Sinhá era a outra. Choquinha FOI Sinhá.”, tal qual lagarta vira borboleta, duas coisas que são e não ao mesmo tempo uma a outra. Sinhá era borboleta e virou lagarta. Por isso o narrador dizia que Sinhá não voltou, eram duas pessoal totalmente opostas, uma orgulhosa, bonita e teimosa, a outra feia, humilhada e dependente. Ela voltou porque não tinha mais juízo e não tinha uma unha do que era antes. O narrador conta a história do cachorro do Pedro Gomes, Biguá, um cão esperto e companheiro que ele levava sempre para caçar em uma época que tudo era mais mato e com mais bicho. Era esperto demais que só faltava falar e atirar. Em uma viagem de caçada que demorou muito tempo e tiveram que se enfiar em muitos lugares para dormir, caçar e achar, teve uma tempestade que deixou Biguá para trás. Acharam que ele tinha morrido para não ter achado o caminho. Seu Pedro Gomes até tentou procurá-lo, cortou mato e tudo, mas nada, ficou triste. Mas ele voltou, machucado de mordida e de espinho, voltou devagarzinho e mal conseguia andar. Seu Pedro Gomes chorava como criança, o cão estava falecendo e não tinha mais como viver. E o Zé Pedro era um bêbado da região que bebia até perder a consciência mas conseguia voltar para casa. Tal qual o bêbado que não vê mais e o cachorro cego de espinho de ouriço, algo guia eles para o caminho que precisam seguir, tal qual a água precisa descer o morro. Tal qual Sinhá. Ler página 150.

Capítulo 14

O narrador revela o que foi feito de Sinhá. É a história mais feia que ele sabia. Eles iam pegar uma linha de trem bem tarde e bem distante de tudo em Minas. Ele deixou ela lá sentada e falou que ia comprar as passagens, o narrador pensa como que ele tinha coração para fazer aquilo. Ela esperou um bom tempo, coisa de horas. Ela foi procurando e perguntando por ele, mas ela boba de amor não acreditava no abandono, ainda que os empregados falassem que a estação não era grande, que o viram entrar no trem, desconfiado e olhando pros lados. Um dos empregados teve até dó do tanto que ela chorava, virou a noite ali, perguntavam se ela conhecia alguém ou se era perto dali. Mas ela não podia e não queria voltar, não tinha para onde ir. Foi até a casa do moço, mas chorava e não comia, foi para a Santa Casa e saiu de lá abobada. A molecada que ouviu a história apelidaram Sinhá de Nhá Baldeação, mas ela não respondia e as crianças pararam. Andava por aí, tinha vezes que até ganhava roupa e banho, até que sumiu. Uns parentes de Vicente Rosa foram visitá-los com as crianças e elas reconheceram Nhá Baldeação e contaram a história. Vicente Rosa ouviu quieto e só contou ao narrador, mas notícia ruim espalha rápido e tem de mensageiro os familiares, que passaram a notícia e todos descobriram que Choquinha era Sinhá. Vicente até levou ela para o Dr. Amadeu, que pediu que a deixassem em paz para morrer, não tinha o que fazer com aquele frio dela. O narrador não sabe se ela morreu, mas o quadro na sala que arrepiava ele era um aviso. E aí a desgraça e a morte tomou conta de Olhos d’água: Bugre morreu de picada de cobra, ainda que tivesse matado ela pela crendice de que se cura comendo o coração da cobra, mas não conseguiu, no único dia que estava desprotegido e sem fumo; Antônio Olímpio foi o segundo, nas viagens de tropa ficava ouvindo uma possível indireta da infidelidade de Cecília, pediu ao filho mais velho que a vigiasse, escondeu-se e viu ela conversando com um homem, cego da idolatria que tinha por ela, matou de facada porque viu alguém pedindo fogo e não que ela tivesse traindo antes tantas vezes que não viu, morreu na cadeia de doença de friagem da cadeia e do coração de ciumento; por dois anos que a cana crescia bem e levaram até para pesquisar e foi a vez de Bebiano morrer na Usina, culparam Joca por trocar de lugar com ele que trabalhava com fogo e no dia um dos foguistas se descuidou da máquina que estava mais perigosa e só achou o corpo carbonizado, Curiango até ouviu tudo mas eles culpavam era Joca por ser ruim, mas o chefe das máquinas falava que não dava mais e o engenheiro contradiz e foi mandado embora. A praga foi pegando todos, de rebote até quem não tinha nada a ver.

Capítulo 15

Curiango percebia como Joca chamava ela desesperadamente, como criança desamparada. Achava graça no começo, mas teve medo. Ela achou que ele escondia algo, ele olhava como presa domada, e ela com raiva de jaguatirica dizia que podia ir para a rua com a outra, mas ele via a Mãe de Ouro. Joca foi resgatado de um atoleiro e se não fosse Bugre ficava lá, tinha visto a Mãe de Ouro. Curiango foi até uma igreja para pedir para uma santa ajudar-lo, ela tinha desespero. Ela ia prometendo, querendo uma crença de barganha, falando que se tudo desse certo ela faria algo em troca, mas ela era soberba e tinha vergonha. Retratava-se, prometia mesmo assim. Depois da igreja, até lembrou-de de Joca falando do fogo e se ria com essa mistura de crença e doideira que vivia, passou na frente de um angico que consideravam mal-assombrado e ela rezava com fervor. Vicente Rosa foi acordado e Curiango pedia ajuda. Mas naquele meio sono e meio dia começando ele tinha visto Mãe de Ouro. Curiango estava começando a ficar louca com Joca. Ele falava sobre grama, usina, mas voltou a dormir como se nem falado tivesse. Pensaram em encosto, mas ele reagia diferente, achava que a vizinha estava errada e era a Mãe de Ouro. Tinha melhorado, Santa Rita dos Impossíveis o curou. Tinha até ouvido que espiritismo é coisa do diabo e que “gente, quando morre, não volta para infernizar o juízo dos outros.”. Pensava que era bom, como tinha encosto. Não era mau, mas que tinha gente ruim que queria mau dos outros não faltava. Tentou dar uma chance ao centro espírita, mas Joca nem confiava no Dr. Amadeu. Desistiu do primeiro e foi no segundo. Ele teve um ataque feio antes dela ir conversar com o doutor. Ele não falava que tinha cura, mas nem desdizia, pedia que cuidasse bem dele. Curiango foi a um feiticeiro, relacionou com Bugre e ele poder saber de algo. Não achou. Uma noite, Joca disse que ia para lá que ela o chamava. Ela chorou e implorou pela filha. Tinha medo. Ele disse para que fossem juntos. Disse que era nada sem ela, e realmente foi a última coisa sã que disse. Choveu muito e ele foi, Curiango esperou para poder pedir ajuda para o compadre, não podia sair viajando com ele. Vicente Rosa ficou sério e falou que o encontrava, era homem de uma palavra só e o encontrou. Curiango ficou com medo que tivesse morrido, mas Vicente Rosa dizia que era quase o mesmo. Esqueceu de tudo. Estava na Santa Casa, estava bem, tinha nada grave, foi encontrado na estrada. Curiango ouviu tudo e só saiu, sem chorar ou agradecer. Foi para a Santa Casa mas foi cedo demais. No que esperava, ouviu conversas e pediu para ver Joca. Apesar de esperar, ouviu a conversa de que João José dos Santos já tinha tido alto e foi embora. Mas ela não acreditava e tudo zunia. A enfermeira se compadeceu e deixou ela visitar a enfermaria, achando que ele tinha morrido e não queriam lhe contar. Passou-se um tempo e Curiango estava com novo vestido, sentindo a terra e o dia feliz. Comentaram que Joca se foi para melhor. O médico dizia que não tinha cura para a cabeça, ao corpo tinha. Só que ele falou tudo para cuidar e deixar no sossego que ele mal entendeu que ele tinha ido embora sem ela saber para onde. Até perguntou ao enfermeiro, mas o médico podia fazer mais nada. Curiango ficou ali, sem saber o que fazer ou esperar, queria afastar-se dali mas não tinha rumo, com o embrulhinho de goiabada e queijo que comprou a Joca. Ela estava cansada, sentia nada por cansaço, antes fosse um passarinho preso que canta o dia inteiro por não saber o que é melhor. O narrador contou a mesma história ao Dr. Amadeu, e ele disse que o que mudou foi o espírito dessas paragens. O narrador não ficaria mais naquele “lugar pesteado”. A praga cai pela metade e sobe pela metade, vai ricocheteando todos no caminho que nem tem relação como o Biguá, o Bugre, Antônio Olímpio, Santana, Joca e finalmente Curiango, com o pai que dá trabalho, a beleza que não ajuda e a mocidade que atrapalha. O narrador comenta que Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz. Deve ter acontecido tudo porque era bom. Ler página 185.

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Lista de livros da FUVEST em 2024

FUVEST já divulgou os livros de leitura obrigatória que serão usados na prova em 2024. A edição FUVEST 2025 conta com os seguintes livros:

ObraResumo da obra (aperte em cima da palavra “link” para ir até o resumo)
“Marília de Dirceu” de Tomás António GonzagaLink
“Quincas Borba” de Machado de AssisLink
“Os Ratos” de Dyonélio MachadoLink
“Alguma Poesia” de Carlos Drummond de Andrade
“A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de QueirósLink
“Nós Matamos o Cão Tinhoso!” de Luís Bernardo Honwana
“Água Funda” de Ruth Guimarães
“Romanceiro de Inconfidência” de Cecília Meireles Link
“Dois Irmãos” de Milton Hatoum Link
Lista de livros da FUVEST 2025, que será aplicada em 2024. Fonte: site da FUVEST (link)

As obras que mudaram da edição anterior, 2024 (realizada no ano de 2023), são “Angústia” de Graciliano Ramo, “Mensagem” de Fernando Pessoa e “Campo Geral” de Guimarães Rosa, substituídas, respectivamente, por “Os Ratos” de Dyonélio Machado, “A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de Queirós e “Água Funda” de Ruth Guimarães.