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Tema de redação da UNIFESP de 2025 – “Luto contemporâneo: entre a espetacularização da morte e a manutenção da lembrança coletiva”

O tema de redação da UNIFESP de 2025 acesso 2026 foi “Luto contemporâneo: entre a espetacularização da morte e a manutenção da lembrança coletiva”.

Texto 1
Com o avanço das tecnologias digitais de informação e comunicação e o crescente uso das redes sociais, foram extintas,
para muitos, as divisas entre o espaço real e o virtual. A sociedade de hoje experimenta o resultado do surgimento de diversos
fenômenos que transformaram a forma como interagimos com o mundo, através do uso dessas plataformas, que ressignificam diariamente os processos sociais e comunicacionais. Nesse cenário, a morte e o luto receberam um novo sentido para o
ambiente online.
O professor do Centro de Pesquisa em Mídia, Comunicação e Informação da Universidade de Bremen, na Alemanha,
Andreas Hepp, considera que a midiatização cotidiana confere às redes sociais uma intersecção da vida pública com a privada, na qual as pessoas se envolvem e interagem umas com as outras, mesmo sem ter vínculos fora das telas.
A velocidade de transmissão de informações por meio das redes sociais, não só fornecidas em tempo real, mas também
reemitidas por meio do compartilhamento, tem o poder de alcançar, em poucos segundos, inúmeras pessoas, tornando a propagação da notícia ainda mais rápida entre os usuários. Com isso, entre tantos usos e sentidos que as redes sociais atribuíram
para o luto e a morte, tornar público esse momento pode assegurar manter viva a memória de uma pessoa que morreu por
meio da lembrança coletiva, já que a morte representa algo como o fim ou o esquecimento de tudo.
Por outro lado, para além do desejo de dar voz à dor da perda, a atitude de tornar público também pode ser associada
ao fato de que a morte é uma questão que naturalmente desperta curiosidade e, quando partilhada no ambiente virtual, tem o
poder de transformar-se em espetáculo, através de likes, comentários e compartilhamento, chamando ainda mais a atenção
das pessoas para o acontecimento.
(Patrícia Patrocínio. “Você já se perguntou sobre o ato de compartilhar o luto nas redes sociais?”. https://mercadizar.com, 16.12.2020. Adaptado.)
Texto 2
A morte, parece, já foi mais simples. Antes das vacinas, dos antibióticos e de outras intervenções da medicina, morria-se
com tanta facilidade que chegar à idade adulta era quase um jogo de cara e coroa. Um estudo publicado em 2013 na revista
Evolution and Human Behavior analisou 17 sociedades — de comunidades paleolíticas a modernos caçadores-coletores — e
concluiu que, em média, 49% da população morria na infância.
Não que se banalizasse a morte. Desde a chamada pré-história, há registro de rituais fúnebres, inclusive entre os extintos
neandertais. Os textos deixados pelos gregos enfatizavam o quão trágico era perder um familiar ou amigo; no Antigo Egito, as
preparações para esse importante momento começavam ainda em vida.
Morrer, porém, era esperado como parte do ciclo da vida. Talvez, os avanços da medicina tenham nos deixado mal-acostumados: não importa a doença nem a idade do falecido, sempre nos assustamos com um anúncio fúnebre.
Contribui para isso a midiatização da morte, exacerbada pela internet. Morrer tornou-se um espetáculo. Explora-se cada aspecto
da vida do falecido: as últimas palavras, o derradeiro jogo de futebol assistido, a lista de maridos/namorados/ficantes, frases célebres,
festas a que foi ou deixou de ir. Parece que não basta homenageá-lo, ressaltando seu legado. Alguns sites, contas de redes sociais
e programas de TV exploram cada aspecto de sua existência exaustivamente, com o estardalhaço midiático.
(Paloma Oliveto. “A espetacularização da morte”. www.correiobraziliense.com.br, 24.07.2025. Adaptado.)
Texto 3
Quando abro o jornal ou assisto a televisão, encontro a morte em abundância: ela está presente desde as matérias de
violência até os obituários de personalidades. Os meios de comunicação, enquanto moldura social, tornaram-se locais de
focalização das práticas simbólicas ligadas à morte. Hoje, esse simbolismo adentra as telas.
A transformação das tecnologias de informação doou à morte um significado ampliado, mas, ainda contraditório, oscilando
entre a proximidade e o afastamento, como observamos ter acontecido, em geral, nas sociedades ocidentais, em diferentes tempos. À medida que os homens constroem diversas tecnologias a fim de repensar a questão de sua finitude (a partir de técnicas
de reprodução, aumento da expectativa de vida etc.), no desejo de afastar a morte de si, erguem monumentos e obras com o objetivo de eternizar a passagem pela Terra. Instauram, nesse sentido, práticas comunicativas que comportam além da informação
do enunciado, relações subjetivas que atuam como jogos de veiculação de afetos, e a afetividade está diretamente relacionada à
comunhão (à comunidade). A relação da morte com a vida, nesse sentido, é tecida dentro da ordem simbólica, fazendo com que
a morte pertença tanto ao universo do indivíduo quanto ao universo social, porque travamos lutas cotidianas a fim de participar
da sociedade, pertencer ao nosso tempo, para que, depois de mortos, sejamos lembrados.
(Renata Rezende Ribeiro. A morte midiatizada, 2015. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Luto contemporâneo:
entre a espetacularização da morte e a manutenção da lembrança coletiva

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