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Redação UFRGS UFRGS UFRGS 2025 acesso 2026

Tema de Redação da UFRGS de 2025 – “Estudar? Para quê?”

Considere o texto “Estudar? Para quê?” de Michael França, Ciclista, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, economista pela USP, pesquisador do INSPER e visiting scholar nas universidades de Columbia e Stanford, publicado no Jornal Folha de São Paulo.

Num país marcado pela segregação sistêmica, poucos mitos são tão insistentes quanto o da educação como o principal passaporte para a ascensão social e diminuição das desigualdades. Muitos pobres sabem disso. E convencer um jovem desfavorecido a investir anos de sua vida no estudo, renunciando ao lazer ou à renda imediata que poderia vir de algum subemprego qualquer, é como pedir um ato de fé. Contudo, tal fé não costuma se sustentar quando vários exemplos ao redor teimam em contradizer a promessa. E a promessa é de que, se o jovem pobre estudar com esforço e dedicação, adquirirá habilidades e competências que abrirão portas no mercado de trabalho. O problema é que esse discurso ignora um ponto fundamental. Para muitos que vêm de origens desfavorecidas, o retorno da educação é menor. Quando chegam ao mercado, eles enfrentam discriminação e têm menos oportunidades do que os filhos das elites. Essa percepção mina sua confiança. Ao olhar para o futuro, esses jovens costumam ver poucos exemplos de pessoas como eles que conseguiram ascender socialmente por meio dos estudos. Eles sabem que o caminho da educação exigirá anos de sacrifício, dedicação e privações, sem garantia de que conseguirão se sustentar durante todo o percurso. Muitos, diante desse horizonte, desistem antes mesmo de começar. O efeito desse quadro se vê dentro das próprias escolas. Estudantes de baixa renda, em muitos casos, não se engajam nos estudos. Porém, nada disso tem a ver com suas capacidades, mas vem do fato de que eles não são ingênuos e percebem desde cedo que o esforço dos desfavorecidos, na dividida sociedade brasileira, raramente é recompensado. No fim, isso alimenta um ciclo perverso em que baixos níveis de dedicação levam a piores resultados, que, por sua vez, reforçam a descrença na educação. Uma profecia que se cumpre sozinha. Nesse contexto, os papagaios da educação, ou seja, aqueles que repetem exaustivamente que o país só avançará com ensino de qualidade, precisam aprender uma valiosa lição. A lição de que não se pode depositar todo o peso de uma sociedade excludente nas costas das escolas e dos professores. Não cabe a eles a tarefa de operar milagres. É preciso entender que a educação não é um sistema isolado. Ela não começa nem termina dentro da sala de aula. Ela é moldada pelas interações sociais, pelo ambiente em que cada estudante está inserido, por suas vivências, pelas expectativas em relação ao futuro e pela possibilidade de transformar o conhecimento acumulado em realização. Se a sociedade como um todo continuar relativamente fechada para os jovens periféricos, o valor da educação como promessa enfraquece. Dessa forma, avançar na oferta de uma educação de qualidade é um passo. Um passo importante, mas, ainda assim, representa apenas um passo. Sem transformar o mercado de trabalho, sem reduzir o peso da discriminação em nossa sociedade, sem justiça tributária, e sem reformas estruturais que corrijam as disparidades nos pontos de partida dos cidadãos brasileiros, nenhuma escola e nenhum professor conseguirão evitar que uma legião de estudantes se torne, cada vez mais, desencantada com o sistema. O texto é uma homenagem à música “Dá o Pé, Loro”, de Guinga. Disponível em: . Acesso em: 24 set. 2025.

A partir desse texto, considere a seguinte situação. O texto de Michael França foi publicado em uma coluna de “opinião” do Jornal Folha de São Paulo, logo ele recebeu todo tipo de comentário: algumas críticas bem fundamentadas, alguns elogios, muitas opiniões e também – como é bastante comum hoje em dia em redes sociais, fóruns de discussões etc. – vários comentários violentos. Em função dessa situação, o Jornal resolveu lançar uma edição especial de um caderno, onde serão publicados textos que discutem de forma substancial as ideias do artigo de Michael França. O Jornal estabeleceu apenas um critério para aceitar inscrições: o texto enviado deverá ter sido previamente escolhido por uma escola; portanto, ele será representativo do debate feito no interior dessa instituição. O fato é que sua escola decidiu participar do processo promovido pelo Jornal, e você decidiu participar também. Para tanto, a escola forneceu informações importantes para enriquecer o debate, sugerindo a leitura de parte da “Introdução” do estudo “Evasão escolar e o abandono: um guia para entender esses conceitos”, publicado no Observatório de Educação Ensino Médio e Gestão do Instituto Unibanco.

Introdução
A escola tem um papel social essencial quando se trata de potencializar vínculos sociais, de desenvolver habilidades físicas e cognitivas e de tornar o aluno um agente social. No entanto, existem percalços e negações diárias do direito à educação que aumentam a probabilidade de os jovens não darem continuidade aos estudos. Por trás de situações de abandono e evasão escolar, existem motivações diversas, desde gravidez, falta de conexão dos conteúdos com os interesses dos estudantes, necessidade imediata de geração de renda, entre outros. A predominância de currículos e práticas pedagógicas que não incluem a perspectiva de grupos historicamente excluídos, por exemplo, acaba por aumentar os índices de evasão e exclusão escolar de estudantes negros, LGBTQIAPN+ e com deficiência. As taxas de evasão consolidadas até 2023 mostram uma trajetória de queda nos últimos anos, totalizando 3,0% no ensino fundamental e 5,9% no ensino médio, conforme divulgado no Censo Escolar 2023. Um estudo assinado por Reynaldo Fernandes, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Educação (MEC), traçou em 2011 um perfil dos jovens com maior risco à evasão: são os de baixa renda, em sua maioria negros, forçados precocemente ao mercado de trabalho ou que engravidam já na adolescência. Fernandes apontou que esses fatores “externos” à atividade propriamente escolar se articulam a um processo contínuo de desinteresse e desengajamento, levando, por fim, ao abandono. Além disso, é na adolescência que o problema se apresenta com maior intensidade e por isso os índices de evasão no ensino médio são bem superiores aos do ensino fundamental. Segundo a edição 2023 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua Educação), que é realizada pelo IBGE, a taxa de escolarização entre os jovens de 15 a 17 anos naquele ano foi de 91,9%. Essa taxa retrata a proporção de estudantes de determinada faixa etária em relação ao total de pessoas dessa mesma faixa etária. O dado indica, portanto, que 8,1% dos adolescentes com idade típica do ensino médio estavam fora da escola em 2023, fato que dialoga com as muitas deficiências dessa etapa de ensino na educação brasileira. Tem relação, também, com o impacto das questões sociais na vida dos jovens e com experiências escolares que podem ter sido negativas em suas vidas desde o ensino fundamental. Adaptado de: . Acesso em: 24 set. 2025.

Ora, como você já deve ter percebido, o texto de Michael França é opinativo; nele, o autor apresenta seu ponto de vista sobre dificuldades encontradas por jovens, em especial os mais desfavorecidos, para se manterem na escola, e também sobre a relação entre a educação desses jovens e o mercado de trabalho. O texto da “Introdução” é predominantemente informativo; nele, são fornecidos dados que ilustram o problema da evasão escolar no Brasil, além de apontar possíveis causas disso.
De certa forma, podemos considerar que, no primeiro texto, o autor lança um olhar crítico ao futuro, ao argumentar que “Para muitos que vêm de origens desfavorecidas, o retorno da educação é menor. Quando chegam ao mercado, eles enfrentam discriminação e têm menos oportunidades do que os filhos das elites”. No segundo texto, vemos um olhar para o presente, ao afirmar-se que “existem percalços e negações diárias do direito à educação que aumentam a probabilidade de os jovens não darem continuidade aos estudos”.
Pois bem: a situação que está sendo proposta aqui é você escrever um texto, na modalidade dissertativa, que assume um ponto de vista em relação ao artigo “Estudar? Para quê?”, utilizando, para isso, o levantamento informativo presente na “Introdução”, fornecida pela escola.
A seleção dos textos apresentados pelos alunos à escola, entre os quais estará o seu, ficará a cargo de uma comissão composta por educadores de diversas áreas do conhecimento (literatura, sociologia, filosofia etc.). Lembre que o seu texto poderá ser escolhido pela escola para representá-la na edição especial do Jornal.
Observe que você poderá privilegiar diferentes aspectos presentes no artigo publicado no Jornal, formulando opiniões de aproximação ou de distanciamento em relação à análise feita pelo autor. O mais importante, porém, é que você consiga fundamentar – de modo bem-informado, ético e responsável – a sua interpretação a respeito das ideias trazidas para a discussão; é isso que se espera
de um debate que seja realmente relevante.
Bom trabalho!

Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, seu texto não será avaliado –,
e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão
esses espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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Redação UEA SIS 3 UEA SIS 3 2025

Tema de redação da UEA SIS 3 de 2025 – As redes sociais favorecem ou prejudicam o hábito de leitura?

O tema de redação da UEA SIS 3 de 2025 foi “As redes sociais favorecem ou prejudicam o hábito de leitura?”.

Texto 1

Texto 2
Em quatro anos, houve uma redução de cerca de 6,7 milhões de leitores no Brasil. É o que mostra a sexta edição da
Pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2024. De acordo com o relatório, a falta de tempo, o desinteresse pelo hábito e
a preferência por outras atividades, como consumir conteúdos nas redes sociais, são os principais fatores que distanciam as
páginas das pessoas.
Para Carlota Boto, professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de
São Paulo (USP), a redução dos leitores se dá pela dinâmica da vida atual. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje,
assistimos à televisão ao mesmo tempo em que lemos um texto, ao mesmo tempo em que estamos com o celular ligado ao
lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”, afirma. Segundo ela, as atividades digitais são mais
atrativas pela conectividade rápida e imediata, primordiais na chamada era da dopamina. Os aplicativos e interações on-line
são feitos como forma de estímulo à liberação da dopamina, hormônio que dá a sensação de prazer e a busca constante
por recompensas.
(Isabella Lopes. “Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna”. https://jornal.usp.br, 05.06.2025. Adaptado.)
Texto 3
De acordo com Bruno Henrique, diretor de conteúdo e marketing da Bienal Internacional do Livro Rio 2025, o TikTok,
seus criadores de conteúdo e os autores com suas obras viralizadas se tornaram essenciais para renovar o hábito da leitura,
especialmente entre os jovens.
O escritor Raphael Montes, autor de thrillers como Jantar Secreto, Uma Família Feliz e Suicidas, é um dos destaques da
programação da Bienal e um exemplo de como o TikTok pode transformar livros já lançados em novos sucessos de vendas.
Montes acredita que o BookTok (uso da rede social para falar sobre literatura e fornecer indicações de leitura) foi essencial para
derrubar o preconceito com a literatura nacional e aproximar os jovens de histórias mais próximas da sua própria realidade.
“O TikTok ultrapassa as barreiras digitais e gera impacto direto na vida das pessoas — inclusive na cultura, e com o
BookTok não é diferente”, explica Carol Baracat, diretora de marketing integrado da plataforma no Brasil. Segundo ela, a comunidade literária dentro do aplicativo é uma das maiores do país, e só nos últimos seis meses houve um crescimento de 28%
no número de publicações com as hashtags #BookTok ou #BookTokBrasil. Desde o início de 2025, já foram mais de 980 mil
vídeos relacionados ao tema — uma média de 40 mil novos conteúdos por semana.
(Ana Luísa Marques. “Bienal do Livro surfa na onda do ‘BookTok’ e prepara programação
para geração de novos e ávidos leitores”. https://g1.globo.com, 01.06.2025. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
As redes sociais favorecem ou prejudicam o hábito de leitura?

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"Balada de amor ao vento" FUVEST 2026 FUVEST 2027 Paulina Chiziane

“Balada de amor ao vento” por Paulina Chiziane – Resumo de cada capítulo

Balada de amor ao vento é o primeiro romance publicado de Paulina Chiziane que já tinha uma ideia do que escrever, mas o primeiro romance escrito por ela foi “Ventos do Apocalipse”.

São 20 capítulos, divididos em partes que demarcam passagem de tempo, mudança de plano ou troca de narrador. O tempo da narrativa é de Moçambique ainda colônia, com o nome da cidade de Maputo ainda como Lourenço Marques, antes do ano de 1976, da independência de Moçambique.

Capítulo 1 Parte 1 A narradora lamenta sua vida, está próxima da morte e lembra-se de Save, terra de sua infância, repleta de bela flora. Em contrapartida, está em Mafalala, terra que abomina, que é suja e triste. Foi para lá por amor, se é que sabia o quê era amor e se amou. Sua filha, mais estudada, contou sobre o mundo e como o era, ela pensa que há quem precise conhecer o mundo da mulher. Pensa em falar da sua história, nem sabe se será interessante, há tantas outras que vivem igual.

Parte 2 “Tudo começa no dia mais bonito do mundo, beleza característica do dia da descoberta do primeiro amor.”. Era época de festa e, obviamente, de namoro. Os rapazes vinham para os ritos de passagem para a fase adulta e iriam dançar e comer depois. A narradora prestou atenção em Mwando, ouviu dos homens sobre ele e também as amigas diziam para desistir, ele estudava para ser padre. Foi zombada pelos meninos e pelas meninas de não ter curvas e ficou assim, pensando nele e demorou para dormir. Perseguia o menino, ia na igreja para ver ele, até que um dia decidiu fazer o ultimato e se vestiu bonita para atraí-lo. Depois da missa, caminharam juntos e ela já desistia, quando ele perguntou o que se passava e ela dizia que de quem ela gostava não era recíproco. Ela revelou sendo ele, mas Mwamdo confessou que gostava dela, era a única que não zombava dele, mas tinha medo do padre. Ela o silenciou e finalmente se beijaram.

Capítulo 2 Parte 1 Mwando se martiriza, queria ser padre mas Sarnau a tentava. Por muito tempo, foi zombado pelos meninos e se isolava para se proteger. Queria ser padre, pedia ajuda para Cristo e tinha medo dos outros meninos contarem dele e de Sarnau. Escreveu uma carta, abriu seu coração, mas o padre surgiu ali e perguntou o motivo de estar tão apavorado. Leu a carta e entendeu. Amanhã ajustariam as contas.

Parte 2 O padre suspeitava do que acontecia com os meninos, principalmente pelas fofocas. Uma noite, em meio do que se culpava de não confiar neles mas vendo que estavam certos, apanhou Salomão e quase o bateu, não fosse o menino mais esguio, coisa que Mwando não foi e o padre descontou a raiva nele. Salomão e Mwando foram expulsos, nada aconteceu com a cozinheira, suspeita de ser a pessoa que estava no quarto de Salomão

Parte 3 Mwando logo se acostumou aos trabalhos dos outros jovens da idade. Passavam bom tempo juntos, Sarnau e Mwando se maravilham com a fauna e a flora do mundo. Mwando vê a obra de Deus e vê o motivo de amar, vendo tudo de cima é fácil se maravilhar. Ao meio de metáforas, os dois fazem sexo, com o uso das metáforas da maçã sendo o fruto proibido, a serpente no Éden e Adão e Eva. Sarnau pede uma oferenda para suas entidades protetoras, a defunta protetora, já que fizeram sexo. Ele hesitou, não gostava de servir outros deuses se não Cristo. Mas prometeu fazer uma oferenda grande. Sarnau o amava e assim dizia.

Capítulo 3

Parte 1

“Mwando ainda não ofereceu nada à minha protetora, mas eu perdoo, ele ainda não arranjou dinheiro, coitado.” Ele trabalha muito, não só com o pai mas com os afazeres de casa que as irmãs são preguiçosas. Sarnau o ama, ama muito, em tudo que vê sabe que o ama. Mas ele parece esconder algo, principalmente quando ele não olha nos olhos para dizer da ausência e cada vez passa menos tempo com ela.

Parte 2 Mwando diz que trabalhava muito nesses dois meses e daí o sumiço. Iria para longe, trabalhar, Sarnau o esperaria, mas ele tenta insistir até que conta a verdade da sua mudança eterna – estava para casar e não aceitava a poligamia. Sarnau se contorcia e chorava, aceitava até poligamia e a distância, mas ela estava grávida e tinha fome de amor. Despediu-se, ainda foi acolhida enquanto chorava e até resgatada de um ataque de cobra. Mwando perguntou o motivo dos ancestrais dela fazerem isso, ela disse que era para acalmar seu ódio e tirar a dor. Não deixou que ele falasse mais e foi embora.

Parte 3 Sarnau não dormia bem, não estava bem, tudo lembrava de Mwando e ela queria que a dor que sentia parasse de qualquer jeito. Enquanto sonhava com uma natureza acolhedora, via Mwando chegando, mas foi acordada por Rindau.

Parte 4 Sarnau decide se matar, vai até o rio e vai andando lentamente. Ela pensa em tudo que fica para trás e nesse último dia que está como todos os outros, belo. No momento que ela chega a uma altura considerável do rio, seu corpo quer viver, mas era tarde. No entanto, ouve vozes, pensando que são do outro plano. Se vê em sua rasteira, tinha sido salva por pescadores que a viram. Sua mãe, curandeira, falava de uma centopeia que entrou nela e fez um nó e que devia sair de Sarnau. Ela gritava e finalmente chorou. Foi como se ela se libertasse de tudo. O sangue jorrava por conta do aborto.

Capítulo 4 Sarnau iria casar e as pessoas se despediam dela. Estava com véu, era prometida ao rei da terra e nunca antes houve um lobolo, quantia paga para firmar o casamento, como o dela. 36 vacas que não pariram, virgens, e mais dez homens com pele de leopardo. Estava contente, nunca tinha planejado tal situação. Ela explica que a rainha tinha uma pretendente para seu filho, Khedzi, mas quando não só se descobriu que essa mulher de pele mais branca, predileta dos homens poderosos, que levantava a capulana, vestido ou saia, para qualquer copo de aguardente, e era filha de feiticeira. A rainha viu que sua mão era delicada, sem marca de trabalho, não a quis e era indigna. Todos se assustaram e ainda mais que apostaram suas filhas, que faltavam ou beleza ou vontade de trabalhar. Um dia, a rainha de encontrou com Sarnau, filha de Rindau, sem lembrar dela. Enquanto a via trabalhar e interessada, pediu para beber, e deu de beber com a concha da mão. A rainha ficou interessada e chamou-a para trabalhar por uma semana. Era comum, fez tudo como deveria ser feito sem pestanejar e, em uma reunião magna, declarou que Sarnau seria a esposa de Nguila, o príncipe, beberrão e forte. Enquanto aceitava o lobolo, a tia repetia o que precisava dizer, que era homenagear a família e enriquecer a terra. Neta de uma moça com lobolo de una peneira de feijão, ela se engrandecia. Até conversa com o leitor, como ela poderia ser bonita se não era no estilo clássico de beleza. Dizia que a beleza variava de cultura para cultura. “É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna.”

Capítulo 5 Parte 1 Sarnau ouve conselhos enquanto está na palhoça se preparando para o matrimônio. Ouve de tudo para aguentar os problemas do matrimônio, pois homem deve ser servido. É uma sociedade patriarcal e se perdoa o homem. Ela pensa que está com a vida feita e é invejada, as mais velhas continuam a aconselhar. No casamento, o príncipe assina com caneta de ouro e Sarnau usa o dedo, sinalizando que é analfabeta, em frente ao padre Ferreira. Vislumbram a festa, tanta gente dançando, homem bebendo ou sendo embriagado para poderem curtir-se ou curtir outros. Sarnau acha tudo lindo.

Parte 2 A família chora, até seu pai que ela nunca o viu chorar também chora e ela não entende, não era momento de felicidade? A velha tia explica que homem é para ser servido, e ela no casamento era como milho no pilão, explicado pela tia, seria amassada, triturada e moída para a felicidade do lar, e assim o suportaria. A mãe chorava de felicidade, até porque explicou que há quem chora por tristeza. Ela ia, infelizmente, a sua escravidão. Chegando no novo lar, via sorrisos, mas ninguém que conhecesse. Pensava na irmã e na família longe.

Capítulo 6 Parte 1

Sarnau acorda, nem acredita na nova vida. Faziam duas semanas do casamento e a festança intensificava com mais presentes. Vestia um vestido diferente por dia, escolhidos pela rainha. Trabalhava para as sogras que a testavam. A oitava sogra foi enfeitiçada, disse a Sarnau que a casa era cheia de feiticeiras e também coxeava por isso. “Uma lagartixa amarelo-acastanhada despenhou-se da árvore caindo no meu regaço, e fugindo célere enterrou-se no areal. Arregalei os olhos, o coração pulsou, e fui percorrida por um grande arrepio. Presságio de desgraça!”. Ela assim disse que não morreria, foi pendurada e amaldiçoada mas iria morrer de velhice. Eram mais cabeças ao currau.

Parte 2 – Gatilho de violência Sarnau estava contente ao dia e, apesar dos maldizeres do casamento, queria ver Nguila. Quando chegou ao quarto, viu ele com Mayi em sua cama. Aprendeu que quando visse o marido com outra que era para preparar banho e não se zangar. Até mesmo Nguila a chama, vendo que chorou, perguntou se alguém tinha morrido e deu um tapa nela que saiu até um dente. A rainha a acudiu entre lágrimas e sangue. Ela o consolou, dizendo que eram de terras distantes e nasceram e foram moldadas em sofrimento. Soube que essa Mayi tinha tatuagens em relevo e a pele lisa era feitiçaria de veneno de cobra. De noite, sonhando difícil, a sogra a acordou para que fosse dormir com seu esposo. No que retornou, Nguila a abraçou, dizendo que devia ensinar a não ter ciúmes e gostava muito dela, era a primeira, tinha respeito e apreço mais do que a outras. Mas ela se impacientava que não engravidava, como Mayi engravidou, mesmo que fizesse pouco tempo que estivessem juntos.

Parte 3 “Não imaginam o paraíso em que vivi quando declarei a minha gravidez.”. Seu marido lhe enchia de carinhos e amor, na cultura de Moçambique, a gravidez é fortemente celebrada e para os homens a mulher grávida é motivo de festa. Ela vestia-se e ornamentava-se. Mas, “Como o girassol, a felicidade dura apenas um sol.”

Capítulo 7

Parte 1

Mudança de narrador para terceira pessoa, um homem chora em sua cabana triste, abandonado. Era Mwando, casou com Sumbi, uma mulher linda, mal acreditou quando a conquistou, como os outros também não acreditaram, e teve o casamento arranjado, os pais queriam casá-la com nobre, na falta de um, foi pelo menos um homem culto e que parecia nobre. “Os homens não choram, ensinam os pais aos filhos. Mwando é homem e chora, mas com razão.”. O lobolo era alto, doze vacas. Com cinco vacas, a família arranjou uma forma de pagar em prestações as vacas. As seis ao casamento, três quando nascesse a primeira criança e três com a segunda. Já no primeiro dia de casamento ela não cumpria seu lugar como mulher. Apesar de Mwando ter se apaixonado por aquela mulher que trabalhava em pilão, ela fingia dores de cabeça e ficava na mesa como um homem. E continuava assim, os dois se amavam, acordavam tarde, nada produziam. “Só come quem trabalha, ensina a sabedoria popular.”. E ele a ajudava nas poucas vezes que ela fazia algo da casa, pegou mal, a vizinhança se afastava e ela logo se tornava tirana. Os carinhos viraram obrigações, exigia presentes mesmo que a família dela não faltasse dinheiro. Mwando se endividou, esgotou as despesas, mesmo que ele não visse problema em agradar a mulher. Ela sempre vinha com sorrisos, e presentes de admiradores quando o dinheiro dele se esgotou. Mas o lobolo e o lugar da mulher em Moçambique é diferente, ela jamais deve trazer prejuízo. Interviram no caso, “Mulher lobolada tem a obrigação de trabalhar para o marido e os pais deste. Deve parir filhos, de preferência varões, para engrandecer o nome da família. Se o rendimento não alcança o desejável, nada há a fazer senão devolver a mulher à sua origem, recolher as vacas e recomeçar o negócio com outra família. Mulher preguiçosa não pode ser tolerada, muito menos a libertina.”. O pai ficou louco que ele respondia aos anciões, que eram de outra religião e pregavam outra fé, ele pensava ser elevado por ser cristão e ignorava os preceitos éticos e morais de uma boa família, mas o pai também era culpado. Não deu outra, afastaram-se da vila, viveram em uma cabana em desgraça e só piorou com o filho morto, com o pretexto que era feitiçaria dos defuntos não apoiarem a união. Mas Sumbi já tinha casamento com gente rica, “amor com pobreza não faz felicidade, arrumou as coisas dela e partiu.”.

Parte 2 Chorava, estava depressivo. Amaldiçoava a religião dos antigos e se culpava, sentia remorso de como era vítima antes das opressões na adolescência e infância agora como adulto, pelos anciões. Pensava e repensava e teve um pensamento. “Homem que é homem deve saber resistir às vicissitudes da vida, pois todos os seres vivos têm as suas amarguras.”. Rezou, gritava alto, chorava e precisava ouvir isso. Entendeu tudo que passou e passa e tinha ressuscitado.

Capítulo 8 Sarnau estava triste, tinha duas filhas e faziam dois anos que o marido dela não a tocava e estava com amores com Pathy, a quinta esposa. Mal comia a comida dela, reclamava de algo ou estava indisposto e brigava com ela. As gêmeas demandavam muito e ela batia nelas como se fossem culpadas. Ela lamenta a morte do rei, Zucula, que trouxe tantas outras mortes e desgraças para o reino. Morreu de cócoras, com uma cobra, e assim foi enterrado. O dia era feio e cheio de sinais ruins, e as pessoas se matavam ao longo dos dias ou iam embora dos postos. A rainha morreu de joelhos e também assim foi enterrada. Em meio a isso, ainda havia uma guerra. O filho, Nguila, era rei e curtia o momento. Sarnau vestia o mesmo ouro da rainha e tivesse quem a invejava, mas comia mal e vivia mal. E para piorar, Mwando a encontrou e ele estava péssimo, nem era o mesmo que lembrava de fisionomia. Apesar de ter enxotado, foi até sua cabana e se amaram. Ela até propôs que continuassem os encontros em uma gruta de fantasmas que era afastada, mas Mwando a lembrou de sua posição e ela se despediu, saboreando o momento de vitória.

Capítulo 9

Parte 1 Sarnau estava em dilema. Por um lado, amava Mwando e seu amor a tranquilizava. Por outro lado, tinha poder, status e riqueza com seu casamento polígamo. Pensava no lado ruim também que Mwando a fez sofrer muito mas do marido polígamo que amava e a deixava de lado.

Parte 2 Lamentava que Mwando não iria mais vê-la, era rainha e não seria coisa boa. Visitou a gruta dos fantasmas, escondendo sua rota, e lá viu Mwando a esperando, ele sofria que poderia ser punido mas queria ver Sarnau. Mais uma vez se amaram, trocaram promessas de amor.

Capítulo 10

Parte 1 Sarnau engravidou de Mwando, mas ela conseguiu fazer um feitiço para que Nguila se encantasse por ela. O feitiço foi tão forte que ela se tornou mais amoroso com todas, exceto Pathi que vivia com ciúmes e tinha até pedido um feitiço que matasse todas as outras 6 esposas. Agora dividia o amor e sempre dormia depois da meia noite com Sarnau, sendo carinhoso. Ela implorava à defunta protetora que o fizesse parecido até com o bisavô, menos com o pai original. Pensou em fugir, mas não trocaria o bem-estar por nada, podia ser um menino e governar tudo. No parto, descobriram que Pathi fez um feitiço para que Sarnau morresse nele em um sonho de Nguila e foi espancada fortemente, além de tomar veneno e ter dado uma diarréia. Sofria. Sarnau sofria de emoções, não sabia até quando poderia continuar com essa mentira do filho ilegítimo e do amor de Mwando.

Parte 2 Mwando pedia que fugisse com ele, queria Sarnau só para si e sofria com as migalhas de carinho e a impossibilidade de se quer ter o filho. Sarnau pedia paciência, o rei aguardava ansiosamente a criança e poderiam fugir quando nascesse.

Capítulo 11

Parte 1 O parto foi difícil, com a luz da lua, cantavam e pediam que viessem bem. Mas Sarnau sofria, diziam que comeu ovo, mas o filho vinha de um adultério e por isso era mais penoso. Descobriram que Phati a enfeitiçava e apanhou. Quando baixou o feitiço, saiu o bebê. Ela teve pena de Phati, apesar de oponente. Para trazer mistério, a criança nasceu de pele clara e a cara da mãe. Apontaram a pele como um indicativo da relação das duas oponentes, mas era a pele de Mwando. O rei se embriagava de felicidade. Ela se perguntava onde estava Mwando.

Parte 2 Phati vigiava Sarnau em cada passo. Os encontros com Mwando continuavam e os seus planos de fuga também. Ela temia o pior e decidiu encerrar os encontros. Ia trazer mal para a família e o pequeno Zucula que já andava e tinha dentes. Diria seu último adeus.

Capítulo 12

Parte 1 Sarnau estava em dilema, sabia que devia deixar Mwando, mas seu amor a confortava contra Nguila que a espancava e a machucava fisicamente. Entre suas tatuagens e machucados sangrando, Mwando a beijava e a amava, pedindo para ser sua e fugir para além do rio. Ela pensava nas crianças antes de seu amor.

Parte 2 Estava decidida em não ir com Mwando, mas Phati a viu e a denunciou como feiticeira, pois só gente com gênio e ligada às religiões de Moçambique e feitiçaria que poderia adentrar as grutas sem ser atingido. Contaria tudo a Nguila e ela não seria ouvida segundo Sarnau, mesmo que ela tivesse voltado a ser a favorita do rei.

Parte 3 Nguila estava machucado, via a verdade nos olhos de Phati mas não sentia nas palavras de Sarnau. A dor que sentiu da possibilidade de traição da rainha e da possível mentira de Phati machucou seu íntimo mais do que o orgulho e mataria uma delas após beberem o licor da verdade, o wanga. Quem estivesse mentido morreria. Queria se embriagar para esquecer. Quando trouxe o fumo e a aguardente, abraçou Sarnau e chorou. “Descobri que ele me amava de verdade, com a sua maneira polígama de amar.”. Chorou também, arrependida. Fugiu na noite enquanto Nguila dormia e sentiu ser vigiada, era Phati de novo. Nocauteou-a e acordou Mwando em sua palhota, deixou tudo e as crianças.

Capítulo 13 O capítulo começa com Sarnau rezando para a defunta protetora que protegesse Mwando, agora pescador, do mar inquieto. Há um retrocesso de como chegou ali. Remaram para longe de Mambone, a correnteza ajudou e Mwando remava rápido. Sarnau chorava, amaldiçoava Phati, mas ao menos tinha a felicidade eterna. Chegaram em Bazaruto, venderam o barco e partiram para Vilanculos. Trabalhava com indianos e fazia tudo, já que Sarnau não saía da palhota que cabiam dois para não ser descoberta. Ele veio, frio da chuva e cansado do trabalho. A pesca foi boa, comia feliz e gostava do calor de Sarnau. Ela estava feliz, não tinha os filhos ou o título mas tinha um marido que era todo o apoio emocional e social. Ele dormiu em seus braços, ela pensava em dias melhores.

Capítulo 14 Parte 1 O sono, segundo o narrador, é importante para conectar o racional e os deuses, espíritos com racionalidade. O período de agosto era difícil para pesca mas bom para colheita. Mwando vagabundeava, ajudava em coisa ou outra mas mais ficava conversando e ouvindo a fofoca do rei e da rainha, ouvia o povo a favor da rainha que fugiu e o homem que a levou como herói. Queria saber cada vez mais, como se fosse alheio, mas o sono ia vindo com mensagens que não decifrava. Em uma noite, foi até o oráculo e nada entendeu, mas em um bar, enquanto bebia, encontrou um antigo amigo de infância e irmão de circuncisão, Nhambi. Ele vinha com outros guardas reais, também era um. Mwando não sabia se fugia ou invocava a amizade de antigos tempos, mas Nhambi veio com palavras duras e amigáveis. Contou que o rei sofria, Mwando era a menor das preocupações, mas ele mandou matar Phati com as vozes do povo aclamando que ela enfeitiçou a rainha e que o homem que a levou era um espião da tribo inimiga de guerra. Mwando sentia vergonha e se arrependia, Nhambi cuspiu no chão e o acusou de ser pior que mulher, devia ter orgulho e não ter agido daquele jeito. Como dívida de ter sido salvo de um ataque de cobra, aconselhou que decidisse se ficava por ali e morria, que eram ordens do rei, ou fugisse e nunca mais voltasse.

Parte 2 Mwando estava como um fantasma para Sarnau, contou que Phati morreu, o rei sofria e sua família corria perigo. Ele iria partir, apaixonou-se por Sarnau por ser nobre, agora era uma simples camponesa com nada de mais. Sarnau o lembrou do filho e que prometeu amor eterno. Reclamou que o filho nem com ela estava e poderia voltar ao rei. Ela disse que morreria e Phati sabia muito bem o que fazia. Deu de costas, correu atrás dela e tomou um golpe que deixou-a desacordada. Acordou pela manhã, viu os pescadores e as mulheres pegando caranguejos. Chorava e ninguém a acudia. Mwando era nuvem na sua vida.

Capítulo 15 Parte 1 Narra-se a partida de negros em um barco de Espírito Santo. De fora, o cenário parece corriqueiro e se acostumaram de ver esse tipo de situação. Dentro, era pior, choravam, clamavam por Deus e pelos defuntos, sem serem ouvidos. Estavam por lá mal sabiam os motivos, era desde guerra, mal entendido ou só ser negro. Mwando estava lá, ele se relacionou com uma mulher prostituta e um sipaio, soldado indiano, não gostou. Tentaram testar o português, falava e escrevia bem, mas na hora dos documentos que ele não tinha vistos foi o fim. Apanhou e foi levado ao barco. Outros negros libertos oprimiam os negros escravos. Iam para Angola, terra de opressão, cacau, café e cana.

Parte 2 Os escravos foram separados e os colonos se abraçavam exageradamente. As mulheres iam para o tabaco e os homens para canaviais e os campos.

Capítulo 16 O capítulo narra e descreve a natureza que os escravos e os colonos armam acampamento para fazerem dali o local de colheita em linguagem poética. Ler o capítulo.

Capítulo 17

Parte 1 Um negro morreu com a cabeça presa na máquina, mandaram chamar o Padre Moçambique, o católico, e Januário, para prestar os costumes africanos. Mwando era tal padre, tinha fama, fazia as celebrações como os padres brancos mas cobrava muitas vezes menos. Os colonos viram vantagem e até deram regalias, como casa e mulher. Era a boa ponte entre os escravos e os colonos. Januário tinha o nome de padre cachaça de tanto que tomava. Tinha um boato de um escravo que pediu para ser enterrado de cócoras e que não trabalhassem por oito dias. O colono riu e enterraram ele de qualquer jeito. Seu corpo aparecia por toda parte e até foi na casa do patrão estourar toda a louça. Quando viu o corpo de novo ali fresco, fez como pediu.

Parte 2 Quinze anos se passaram e assim foi indo a vida de Mwando. O cabelo ficou grisalho, juntou boa grana, tinha casa, mas o coração queria ir de volta para Mambone. O choro foi comovente das pessoas, mas precisava ir. Chegando onde havia a palhota, encontrou um armazém pesqueiro e nenhuma informação de Sarnau. “A resposta negativa deixara-o convencido de que ela talvez tivesse regressado à terra natal.”. Saiu de Vilanculos e voltou a Mambone, ia caminhando pela noite para não ser reconhecido. Os cães latiam como se fosse fantasma, a mãe de Mwando pedia proteção aos defuntos e ele anunciou sua chegada. Ela chorou muito, seu pedido foi atendido de ver seu menino. Contou da morte do pai, soube que Sarnau não era casada e vivia em Lourenço Marques uma vida desgraçada. Estava focado em ver Sarnau.

Capítulo 18 Um mercado barulhento com pessoas vendendo de tudo e um cheiro terrível é onde Sarnau se encontra. Faziam 16 anos que tentava de tudo para Mwando voltar e nada. Tinha agora dois filhos, Phati e João. De início, chamava Phati de Chivite, trabalhava para indianos e dormia em um armazém ao fundo com os cãos e de lá ela nasceu. Mas no segundo mês piorou e no terceiro nem chorava ou comia. Na falta de dinheiro para hospital, foi a uma curandeira que viu que um espírito se alojava nela, que sofria, o espírito de Phati. Ela ia matar um por um, o remédio era nomear e fazer renascer Phati, pura, inocente. No dia seguinte, após fazer o ritual de nascimento, o bebê desatou a chorar e comia bem. João era filho de um outro cristão que o enxotou, não pegava bem ter filhos por aí. “Ser cristão é uma coisa, mas a perversão e o afastamento dos deveres paternais porque se é cristão, é coisa que ainda não entendo bem. A poligamia tem todos os males, lá isso é verdade, as mulheres disputam pela posse do homem, matam-se, enfeitiçam-se, não chegam a conhecer o prazer do amor, mas tem uma coisa maravilhosa: não há filhos bastardos nem crianças sozinhas na rua.” Mas, não importa. “Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.”.

Capítulo 19 Enquanto voltava para casa, derrubou os tomates que caminhava na chuva ao trombar com um homem. Pediu que pagasse pois era sua única fortuna e reconheceu o homem sem querer acreditar. Mwando correu atrás dela e a puxou. Ele pedia perdão, ela disse que sofreu, e ainda acusou ela de ter virado puta. Respondeu que ele tinha tirado sua virgindade, sem pagar a defunta protetora, tirou de seu casamento sem pagar resgate e a deixou sozinha e ficou sem nada, até o útero se foi de tão podre que estava. Ele contou que também sofreu, tinha virado escravo por um indiano ciumento e ficou quinze anos trabalhando em cana e café e gastou tudo que tinha para vê-la. Ela aceitaria, mas que pagasse 24 casamentos. O rei exigia reparo do lobolo, ainda que tivesse se casado com Rindau, irmã de Sarnau, e as 36 vacas deram origem a outros casamentos, resultando 24 lobolos. Ou ele pagasse, ou nada feito. Ele queria pagar, mas tinha nada, sofria mais porque dizia não ter filho e Deus assim o castigou, mas ele tinha, Zucula, o mais velho, era rei, as gêmeas casaram-se em Mambone e Phati estava em seu ventre quando fugiu. João não tinha pai. Ficou eufórico, mas não tinha como pagar. Ela disse que deixaria as lembranças e saiu dali sem saber com qual força. Mwando a chamava na escuridão e ela rejeitou o chamado.

Capítulo 20 Sarnau sofre, chora mas os filhos não notam. Mwando foi até a casa dela, apresentou-se à Phati que abriu a porta e sorria com a resposta dele ser o pai. João sorria muito e os dois pediam para que ele ficasse. Mwando respondeu que ficaria se Sarnau quisesse. Ela mandou os filhos dormirem que o dia era longo. Chovia lá fora, ficaram ali se encarando. Ele disse que as crianças precisavam de um pai, e ela precisava de um homem. Ele tinha vencido, ela tinha o orgulho, mas de quê? Ele chamou de novo o nome dela, tinha negócio, dinheiro, casa, podia ser que desse certo. Puxou o candeeiro e apagou a luz, ficou a escuridão. “Continua a chover lá fora.”.

Tempo da obra: Moçambique antes da independência, com a indicação da cidade de Maputo como Lourenço Marques.

Lugares da obra:

Personagens da obra:

  • Sarnau: Seguidora da religião dos antigos e dos defuntos protetores, sofre para poder ser amada seja na monogamia ou na poligamia
  • Mwando: Cristão, sofre para poder ter respeito e lugar como homem em Moçambique, adotando os valores da modernidade e rejeitando a sua raiz
  • Padre: Sem nome mencionado, antigo mestre de Mwando, hipócrita nos valores cristãos
  • Salomão: Ex-aluno do colégio de padres, teve um caso com a cozinheira
  • Cozinheira: Sem nome mencionado, teve um caso com Salomão
  • Rindau: Irmã de Sarnau
  • Mãe de Sarnau: Sem nome mencionado, curandeira
  • Rei Zucula: Pai de Nguila, rei justo e inteligente
  • Rainha : sem nome mencionado, também veio de uma terra distante, sofreu muito como Sarnau
  • Nguila: Príncipe e futuro rei, marido de Sarnau, beberrão, violento e protetor
  • Khidze: Ex-pretendente de Nguila, feiticeira, preguiçosa e libertina
  • Mayi: Uma das mulheres de Nguila, é a primeira que Sarnau descobre compartilhando a cama do rei
  • Sumbi: Ex-mulher de Mwando, casamento arranjado, preguiçosa, libertina e fugiu para outro casamento
  • Phati: Quinta esposa de Nguila, favorita dele, feiticeira e invejosa
  • Gêmea 1: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Gêmea 2: Filha de Sarnau e Nguila, demanda muita atenção, apanham da tristeza da mãe como se fosse culpada
  • Zucula: Filho de Mwando com Sarnau, Nguila acredita ser seu filho
  • Nhambi: Amigo de Mwando, guarda do rei, procurava o sequestrador de Sarnau, mas poupou o amigo que admirava e respeitava muito
  • Phati/Chivite: Filha de Mwando com Sarnau, foi renomeada para descansar o espírito da esposa ciumenta
  • João: Filha de Sarnau com um cristão, enxotou pois não era uma boa aparência ter um filho com uma prostituta
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"No seu pescoço" Chimamanda Ngozi Adichie UNICAMP 2027 UNICAMP 2028

“No seu pescoço” de Chimamanda Ngozi Adichie, resumo de cada conto

Conto 1 – Cela um

Parte 1

“Na primeira vez em que nossa casa foi roubada, foi nosso vizinho Osita que entrou pela janela da sala de jantar e levou a televisão, o videocassete e as fitas de Purple Rain e Thriller, que meu pai tinha trazido dos Estados Unidos. Na segunda vez em que nossa casa foi roubada, foi meu irmão Nnamabia que forjou um arrombamento e roubou as joias da minha mãe. Era um domingo.” Tinham ido para a missa, os pais foram visitar os avós e Nnamabia estava com o carro. Em vez de se rirem na missa, ele saiu por um momento e voltou ao final da missa. A narradora, sem nome ao longo do conto, chateou-se por pensar no que estava fazendo. Quando chegaram em casa, ela foi colher flores e Nnamabia anunciou em inglês, língua oficial da Nigéria, que foram roubados. Havia algo de teatral na bagunça. Os vizinhos foram até ver, mas o pai e a narradora sabiam daquilo tudo. Nnamabia era esperto, mas abriu a veneziana por dentro e sabia exatamente onde ficavam as jóias. Ele tentou se defender, falando as mesmas palavras teatrais que não faria aquilo. Sumiu por duas semanas e voltou chorando, cheirando a cerveja, tinha penhorado as joias com comerciantes Hausa, uma tribo do país. A mãe ainda quis saber por quanto, achando que foi pouco, a narradora queria bater na mãe pela falta de revolta do crime. O pai pediu um relatório do acontecido e dos gastos, até porque estava naquele hiato entre ensino médio e faculdade, era velho demais para apanhar. Guardou o relatório, praxe de professor, e falou alto como que ele poderia ter magoado sua mãe. Morreu o assunto ali. Mas Nnamabia seguia os filhos dos professores universitários do bairro, tiveram vida boa, vestiam-se bem, roubavam pela fama, mas os pais professores acusavam a ralé da cidade. Osita era dois anos mais velho que Nnamabia, mas não foi cobrado. Nnamabia roubou a própria mãe em vez de ir a outro lugar. “Talvez não se sentisse velho o suficiente, experiente o suficiente, para nada maior do que as joias da minha mãe.”. Nnamabia sempre foi assim, até mesmo comentavam da sua pele mais clara que o deixou lindo – caso de colorismo – e a filha era mais escura. Quebrou janela, perdeu livro, copiou chave, roubou e vendeu as respostas da prova, com os pais aumentando a mesada, dando dinheiro pra pagar ou nunca comentando do assunto. “Talvez o roubo jamais voltasse a ser mencionado se, três anos depois, quando estava no terceiro ano da faculdade, Nnamabia não tivesse sido preso e trancado numa cela na delegacia.”. Começaram os cultos, grupos violentos que dividiam richas e grupos inspirados em grupos de rap. Nnamabia era popular, o que gerava uma certa crença que ele não participava de um dos cultos, por faltar coragem e insegurança de querer participar em um. A polícia rondava, Nnamabia ria, e disse com olhos grandes que não era de um culto, sendo que respondeu isso preso na primeira visita.

Parte 2 Na manhã de segunda, três jovens roubaram um carro da professora e atiraram nos alunos em pleno meio-dia no campus. Os professores foram os primeiros a correr, cobraram mais por transporte e o reitor deu toque de recolher e cancelou as aulas noturnas, fato que confundiu a narradora – tudo aconteceu de dia. Nnamabia nem se abalou e andou pela rua no primeiro dia de toque de recolher. Foi preso e levado para outra cidade Enugu, onde os pais não conheciam quem era quem, “a capital do estado, onde ficavam a Divisão de Infantaria Mecanizada do Exército da Nigéria, o quartel-general da polícia e os guardas nos cruzamentos cheios de carros. Era o lugar onde a polícia podia fazer o que todos sabiam que fazia quando estava sob pressão para apresentar resultados: matar pessoas.”.

Parte 3 Foram visitar Nnamabia com suborno de comida e dinheiro para os policiais e levaram comida para Nnamabia. Ele estava contente, achava até bom ali pela organização do chefe da cela. Ele tinha subornado o chefe com dinheiro que enfiou no ânus ao ser preso. Não perguntaram de como foi preso, o que estava fazendo, mas ao partirem, o pai disse que devia ter feito o mesmo – prendido para aprender e mudar. A narradora não viu a diferença do irmão.

Parte 4 A situação ia piorando, Nnamabia ficava em uma cela que tinha que ficar de pé de tanta gente, ficou chocado com um garoto alto do Buccaneers que chorava de apanhar, viu um corpo morto saindo da cela um, mais por conta dos policiais tomarem seu tempo para que vissem o cadáver do que a curiosidade do menino. Quando apanhava, recebia apelidos de ser jovem mimado da universidade. A narradora vai se revoltando com as visitas, da sorte que ele tinha de poder comer ali, sem perceber que ele não tinha chances de ser solto. Ele gostava de sofrer.

Parte 5 Os comentários sobre a polícia sempre eram poucos quando eram confrontados ou parados. Toda situação era delicada de um sintoma maior do que o suborno. O chefe da polícia se gabava da prisão dos membros do culto, o dinheiro ia acabando e a narradora solta que não iriam visitar Nnamabia. O pai fica confuso, sem entender. Quando foram ao carro, com a mãe proclamando que não precisava ir, jogou instintivamente uma pedra, ouviu o estilhaço, o grito da mãe e esperou no quarto pela bronca que nunca veio. Realmente não foram, mesmo com o Peugeout 504 da mãe que era perigoso sair da vila.

Parte 6 Não se comentou do pára-brisa, os guardas comentaram da ausência e Nnamabia queria falar de ontem, mas de um velho que foi preso. É costume local prender o pai se não se encontra o filho, dizia em Igbo, língua que usa sempre para confessar ou se abrir emocionalmente. Humilhavam o velho, sem banho, sem comida, sem ter como subornar e ele se entristecia. Comia pouco e até queria levar para ele, mas os guardas nem se importaram. A narradora teve até compaixão pelo irmão malandro triste.

Parte 7 Houve uma nova morte no campus, o que abriu um precedente para prenderem um menino e ele confessar que o Nnamabia seria solto. Não levaram suborno e iam ansiosos e temerosos pela estrada. Chegando lá, até os policiais que agradeciam o suborno estavam sérios. A situação se agravou e Nnamabia não ia ser solto. Entre o desespero da mãe e o policial tentando explicar. Foram para uma outra delegacia, afastada e guiada para o policial que iam levar para economizar gasolina. Ele tinha apanhado, comentou como as crianças eram deixadas depois para a sociedade para serem punidas sem terem sido criadas direito. Nnamabia contou que o velho foi humilhado para ter um banho gratuito e ele foi levado para a cela um. Nunca foi perguntado ou dito o que aconteceu na cela um, foram para a casa.

Conto II – Réplica

Parte 1
“Nkem está fitando os olhos esbugalhados e oblíquos da máscara do Benin que fica sobre a lareira da sala quando descobre que o marido tem uma namorada. “Ela é bem jovem. Deve ter uns vinte anos”, diz sua amiga Ijemamaka ao telefone.” Ijemamaka conta como Obiora era um bom homem, viu ela dirigindo os carros dele por Lagos, mas levar a namorada para a casa era demais. Nkem agradecia, mesmo que não quisesse ouvir a voz da amiga, mas a outra parecia até feliz de falar daquilo. Conversaram do aumento dos preços e da promessa que nunca cumpriria de ir para Nova Jersey. Ao desligar, pegou um copo de água, encheu e deixou na mesa. Via uma réplica de máscara do Benin e lembra dos vizinhos que começaram também a colecionar e diziam da dificuldade de acharem originais. Nkem imaginava o ritual, dos homens fortes que usavam as máscaras para proteger o pai, como Obiora contava mas não sugeria do ritual, mas até mesmo de que os jovens preferiam não fazer aquilo.

Parte 2
Nkem se mudou na primeira gravidez, era tudo bonito e encantador de se contar como vivia ali e dos vizinhos que ajudavam. Ela parecia incapaz pelo sotaque de se virar sozinha, mas aceitava a ajuda. Sabia que Obiora queria que os filhos fossem independentes e de classe, afastando-se da realidade da Nigéria. Os vizinhos notaram a ausência de Obiora que não morava mais lá depois dos primeiros meses. Ele se riu ao telefone, falando que eles olhavam torto para quem vivesse diferente. Nkem tinha contato com outros casais, inclusive nigerianos, e as histórias não batiam.

Parte 3
Pensa em como foi todo o processo da aquisição da casa, da vida que vivia de plástico como Obiora disse. Quando um homem foi trocar o lustre, elogiou a casa, e viu nos olhos dele aquele sentimento de que esperanças absurdas são feitas naquele país. Pensava em como ficava indo, os filhos foram para escolas, estudavam, participava de clubes de pessoas que vieram para os Estados Unidos e tinham casa. Obiora ganhava mais dinheiro, apareceu em notícias e ia menos agora para lá, com medo de perder os contratos do governo. Logo iria buscá-lo no aeroporto e pensava em como tinha que se arrumar o cabelo e os pelos pubianos ao gosto dele. Percebe a ausência presente dele, vê o closet, as colônias, lembra do Natal que ele não estavam e ligaram do seu número sem resposta. Ele ligou de volta, falando que podia ser um garoto passando trote. Ela assim queria que fosse.

Parte 4
Ela se fita no espelho e corta os cabelos com intensidade e revolta. Lembra de uma conversa com uma mulher que generalizava os homens, falando que eles deixavam o dinheiro aqui mas iam para a Nigéria para serem bajulados. Amaechi, a empregada, é chamada e Nkem pede rispidamente que limpe o chão. Ela o varre, com respeito, mas a relação de empregada e patroa era difícil, havia uma igualdade forçada que passava-se tanto tempo que era uma ouvinte, alguém para se confessar. Pediu perdão, ela o aceitou.

Parte 5
Recebe uma ligação rápida do Obiora que estava trabalhando e corta para trabalhar mais. Nkem até tenta falar, mas não tinha forças. Pensa na casa tão vazia de um homem, das correspondências ali fechadas e da cama usada de um lado. Pensa na mulher de cachos curtos e que tem uma foto dela, além de como até ela mesmo saía com homens casados, coisa comum da Nigéria. Ela pensou na primeira vez que viu Obiora, diferente de antes, que os homens davam pequenos presentes e elogios, mas não passavam disso pois ela era da roça e com pouca instrução, Obiora a levou para jantar, conheceram-se num dia chuvoso, tomou vinho e achou azedo e se forçou a gostar, foram conhecendo pessoas, integrando-se na vida até ele a pedir em casamento. Era mais como ela ficasse feliz de ter sido informada que estavam se casando, não que precisasse dar uma resposta e escolher. Nkem decidiu sair de casa e fitou a foto da mulher de cachos curtos.

Parte 6
Nkem acompanha Amaechi cozinhar. Ela pergunta para a patroa como quer as coisas, o que sempre faz, mesmo que Amaechi cozinhe melhor. Elas discutiam sempre de coisas americanas em perspectivas nigerianas, mas finalmente falaram do Obiora, sem ser da janta ou da roupa, mas que Nkem descobriu uma namorada na casa. Mal podia definir sua casa, ela vivia ali nos Estados Unidos, mas Amaechi recua e vai falando que não era da conta dela. Nkem quer conversar, diz que os homens são assim, com namorada em casa ou não e que Obiora era bom homem e a amava. Mas que ela no fundo sabia. Nkem pensa nessa recusa e se sabia mesmo, até mesmo no que Amaechi disse de Ijemamaka poderia saber, mas vai saber se ela não teria inveja, normal entre as mulheres na mesma situação de Nkem.

Parte 7
Decidiu ligar para a casa de Obiora, coisa que não fazia. Era meia noite por lá e um empregado novo atendeu o telefone. Perguntou várias vezes quem estava por ali, como se procurasse a namorada. Desligou, pensava naquele país que ganhou o visto e na proposta de Amaechi de uma bebidinha, para comemorar. Pensa em voltar para a Nigéria, mas como?

Parte 8
Foi diferente buscar Obiora no aeroporto, não ia risonha como sempre. Ele conseguia comprar a ausência com presentes e saídas, mas logo as crianças questionariam o pai ausente. Quando Obiora a viu, questionou o cabelo. Nkem viu as crianças quietas na viagem, talvez sentiam a ressalva. Nkem disse para Obiora dar atenção às crianças.

Parte 9
Obiora trouxe para casa finalmente uma peça original. Ela estava encantada. Chegou a perguntar da história, e até se os meninos eram felizes por matar pelo pai em vez de só não fazerem aquilo. Obiora riu como se não entendesse e disse que felicidade hoje era diferente de antes. Chamou-a para tomar banho e Nkem percebeu sua barriga redonda, pensou se sempre foi assim com homens casados, flácido. Ele a chamou para o banho e até parece que usou a situação que não a ouvia para dizer que logo o pai que morava por dois meses na casa e vinha no Natal seria questionado. Ele não ouviu e fazia tempo que não a chamava para se banhar, despiu-se e foi com ele.

Parte 10
No banho, enquanto ensaboava as costas de Obiora, dizia calma e enfatizando a união de como queria registrar os filhos em Lagos no próximo ano escolar e poderiam visitar os Estados Unidos nas férias. Ela foi até elogiada do cabelo antes, mas parecia tentar se convencer também que ia. Obiora perguntou o motivo, respondeu que queria saber quando um empregado mudava. Obiora disse que podiam conversar, talvez fosse aquela coisa de nunca ter que decidir que Nkem gostava do relacionamento, mas ali parecia decidido.

Conto III – Uma experiência privada

Parte 1
“Chika entra primeiro pela janela da loja e segura a veneziana aberta enquanto a mulher vem atrás. A loja parece estar abandonada desde muito tempo antes do começo da onda de violência; as fileiras de prateleiras vazias de madeira estão cobertas por uma poeira amarela, assim como os contêineres de metal empilhados num canto. É um lugar pequeno, menor que o closet que Chika tem em casa.”. Chika tinha perdido a bolsa original e ouviu da moça que perdeu o colar. O sotaque e a fisionomia das duas eram diferentes, Chika ia percebendo e pensava que a outra mulher, sem nome mencionado, era muçulmana, o lenço, o sotaque, rosto estreito e a beleza das coisas baratas diziam que era Hausa, e quanto Chika vestia um rosário forçada pela mãe, pele clara, era Igbo e cristã. Era a mesma briga de lá fora, os muçulmanos atacando os igbos a machadadas, mas ali ela agradeceu. Tudo aconteceu rápido na feira, saiu correndo e as duas estavam por lá, os gritos vieram em várias línguas. A rua continuava quieta, Chika entendia menos da situação do que entendia a muçulmana, sua participação de revoltas eram poucas e tremiam ao ouvir as pessoas começarem a fazer barulho do lado de fora. A muçulmana disse para fechar a janela e ela assim o fez. A poeira da loja pequena ficou densa por ali. Apesar de mal saber o que acontecia, quem matava e quem se perdia, logo sairia dali e veria as carcaças em chamas, carros quebrados, de um igbo cristão que passou em cima de um alcorão na rua e foi atacado por muçulmanos que estavam por ali e chamaram mais para se juntar. Ela vai imaginar tudo e vomitar, tudo naquela época de cinzas de Natal de bodes que se queimavam na época. Na hora, estavam discutindo da fumaça e sentaram. Chika ainda dizia de sujar e pensava nas camisetas que comprou com a irmã, Nnedi. Ela nunca a encontraria, levaria uma foto que tiraram ainda fora e com um sorriso forçado. Estavam de férias ali em Kano, eram universitárias em Lagos e explicava para a muçulmana, pensando se entendia aquilo. Explicou da tia, diretora da secretaria, conversava daquilo tudo que parecia notícia, não que poderia acontecer com ela. Sentou perto até demais da muçulmana e sentiu o mesmo cheiro de sabão em barra da empregada. A muçulmana disse algo genérico de ser obra do mal, Chika via quão esguia era e até se perguntava do que achava e até se tinha como ela achar algo. Ela perguntou da residência de Chika, que pensava na irmã discutindo de tudo aquilo de religião e política. Chika explicou da residência, a muçulmana disse que era feirante, não sentiu sarcasmo ou ironia, falava séria. Desejou que as bancas estivessem a salvo, mas ela disse que sempre destruiam tudo. Não queria continuar falando daquilo, pois eram hausas que matavam igbos e depois os cristãos que matavam muçulmanos de vingança. A muçulmana falou do peito e tirou algumas notas dali guardadas e o peito ardia. Chika lembrou de quando se confundiu toda ao avaliar um menino, disse do mamilo dela e viu que tinha filho. Recomendou algumas coisas, que ouviu pela primeira vez, agora já com 5 filhos. Disse que foi o mesmo com sua mãe, mesmo que fosse ela e Nnedi, mentia assim quando nervosa. Falou da filha que estava vendendo amendoim e se perdeu na confusão. Chika pergunta se era o neném e a muçulmana fica impaciente, dizendo que era Halima, a primeira, que o bebê estava em casa. Chika desejaria que houvesse algo que tivesse deixado Halima em casa naquele dia. A muçulmana chorou baixinho, numa experiência privada, sem gritos e pedidos como Chika estava acostumada. A muçulmana pediu que Alá protegesse sua filha e a irmã de Chika. Chika sabia que não era “amém” que deveria dizer, mas também não sabia o que os muçulmanos diziam, concordou com a cabeça.

Parte 2
As lojas já estavam abandonadas fazia tempo a decreto do governo. Encontraram uma torneira e saía uma água espessa suja. A muçulmana se lavou e ia rezar. Chika queria dar espaço, sabia que era uma experiência privada. Pensou em como zombava a religião da mãe, da reza, menosprezava, e quis acreditar em algo. Dado um momento, quis fugir, esperava até que a muçulmana a impedisse ou a abençoasse, mas ela a olhava com os olhos assustados e dizendo do perigo. Foi embora, com a promessa de que traria a família para levar a muçulmana para a casa que era longe.

Parte 3
Enquanto anda pelas ruas, ela não ouve nada. Quase que de forma proposital, vê corpos e mais corpos enfileirados e carbonizados. O cheiro a deixa enjoada e ela corre desesperada de volta para a loja com dor na perna. Ela bate desesperada de volta para a loja que a muçulmana estava e a janela abre. Fala da perna e oferece caixotes como banheiro improvisado. A muçulmana tem dor de barriga e depois se limpa na torneira. As duas ficam na canga. No futuro, Chika leria notícias que simplificariam os corpos queimados e da violência dos muçulmanos, ficaria revoltada com o uso de palavras e até jogaria o rádio na parede.

Parte 4
A manhã vai chegando e elas ouvem vozes do lado de fora. A muçulmana abre a janela e reconhece alguém, falando em Hausa e sem que Chika pudesse entender. A muçulmana queria ir embora antes do exército chegar ali. No futuro, a tia ficaria preocupada com Chila e Nnedi, sem saber do paradeiro e pensando como aceitou elas ali. Não sabemos da história da filha da muçulmana, Halima. Elas se despedem, a muçulmana disse o que fazer com a ferida na perna de Chika, e ela pediu o lenço, caso sangrasse de novo, apenas querendo uma lembrança. A muçulmana hesitou, talvez não entendendo, mas logo disse que sim.

Conto IV – Fantasmas

“Hoje eu vi Ikenna Okoro, um homem que eu acreditava estar morto há muito tempo. Talvez devesse ter me abaixado, pegado um punhado de areia e atirado nele, como meu povo faz para ter certeza de que uma pessoa não é um fantasma. Mas sou um homem educado no Ocidente, um professor de matemática aposentado de setenta e um anos e supostamente munido de ciência o suficiente para rir com indulgência dos costumes do meu povo.”. A aposentadoria não tinha chegado, os funcionários já o conheciam de tempos e de hábito daquilo. Amaldiçoaram os administradores, falavam do que aconteceu e também o narrador-personagem, chamado de Prof. muitas vezes, era como se fosse mais respeitado e importante pelo título. Perguntavam da família, ele tem Ebere de esposa e Nkiru de filha, desejavam que a filha estivesse nos Estados Unidos em vez da Nigéria, local que acreditavam que as pessoas eram ingratas. O narrador percebia coisas banais, como alguém comendo banana, o pomo de Adão de outro, a pele ressecada do período próximo ao hamatã de todos. Via os homens dividindo dinheiro e se zombando ao comprar amendoim e bananas e pensa se era para ter ficado assim, salvo fosse o cargo no Ministério Federal das Estatísticas e os dólares que a filha mandava sem ser pedido. Pensou que era covarde demais para se submeter em tais condições que viu. Daí que vê Ikenna Okoro. Ele o chama, James Nwoye, e assim o narrador explica que ele não o conhecia intimamente, mas pela fama que tinha na universidade e como desafiava as normas e falava da revolução. Os colegas admiravam ele, mesmo sendo da sociologia. E ele ainda sorri com todos os dentes, James tinha perdido um, recusado-se a fazer um procedimento e teve inveja. Lembrava da morte dele, 6 de julho de 1967, uma guerra de invasão e resistência de Biafra. Apesar do povo fugir, via a união e as notícias que logo tomariam conta de retrocederem as tropas e tomarem de volta o campus. Ikenna tinha voltado, talvez para pegar materiais ou manuscritos, mas a notícia que ficou foi de alguém indo contra o exército e sendo morto. Julgaram ser Ikenna. Ele contou, rindo, diferente da risada que dava quando discordavam dele. Pensou até na situação e em como haviam sabos, sabotadores da causa que trocavam sua segurança para uma passagem longe da Nigéria e ali se encaixava bem. Ele disse que não era assim, sem ter ouvido qualquer insinuação, mas que fugiu com a Cruz Vermelha para a Suécia. Achou estranha a história, mas sabia que teria mais nada depois daquilo. Ele ficou todo o tempo na Suécia, eles tinham voltado logo depois em 1970 para Nsukka e viram a casa destruída, usada, violada, desrespeitada. Foram para os Estados Unidos, arranjou vaga de professor por um amigo e voltaram em 1976. Ikenna perguntou de Zik, a outra filha de James, que havia perdido uma boneca no dia da fuga e Ikenna sempre insistia em pagar uma Fanta a ela. “A guerra levou Zik”, eu disse, em igbo. Falar dos mortos em inglês sempre teve, para mim, um inquietante caráter definitivo.”. Ficou aliviado de não ter que explicar como, até comentou que teve outra filha e Ikenna falava rápido, uma história de como contava de Biafra quase que repetidas vezes para um público. James sentiu uma nostalgia e fugiu em pensamentos. Falaram de outro colega, Chris Okigbo, poeta e gênio que faleceu lutando pelo país. Achou ter falado muito e tentou contar outra história de quando fugiu, jogaram um homem ensanguentado na parte de trás do carro e como sujou e o fez pensar em Ikenna, mesmo que tudo fosse exagero. Ikenna falou que ouviu tantas histórias, respondeu que não casou de novo, a vida na Suécia era mais do mesmo e voltou para ver as coisas ali, “como se isso significasse algo além do que fazemos com nossos olhos.”. Perguntou da mulher, errando o nome, e James disse que ela morreu faziam 3 anos em Igbo. Ikenna lamentou, James percebeu como ele era um homem de possibilidades, o que poderia ter sido. Ele comentou das visitas que recebia de Ebere, Ikenna achou estranho mas não falou, apenas entonou. James pensava o que seria se tivessem ganho a guerra, do que seria se falasse para a filha das visitas e lembrou da primeira vez que ouviu a casa sendo visitada por ela e o cheiro de Nivea que ficava ao acordar. Pensou no neto que não falava Igbo e não entendia o motivo de cumprimentar mais velhos, pois pequenas cortesias no outro mundo precisam ser justificadas. Contou mais da filha, tentando desviar do comentário e falou do diploma e seu emprego. Ikenna olhava para o flamboyant com os homens e pensava na época de estudos e como era diferente, mesmo que ele e James tenham estudado nos Estados Unidos. Contou também da situação do reitor, antigo dançarino, ia despertando memórias em James, contou do desvio de dinheiro, a má administração e a falta de aposentadoria. Outros mentiam a idade para não aposentarem. Ikenna teve revolta, ouviu aquela voz de antes. James respondia que era assim mesmo, com um gesto de balançar a cabeça que significava que era um assunto inelutável. Perguntou da vida, em Igbo, aposentadoria era “descanso da velhice” e ele assim o fazia, caminhava, via manuscritos, comia sopa, falava com a filha e deixou de ir para a igreja. Estava convicto que a incerteza que os levava para a religião e agora passava os domingos na varanda com os abutres espiando ele. Um outro redomoinho se formou e James convidou para que fossem para sua casa, mas ele precisava ir. Convidou para ir depois mas sabia que não iria. Voltou dirigindo, vendo a paisagem, pensando no que foi, o que não é mais e o que é ali. Chegando em casa, teve uma mistura de tempos, pensando na estratégia táctica de que os sobreviventes de Biafra nunca mencionavam ou discutiam dos sobreviventes e da guerra, de como a televisão não pegava sinal, do escritório gasto, da filha ligar e contar do neto e da visita de Ebere que esperaria.

Conto V – Na segunda-feira da semana passada

Parte 1
“Desde a segunda-feira da semana passada, Kamara começou a passar um tempo diante dos espelhos. Ela virava de um lado para o outro, examinando sua barriga proeminente e desejando que fosse chata como a capa de um livro, e então fechava os olhos e imaginava Tracy acariciando-a com aqueles dedos manchados de tinta. Fez isso agora, na frente do espelho do banheiro, depois de dar descarga.”. O menino que Kamara cuidava, Josh, perguntava do que era no banheiro e respondia o que queria comer, tendo já jogado fora o suco verde estrategicamente na ida da mãe ao banheiro. Toda semana mudava o que ocupava a geladeira de bebidas para o menino, e sabia que logo mudaria pois Neil, pai de Josh, devia ter escondido a revista da receita. Josh estava cansado mesmo que quisesse ver ela cozinhar, o que gostava, tinha praticado muito para a competição de leitura. Colocou um desenho para assistir e viu uma criança morena – elogia na Nigéria e ofensa nos Estados Unidos. Lembrou da surpresa de Neil quando falou que era nigeriana e falava inglês bem, como se a língua pertencesse a ele. Tobechi, marido de Kamara, aconselhou não falar sua escolaridade, não seguiu o conselho, aceitou o trabalho de falta de oportunidade. Ainda ouviu que poderia ensinar uma língua nigeriana ao Josh, ele estudava muito e até ouviu que ele era birracial, até que ela repetiu dizendo que era mestiço, Josh pediu em um tom que não repetisse. Ela se desculpou, sem saber porquê, mas o tom a induziu. Ficou surpresa ao receber a ligação que perguntava da sua disponibilidade. Ouvia muito da educação preocupada com o futuro do menino, dele sempre preocupado com o que não faria ou faria em vez de preocupado com o momento, mas Neil parecia ser um homem que queria ser ouvido e assim o deixou. Ouviu da dieta que não entendeu muito os ingredientes e perguntou da mãe de Josh, Tracy. Ele disse que estava ocupada, era artista plástica e trabalhava no porão. Não devia ser incomodada e repetiu que não incomodaria ninguém, ouvindo um tom que ouvia de empregadas na Nigéria. Pensou de novo naquilo tudo de emprego, mas queria um motivo para sair do apartamento. Passaram-se 3 meses. “Três meses trabalhando como babá de Josh. Três meses ouvindo Neil falar de suas preocupações, cumprindo as instruções que a ansiedade dele o levava a dar, desenvolvendo uma espécie de piedade afetuosa por ele. Três meses sem ver Tracy.”. Tracy era um som ambiente, mal surgia ou aparecia e sua existência era deixado de lado. Até Neil tratava com neutralidade dela. Kamara gostava da atenção que Josh a dava. Tudo ia assim, até segunda-feira da semana passada. Viu Tracy pela primeira vez de leggings, suéter, mão com tinta e dreadlocks. A partir dali, começou a querer perder peso e usar maquiagem, na esperança de vê-la de novo. Narra também como Neil acrescentava dinheiro quando chegava tarde e falava de fazer a janta como se fosse difícil abrir pacotes e colocar no forno. Neil ligou e perguntava de Josh e da maratona, queria até o levar para sair e perguntou se ela não queria ir. Mentiu que queria ir para casa, tempos atrás até gastaria mais tempo ao telefone, mas não queria aquela intimidade. Lembrou-se de um dia que Neil procurava por Josh após ver uma notícia de um pedófilo parecido com um dos entregadores. Tinha pena disso tudo dos americanos. Viu como os americanos ficavam de barriga cheia e isso dava tempo de se preocuparem com doenças que acabaram de ler, gabarem-se da criação e dos sacrifícios como se fossem exceção. Tobechi até perguntava da casa deles, mas queria se afastar daquilo que haviam se tornado.

Parte 2
Passa-se um pouco de Tobechi e Kamara, ficaram juntos na universidade e e faziam de tudo juntos. Casaram-se logo pois o tio tinha contatos nos Estados Unidos e arranjou o visto para Tobechi, ele trabalharia e levaria a mulher. Mas foi mais difícil, trabalhava por mais anos e sem ter dinheiro o suficiente para poder bancar a vinda e o visto de Kamara. As tias sussurravam casa vez mais alto dela ficando por ali. Mas o dia chegou, tinha o green card dela ali, que nem verde era.

Parte 3
Kamara foi para Filadélfia com um visto de turista e Tobechi era o fiador, contou como eles se casariam de novo nos Estados Unidos e facilitaria o processo. Estava gorducho, um sotaque americano que comia as palavras e queria estapear ele. Virou gerente do Burger King e era outra pessoa do que lembrava, não associava a voz que falava no telefone com o desconhecido que via. Até o prazer de casar não teve. Queria poder falar com família e amigas da tristeza e dos dias melancólicos, mas ela tinha uma vida melhor que elas. Até tentava engravidar para poder se ocupar, deixando de tomar o anticoncepcional regradamente, mas ficou feliz no dia que Tracy a viu e até Tobechi notou. Ela tinha travado no trabalho, perguntou como estava e já foi ver os dentes de Kamara, como um pai que vê os filhos e a elogia, perguntando se já posou. Respondeu que não. Foi se achando na casa, coisa que Kamara achou que ela se perderia. O filho a viu, ficou contente. Falavam da universidade, riam juntos. Kamara não queria que ela se fosse e até disse de Josh ver seu trabalho, Tracy a viu e convidou Josh para ir. Mostrou um trabalho que era pinceladas e tintas que pouco diziam para Kamara. Via a bagunça e procurava qualquer motivo para continuar por ali. Até que de tanto olhar, Tracy perguntou quase sussurrando se ela não pousaria nua. Kamara mal sabia o que dizer e Tracy disse para pensar. Kamara chamou Josh para comer espinafre, desejando que tivesse dito algo mais ousado.

Parte 4
Josh estava se preparando para a maratona e Neil estava ansioso, até dizia ser campeão por só participar. O menino havia feito um cartão celebrativo judaico, mas só podia dar a ela na sexta. Kamara ficou contente com o gesto, mas se reprimiu, ainda mais quando foi lavar a louça e Neil contou que os cartões eram para membros da família. Foram embora e Kamara estava inquieta para falar com Tracy. Teve coragem, mas quando a porta se abriu ela estava distante e impaciente. Tentou falar de Josh, mas ela queria fechar a porta. Conseguiu deixar aberta ao tocar no assunto de que posaria nua. Encolheu a barriga enquanto falava. Tracy sorriu e disse que a pintaria, mas não naquele dia, não era um bom dia.

Parte 5
Neil consolava Josh com biscoitos e açúcar de não ter ganhado a competição. Kamara viu a professora de francês, Maren, usava roupa apertada e muito blush, nada do que Kamara pensava de uma professora de francês. Neil falava que a maratona tomou tempo dos estudos e ela veio ali para poder estudar o tempo perdido. Ele falava de Josh mesmo ainda estando na sala com uma voz grave, ignorando o menino poder ouvir e como se precisasse de alguém que falasse que ficaria tudo bem. Kamara gostava de como a tratava e pensou nas possibilidades que teria de ver Tracy com ele preocupado e agora com a notícia que chegaria tarde. Já planejava a ligação para Tobechi e estava até de sutiã novo. Tracy subiu, estava travada e cumprimentou Neil como se fossem irmãos. Ela consolou Josh e teceu elogios a Maren, perguntando também se ela já tinha posado. Aconselhou a fazer sem nunca tirar os olhos dos olhos dela e mordendo a maçã. Kamara sentou-se ao lado de Josh e pegou um biscoito.

Conto VI – Jumping Monkey Hill

“Todos os bangalôs tinham telhados de palha. Havia nomes como Baboon Lodge e Porcupine Place pintados à mão ao lado de portas de madeira que levavam a caminhos de pedra, e as janelas eram deixadas abertas para que os hóspedes acordassem com o farfalhar das folhas de jacarandá e o som ritmado e tranquilizador das ondas do mar se quebrando. As bandejas de vime continham uma seleção de chás sofisticados.”. Em meio a tanta riqueza, coisas rústicas e luxo, Ujunwa acho estranho o workshop ser ali. Era um tipo de resort na Cidade do Cabo que gente rica tirava foto de lagarto, sem se dar conta do que existe por mais disso. Descobriu que o resort foi escolhido por Edward Campbell, nigeriano com um sotaque britânico cômico, responsável pela organização e que falava demais. Ele era velho, entre 70 e 90 anos, ela tinha acabado de perder o emprego no banco em Lagos e ficou aliviada do Ugandês que estavam esperando ter chegado. O resort era paradisíaco e temático em uma visão colonial da África. Até Ujunwa esperou ver macacos nas árvores e Edward no jantar que infelizmente não haviam. Haviam vários na janta, “A sul-africana branca era de Durban, mas o sul-africano negro vinha de Johanesburgo. O tanzaniano era de Arusha, o ugandês de Entebbe, a zimbabuense de Bulawayo, o queniano de Nairóbi e a senegalesa que, aos vinte e três anos, era a mais jovem ali, viera de Paris, onde fazia faculdade.”. Por fim apresentou Ujunwa, ela pensava com quem se daria bem e ia medindo doses e receios de cada um. Talvez o mais chamativo sendo das regiões, histórico e o que cada um era ali. Contou do workshop, patrocinado pelo mesmo grupo da Fundação de Artes Chamberlain, mesmo do prêmio Lipton que o bajulador ugandês era ganhador e agora chefiaria o workshop. Teriam uma semana para escrever com um notebook para cada um em seu respectivo bangalô e na segunda semana revisariam em conjunto. Apresentou sua esposa, Isabel, ativista, que dispensava apresentações, parecia que ela compensava o que ele não tinha. No café, como se quisesse se integrar, falava que identificava que Ujunwa tinha sangue real. Ela queria perguntar se Isabel perguntava o mesmo dos amigos londrinos, mas mentiu falando de uma jornada de um português em tempos passados que originou seu sangue. Ela falou feliz que sabia identificar e pediu ajuda na casa dos animais. A mãe de Ujunwa se ria muito ao ouvir de tudo. Ujunwa ficou contente e tentava se lembrar da última vez que a mãe riu tanto. Pensava na história e escreveu sobre Chioma, um nome comum a ela, uma garota formada em Economia em Nsukka e que procurava emprego. Depois de tanto mandar cartas, foi convidada e molestada, saiu dali. Continuava a ajudar a mãe na butique e resolveu pedir ajuda ao pai. Eles tinham uma richa, deu telefonemas, dinheiro e uns papéis. Não ouviu perguntas da mãe e viu a foto de uma outra mulher na mesa. Corta para o jantar, há uma conversa de pedirem avestruz e Ugunwa acha estranho, mas Edward ri falando que é típico. O frango ácido que ela comeu fez ela considerar realmente ter pedido o avestruz. Bebeu duas taças de vinho – a maior quantidade de sua vida – e ouvia conversas paralelas do Edward de Chardonnay ser enfadonho enquanto falava com a senegalesa de cuidar de cabelo crespo. Edward, o ugandês e Isabel ficaram na sala e os escritores saíram para conversar. Matavam os mosquitos a tapas e conversavam de esteriótipos de nacionalidades, riam-se de si, falavam dos escritores famosos e também contaram de si, de suas vidas e suas relações parentais. Até perguntaram de Ujunwa, a única que não falava, sobre como era seu pai e até mesmo da escrita ser terapia para ela. Mais tarde, voltou a escrever bebendo chá, e Chioma tinha agora uma chance de um emprego permanente no banco se conseguisse abrir contas em uma soma total. Mas o vice-gerente não a olhava como todos que a olhavam. Queria encantar, mas ele não a via. Em um carro, foi sendo chamada para contar das contas e sentar no colo. Ela lembrava da Mulher Amarela e o que sua mãe contou dela, tinha um relacionamento por mais de ano, seu marido comprava coisas para ela e o insulto máximo foi ir em sua butique e tentar comprar com o dinheiro que na verdade era dele. Bateu na mulher com a ajuda das amigas da redondeza e o marido se zangou, falando que os levou à vergonha. Sumiu. As familiares tentavam de tudo para pedir que ele voltasse e o apoio da mãe que se recusava. A loja ia falindo. Ela dava descontos, anúncios e adaptava os sapatos, tais quais o que Chioma usava naquele dia. Assim ia a rotina no resort de três refeições até que no sexto dia o primeiro conto era analisado, o do zimbabuese. Ujunwa notava que Edward sempre ficava percorrendo o olhar nela sem se fixar no seu rosto. Ela ouviu um comentário de Edward que queria era que ela deitasse quando ela se ofereceu para se levantar em um dia quente com poucas cadeiras ao sol. Só os homens ouviram e um deles riu, ela riu de reflexo. Até quis contar a zimbabuense sobre o ocorrido, mas ela parecia distante, talvez do conto dela. Era um conto cheio de floreios que falava de um professor de ensino médio em uma igreja pentecostal que o pastor declarou que eles não teriam um filho até obrigarem as bruxas que amarraram o útero dela confessarem o que fizeram. No jantar, vários comentários, Ujunwa achava o conto bom apesar dos floreios, mas ouviu desde que algumas partes eram desconexas até do conto ser datado demais. Voltaram para dormir, no dia seguinte comentavam do café da manhã. O conto da senegalesa passava em um velório e ela se abriu sobre a homossexualidade, emocionando-se ao ler. O ugandês até esqueceu que chefiava o workshop e Edward mordia o cachimbo falando que a história não refletia a África com o tópico. Ujunwa até perguntou e ele a observou como uma criança descomportada. A senegalesa falava rápido em francês e declarava-se senegalesa e Edward respondeu em francês. Disse que ela talvez tomou muito Bordeaux e riram do comentário. As mulheres do workshop se revoltaram, a zimbabuense e a sul-africana. Foram elas para o bar e Ujunwa se perguntava da senegalesa. Estavam lá as mulheres e o queniano. Ujunwa se sentia mal de ter rido do comentário de Edward e disse de como se sentia com ele a observando. Eles reafirmaram o ponto, ela se sentiu traída por parecer tão óbvio e voltou ao quarto. Sua mãe não atendia. Deitou-se e acordou sem ter escrito nada. O tanzaniano leu um trecho do conto de assassinatos no ponto de vista de um miliciano e foi consagrado como um conto atual e que devia ser lançado no Ordinary. Ujunwa achava aquele conto uma matéria do The Economist com charges. O conto de Ujunwa continuava com ela com o cliente que tecia elogios e suas lembranças com as artes e as letras. Ela se lembrava da reprovação em seguir carreira em literatura e disse que podia ser um hobby. Lembrou da lata de metal que tinham seus escritos com anotações do pai que a apoiava. A mãe dizia que ela precisava dos livros da escola. Ao contar para o cliente de como ela tinha aquele serviço, ele aceitou ser cliente, quando convidou para o seguirem e verem perfumes, ela foi embora, sem ouvir os chamados, e iria buscar seus pertences no escritório. Ujunwa nem queria ler o conto, muito menos tomar café. Ficou sabendo pelo queniano do comentário de Edward querer ver o umbigo nu da senegalesa. Depois de pensar nesse comentário e tudo que poderia ter dele sendo ouvido e dito, perguntou diretamente à senegalesa o que ela achava. Foram na loja de souvenirs e teve até o tanzaniano sendo cutucado de ser gay por gostar de bijuterias e respondeu que estava sempre aberto. Comentou sério que Edward tinha contatos interessantes e deviam estar abertos para possibilidades, ainda ele que não queria ser professor. Ujunwa comprou um colar de marfim falso e Isabel comentou de como deviam deixar em paz os animais. Ujunwa disse que era real, Isabel ficou espantada, queria alongar que matou ela mesma em uma caçada real mas não disse. Leram o conto de Ujunwa, o ugandês comentou da história forte, tanzaniano da atmosfera de Lagos, a sul-africana não gostou do anterior ter dito do termo terceiro mundo. Edward nåo gostava da inverossimilidade do tratamento grosseiro, ainda mais na Nigéria que mulheres têm poder como a ministra. O queniano gostou do conto e achou o final improvável e era pura ideologia, não era gente de verdade. Ujunwa riu vitoriosa, sem compreenderem, explicou que a única coisa inverossímil é que ela tirou o detalhe que pediu para o motorista do jipe levá-la para casa. Segurou algumas lágrimas, assim como mais detalhes que queria dizer, mas ia voltar para ligar para a mãe. Pensava se aquilo seria um final plausível.

Conto VII

No seu pescoço

Parte 1
“Você pensava que todo mundo nos Estados Unidos tinha um carro e uma arma; seus tios, tias e primos pensavam o mesmo. Logo depois de você ganhar a loteria do visto americano, eles lhe disseram: daqui a um mês, você vai ter um carro grande. Logo, uma casa grande.”. O conto fala-se em uma segunda pessoa da comunicação, atribuindo o “seu” e “você” para o leitor/personagem. Falam das coisas que queriam dos Estados Unidos antes de se despedirem, coisas simples, muito menos do que a casa grande e as armas, sendo a última que pediam para não ter. Respondia que traria. O tio levaria ela, agora marcada como mulher a personagem, para se ajeitar. A empresa que ele trabalhava estava desesperada para ter diversidade e pagava até a mais. Morava em bairro de gente branca mas valia. Dizia que era dando que se recebia, em proporções iguais. Ela foi tentar a sorte em uma vaga de caixa de posto de gasolina com os ensinamentos do tio e foi matriculada em uma universidade comunitárias. As alunas tinham coxas grossas, bronzeado artificial, esmalte vermelho e perguntavam num misto de arrogância e ignorância da vida, da língua e do seu cabelo. O tio contou depois que ouvia dos vizinhos que os esquilos sumiram depois que chegou dos boatos dos africanos comerem qualquer animal selvagem. Sentia-se bem com o tio, comia garri, a esposa a chamava de nwanne, irmã, e falavam igbo. Era como se estivesse em casa, apesar de ser em Maine. Mas uma noite o tio foi até o porão, em que ela dormia em volta de caixotes e apertou sua bunda soltando gemidos. Ela o empurrou e disse que ela não era criança, ela tinha vinte e dois anos e podia ter mais que ele ajudaria, era o que acontecia ali e em Lagos. Trancou-se no banheiro até o tio sair e fugiu. Viu ainda o tio passando de carro sem buzinar e lembrou do que ele disse de dar e receber. Foi parar em Connecticut, quase 450 kms de Maine. Na última parada de ônibus de Greyhound se ofereceu em um restaurante para trabalhar dois dólares a menos do que as garçonetes. O gerente, Juan, sorriu mostrando o dente de ouro e sabia que imigrante trabalhava bem, era um, nunca teve alguém da Nigéria e aceitou pagar um dólar a menos, mas por fora, detestava imposto. Não dava para estudar pelos altos preços e falta de universidade comunitária. Ia estudando pelas bibliografias e no quarto de tapete e camas manchados. Pensava na família que sofria no trabalho, recebia pouco e idolatravam ela que ganhou na loteria. Ia guardando as notas que recebia do Juan que eram bonitas, em vez das de gorjeta. Nunca escrevia nada, até que aprendeu sobre a franqueza e abertura dos americanos que falavam de assuntos que os nigerianos guardavam para contar quem lhe desejavam bem. Queria contar de como deixavam notas amassadas com restos de comidas como se fossem oferenda, de que imploravam para crianças ficarem quietas, de gente rica que era magra e gente pobre que era gorda, queria contar até das roupas, mas nunca tinha dinheiro o suficiente para pagar as contas e os presentes e nunca escreveu, nem sabiam onde estava. Se debatia entre a parede e até Juan disse de bater no namorado violento. Riu de nervoso. Tinha algo na garganta que a sufocava, não tanto para que não pudesse dormir, mas tinha algo no seu pescoço.

Parte 2
Vivia ouvindo comentários se era da Jamaica ou de doações para a África dos clientes. Mas um perguntou uma vez se ela era igbo ou iorubá, sabia dizer que não era fulani. Ficou surpresa. Ele começou a vir muitas vezes, era interessado, sabia da Nigéria, da cultura e dos povos. Veio por três dias, nunca querendo se mostrar a mais, mas querendo conversar, o que era proibido no restaurante. No quarto dia pediu para Juan a colocar em outra área para não lidar com ele e ele a esperou no estacionamento no final do turno, convidou-a para ver “Rei Leão”. Viu os olhos dele, cor de azeite de oliva extra virgem, coisa que mais gostava do país. Ele contou que tinha passado um tempo sem estudar para se encontrar e tinha se formado rápido se comparar que a Nigéria as universidades fecham rápido pela falta de dinheiro e desvio. Ele riu quando ela perguntou se ele se achou na África ou na Ásia. “Você não sabia que as pessoas podiam simplesmente escolher não estudar, que as pessoas podiam mandar na vida. Você estava acostumada a aceitar o que a vida dava, a escrever o que a vida ditava.”. Teve medo de sair com ele de novo, ele tinha um olhar faminto que a interessava e a amedrontava. Quando ele apareceu de novo, disse logo que saía com ele com medo de não perguntar de novo. Foram para o Chang’s e os biscoitos da sorte tinham papéis em branco.

Parte 3

Ela logo se sentiu mais tranquila para aos poucos revelando um pouco de si e das mentiras que contou. Disse que no Jeopardy torcia para antes tudo que não fosse homem branco, o que Akunna estava acostumado da criação da mãe professora de estudos femininos. Contou do pai ser motorista e não professor, e de uma história vergonhosa do pai se humilhando para não pagar os custos de uma batida que a filha via de longe. O motorista, que era o trabalhador e não o dono, o dono estava no banco de trás, gostou daquela humilhação e disse para ir. Era naquele misto de chuva e pântano até que os familiares ganhavam dinheiro desatolando carros. Akunna disse que entendia, mas ela não aceitou, disse que as coisas eram assim e detestou essa simpatia dele achar que todos deveriam ser compreensíveis como ele era.

Parte 4

Chegaram a ir em um mercado africano e ele via os rótulos, o dono chegou a perguntar de onde era e enganou falando que era nascido mas morava muito tempo nos Estados Unidos, o que era mentira. Comeu garri e onugbu, mas vomitou na pia. Ela ficou contente que poderia fazer onugbu com carne agora, pois ele era contra a morte dos animais que induzia medo na carne e o uso de glutamato monossódico e por isso gostava tanto do Chang’s que não usava. Ela ficou chateada, o garçom a tratava como impossível terem um relacionamento e o seu conhecimento básico de mandarim ser ele ter uma namorada em Xangai. O sexo foi fingido e depois ela contou o que se passava. Ele disse ter entendido, mesmo a expressão significando o oposto.

Parte 5

Ele dava presentes caros, ele confessou que um avô de Boston deixou uma herança confortável antes de doar boa parte. Na cultura dela, presente tinha que ser útil e ele se ria. Guardava os presentes de sapato e bolsa para dar aos parentes na Nigéria. Ele se oferecia para pagar a passagem, mas ela não queria que adicionasse aos países que visitou para se vangloriar. Um dia, dando um passeio ao rio do Estatuário de Long Island, elevaram a voz e ele a acusou de estar exagerando, enquanto ela apontou falando que achava que ele era americano de verdade, já que só considerava os pobres de Mumbai como indianos e ele não era gordo como os pobres que servia. Foi embora e depois voltou estendendo a mão. Trocaram carinhos, alisavam o cabelo um do outro depois do sexo e ela ajudou a passar hidratante nas costas queimada. “Aquilo que se enroscava ao redor do seu pescoço, que quase sufocava você antes de dormir, começou a afrouxar, a se soltar.”.

Parte 6

Conheceu os pais dele. Diferente de como tratavam nas ruas as pessoas que viam aquela combinação com simpatia demais ou antipatia exagerada, os pais a perguntavam de forma relevada. Mas Akunna estava tenso com tudo e ela não entendia. Voltando para casa, sentia raiva de como os pais queriam que ele fosse feliz e até bancar financeiramente e ele não aceitava. Mostrou também a casinha no Quebec que passariam alguns dias e ele não quis ir. Para ela, aquela casa podia ser um banco na Nigéria. Sentia-se incomodada e até derrubou um copo. Akunna notou, perguntou e ela disse que estava tudo bem. No chuveiro, chorou, sem saber o motivo.

Parte 7

Finalmente escreveu, enviou o dinheiro e falou seu endereço. Recebeu uma cara expressa da mãe, contando do pai que morreu no volante 5 meses atrás. Usaram o dinheiro para um enterro decente. Ela chorava desconsolada. Não sabia identificar se alguns dos dias que passou mal foi quando sentiu ele morrendo ou se foi algum dos dias que estava em outro plano no Chang’s ou em Manchester. Akunna a consolava, dizendo que iria com ela. Ela iria sozinha, e ele a lembrou do green card, que devia voltar dentro de um ano. Ela nem saberia se voltava. No aeroporto, abraçou-o e deu de costas.

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Tema de redação UEA Macro de 2025 – “Turismo na Amazônia: entre o desenvolvimento socioeconômico e os impactos ambientais

Texto 1


(Gilmar Fraga. https://gauchazh.clicrbs.com.br)
Texto 2
A Amazônia, com sua vasta biodiversidade e riqueza cultural, tem sido palco de diversas iniciativas de turismo sustentável
que buscam harmonizar a preservação ambiental com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. Essas
ações destacam-se por promover práticas responsáveis e valorizar os recursos naturais e culturais da região.
No Amazonas, o governo estadual, por meio da Amazonastur, tem implementado ações para fortalecer o turismo sustentável. Em Tefé, por exemplo, foi realizado o Workshop Turismo Sustentável e lançada a plataforma “Amazonas To Go”, iniciativas
que visam capacitar os moradores locais e promover o ecoturismo na região.
O Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2025 abriu inscrições com novidades e destaque na Amazônia, reconhecendo iniciativas que integrem impactos ambientais, sociais, culturais e econômicos de forma equilibrada. Mais de 90% das iniciativas
premiadas nas últimas edições contemplam ações ambientais e sociais, demonstrando a força do turismo como agente de
transformação na região.
(Caio Vinícius Vilaça. “Turismo sustentável na Amazônia: iniciativas promissoras para a preservação e desenvolvimento local”.
https://agroflorestamazonia.com, 19.03.2025. Adaptado.)

Texto 3
O ano de 2024 terminou com um alerta contundente: foi o mais quente da história recente, registrando temperatura média
global 1,6 ºC acima dos níveis pré-industriais. Com a realização da COP30 (30a
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) em Belém (PA), em 2025, o país tem uma oportunidade única de liderar a agenda do turismo sustentável
— setor que representa cerca de 7% do PIB nacional e emprega milhões de brasileiros.
O turismo sustentável oferece caminhos reais para preservar o meio ambiente ao mesmo tempo em que gera renda, empregos e oportunidades. Em um mundo em transformação, onde crises climáticas e transições tecnológicas se entrelaçam, o
turismo responsável é mais do que tendência: é uma necessidade.
(Alexandre Sampaio e Luciana De Lamare. “Turismo sustentável é oportunidade estratégica para o Brasil em 2025”. https://exame.com, 06.04.2025. Adaptado.)
Texto 4
A professora Isabel Grimm, doutora em meio ambiente e desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR),
destaca que, quando se fala de crise climática e turismo, há de se pensar também sobre a responsabilidade que o próprio setor
possui nos impactos ao meio ambiente.
“O turismo impacta com as emissões de gases do efeito estufa, principalmente por causa dos transportes. E o transporte
aéreo é um dos que mais têm emitido gases. Mas há também o uso excessivo de água e de energia elétrica nos locais turísticos, que produzem impactos muito relevantes. Precisamos pensar em alternativas para o que chamamos de turismo de
massas, com menores impactos aos ecossistemas”, diz Isabel.
A especialista reforça que toda a cadeia turística deve se envolver na mitigação dos custos ambientais: os povos locais, as
empresas, os governos e os próprios turistas. Um dos pontos fundamentais, nesse sentido, é repensar a própria concentração
de pessoas em destinos mais badalados e midiáticos, e valorizar outras experiências possíveis dentro do país.
(Rafael Cardoso. “Turismo e crise climática: os caminhos sustentáveis para a Amazônia”. https://agenciabrasil.ebc.com.br, 12.01.2025. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Turismo na Amazônia: entre o desenvolvimento socioeconômico e os impactos ambientais

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Tema de redação ENEM 2025 – Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

O tema de redação do ENEM em 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.

TEXTO I
Em 2022, o total de pessoas com 65 anos de idade ou
mais no país chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4%
frente a 2010, quando esse contingente era 7,4% da população.
É o que revelam os resultados do universo da população do
Brasil desagregada por idade e sexo do Censo Demográfico

  1. “O Estatuto do Idoso define como idoso a pessoa de
    60 anos ou mais. O corte de 65 anos ou mais foi utilizado nessa
    análise para manter comparabilidade internacional e com outras
    pesquisas que utilizam essa faixa etária, como de mercado de
    trabalho”, justifica a gerente de Estudos e Análises da Dinâmica
    Demográfica do IBGE. O aumento da população de 65 anos ou
    mais e a diminuição da parcela da população de até 14 anos no
    mesmo período, que passou de 24,1% para 19,8%, evidenciam
    o franco envelhecimento da população brasileira.
    GOMES, I.; BRITTO, V. Censo 2022. Disponível em:
    https://agenciadenoticias.ibge.gov.br.
    Acesso em: 21 maio 2025 (adaptado).
    TEXTO II
    Um movimento na internet, contrário ao pictograma com a
    bengala para os idosos, iniciou uma campanha para modificar essa
    imagem. A empreitada coletiva acabou com a elaboração de um
    novo desenho, uma figura mais altiva, ao lado da inscrição “60+”.
    Disponível em: www12.senado.leg.br. Acesso em: 21 maio 2025.
    TEXTO III
    A velhice é tempo de se retratar consigo mesma, de falar
    da doença, da sexualidade, do tédio e da liberdade de não se
    encaixar mais nas expectativassociais. “A velhice não é doença.
    É destino”, escreve Rita Lee. Mas ela mesma mostra que esse
    destino não é sinônimo de mero encaminhamento para o fim —
    é campo de novas escolhas, inclusive a de desafiar estereótipos
    reservados para essa fase da vida.
    A atriz Fernanda Montenegro, 95 anos, oferece em suas
    memórias uma síntese luminosa desse gesto de habitar o tempo
    com dignidade: “A velhice é o tempo em que a vida já foi vivida
    e, por isso mesmo, pode finalmente ser olhada de frente, sem
    o pânico do ineditismo”.
    Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 17 maio 2025.

TEXTO IV
Um novo estereótipo: o “velho ativo”, saudável e com
recursos pressiona o “velho inativo”, doente e pobre. Nem todos
os idosos têm recursos à disposição para aderir a essa corrida.
Idosos são os principais mantenedores dos lares
Disponível em: g1.globo.com. Acesso em: 4 jun. 2025 (adaptado).
TEXTO V
Dona Maria Rita era tão antiga que na casa da filha estavam
habituados a ela como a um móvel velho. Ela não era novidade
para ninguém. Mas nunca lhe passara pela cabeça que era uma
solitária. Só que não tinha nada para fazer. Era um lazer forçado
que em certos momentos se tornava lancinante: nada tinha a
fazer no mundo. Senão viver como um gato, como um cachorro.
Seu ideal era ser dama de companhia de alguma senhora, mas
isso nem se usava mais e mesmo ninguém acreditaria nos
seus fortes setenta e sete anos, pensariam que era uma fraca.
Não fazia nada, fazia só isso: ser velha. Às vezes ficava deprimida:
achava que não servia a nada, não servia sequer a Deus.
LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite.
Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1974.
TEXTO VI
Quem tem direito de viver mais?
O documentário Quantos dias. Quantas noites busca
investigar quem, afinal, tem direito a uma vida longa no Brasil.
“São inúmeros os marcadores que definem quem vai viver e
quem vai sucumbir diante de uma realidade imposta por um
sistema bastante perverso”, afirma o diretor do documentário.
“O envelhecimento leva a maioria das pessoas a um
declínio funcional. Mas, se você chega aos 75 tendo acumulado
desigualdades, principalmente pelo racismo, é muito difícil
sobreviver com qualidade de vida”, diz um médico gerontólogo.
Disponível em: g1.globo.com. Acesso em: 10 jun. 2025 (adaptado).