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Bélgica

Quais são os feriados nacionais da Bélgica?

– São, no total, 10 feriados nacionais (Há também feriados municipais, da província e da região) – 1º de janeiro: Ano Novo – Segunda-feira de Páscoa – 1º de maio: Dia do trabalhador – Dia da Ascensão – Pentecostes – 21 de julho: Dia Nacional – 15 de agosto: Assunção de Maria – 1º de novembro: Dia de Todos os Santos – 11 de novembro: Armistício de 1918 – 25 de dezembro: Natal

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Redação UNESP UNESP

Redação UNESP – Fatores que zeram uma redação

– Fuga de tema e/ou gênero proposto (Mantenha-se em 4 parágrafos, falando de todas as palavras do tema) – Apresentar sinalização que identifique o candidato (Qualquer identificação é feita no gabarito) – Folha em branco – Texto não verbal (Deixe qualquer desenho para o rascunho) – Texto em língua estrangeira (É tolerada a presença de termos em língua estrangeira) – Letra incompreensível e/ou ilegível (Pratique para que seja possível pelo menos prever o que está escrito) – Texto fora do espaço reservado (Caso precise economizar linhas, risque uma frase e escreva por cima dela) – Texto com menos de 8 linhas autorais (Você pode usar informações dos textos motivadores, mas não copiar exatamente) – Esqueleto pronto de redação (Preocupe-se menos com repertórios coringas e conectivos que não cumprem sua função) – Apresentar forma proposital de anulação (Obviamente que impropérios são permitidos se fazem parte do nome de um título)

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"Memórias de Martha" FUVEST 2026 Julia Lopes de Almeida

“Memórias de Martha” de Julia Lopes de Almeida – Resumo de Cada Capítulo

Publicado em 1899

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1862 – Rio de Janeiro, 30 de maio de 1934, morrendo de complicações de febre amarela) foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira.

Foi casada com o poeta português Filinto de Almeida, apesar de ser mais famosa e mais apta do que ele, o marido foi nomeado a participar na ABL em seu lugar. Existe uma expressão chamado “nobre consorte”, que é alguém que participa da família real sem ter o sangue, tal qual ele é acadêmico consorte da ABL. Era filha de Visconde, escrevia escondido, antes de poder se ver a atividade de escrita como inclusa para mulheres. Foi jornalista em “O País” por 30 anos, começando primeiro a publicar na Gazeta de Campinas, cidade que mudou para viver em sua infância. Vai para Lisboa, em 1886, escreve com sua irmã “Contos Infantis” em 1887, sendo a pioneira em literatura infantil no Brasil. Quando casa-se com seu esposo, ele já era diretor da revista “A Semana Ilustrada”, já colaborava nas publicações. Em 88 volta ao Brasil e publica “Memórias de Martha” que saiu em folhetim em “O País”.

O livro é composto por 12 capítulos, com um final que foi apenas publicado em folhetim.

Capítulo 1 Com o gênero “memória”, o narrador-personagem começa a falar do esboço que são suas lembranças da infância, como da casa, do quarto, do quintal, tal qual nem fica o sentimento de saudade, mas o de dúvida. Lembra-se de uma mudança, mandando por as coisas na rua por um homem zangado, a mãe em prantos, seu pai enfaixado morto na cama e que devia beijá-lo. “O frio e o cheiro do cadáver deram-me náuseas”. Pensando que ia ser levada com o morto, saiu correndo para o quintal, sentindo-se livre e também com a cabeça em mente da punição do Pai do Céu de suas travessuras, mais do que o medo que iria morrer, já que ouvia todo dia que Deus iria castigar tudo que ela fazia pela boca da mãe. Mal lembrava do pai, nem sabe se o amou pois a convivência era pouca. Mais passava o tempo trabalhando, já a narradora, agarrada à saia da mãe e ouvindo histórias arrepiantes de pecadores e do castigo de Deus. Mas ela não distinguia “o movimento de transição da nossa vida desse tempo para o outro, em que habitamos um cortiço de São Cristóvão.“. Não tinha criados e nem sabe para onde foram, nem a mestiça, a mãe ficava a engomar dia e noite, suspirando, peito magro e com as mãos queimadas. Crescia devagar, até eventualmente ia brincar com as outras meninas do cortiço, mas elas eram mais brutas e violentas e logo a faziam chorar alto. A mãe vinha ao socorro, lábios queimados e respirando forte, protegendo a filha. A mãe dava uns trapos para que ela brincasse e logo caia ao sono, acordando e estava coberta com um lençol, cabeça no travesseiro e um mosquiteiro que a protegesse. “Os dias sucediam-se sem que se notasse a menor alteração em nossa vida.”. O café da manhã era café e pão, a parte dela maior que a da mãe, sempre se sentia atraída pelo barulho das crianças e logo voltava chorando, cheia de agressões verbais de ser lerda, palerma e lesma, ela mais fraca e tímida que todas, e das agressões físicas. Estranhava no começo como existia tanto barulho, tanta gente e tanta gritaria ali. Ficava na tutela da mãe para não ficar como ela, como se a observasse a todo momento e sentisse o cheiro do desvio de caráter. “Fui sempre medrosa e dócil.”. Sempre ficava na casa de uma outra violenta moça enquanto a mãe fazia entregas. Lembra-se bem de uma cena, Carolina, filha dessa ilhoa (que é da ilha) percebeu que ela tinha fome, coisa comum de passar tanto tempo depois do café da manhã e da idade. Deu um bocado de carne e farinha e ela devorou com vontade, soltando palavras meigas e a ilhoa chegou. Perguntou como ela arranjou a comida e a Carolina respondeu logo, tomou seis socos na cara e caiu ao chão, mesmo dizendo que não tinha fome, ela avisou que era para aprender que ninguém mexia na comida sem sua permissão. Chorando, foi como encontrou a mãe ela. Contou a história para a mãe que, a partir dali e depois de tanto tossir, nunca mais a deixou com a ilhoa e levava ela nas entregas. Em uma das entregas da primeira semana de sol, no meio do caminho, a mãe se escondeu de uma moça bonita, ela a conhecia. Perguntou o motivo de não a cumprimentar, “A resposta tive-a anos depois, do tempo, da idade, do destino e dos desenganos.”. Pensando nisso na casa da freguesa, foi passar um tempo com uma das meninas que se divertia em mostrar o que tinha, mais por vaidade do que empolgação. Após ver os brinquedos, as posses e as salas da casa, elas se viram em um espelho e a narradora se achou feia ao lado dela. “Ela me compreendeu e demorou-se maldosamente a confrontar-me com altivez. Eu me sentia humilhada e com vontade de chorar… Em casa da ilhoa ou em casa da freguesa, caía sobre mim, com todo o peso, o horror da minha incompreendida situação.”. A mãe chama a menina, Lucinda, para que dê um vestido a ela que não servia mais. Ria da situação que colocava um vestido pelo outro, Lucinda a chamou de macaquinho. Obedecia como um robô de mexerem como bem entendiam e ela sentia raiva de ter que aceitar esmola e ter a vida tão diferente de Lucinda. A mãe agradecia. A irmã mais velha de Lucinda a beijou, apagando seu ódio. “As crianças pensam; e as impressões que sentem são as mais duráveis e profundas muitas vezes.”. Voltou lá, sem Lucinda, a moça tinha mais roupas para doar. Perguntaram se sabia ler, mas agora poderia ir para uma escola para aprender com novas roupas, para a alegria das senhoras. Passou a tarde feliz na alcova, com as outras crianças, Maneco, oito anos, fedia cachaça e procurava ponta de cigarro para fumar, pálido e orelhudo, era o que o mais lhe afligia e mais procurava ela. Rita era sua irmã, cinco anos, falava palavrão de um volume tanto quanto era bonita, morena e engraçada. Lucas era mais jovem, vivia sujo e mentindo. Todos ouviam as histórias curiosos e invejosos, menos Carolina que se curvava para lavar os esfregões.

Capítulo 2

“Dias depois entrei para a escola pública da minha freguesia.”. Foi até falar Carolina e os irmãos que ia, viram ela indo com o vestido. O começo foi difícil, acostumou-se. Ficou colada à uma mulata que tinha os estudos mais avançados e paciência para ensinar ela. “Ficava a meu lado; era feia, escura, marcada de bexigas, com olhos pequeninos e amortecidos, o cabelo muito encaracolado e curto.”. Tinha doze anos, fazia 3 anos que estava na escola, não subia de nível. Estimava-a muito. Chamava-se Mathilde. Avançava nas letras por sua conta. Apesar de várias vezes sumirem objetos na sala, um dia sumiu uns sapatinhos e acusaram Mathilde, que negou, acusando-a do sumiço do sapato e de tantos outros objetos. Ao vasculharem sua caixa, acharam os sapatos e ela recebeu as humilhações de cabeça baixa. Ficou de pé no canto da sala de exemplo, não conseguiu acompanhar a aula, mas acompanhou a atitude de todos e nunca mais dirigiu uma palavra à Mathilde. Isolada, tornou-se agressiva, inauturável a tal ponto que a expulsaram. Viu-a sair sem chorar, aos fins dos trinta e tantos anos, sentia dor no peito. “Substituí a Mathilde, na grande convivência colegial, por Clara Sylvestre.”. Não ensinava como Mathilde, mas a cuidava com muito esmero, era sempre muito cuidada e ganhava até parte da merenda dela. Era forte. Ela sempre carregava pó de arroz e a narradora achava lindo. Inventava histórias de Lucinda com suas roupas e Clara por alguns momentos ficava com inveja, queria esse luxo todo. “De Carolina e dos irmãos ranhosos não falei nunca no colégio.”, mesmo ela tendo sido salva da fome e apanhado por isso, era perigoso manchar sua reputação na escola. Depois de dois anos, passou, foi de vestido branco e laços, não reconheceu na época, mas a mãe teve que trabalhar muito. Foi um dia de vitória. As amigas falavam das férias, das viagens, a narradora ficava triste. Ia passar as férias com a mãe que só trabalhava, emagreceu e ficou pior, via de longe Carolina que trabalhava e também piorava. “Era a doença, era o cansaço, porque ela, estupidificada pelo meio, nem tinha consciência do sofrimento.”. Maneco continuava nos vícios, ainda mais que o pai, Seu Joaquim, incentivava-o pela ausência e pelo ensinamento. Mesmo com a violência toda, a narradora voltava à casa da ilhoa, cansada do tédio da casa. Um dia a ilhoa chamou sua mãe, Martha, para que a menina fosse com ela. Tinha ganhado doces e repartilhava com as crianças, notou a falta do Maneco, mal sabia a mãe do paradeiro. A casa da ilhoa, mesmo com tantas crianças, era o menos sujo do cortiço. O quarto tinha o que dava, coberto do que podia. A ilhoa perguntou para procurar Maneco mas Rita contou que logo vinha. Os pensamentos da ilhoa que ele estava bebendo se concretizaram, ele voltou que não se aguentava. A mãe esmurrou ele forte, batia de quase matar ele e a Carolina de suplicar que parasse. Rita assistia apavorada. A ilhoa contemplava o corpo dele estirado ao chão e que era uma maldição o Joaquim na vida, contou do avô que morreu do mesmo vício, mas Joaquim não tinha o mesmo, mas ensinava Maneco a beber. Rita ficava ali assistindo, Carolina ia chorando e levava o irmão para o quarto, ele chiando na respiração. Dessa vez, a briga na volta de Joaquim com a ilhoa foi mais longa e mais barulhenta. Martha fechou a porta e mandou a narradora dormir.

Capítulo 3 Um surto de difteria e de sarampo afetaram o cortiço, Martha cuidava da narradora com força e com dedicação. Nessa febre, delirava com pedidos que a mãe só podia a olhar e não realizar. Comprou uma boneca pois queria a mesma de Lucinda, que viajava. Ela comprou, via na cara dela a decepção, deixou-a no assoalho por alguns minutos mas brincou com ela, enfeitou-a e dormiu com ela nos braços. A mãe continuava a se esforçar no trabalho. Voltou para a escola e sentiu saudades dos dias ociosos, foi com Rita para estudar dessa vez, protegendo-a, tomou gosto de ser sua mentora e a palavra final das decisões dela. Muitas meninas iam e vinham, sem saber de onde e para onde, deixando uma tristeza sem fim e sem compreensão pela idade. Ainda Clara Sylvestre foi estudar e tinha ciúmes da relação da narradora com Rita, tinha amizade com outra cabocla risonha, mas até se resolviam tempos depois rindo entre si. Virou favorita da professora, sentava perto, comentava da facilidade e da paciência e as crianças traziam alecrim e perpétuas de presente. Chegou dezembro, passou com louvor nos exames e a mãe pensou estar apta ao trabalho, mas não tinha jeito com a engoma e deixava comida queimar. A mãe não repreendia, mas lhe dizia que devia se acostumar, até porque um dia iria morrer e precisava ser independente. Desatou a chorar e prometeu trabalhar bem, para no outro dia entornar as panelas e apagar o fogo. “Eu tinha então onze anos.”. Passou as férias tristes, Carolina, ainda resiliente e e sensata, continuava a sofrer agressões. No primeiro dia de escola, estava lá, e ouviu uma conversa da professora animando uma adjunta para ter liberdade financeira e social ao se tornar professora. Na mesma noite, a narradora sonhou em ser professora, tinha frutos do trabalho, a mãe ficava feliz com o sonho do emprego. Mas ela não sonhava em dar sossego para a mãe do quanto trabalhava, ou ser útil ou poder ter dinheiro, mas de não ter que mais morar em cortiço era um sonho por si. Estuda a mais e tinha frutos, dava para a mãe que guardava entre cartas da família e retratos do pai, uma caixinha que dizia sorrindo ser o passado e o futuro dela. Voltando para casa um dia com Rita, a narradora vê a ilhoa com roupa rasgada e cabelo solto sendo segurado pelos soldados, com o Joaquim vociferando enquanto sangrava. No susto, descobriram que a ilhoa levou Maneco ao médico, emagrecia muito, não dormia e tremia, era o vício, não tinha nem mais cura, a morte era o fim. Deixou-o com Carolina e foi atrás de Joaquim, o filho ia morrer, mas ele iria antes. Tinha muita gente e mais gente chegou depois com os soldados, mas a ilhoa só via o dono, amarelo, alto, no balcão seboso, magro, quebrou tudo que tinha em volta enquanto quebrava o Joaquim. Carolina chorava enquanto continha o irmão, Martha foi ajudar Carolina. Martha notou as pernas inchadas de Carolina, perguntou se foi ao médico. Como toda doença e problema que tinha, dizia que era nada. Ela já nem calçava meias, outra pessoa disse ser a umidade dali. Martha deu caldo ao menino e janta à Rita. A ilhoa voltou no outro dia, mal entrando, já chorava.

Parei aqui – Capítulo 4 “O cortiço em que morávamos gozava da fama de ser um dos mais pacatos do bairro devido à previdência do proprietário, um carroceiro português que morava com a família no local, na primeira casa à esquerda do portão.”. Gabava de escolher a dedo quem morava ali, e as pessoas iam se amontoando pelo preço, acostumando-de às promiscuidades e à barateza. A narradora se demorava como podia para não voltar ali. Até mesmo nomeou o cortiço de “avenida”, arranjou quitandeiros para darem frutas e fez uns tanques para as lavandeiras. Não foi nem dessas cortesias que continuavam, mas é que nem aumentou o aluguel e nem tinham outro lugar para ir. Eulália era outra moradora, de perto da ilhoa, falava alto, mulata gorda, todo sábado voltava da feira com cachaça. Ainda faziam assobios de canções africanas e improprérios, respondia dançando, fazendo careta ou caindo ao chão. Nas segundas, cheia de nódoas de pancadas, ia à Martha pedir trabalho. Ela a admoestava, dizia não deixar ela na mão e ela cumpria o serviço. Direita da casa moravam galegos, mulher, marido que trabalhava na fábrica e duas filhas, fechavam a porta da casa para não compartilhar comida, nem com “tio Bernardo, o idiota velho que o carroceiro sustentava e a quem todos davam os magríssimos sobejos.”. Era explorado. Dois tiroleses eram bem calmos, apesar de um ter tentado roubar uma mulher paraguaia, mas Túlio intervia e trabalhavam bem, mais Túlio do que Giovanni. Depois de uns dias, Giovanni matou Túlio dentro da casa, fugiu de madrugada e tio Bernardo viu a culpa. A gente comentava, a narradora viu o corpo de Túlio ensanguentado, boca aberta e olho esbugalhado, não por muito tempo pois a mãe a apressou, mas foi o suficiente para marcá-la. Averiguaram que levou dinheiro guardado de Túlio e Giovani o matou no sono. O medo tomou conta dela, o dia era até passável, mas de noite achava que ia ser assassinada a qualquer espreita, mesmo que a mãe dissesse que elas eram muito pobres para serem alvo de qualquer coisa. Até uma noite confundiu uma saia com o Giovani, a mãe a protegeu e embalou no sono. Foi aos poucos voltando ao normal. Emagrecia e, em um dia que costurava, a mãe a ficou vendo e disse como ela parecia com o pai. Pela primeira vez, deixou de trabalhar e parecia querer falar dos mortos e a narradora perguntou. Falava que ela tinha os olhos e a cor da pele, disse que se conheceram em uma festa e inicialmente foi difícil para se juntarem. Ela era pobre e ele também, mal tinha dinheiro para o dote e foi morar com ele e a sogra na casa da sogra. O pai dela era viciado em apostar jogando cartas e mal tinha como pagar as dívidas, piorou quando a mãe dela morreu. Foram se arranjando após a morte do avô enquanto apostava, eles tinham pouco mas eram bem considerados e virou caixeiro-viajante após a filha nascer. Porém, foi assaltado e não acreditaram na história, perdeu muito dinheiro e se matou. Chorou pela primeira vez a morte do pai, perguntou como levaram a morte do pai na empresa, Braga & Torres, culparam-no. “A viúva de um ladrão não podia continuar na mesma classe da qual a memória do marido a arrancara. Não era só uma mulher pobre, era uma mulher vilipendiada. Estávamos bem no cortiço, só aquele lugar é que nos competia…”. Os barulhos todos do cortiço cessaram, até a brisa parou de vir da janela.

Capítulo 5 “Os meses foram correndo. Eu estudava muito, mas, ou pelo esforço intelectual, ou por fraqueza física, estava sempre nervosa, irritada e magra. A minha preocupação constante era ser vítima de um desastre imprevisto.”. A morte era uma preocupação constante, tudo levava um medo de morrer ou achar a mãe morta, ainda que Martha tentasse distraí-la. Não foi mais à casa da ilhoa, a visão de Maneco ainda, tremendo, cada dia mais magro, só piorava tudo. Em uma tarde, viram luz no quarto da casa da ilhoa mas nada relacionaram, na manhã seguinte de domingo, ficou em casa e fazia frio, até que passou um caixão de defunto na casa da ilhoa. Foi ver, a casa estava aberta e ainda assim menos suja que as demais. Rita via tudo com os olhos bem abertos. Carolina andava com as pernas bem inchadas, tirando roupa de um baú. Maneco estava morto na cama, pálido. Tinha morrido de madrugada, fazia dias que não saía da cama, a morte era certa e esperada, mas a família sofria. Rita beijou-o na bochecha, Carolina na boca enquanto o molhava de lágrimas, Joaquim o abençoou, a ilhoa o segurava no colo longamente e o beijou e colocaram-no no caixão, sem flores, sem cerimônia. A narradora, comovida com tudo, quase a chorar, fugiu para casa. Na aula, no dia seguinte, pálida, recebeu notícias da mestra que ela foi aceita para receber ordenado, salário. Mal conseguia se segurar para contar a notícia para a mãe, mal entendia as lições. Parece que foi até de propósito que duas meninas que ela acompanhava tinham o irmão, filho de carpinteiro, a esquecer de buscar elas e ela sem poder ir para casa logo. Quando deram 4 horas, vieram e ela saiu voando para casa. Chegou abraçando a mãe, disse que poderiam até mudar para perto da escola, um chalézinho pequeno mas aconchegante, só que tomaria todo o dinheiro do ordenado. Deixaram sempre em mente aquela casa até que um dia surgiu a ousadia de alugar, um menino fitava ela enquanto ela explicava as aulas de física, era bom moço. Só que ela sabia nada de amor, se quer recebia cartas ou qualquer coisa e nem sabia como reagir. As meninas se riam e ele vivia a vendo e fitando, perdia seu rumo. Um dia, ela foi com a mestra para ir embora para casa, mas chegando perto, lembrou que teria que mostrar o portão do cortiço, todo feio, ela até inventou uma enxaqueca para diminuir o passo. Ela aconselhou dormir bem agasalhada, deu-lhe um beijo e se foi. Até viu a sombra dele na parede, mas nunca mais o viu. Foi assim que decidiu alugar “pequeno chalé cor de pérola, de venezianas verdes e lambrequins de madeira a guarnecer o beiral do telhado.”. Mas, depois de tantos anos, chegou à conclusão que o menino estava interessado era na professora.

Capítulo 6

A narradora morava no novo chalezinho, a mãe continuava a trabalhar o mesmo tanto, mas o ar era melhor. Pensava bastante no menino, estava apaixonada. Nunca mais o viu por muito tempo, meses, julgava ter sido a entrada do cortiço. Mas ela achava o amor improvável por ser feia. Talvez amasse o que ele representava, o Amor, o sentimento e a hipótese. Continuava na mesma escola, com afinco, dedicação, nunca deixando-se de parar de se esforçar, pois não considerava ter talento, apesar do comentário da mestra, o que tinha era “muita boa vontade.”. Deram o apelido de Santinha pela professora apontar como exemplo e de forma maliciosa. A narradora ignorava. “Assim, cheguei à idade de vinte anos, passando o melhor tempo da vida a estudar para ensinar ou curvada sobre a costura, ao lado de minha mãe, que enfraquecia muito e trabalhava sempre…”, não tinha amigas ou hobbies, pouco a pouco os olhos perdiam o brilho. Martha notava o espírito da filha e pedia que a mestra eventualmente a chamasse para jantar. Ficou entusiasmada com o convite da diretora para jantar com outros, ela tinha muito poder na narradora, já que ensinou desde o ABC e trabalhava com afinco, assim cobrando dos outros. Estava por perto dela, mas profissionalmente, o convite deixou-a feliz. Vestiu o melhor vestido, com rosa fresca, feito do crochê do recreio das meninas, a mãe a acompanhou e a esperaria, não tinha vestido bom para ir e a esperaria onde apenas os criados poderiam vê-la. Ficou perdida na festa, sentia-se feia vendo tantas jovens bem vestidas, dançavam, riam, lembrava-se da vez que se viu no espelho com Lucinda e o abismo que existia ela e as outras senhoras. Até olhava para a mobília e a casa, tão distante de si. A dona da casa apareceu, cumprimentou-a e ela logo a puxou para uma sala, apesar da narradora ter tentado, em toda sua timidez, resistir. Viu sua mestra, jovial, contava do seu sogro e da surpresa do aniversário do marido, senhor Jeronymo de Andrade. Após ter ouvido da família e de amigos, as pessoas dançavam, até que uma hora ela foi chamada para dançar. Ela queria sair daquilo, quem o acompanhava fazia de má vontade, ela se confundia toda, voltou para a cadeira derrotada. Quando serviam chá, pegou e guardou alguns biscoitos para a mãe, alguns rapazes viram com desaprovação e ela sentiu vergonha. Ouviu de um casal de idosos que já eram duas da manhã, sendo que sua mãe a esperava às onze. Ainda tentou achar a dona da casa mas saiu correndo. A mãe estava lá, no frio, ainda a esperando, dizendo que valia se ela tivesse se divertido. Ouviu tudo enquanto ajudava a filha se arrumar para dormir. No outro dia, desculpou-se à mestra de ter saído sem se despedir e ela perguntou se tinha se divertido, como nem tivesse feito falta. A narradora afirma que foi para trabalhar ali que tinha nascido mesmo.

Capítulo 7 “Decorreram muitos meses sem a mais leve mudança.”. Aquele “soirée”, festa, deixou uma má impressão na memória, gostou no momento, mas ficou mortificada depois que relembrava. Chegaram as férias, e, com ela, febre e tosse. O humor mudava e também tinha vertigens. O médico disse que precisava casar. Aquilo a chicoteou, parecia histerismo, a mãe a olhava com preocupação, o médico até tentou desviar para que ela tivesse folga, uma viagem ou coisa do tipo. A narradora não achou a ideia boa, a mãe foi contar à mestra em lágrimas. A ocasião coincidiu com a mestra indo passar férias com ela em Palmeiras da Serra, RJ. A mãe pediu dinheiro adiantado a um homem freguês antigo, Miranda, consertou-lhe e comprou roupas e a passagem, deu tudo sorrindo. Custou para soltar a mãe, chorava muito. Na viagem, via toda a paisagem bonita. Chegou na estação tarde, alguns estrangeiros por ali que eram da família e os levaram para a casa, espaçosa, com muitos quartos, em um local com muito verde e com muita paz e luz. Foram 3 pessoas com ela, além de uma criada, “O chefe da família gostava de caçar, a mulher de ler, eu de escrever à minha mãe.”. O chefe ia caçar, as mulheres passeavam, a mulher, Dona Anninha, com livro e a narradora com o cesto de trabalhos. Muitas vezes aproveitavam para ler na varanda do chalé do senhorio, a narradora simpatizava com uma arara que não lhe dava muita bola. Assim passavam os dias, aproveitando a natureza, lendo, cosendo, entre cheiros de flores, colhendo algumas, até colhendo framboesas e ouvindo o germinar da natureza. Em um dos passeios, um grupo de rapazes apareceu e um deles conhecia D. Anninha, Luiz, seu primo, falava de como gostava do lugar, ia até no inverno, mas que era bom viver na cidade para saber aproveitar o campo. Prometeram de almoçar no dia seguinte, era estudante de medicina depois que a narradora soube das contações dele. Naquela noite, a narradora misturou a sua face, “de rosto oval, grande bigode castanho, olhos maliciosos e ternos a um só tempo, cabelo ondeado e sedoso, mãos finas, esguias e brancas.”, com a do menino de três anos atrás, arrumou-se diferente e esqueceu de sua fealdade. Ele chegou atrasado, reclamava de ser estudante de medicina. O almoço foi feliz com seu espírito. Ele contava de um sonho de ter um castelo, com muita arte, pessoas felizes e belas, rodeadas por fauna e flora se tivesse muito dinheiro para poder oferecer tudo isso e ser lembrado como um bom governante. Até transpirava de contentamento do trabalho cotidiano e do afastamento da cidade. O marido de D. Anninha dizia que queria sossego e paz, nada de música e de festas ou de danças, mesa farta, espingarda cheia e sossego. A mestra perguntou à narradora, Martha, o quê faria se fosse rica. Ela era modesta, falou pouco e Luiz a observava. Na volta, foram de braços dados e ele contava da sua vida e de suas aspirações. Ela ouvia atenta, e queria ser sua esposa. A mãe veria tudo e ficaria feliz.

Capítulo 8 Martha, a narradora, vive um amor inocente com as visitas de Luiz, com flores e poemas que traz. Ela até se ri no momento presente da escrita das memórias. Em uma das tardes, caiu uma chuva forte, D. Anninha ia séria encontrar abrigo, Luiz ia rindo, Martha estava apavorada pois ela sempre teve problemas em lidar com tempestades e ficava cega de medo. Encontraram abrigo com um negro velho lenheiro. Passados quinze minutos, outra mulher apareceu, do hotel, “nova, alta, bonita, rosto cor de leite e rosas, de uma frescura encantadora, emoldurado pelos anéis sedosos do cabelo loiro-cinzento”, Luiz ficou encantado. Dado um sossego, conseguiram sair para ir ao hotel, um estrondo de trovão fez Martha gritar e Luiz a segurou e ajudou-a até o hotel. Dormiu bem e se revigorou. No dia seguinte, ficou a impressão boa do carinho de Luiz por ela e de como a cuidou, e se apagou a memória da norte-americana. Luiz não foi almoçar, esperaram-no em vão, mas chegou uma carta de um criado que a mãe da mestra não ia bem e precisava da presença dela. Voltariam no dia seguinte e Martha continuava confiante que ele apareceria, pelo menos para se despedir na estação. Daí que ela o vê de novo, em um dia belo e bonito, com fauna e com flora romântica, braços na rapariga de ontem e conversando intimamente em um banco antes de ir à estação. Via-os de perfil e das poucas palavras que entendeu, ouvia ele perguntando a ela se o amava e ela respondia que sim. Teve raiva daquela beleza dela, “Passei indiferente pelos chuveiros de flores douradas, vaporosas, que pendiam dos galhos musgosos das árvores folhudas, e deixei-me cair quase desfalecida num combrosito gramado, à beira da estrada.”. D. Anninha ficou preocupada se tivesse ocorrido algo a ela antes de irem para a estação, ela chegou a perguntar o que significava a conversa, ela o traduziu, ficou por isso mesmo, conversa de ingleses. Via com o comboio os lugares belos de antes que passeou com Luiz. Voltou mais forte, tinha até engordado e ficado mais feliz antes com Luiz, mas evitava falar dele. A mãe a acolheu, quis saber de tudo e contou que Miranda tinha grande interesse na filha, lia as cartas com felicidade. A mãe estava mais magra e abatida. “No fim de uma semana recomeçaram as aulas.”.

Capítulo 9 A frustração amorosa lhe tirou todas as energias. “Tornei-me excessivamente nervosa; passava outra vez horas em silêncio; a mínima coisa me impacientava; tinha o gênio irregular e frenético.”. Uma noite, foi acordada pela mãe, gritava em sono e queria saber o motivo, ela respondeu rispidamente e a mãe se assustou. A filha não sabia como se remediar. O médico remediou banho de mar e distrações, a mãe redobrava os esforços e o trabalho, a filha dormia mal, mal se esforçava no trabalho e chegava descontado no ordenado. Em um passeio, a mãe foi sentar, arfando, a filha continuou um pouco. Ela viu uma área pobre, com lama, crianças e o sol se pondo. O trem passou e a criançada quis acenar aos passageiros, a narradora ficou naquela melancolia, sentindo saudade de algo. Foi aí que notou uma senhora perto dela, elegantíssima. Foi até umas crianças, repartindo dinheiro. Depois notou, quando voltava, que aquela dama elegante, bem vestida e imponente era Clara Sylvestre. Em um silêncio, viam-se, Martha até queria abraçá-la naquele mistério, mas não entendia bem. Conversaram, reconhecia a cara mas não lembrava do nome, mal falavam do básico, tinha ido dar dinheiro a uma moça que perdeu uma criança, passavam necessidade. Alguns meninos deram lugar ao carro, chamando Clara. Ela se despediu, pedindo que a esquecesse, não merecia sua amizade. Ria indo aos rapazes e Martha chorava. Contou para a mãe, contemplava o caso e ficou na memórias essas palavras de que não merecia a amizade, ela que era inveja de Martha, da doçura, do espírito, da beleza. Mas ela queria penetrar naquilo, parecia feliz, bonita, rica, como ela era triste? “Quem valia nada era eu, sempre ignorada por toda a gente, sempre feia, o que me torturava, sempre envergonhada dos meus vestidos mal-ajeitados, do meu calçado barato, do meu modo esquerdo e retraído!”, mas Clara sempre a olhava com doçura. Essa neurose de ser pobre e de ser feia durou muito tempo, não sumiu por todo, mas chegou uma ocasião que ficou mais calma. Estudava, dedicava o tempo para decidir ser professora. “Envelheci, emagreci, trabalhei sobreposse”, mas a alma vencia onde o corpo caía. Um dia, sua mestra contou do casamento de Luiz, que era com Leonor, sobrinha de Anninha, a imagem que vinha era dela, não de Luiz. Mas a mestra a fez focar no concurso de professora que saiu em “A Gazeta”. Colocava toda a raiva em estudar, até mesmo na filha do paralítico deixada de lado que alimentava sua inconformação. Foi tranquila, como jamais foi a uma prova, mas a mãe ficava ansiosa, era o momento de saber se deveria trabalhar mais um ano, com o corpo cada vez mais debilitado. “Com que orgulho eu penso na desvelada solicitude que tem, em geral, a mulher brasileira para o filho amado! Não o repudia nunca, trabalha ou morre por ele. Coração cheio de amor, perdoemos-lhe os erros da educação que lhe transmite e abençoemo-la pelo que ama e pelo que padece!”.

Capítulo 10 Miranda, solicitador, rábula, advogado sem diploma que exerce as mesmas funções, trouxe a notícia para a mãe de Martha que ela passou no concurso de professora. A mãe recebeu a filha alegre, no mesmo dia que Luiz casava. Ela só pensava nas promessas e na menina bela, trancou-se no quarto com pretexto de se organizar. A mãe trouxe a notícia que Miranda pediu sua mão em casamento, não respondeu. Ela disse que tinha se apaixonado pelas cartas, a filha mal o conhecia, só de vista, achou estranho mostrar as cartas. Mas ela estava soberba, ficava orgulhosa da filha, Miranda era bom cliente e bom trabalhador. Martha filha não queria casar, alcançou uma posição independente. A mãe só queria a ver casada, era velho mas bom homem. Só que as cartas escritas eram frutos da paixão por Luiz, não era a mesma agora, não amava o que ela era, mas o seu momento. Pensava em toda sua vida, aos 24 anos só trouxe a paixão de um velho e, sem casar, mal teria um bom destino, ficaria velha, ranzinza, amarga ao mundo. Elas se desentenderam, mas decidiu-se com o casamento. “Só muitas horas depois pude ter calma para refletir. E refleti que o meu casamento seria uma vingança para os ultrajes que a minha imaginação de moça recebera sempre.”

Capítulo 11 O noivo era bem singular e nada de especial. “Era um homem de estatura mediana, gordo, calvo, com muitos fios brancos a luzirem-lhe na barba preta; de feições miúdas, dentes pequeninos; e peito robusto.”. A filha reagia com pouca ou quase nenhuma emoção. A mãe se empolgava tanto com a situação que lembrava de uma frase ou outra de uma carta e até trouxe a memória do pai de Martha filha. Miranda pediu envergonhado que parasse, a filha o olhou, triste. Ele sorriu a ela. Quando ele se foi, pontuou à mãe os erros de português. A mãe citou exemplos de situações que as mulheres se nivelavam ou diferenciavam da inteligência do marido, e que, no final das contas, devia fingir ou se igualar ao homem. Ela pouco se empolgava, dizia o que queria para mãe e ela fazia, enquanto se isolava e chorava. A cadeira era no Engenho Novo, na estação, foi agarrada pelo braço pela ilhoa, atropelou de perguntas e dizia da vida. Carolina casou-se, mesmo com a perna, explorava ela no trabalho e vivia batendo nela. Tinha dois filhos e morava no cortiço de Gamboa. Rita casou com um barbeiro. O marido saiu nas notícias mesmo que elas não tenham lido, passou uma carroça e deixou sem pernas. Tomaram caminhos diferentes, Martha filha admirava a ilhoa, estava mais velha, mas era resistente. “Dias depois tomei posse da minha cadeira de professora.”, Miranda e a mãe queriam uma data para o casamento. Adiava, ficava indecisa, finalmente decidiu dia e hora. Enquanto passava pelos papéis que guardava, caiu um papel com poemas de Luiz. Leu, relia, começou a recitar e até a mãe pediu que lesse. Perguntou de quem era, a filha respondeu de um primo da mestra. Ficou vendo a noite de estrelas, ventava e a mãe até avisou da folha sair voando. Ela não se importava tanto. “Foi assim passada a minha última noite de solteira!”

Capítulo 12

Casou-se com poucas pessoas presentes, Sr. Jeronymo e sua mestra e sua mãe. D. Anninha desejou felicidade e sabe que seria feliz. A primeira semana foi sem preocupações, a mãe estava feliz com tudo. Finalmente poderia retribuir os anos de luta da mãe, de resignação e de exploração com uma vida calma. Mas a luta da mãe contra a morte se perdeu, 8 dias de matrimônio foi quando teve uma síncope e só piorava, nem médico tinha solução. Martha filha gritava, ficava ao lado da mãe que enfraquecia sem se levantar. Um dia, a mãe olhou a filha, deu-lhe um beijo e pediu que saísse. Obedeceu. Aflita, andava pela sala e voltou, viu-a estirada e estava morta. Teve um ataque, debatia-se, gritava, estava sem chão. Ficou ali, aos pés dela.

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Tema de Redação da UEA SIS 3 de 2020 – “Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar e o papel das medidas de saúde pública”

O tema de redação da UEA SIS 3 do ano de 2020 foi “Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar e o papel das medidas de saúde pública”.

Texto 1

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o tabagismo é responsável por mais de 8 milhões de óbitos todos
os anos no mundo. Thúlio Marquez, médico pneumologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia,
afirma que o fumo causa várias doenças respiratórias, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), aumenta o risco de
infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de ser a causa de vários tipos de câncer.
De acordo com especialistas, o uso constante do tabaco causa dependência em virtude da presença de nicotina, que,
além de malefícios à saúde, é capaz de provocar dependência similar à provocada pela cocaína. Por isso, parar de fumar
pode ser um grande problema e muitas pessoas precisam de ajuda especializada. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante
tratamento gratuito, disponibilizando medicamentos, além de fornecer acompanhamento profissional.

(Juliana Valéria. “Dia Nacional de Combate ao Fumo é neste sábado, 29 de agosto”. comunica.ufu.com.br, 28.08.2020. Adaptado.)

Texto 2

A implementação de medidas estabelecidas pelo Tratado Internacional para Controle do Tabaco, como os aumentos de
preços e impostos, reduziu em até 40% o número total de fumantes no Brasil, de acordo com Tania Cavalcante, médica do
Instituto Nacional do Câncer (Inca) e secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro
para o Controle do Tabaco (Conicq). Também contribuem, para o alerta do perigo do tabaco, as advertências sanitárias nas
embalagens de cigarro e a proibição das propagandas. De acordo com a médica, as medidas adotadas, incluindo a proibição
de fumo em locais fechados, estão fazendo o efeito previsto e mudando a percepção da sociedade de que fumar é glamoroso
e positivo para uma visão do fumo como um problema de saúde pública.

(“Medidas antitabaco diminuíram em 40% o número de fumantes no Brasil”. www.hojeemdia.com.br, 28.10.2019. Adaptado.)

Texto 3

A rapidez com que se implementaram medidas de combate ao tabagismo, como legislações, campanhas sanitárias e
estratégias para cessação do hábito, coloca em pauta uma contradição quanto ao uso do cigarro: de um lado, a sedução do
fumo por seus efeitos de redução da ansiedade, por propiciar concentração e pela sociabilidade gerada; de outro, os efeitos
adversos à saúde que afetam igualmente fumantes e não fumantes. As ressonâncias históricas de paradoxos associados ao
uso de tabaco que colocam lado a lado prazer e riscos se revelam em entrevistas incluídas numa pesquisa feita por Mary Jane

Spink, doutora em Psicologia Social e professora universitária, cuja finalidade era entender como as campanhas antitabagis-
mo são compreendidas por fumantes.

Segundo a pesquisa, no passado, fumar era bonito, elegante, e era uma maneira de mostrar que já se era adulto; como
vários entrevistados afirmaram: “todos fumavam”. Hoje, segundo um dos entrevistados, “fumar é algo complicado, porque
parece que a gente está fazendo alguma coisa que não pode, mas é mais forte que a gente”. Acrescenta outro entrevistado:
“ser fumante hoje é viver uma ambiguidade, porque é exercício de um prazer, mas um prazer que tem um custo muito alto. É
um hábito ambíguo que não é simples e sem conflito; imagino que alguns ainda não decidiram parar de fumar”.
Conforme a pesquisa, todos os entrevistados tinham conhecimento de que cigarros causam dependência, assim como
dos malefícios do fumo para si e para os outros. Considerado esse quadro, para além da disponibilização de informações, é

preciso trabalhar com a premissa tantas vezes referida pelas pessoas que foram entrevistadas: o tabaco é uma droga lega-
lizada, mas vicia, causando dependência física e psicológica. Portanto, são muitos os desafios a serem enfrentados pelos

fumantes.

(“Ser fumante em um mundo antitabaco: reflexões sobre riscos e exclusão social”. Saúde e Sociedade, vol. 19, no

3, 2010. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Tabagismo: entre os desafios de parar de fumar
e o papel das medidas de saúde pública